Khuzdul

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
(Redirecionado de Khuzdûl)
Ir para: navegação, pesquisa
Khuzdul (Khuzdûl)
Outros nomes: Língua nanica
Criado por: J. R. R. Tolkien c. 1935
Emprego e uso:
Total de usuários: Anões
Categoria (propósito):
Categoria (fontes): Língua hebraica
Escrita: Cirth
Códigos de língua
ISO 639-1: --
ISO 639-2:
ISO 639-3: none

Khuzdul, ou língua nanica,[1] é uma das línguas artificiais inventadas pelo escritor e filólogo J. R. R. Tolkien no contexto da preparação dos contas da Terra Média. Parece que foi criada na década de 1930, mas a maior parte do corpus linguístico conhecido até à data (cerca de 60 a 80 palavras) surgiu na década de 1950, durante e após a conclusão da redação de O Senhor dos Anéis.

Em seu universo ficcional, Khuzdul é a língua do povo dos anões, eles a receberam de seu criador, o Vala Aulë. É transcrita principalmente por um sistema de escrita rúnico chamado cirth.

A estrutura do Khuzdul, do tipo flexiva, é inspirada pelas línguas semíticas, como o árabe ou hebraico: baseia-se em raízes consonantais, a partir da qual as palavras são construídas pela intercalação de vogais e acrescentando afixos. O vocabulário é construído a priori, ou seja, independentemente da linguagem natural, e desenhada por Tolkien para ser claramente distinguível de outras línguas da Terra Média:[2] o Khuzdul pareceria "pesado e desagradável" perante a língua dos elfos.[3]

Denominações[editar | editar código-fonte]

Tolkien usou vários nomes diferentes para a linguagem; na maioria das vezes ele usa o endônimo Khuzdul (uma vez escrito khuzdûl) ou o exônimo língua nanica ('Dwarvish' em inglês).[nota 1] Também são encontrados os termos nauglien (Nauglian),[5] khazadien (Khazadiano)[6] e Quenya naukarin.[7]

História[editar | editar código-fonte]

No Khuzdul, assim como em outras línguas inventadas por Tolkien, deve-se distinguir duas linhas de tempo no processo de desenvolvimento:

  • Uma externa, para a evolução dos conceitos de linguagem durante a vida do autor;
  • Outra interna, que diz respeito à evolução histórica da língua dentro do mesmo mundo imaginário em que é falado.

História externa[editar | editar código-fonte]

A criação da língua nanica parece datar do início ou meados de 1930. Na história do "Quenta Silmarillion",[8] é encontrado as primeiras ocorrências das palavras Khazaddûm,[nota 2] Gabilgathol e khuzûd. Isto significava a raça dos anões em sua própria língua, antes do Khazâd ser modificado. A partir de 1937, o ano de lançamento de O Hobbit, Tolkien refez o idioma, especialmente nos termos de sua estrutura. Em suas palavras, a língua khuzdule "foi descrita com algum detalhe em sua estrutura, mas com muito pouco vocabulário." Além disso, parece que há uma gramática e fonologia em Khuzdul nos manuscritos inéditos do autor.[9]

Para criar o idioma nanico, Tolkien foi inspirado nas línguas semíticas; foneticamente, a linguagem tende mais especificamente para o hebraico, mas outras características (tais como "plural quebrado"), lembram o árabe.[10] O autor disse que viu os anões "como os judeus", enfatizando a ideia de uma semelhança linguística com o hebraico.[11] Em uma entrevista transmitida pela BBC em 1967, também disse que "todas [as] palavras eram semitas, é claro; construídas para serem semitas".[12] Parece que Tolkien tinha conhecimento em hebraico, quando ele participou da tradução em inglês da Bíblia de Jerusalém em 1966.[13]

História interna[editar | editar código-fonte]

Representação de um anão.

