Isidoro de Kiev

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Isidoro
Cardeal da Santa Igreja Romana
Patriarca Latino de Constantinopla
Decano do Sagrado Colégio dos Cardeais
Pintura florentina de Isidoro.

Título

Cardeal-presbítero de Santos Marcelino e Pedro
Cardeal-bispo de Sabina
Ordenação e nomeação
Nomeado arcebispo 1437
Nomeado Patriarca 20 de abril de 1458
Cardinalato
Criação 18 de dezembro de 1439
por Papa Eugênio IV
Ordem Cardeal-presbítero
Título Santos Marcelino e Pedro
Brasão
CoA Isidore of Kiev.svg
Dados pessoais
Nascimento Tessalônica ou Monemvasia
1380
Morte Roma
27 de abril de 1463 (83 anos)
Funções exercidas Metropolita de Kiev
Arcebispo de Nicósia
dados em catholic-hierarchy.org
Cardeais
Categoria:Hierarquia católica
Projeto Catolicismo
Slubeznik (livro litúrgico) de Isidoro.

Isidoro de Kiev ou Isidoro de Tessalônica ou Isidoro, o Apóstata (em grego: Ἰσίδωρος τοῦ Κιέβου; em russo: Исидор; em ucraniano: Ісидор) (1380 - 27 de abril de 1463) foi um cardeal bizantino, metropolita de Kiev, além de humanista e teólogo, seguidor do rito ruteno. Foi um dos principais defensores orientais da reunião da igreja católica e da igreja ortodoxa no Concílio de Florença.[1]

Primeiros anos[editar | editar código-fonte]

Isidoro nasceu no Despotado do Épiro, em Tessalônica ou Monemvasia.[2] Ao chegar a Constantinopla, converteu-se em monge, sendo nomeado hegúmeno do mosteiro de São Demétrio. Tinha um bom nível de latim e uma considerável fama como teólogo, distinguindo-se por suas habilidades em oratória. Desde os primeiros momentos de sua carreira eclesiástica defendeu a reunião com a Igreja Ocidental.

Nesse tempo, a Corte de Constantinopla estava considerando pedir aos príncipes do ocidente que os resgatassem depois de reunir-se com a igreja católica, já que o Império Otomano estava muito próximo. Em 1434, Isidoro foi enviado a Basileia por João VIII Paleólogo (1425-1448) como parte de uma embaixada para abrir negociações com o Concílio de Basileia. Fez um discurso sobre o esplendor do Império Romano do Oriente em Constantinopla. Em seu regresso, continuou tomando parte pela reunião entre o pessoal de Constantinopla.[2]

Metropolita de Kiev[editar | editar código-fonte]

Em 1437, Isidoro foi nomeado metropolita de Kiev e Moscou e de toda a Rus' pelo Patriarca de Constantinopla José II, sob os auspícios do imperador bizantino João VIII Paleólogo, para conciliar a Igreja Ortodoxa Russa com a Igreja Católica Romana e assegurar a proteção de Constantinopla contra os invasores do Império Otomano. O grão-príncipe Basílio II da Rússia recebeu ao novo metropolita com hostilidade. Tão logo chegou trabalhou para formar uma delegação russa para o concílio, que havia sido transferido para Ferrara. De todo modo, Isidoro trabalhou para persuadir ao grão-príncipe para aliar-se com o catolicismo, com o propósito de salvar ao Império Bizantino e a Igreja Ortodoxa de Constantinopla.[3] Basilio II o fez prometer que voltaria sem ter prejudicado "os direitos da lei Divina e a constituição da Santa Igreja".

Concílio de Ferrara[editar | editar código-fonte]

Depois de que Isidoro recebeu financiamento de Basílio II, dirigiu-se a Ferrara e mais tarde a Florença (residência papal então), aonde realizou-se o concílio para os seguidores do Papa Eugênio IV, por causa de uma epidemia de peste em Ferrara, em 1439, à continuação do Concílio de Basileia. Saindo de Moscou com a delegação em 8 de setembro de 1437, e passando por Riga e Lübeck, chegou em Ferrara em 15 de agosto de 1438.[3] Tanto em Ferrara como em Florença, Isidoro foi um dos seis expoentes do lado bizantino. Juntamente com Basílio Bessarion, trabalhou categoricamente para a união, sem mudar de opinião a respeito disso. Opôs-se a ele o embaixador russo, Foma (Tomás) de Tver. Finalmente, se assinou o acordo de união entre as igrejas do Leste e do Oeste e Isidoro retornou à Rússia, pelo que Siropulo ou outros escritores gregos o acusaram posteriormente de perjúrio pela promessa que fez a Basílio II.

