Lena d'Água

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Lena d'Água
Lena e Atlântida 1982.jpg
Lena d'Água e a Banda Atlântida (1982)
Informação geral
Nome completo Helena Maria de Jesus Águas
Nascimento 16 de junho de 1956 (58 anos)
Origem Lisboa
País  Portugal
Gênero(s) rock progressivo, pop/rock, infantil, jazz, rock
Instrumento(s) voz
Período em actividade 1976 - actualidade
Página oficial LenadAgua

Lena d'Água, (Lisboa, 16 de junho de 1956), é uma cantora e autora portuguesa.

Helena Maria de Jesus Águas nasceu em Lisboa no dia 16 de Junho de 1956, primeira filha de José Águas, o número 9 do Sport Lisboa e Benfica e da selecção portuguesa de futebol e irmã do igualmente ex-futebolista do Benfica Rui Águas.

Em 1976, poucos meses depois do nascimento da sua filha Sara, inicia uma carreira musical que viria a marcar o panorama e a história da música portuguesa, ao ser a primeira vocalista feminina a integrar uma banda de rock em Portugal, os Beatnicks de 1976/1978 e pela sua versatilidade e eloquência musical.


Anos 70[editar | editar código-fonte]

A primeira vez que subiu a um palco foi em 1974 numa reunião de moradores do Bairro de Santa Cruz, em Benfica, quando o amigo que se encontrava a actuar para encerrar a sessão a chamou para assobiar a melodia da flauta do tema do Sérgio Godinho "Pode alguém ser quem não é". A sua inesperada estreia verdadeiramente a solo seguiu-se, quando se acompanhou à guitarra para cantar o tema "Ne Me Quitte Pas", de Jacques Brel.

Lena d'Água foi a primeira mulher em Portugal a integrar, como vocalista, uma banda de rock: os Beatnicks, grupo musical de Rock Progressivo com base na Amadora. A sua estreia na banda aconteceu na festa de finalistas do Liceu de Sintra, em maio de 1976. Seguiram-se dois anos de concertos ao vivo pelo país, tendo a banda viajado para os Açores em julho de 1977 para participar no Festival Musical Açores, na ilha Terceira. A sua última actuação com a banda aconteceu em março de 1978, na noite em que os Beatnicks fizeram a 1ª parte do concerto de Jim Capaldi, no Coliseu dos Recreios de Lisboa. Não chegou a participar no EP que a banda viria a gravar nesse ano.

Pouco depois é convidada a participar como coralista do grupo Gemini no Festival da Canção da RTP e acompanha-os à Eurovisão em Paris com a canção "Dai Li Dou" 1978. Começara já na época a ser chamada para trabalhos de estúdio, em publicidade e em coros para artistas consagrados. É também neste ano que participa na gravação do álbum "Ascenção e Queda" do grupo Petrus Castrus.

Concluíra o Curso do Magistério Primário no verão de 1978 e no final desse ano fez parte da "Oficina de Teatro e Comunicação", a companhia de teatro independente com quem levou à cena a peça para crianças "Ou Isto Ou Aquilo". A encenação, por José Caldas, de poemas de Cecília Meirelles, tinha adereços e figurinos de Dalton Salem Assef e coreografia de Águeda Sena. Lena d'Água participou nesse espectáculo como actriz e foi a directora musical. "Ou isto ou aquilo" foi apresentado em salas e ginásios de vários bairros pobres da periferia de Lisboa, no âmbito das campanhas de dinamização cultural que tiveram lugar na altura em Portugal. As canções da peça, todas da autoria de Luís Pedro Fonseca, viriam a ser gravadas em 1992 no álbum para crianças "Ou Isto Ou Aquilo".

No ano de 1979 grava o seu primeiro disco, o single "O Nosso Livro" (Florbela Espanca) /"Cantiga da Babá" (Cecília Meirelles), ambos os poemas musicados por Luís Pedro Fonseca. O seu primeiro disco de longa duração para as crianças, "Qual é Coisa Qual é Ela?" é gravado em finais de 1978. Com adivinhas de Maria João Duarte, musicadas por Luís Pedro Fonseca e José da Ponte, seria editado pela recentemente formada editora Edipim no ano de 1979.

