Desejo

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Em filosofia, o desejo é uma tensão em direção a um fim considerado pela pessoa que deseja como uma fonte de satisfação. É uma tendência algumas vezes consciente, outras vezes inconsciente ou reprimida. Quando consciente, o desejo é uma atitude mental que acompanha a representação do fim esperado, o qual é o conteúdo mental relativo à mesma. Enquanto elemento apetitivo, o desejo se distingue da necessidade fisiológica ou psicológica que o acompanha por ser o elemento afetivo do respectivo estado fisiológico ou psicológico.

Tradicionalmente, o desejo pressupõe carência, indigência. Um ser que não caressesse de nada não desejaria nada, seria um ser perfeito, um deus. Por isso Platão e os filósofos cristãos tomam o desejo como uma característica de seres finitos e imperfeitos.

Tradicionalmente, os filósofos viram o Bem como o objeto do desejo. Atualmente isso é questionado.

  • "O desejo não é sempre ou talvez nem mesmo frequentemente do Bem ou do Racional, como os filósofos têm frequentemente compreendido essas noções."
Richard Moran, "Replies to Heal, Reginster, Wilson, and Lear", p. 472 (em Philosophy and Phenomenological Research, volume LXIX, número 2, setembro de 2004, páginas 455-472).

Metafísica[editar | editar código-fonte]

O desejo é um tipo de sentimento. Isso significa que ele faz parte do sujeito, agente ou pessoa, sem fazer parte do mundo, a não ser na medida em que a pessoa faz parte do mundo. O desejo é uma atitude mental do sujeito em relação ao mundo (ver abaixo a seção 'Epistemologia'). É subjetivo, não objetivo.

Epistemologia[editar | editar código-fonte]

O desejo é um tipo de sentimento. Isso significa que temos acesso imediato e não-inferencial ao mesmo. Ainda assim, estamos sujeitos ao auto-engano e outras falhas relacionadas ao autoconhecimento na exteriorização dos nossos desejos.

Desejo como atitude mental[editar | editar código-fonte]

Em epistemologia, desejo é um tipo de atitude mental. Os desejos podem ser atitudes mentais proposicionais ou acusativas. Quando se apresenta como atitude proposicional, trata-se de um desejo que certo estado de coisas se dê no mundo. Quando se trata de uma atitude acusativa, trata-se do desejo de certa coisa ou objeto.

Desejos de ordem superior[editar | editar código-fonte]

Pode haver desejos de ordem superior, isto é, desejos em relação aos nossos desejos. Harry Frankfurt explora os desejos de ordem superior na sua explicação do livre arbítrio. São exemplos de desejos de ordem superior:

  • Desejar x, e desejar desejar x.
  • Desejar x, mas desejar desejar não-x.
  • Desejar x, mas desejar não ter desejo em relação a x.
  • Desejar x, e ser indiferente sobre desejar x (não ter desejo de segunda ordem).
  • Ser indiferente sobre x, e desejar a indiferença sobre x (não ter desejo de primeira ordem).
  • Ser indiferente sobre x, mas desejar desejar x (não ter desejo de primeira ordem).
  • Ser indiferente sobre x, e ser indiferente sobre desejar x (não ter desejo nem de primeira nem de segunda ordem).

Ética[editar | editar código-fonte]

O desejo foi tema importante das configurações da ética como morais metafísicas, tais como as que encontramos no estoicismo e no epicurismo.

Estoicismo[editar | editar código-fonte]

Para os estóicos, a felicidade está não em desejar que ocorra o que queremos, mas, ao contrário, em desejar o acontecimento. Sêneca pregava o estoicismo antes de 50 d.C.

Epicurismo[editar | editar código-fonte]

Para os epicuristas, a felicidade e mesmo a riqueza está em desejar ou querer apenas aquilo que já se tem.

Classificação dos desejos segundo Epicuro
Desejos naturais Desejos frívolos
Necessários Simplesmente naturais Artificiais Irrealizáveis
Para a felicidade (ataraxia) Para a tranquilidade do corpo (proteção) Para a vida (nutrição, sono) Variações de prazeres, busca do agradável Exemplo: riqueza, glória Exemplo: desejo de voar como pássaros


Ligações externas[editar | editar código-fonte]


Ver também[editar | editar código-fonte]

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