Circuito Urbano da Boavista

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Portugal Circuito Urbano da Boavista
Boa Vista
Circuit Boavista.png
Mapa do circuito.
Informações da corrida
Localização Porto, Portugal
Voltas 55
Percurso 7.407 km (4.602 mi)
Total 407.385 km (253.137 mi)
Curvas 12
Pole Reino Unido John Surtees
Lotus-Climax L4
2min 25s 56
1960
Volta mais rápida
na prova
Reino Unido John Surtees
Lotus-Climax L4
2min 27s 53
1960
Anos disputados 6 (2 oficial)
Primeira disputa 1951 (1958 oficial)
Última disputa 1960
Maior vencedor (pilotos) Portugal Casimiro de Oliveira (1)
Itália Eugenio Castellotti (1)
Portugal Mané Nogueira Pinto (1)
França Jean Behra (1)
Reino Unido Stirling Moss (1)
Austrália Jack Brabham (1)
Maior vencedor (equipe) Reino Unido Ferrari (3)
Última corrida (1960):
Pole Position
Piloto Reino Unido John Surtees
Lotus-Climax L4
Tempo 2min 25s 56
Volta mais rápida
Piloto Reino Unido John Surtees
Lotus-Climax L4
Tempo 2min 27s 53
Pódio
Primeiro Austrália Jack Brabham
Cooper-Climax L4
2h 19min 00s 03
Segundo Nova Zelândia Bruce McLaren
Cooper-Climax L4
+57s 97
Terceiro Reino Unido Jim Clark
Lotus-Climax L4
+1min 53s 22

O Circuito Urbano da Boavista é um circuito urbano automóvel não permanente na cidade do Porto, em Portugal. Foi criado em 1931 e redesenhado em 1950. Entre 1960 e 2005 o projecto foi abandonado tendo regressado por iniciativa da câmara municipal do Porto em 2005. Desde então costumam disputar-se neste circuito de dois em dois anos o Grande Prémio Históricos do Porto e desde 2007 o WTCC - World Touring Cars Championship da FIA . O circuito actualmente situa-se na zona da envolvente ao Parque da Cidade do Porto, é constituído pela Avenida da Boavista, Avenida do Parque, Rua da Vilarinha, Rua de Vila Nova, Estrada da Circunvalação, Praça Cidade de S. Salvador, Esplanada do Castelo do Queijo e Praça Gonçalves Zarco.

História[editar | editar código-fonte]

O priomordios[editar | editar código-fonte]

A história do automobilismo na Boavista começa nos anos 20, onde se organizaram durante alguns anos os populares “quilómetros lançados”. Contudo, a primeira edição deste circuito automóvel com o nome formal de “Circuito da Boavista”, realizou-se apenas no ano de 1931, sendo o circuito constituído por duas longas rectas nas faixas laterais da Avenida da Boavista, unidas por duas curvas com um raio de 10 metros. A primeira edição desta competição foi ganha por Fernando Palhinhas ao volante de um Singer Nine, percorrendo apenas que percorrer 30 voltas em vez das 50 definidas para o circuito. Já nos dois anos seguintes, 1932 e 1933, a corrida era ganha por quem percorresse a maior distância no tempo fixo de 90 minutos, divididas em duas categorias distintas: Sport e Corrida. No ano de 1932, um destaque especial e novidade absoluta a nível nacional, para a participação de uma senhora: D. Palmira Coelho ao volante de um Opel. Já nesta fase, o automobilismo ameaçava tornar-se um evento bastante popular, como comprovava a quantidade de espectadores presentes, entre 10.000 e 12.000.

Década de 50 e a Fórmula 1[editar | editar código-fonte]

O ano de 1950 marcou uma viragem total na história do Circuito da Boavista, que surgiu reconfigurado e redimensionado, com um novo traçado de 7.775 metros, após a inclusão de novas ruas e estradas, como foi o caso da Estrada da Circunvalação, a Avenida Dr.Antunes Guimarães e a Rua do Lidador. Além disso, o Automóvel Club de Portugal (ACP), responsável pela organização, alargou os horizontes da corrida atribuindo a esta um cariz internacional, conseguindo com isso a participação de mais e melhores pilotos nacionais e de alguns dos grandes talentos internacionais. Foi então criado o “I Circuito Internacional do Porto”, que se realizou a 18 de Junho de 1950.

Devido ao enorme êxito da primeira edição, o “II Circuito Internacional do Porto”, realizado a 17 de Junho de 1951, levou à elaboração de um mais arrojado programa por parte do ACP, designado de “I Grande Prémio de Portugal”. Dos cerca de 30 pilotos esperados na prova, 16 eram estrangeiros. O número de espectadores, estimados foi de cerca de 100 000. Em 1952 o uso de capacete tornou-se obrigatório.

Em 1956 surge a ideia do ACP em trazer a Fórmula 1 para este circuito.

A 24 de Agosto de 1958, a Fórmula 1 chegava finalmente a Portugal. Uma estreia acompanhada com a vinda dos grandes nomes da época, na competição como Stirling Moss, Mike Hawthorn, Jack Brabham, Graham Hill e a primeira mulher a pilotar um Fórmula 1 – Maria Teresa de Filippis, entre muitos outros. O Grande Prémio de Portugal era a nona prova a contar para os Campeonatos do Mundo de Pilotos e de Construtores (este último instituído pela primeira vez nessa temporada).