Depois do concílio (a notícia chegou quando se encontrava já em Benevento), foi nomeado cardeal-presbítero com o título dos Santos Marcelino e Pedro (sendo um dos poucos indivíduos que não foram do rito latino naquele tempo nomeado cardeal), e legado papal para as províncias da Lituânia, Livônia, toda Rússia e Galitzia (Polônia).

Regresso à Rússia[editar | editar código-fonte]

Desde Budapeste, em março de 1440, publicou una encíclica dirigida aos bispos russos para aceitarem a união, mas quando chegou a Moscou, na Páscoa de 1441, e proclamou a união das duas igrejas na igreja do Kremlin, viu que a maioria dos bispos, Basilio II e o povo não a aceitaria. Em sua primeira Divina Liturgia pontifícia na Catedral da Assunção em Vladimir, Isidoro levava consigo um crucifixo do rito latino à frente da procissão e nomeou ao Papa Eugênio IV durante as rezas da liturgia.[3] Também leu em voz alta o decreto de unificação. Entregou a Basílio II uma mensagem da Santa Sé, com um pedido de assistência ao metropolita em sua tarefa de estender a união pela Rússia. Três dias depois, seis bispos, sob ordens de Basílio, se reuniram em um sínodo e o depuseram. Depois disso, foi encarcerado no mosteiro Čudov por negar-se a renunciar a união com a herética Roma.[3]

Exílio[editar | editar código-fonte]

Em setembro de 1443, depois de dois anos de prisão, Isidoro escapa para Tver e mais tarde, até Lituânia e Roma.[3] Foi gratamente recebido pelo Papa Eugênio IV em 1443. Em 1451, foi nomeado carmelengo.[2] O Papa Nicolau V o enviou como legado a Constantinopla para preparar a reunião das igrejas ali em 1452, dando-lhe duzentos soldados para a defesa da cidade. Em 12 de dezembro foi capaz de reunir trezentos membros da igreja bizantina para uma celebração.

Viveu a tomada da cidade pelos turcos em 29 de maio de 1453, escapando do massacre vestindo um corpo com suas roupas de cardeal. Enquanto os turcos cortavam a cabeça do cadáver e a apresentava pelas ruas, o verdadeiro cardeal embarcou até a Ásia Menor com muitos prisioneiros, como escravo. Escreveria uma descrição dos horrores do assédio em uma carta a Nicolau V.[4]

Escapou do cativeiro ou comprou sua liberdade e voltou a Roma, onde seria nomeado bispo de Sabina, presumivelmente adotando o rito latino. O Papa Pio II outorgou mais dois títulos: Patriarca Latino de Constantinopla e Arcebispo do Chipre, que não pode exercer em uma jurisdição real. Foi Decano do Sagrado Colégio dos Cardeais desde 8 de outubro de 1461.[2]

Morreu em Roma em 27 de abril de 1463.

Conclaves[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Encyclopedia Britannica, Isidore of Kiev, 2008, O.Ed.
  2. a b c d The Cardinals of the Holy Roman Church (em inglês) Fiu.edu.
  3. a b c d e www.newadvent.org
  4. Patrologia Graeca, CLIX, 953.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Precedido por
Fócio
Brasão arquiepiscopal
Metropolita de Kiev

14371442
Sucedido por
Jonas
Precedido por
Angelo Barbarigo
Cardeal
Cardeal-presbítero de Santos Marcelino e Pedro

14401463
desde 1451, in commendam
Sucedido por
Louis d’Albret
Precedido por
Latino Orsini
Camerlengo
Camerlengo do Sagrado Colégio dos Cardeais

14511452
Sucedido por
Guillaume d’Estaing, O.S.B.
Precedido por
Amadeu de Saboia
Brasão arquiepiscopal
Cardeal-bispo de Sabina

14511463
Sucedido por
Juan de Torquemada, O.P.
Precedido por
Hugues de Lusignan
Brasão arquiepiscopal
Arcebispo de Nicósia

14581463
Sucedido por
Ludovico Fenollet
Precedido por
Francesco Condulmer
PatriarchNonCardinal PioM.svg
Patriarca Latino de Constantinopla

14581463
Sucedido por
Basílio Bessarion
Precedido por
Giorgio Fieschi
Brasão arquiepiscopal
Deão do Sagrado Colégio dos Cardeais

14611463
Sucedido por
Guillaume d’Estouteville, O.S.B.