Anos 80[editar | editar código-fonte]

Com os dois músicos Luís Pedro Fonseca e José da Ponte funda, em 1980, a banda Salada de Frutas na qual Lena d'Água é a vocalista principal. O álbum "Sem Açúcar" é editado em novembro de 80 e em maio de 1981 é lançado o single "Robot/Armagedom", que teve entrada directa para o 1º lugar do TOP 20 de vendas e foi um dos maiores sucessos da década de 80 em Portugal. Seguiram-se gloriosas actuações ao vivo até que em setembro desse mesmo ano de 81, devido a divergências de vária ordem, Lena d'Agua e Luís Pedro Fonseca abandonam o grupo e começam a preparar novas canções e a procurar novos músicos para a formação a que dariam o nome de Atlântida. Em outubro Lena d'Água assina contrato discográfico com a editora Valentim de Carvalho, em novembro é lançado o single "Vígaro Cá Vígaro Lá/Labirinto" e é dado início aos concertos com a banda recém formada.

"Perto de Ti", de 1982, contou com produção do inglês Robin Geoffrey Cable, revolucionador dos métodos de trabalho usados até então em estúdios portugueses. "Perto de Ti" vendeu perto de 18 mil cópias, falhando por pouco a marca de ouro - nessa altura a marca de prata era atingida com 10 mil unidades vendidas e a de ouro com as 20 mil.

1983 é o ano do single ecológico "Jardim Zoológico/Papalagui" e 1984 o ano do álbum "Lusitânia", novamente produzidos por Robin Geoffrey Cable, e que atingem igualmente a marca de prata. Neste álbum figura o tema que virá a ser considerado o ex-libris da cantora, "Sempre Que o Amor Me Quiser", criação do inspiradíssimo Luís Pedro Fonseca.

Em 1984 é lançado o livro ("A Mar Te"), colectânea de poemas de juventude da cantora, editado pela Ulmeiro.

Em 1986 Lena d'Água muda da Valentim de Carvalho para a editora CBS e grava o álbum "Terra Prometida", mais um com produção de Robin Geoffrey Cable e neste caso também de Luís Pedro Fonseca. "Dou-te um doce" é o primeiro single e será o primeiro videoclip português a passar no programa "Countdown", de Adam Curry, na Europa TV. Foi igualmente disco de prata.

António Emiliano arranjou e produziu "Aguaceiro", o álbum de 1987. Foi disco de prata. Neste disco foi gravado o tema "Estou Além", de António Variações. Ida ao Brasil.

Em 1989, gravação e edição do álbum "Tu Aqui", que inclui a participação de Mário Laginha na canção "Essa Mulher" celebrizada por Elis Regina. Destaque para a gravação de cinco temas inéditos de António Variações. O disco teve produção de Guilherme Inês e Zé da Ponte. A cantora ficou insatisfeita com a opção nada orgânica que a produção imprimiu aos arranjos e a crítica ignorou totalmente este trabalho.

Anos 90[editar | editar código-fonte]

Em 1992 e contra a vontade da editora Sony, de que a cantora se desvincula, é gravado "Ou Isto Ou Aquilo", o álbum para as crianças composto em 1978 por Luís Pedro Fonseca para a peça encenada por José Caldas a partir dos poemas de Cecília Meirelles e em que Lena Águas participou como actriz, música e directora musical.

a convite do maestro Pedro Osório, junta-se a Helena Vieira e Rita Guerra para escolher e encadear "As Canções do Século", uma produção musical que percorria grandes e populares temas criados um pouco por todo o mundo no século XX, concerto esse que foi gravado ao vivo com orquestra no Casino do Estoril em novembro de 1993. Este espectáculo seria apresentado por todo o país e ilhas, sempre com enorme sucesso, até finais de 1999.

Em 1996 actuaria com o grupo de música popular Gallandum cantando na língua mirandesa, em espectáculos nos Açores - em Angra do Heroísmo naIlha Terceira e no Festival Maré de Agosto na Santa Maria. Canta com a Brigada Victor Jara nos discos "Novas Vos Trago" de 1999 e "Ceia Louca" - o tema "Parto Em Terras Distantes (2.ª Versão)" no primeiro e o tema "Moda do Pastor" no segundo, que foi ( Prémio Zeca Afonso 2006)

Ainda em 1999 estreia no Hot Clube de Portugal o concerto tributo a Billie Holiday, que apresentaria até 2004.