Neste ano, Mike Hawthorn e Stirling Moss lutavam de forma acesa pelo título de campeão, com o Porto a assistir a uma emocionante corrida, com Moss a levar a melhor sobre o rival e a manter-se na luta pelo título.

A esta corrida de 1958, segundo relatos da época, terão assistido mais de 100 mil pessoas, entre os queis é de registar ainda a presença, no Porto, do então herdeiro ao trono de Espanha, o jovem Juan Carlos, futuro Rei de Espanha, neste evento.

No início da década de 60, o Circuito da Boavista recebeu o “IX Grande Prémio de Portugal”, prova que marcaria a despedida do circuito dos palcos do automobilismo nacional e internacional.

O circuito da Boavista recebeu o Grande Prémio de Fórmula 1 de Portugal por duas vezes, em 1958 e 1960.

Vencedores[editar | editar código-fonte]

Época Piloto Chassi/Motor Relatório
1960 Austrália Jack Brabham Cooper-Climax Detalhes
Não houve em 1959
1958 Reino Unido Stirling Moss Vanwall Detalhes
Não houve em 1956 e 1957
1955 França Jean Behra Maserati Detalhes
Não houve em 1954
1953 Portugal Mané Nogueira Pinto Ferrari Detalhes
1952 Itália Eugenio Castellotti Ferrari Detalhes
1951 Portugal Casimiro de Oliveira Ferrari Detalhes

Em 2007 o Circuito foi ainda animado com a presença do Red Bull F1 oficial, conduzido pelo sul-africano Adrian Zaugg, mas era para ser o português Filipe Albuquerque a conduzi-lo, porém teve corrida na World Series By Renault, pelo que não pôde estar presente.[1]

O regresso - Grande Prémio Histórico do Porto e o WTCC[editar | editar código-fonte]

2005[editar | editar código-fonte]

Em 2005, 45 anos após as últimas glórias vividas no Circuito da Boavista, o cheiro e o barulho dos motores, voltaram finalmente ao Circuito da Boavista, com a realização do Grande Prémio Histórico do Porto de 2005.

A Câmara Municipal do Porto teve um papel fundamental para o regresso deste circuito, cuja estrutura física se manteve na zona da Boavista e Circunvalação, onde foram construídas novas infra-estruturas para o efeito.

De 8 a 10 de Julho de 2005 as emoções estiveram ao rubro, e muitos foram os pilotos que marcaram épocas passadas, que não quiseram faltar à chamada e sentir de novo a adrenalina de disputar uma prova inesquecível, bem como o público presente que tem desde sempre estado à altura do evento, enchendo as bancadas e áreas circundantes.

2007[editar | editar código-fonte]

Depois do sucesso alcançado com a edição anterior, que marcou o regresso do Grande Prémio Histórico à cidade do Porto, 2007 acrescentou uma grande variedade de provas e um crescendo, só possível pela notoriedade conseguida na edição anterior. Com esta visibilidade, também tornou possível alargar o evento a dois fins-de-semana consecutivos em Julho.

O Circuito foi entretanto melhorado, com algumas obras de beneficiação que visaram aumentar a segurança e a competitividade, de forma a permitir a realização de mais e melhores provas, como foi o caso do Campeonato do Mundo de Carros de Turismo (WTCC).

As inscrições para as restantes corridas bateram números recorde e o público aderiu mais uma vez em grande número (mais de 112.000).

Todo este trabalho e esforço realizado, foi premiado pela Federação Internacional de Automobilismo (FIA) com o Certificado oficial de Homologação do Circuito da Boavista (Grau 4), permitindo a realização de diversas provas neste circuito citadino.

2009[editar | editar código-fonte]

Mais uma vez realizado em dois fins-de-semana consecutivos, 3 a 5 de Julho e 10 a 12 do mesmo mês, o Circuito da Boavista registou, neste ano, mais de 200 mil espectadores, que encheram as bancadas e visitaram a cidade. A transmissão em directo do acontecimento para todo o mundo, através da Eurosport, permitiu tanto à cidade como ao próprio país uma forte visibilidade e uma projecção à escala global. Mais uma vez este evento foi um sucesso a todos os níveis, continuando a chamar toda a atenção para este Circuito único que durante largos anos esteve esquecido.

2011[editar | editar código-fonte]

Este ano o circuito regressa integrado na Festas da Cidade do Porto, realizando em dois fins de semana, de 17 a 19 de Junho realiza-se o Grande Prémio Histórico do Porto, e 1 a 3 de Julho realiza-se o WTCC- Mundial de Turismo, com a presença do piloto português Tiago Monteiro.

GP Históricos do Porto[editar | editar código-fonte]

Tradicionalmente disputa-se este GP no Circuito da Boavista, anualmente. Neste GP correm carros clássicos de várias séries do desporto automóvel. Em 2007 e 2009 as categorias presentes foram:

  • Sport pré-Guerra – Motor Racing Legends;
  • Fórmula 1 pré-1961 – HGPCA;
  • Fórmula 1 pré-1966 – HGPCA;
  • Sport dos anos ’50 e ’60 – HGPCA;
  • World Sports Masters – GT e Protótipos até 1974, ex-Le Mans;

FIA Lurani Fórmula Júnior de 1958 a 1961;

  • Grand Prix Masters – Fórmula 1 pré-1978;
  • Gentleman Drivers GT Endurance: GT até 1964;
  • Sports Racing Masters: Protótipos até 1964 e
  • Aenor Touring, GT and Sports Classics: Clássicos até 1981.

Referências

Ligações Externas[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Circuito Urbano da Boavista