O Silmarillion conta que os anões aprenderam o Khuzdul da boca do Vala Aulë, pouco depois da sua criação.[14] Por conseguinte, é um dos idiomas auliennes, do nome de Aulë.[15] Como tal, é possível que o Valarin, a língua dos Valar, tenha influenciado, em parte, a formação do Khuzdul.[16]

Na história de Arda, a língua nanica muda muito pouco em comparação com as línguas dos elfos e homens.[17] As poucas diferenças que ocorrem são devido às grandes distâncias geográficas entre as residências das várias casas dos anões, mas na Terceira Era, dois anões de diferentes casas ainda podiam se entender de qualquer maneira. Fora do círculo privado o Khuzdul é muito raramente utilizado, especialmente na presença de outras pessoas, e alguns estrangeiros que podem aprender algumas partes. Os anões raramente ensinavam a si mesmos porque a língua deles era "um segredo que eles não revelam facilmente, nem aos seus amigos".[18] Alguns elfos poderiam estudá-la: isto é particularmente o caso de Curufin na Primeira Era, "foi graças a ele que os mestres do conhecimento obtiveram o conhecimento limitado que adquiriram do khuzdûl",[19] ou Pengolod na Segunda Era. Mas a maioria dos elfos não tinha interesse nesta língua, "pesada e desajeitada aos seus ouvidos".[20]

É um ponto onde os anões são inflexíveis: eles ainda se recusam a mostrar seus verdadeiros nomes para qualquer estrangeiro ou membro de uma casa diferente, de modo que até mesmo seus túmulos não possuem seus verdadeiros nomes. Assim, os nomes dos anões conhecidos pelas histórias realmente vem da linguagem dos homens do norte (como é o caso de Gimli, Balin, etc.), ou são apenas apelidos: por exemplo, Azaghâl é o nome de um senhor anão, mas poderia ser um simples apelido que significa "Guerreiro".[21]

Apesar de seu sigilo, o Khuzdul influenciou alguns idiomas, incluindo o Adûnaico, a língua dos Númenorianos,[22] assim como certos termos em Quenya e Sindarin. Assim, o Quenya Kasar e o Sindarin Hadhod — ambos cujo significado é "Anão" — são resultado direto do termo Khazad de mesmo significado na língua nanica. Por sua parte, o nanico também emprestou uma série de termos do élfico, como o kibil relacionado ao Sindarin celeb.

Notas

  1. O termo Dwarvish (Anão) às vezes é traduzida como língua anã como no Tolkiendil,[4] mas nunca em traduções oficiais.
  2. Esta palavra, em seguida, significava a cidade anã de Nogrod antes de ser chamada de Moria.

Referências

  1. O senhor dos Anéis, Apêndice E.
  2. "Estruturalmente e gramaticalmente [Khuzdul] era muito diferente de todas as outras línguas ocidentais." (The Peoples of Middle-earth, p. 316, nota 4).
  3. Kilby, p. 44: Comparado com o élfico soava 'incômoda e desagradável'.
  4. KHUZDUL no Tolkiendil
  5. The Lost Road et autres textes p. 226.
  6. Sauron Defeated, p. 414.
  7. Parma Eldalamberon n°18, Tree of the Descent of Tongues, p.28, 29 e 81.
  8. The Lost Road, "Quenta Silmarillion".
  9. (em inglês) A List of Tolkien's Unpublished and Slightly Published Manuscripts, entrée §76.
  10. Parma Eldalamberon n° 17, p. 85.
  11. Lettres, carta n° 176, p. 229.
  12. The History of the Hobbit, p. 80, nota 9.
  13. Lettres, carta n° 294, p. 378.
  14. O Silmarillion, "De Aulë e Yavanna".
  15. The Lost Road and Other Writings, p. 178-179.
  16. Kloczko, p. 31.
  17. The Peoples of Middle-earth, "Of Dwarves and Men".
  18. O Senhor dos Anéis, Apêndice F.
  19. The Peoples of Middle-earth, p. 358, nota 22.
  20. O Silmarillion, "Dos Sindar".
  21. Kloczko, p. 48.
  22. The Peoples of Middle-earth, p. 316-317, nota 4.