Anos 2000[editar | editar código-fonte]

Entre 1999 e 2004 constrói um concerto dedicado ao repertório de Billie Holiday, que estreou na sala mítica do Hot Clube de Portugal e que apresentaria até 2004 em cineteatros um pouco por todo o país. Entre 2001 e 2003 apresentou o tributo a Elis Regina, novamente estreado na cave do Hot Clube e que foi levado à cena no palco do Teatro Olga Cadaval em Sintra. Foi nesta fase que aprofundou os seus conhecimentos musicais no contacto em palco com os excelentes músicos da cena jazzística portuguesa. Em 2005, com arranjos e direcção musical de Bernardo Moreira (no contrabaixo), Marco Franco na bateria, , André Fernandes na guitarra e João Moreira no trompete, Lena d'Água gravaria "ao primeiro take" o CD/DVD "Lena d'Água SEMPRE, ao vivo no Hot Clube de Portugal", que seria editado em maio de 2007 pela EMI Portugal com o selo de qualidade da prestigiada Blue Note.

Em 2000 gravara com Jorge Palma o tema "Laura", a canção principal do telefilme da SIC "A Noiva", incluída no álbum "Perdidamente, as Canções de João Gil". Também nesse ano, Lena d'Água colaborou na versão do grupo angolano SSP da sua canção emblemática “Sempre Que o Amor Me Quiser”. Ida a Angola para participar num espectáculo do grupo em Luanda. Ida ao México onde representou Portugal no Festival da OTI, em Acapulco, com a canção de José Jorge Letria e José Marinho «Mar Portugal».

50 anos - Maxime

Em 2006 produz a festa-concerto de comemoração dos seus 50 anos, no Cabaret Maxime, em Lisboa. Neste espectáculo em três actos - Billie Holiday, Elis Regina e Lena d'Água, a cantora apresentou-se com três formações diferentes de músicos. O espectáculo foi gravado em DVD para futura edição.

Em 2008 o álbum "Perto de Ti" de 1982 é reeditado, pela primeira vez em formato CD, pela iPlay na colecção "Tempo do Vinil", e inclui os dois singles - «Vígaro cá, vígaro lá/ Labirinto», de 1981 e «Jardim Zoológico/ Papalagui», de 1983.

Entre 2009 e 2010 é feita a série de entrevistas que dará origem ao Documentário «Bela Adormecida», sobre a vida da cantora.

Filha primogénita de José Águas, glória inesquecível do futebol do Sport Lisboa e Benfica e da selecção portuguesa no período entre 1950 e 1963, Helena escreveu o livro «José Águas, o Meu Pai Herói», que foi lançado em 2011 pela Oficina do Livro, do grupo Leya.

Tempo Presente[editar | editar código-fonte]

Lena d’Água voltou a estúdio em 2013 na companhia da "Rock’n’Roll Station", o power trio de Peniche - João Guincho nas guitarras, Paulo Franco no baixo e Pedro Cação na bateria - para o registo de 13 recriações dos seus clássicos, entre os quais "Sempre Que O Amor Me Quiser", "Robot", "Dou-te Um Doce", "Vígaro Cá, Vígaro Lá", "Demagogia", "Perto de Ti" e "Beco".

O álbum "Carrossel" foi foi editado pela "Farol" em Junho de 2014.

Discografia[editar | editar código-fonte]

  • 2014 - Carrossel (CD)
  • 2008 – Perto de Ti (reedição em CD)
  • 2007 – Sempre - Ao Vivo no Hot Clube (CD e DVD)
  • 2004 – Terra Prometida/Tu Aqui (2CD)
  • 1996 – Demagogia (colectânea)
  • 1996 – Sempre Que o Amor Me Quiser - O Melhor de Lena d'Água (colectânea)
  • 1993 – As Canções do Século - Ao Vivo no Casino Estoril - Com Helena Vieira e Rita Guerra)
  • 1992 – Ou Isto ou Aquilo (para as crianças) (LP e CD)
  • 1989 – Tu Aqui (LP e CD)
  • 1987 – Aguaceiro (LP)
  • 1986 – Terra Prometida (LP)
  • 1984 – Lusitânia (LP) - Com a Banda Atlântida
  • 1983 – Papalagui/Jardim Zoológico (single)- Com a Banda Atlântida
  • 1982 – Perto de ti (LP)- Com a Banda Atlântida
  • 1981 – Vígaro cá, vígaro lá/Labirinto (single)- Com a Banda Atlântida
  • 1981 – Robot/Armagedom (Single) - Com a Salada de Frutas
  • 1980 – Sem Açúcar (LP) - Com a Salada de Frutas
  • 1979 – Qual é Coisa, Qual é Ela? (LP para crianças)
  • 1979 - O Nosso Livro/ A Cantiga da Babá (Single)

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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