Mabeco

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Como ler uma caixa taxonómicaMabeco[1]
Lycaon pictus (Ree Park, Denmark).jpg

Estado de conservação
Status iucn3.1 EN pt.svg
Em perigo (IUCN 3.1) [2]
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Ordem: Carnivora
Família: Canidae
Género: Lycaon
Espécie: L. pyctus
Nome binomial
Lycaon pictus
(Temminck, 1820)
Distribuição geográfica
Distribuição geográfica do mabeco.
Distribuição geográfica do mabeco.

O mabeco (Lycaon pictus) também conhecido como cão-selvagem-africano ou cão-caçador-africano é um canídeo típico de África que vive em zonas de savana e vegetação esparsa. A espécie já foi comum em toda a África subsaariana (exceto em áreas de floresta tropical ou densa e zonas desérticas). A sua distribuição geográfica actual limita-se à Namíbia, Botswana, Moçambique, algumas zonas do Zimbabué e África do Sul.

O mabeco é um predador de médio porte, com cerca de 75 a 110 cm de comprimento e aproximadamente 18 a 36 kg de peso. A sua pelagem, muito característica com manchas de castanho, preto, branco e alaranjado, deu o nome científico à espécie: Lycaon pictus significa lobo pintado. A cabeça é em geral mais escura e a cauda termina num tufo branco. As orelhas são grandes e arredondadas e as pernas longas e finas terminam em patas fortes com quatro dedos.

Taxonomia[editar | editar código-fonte]

Primeiro descrito como Hyaena pictus por Temminck em 1820.[3] O gênero Lycaon é monotípico e já foi colocado em sua própria subfamília, Simoncyoninae, que não é mais reconhecido, embora a espécie ainda possua um gênero distinto baseado em análises genéticas.[4]

Subespécies[editar | editar código-fonte]

A existência e separação de subespécies do mabeco ainda é incerta e embora alguns estudos tenham sido feitos, não está claro o que constituiria uma subespécie desse animal.[5] Um estudo de 1993, mostrou que há diferenças entre animais do leste e do sul da África e uma divisão foi proposta baseada em evidências morfológicas e genéticas.[4] Entretanto, outra pesquisa mais recentes feita em 2001 mostrou evidências de trocas genéticas entre os espécimes do sul e do leste no passado.[6] Nas populações da África do Sul e do nordeste africano há presença de alelos mitocondriais e nucleares distintos, com formas transicionais em Botswana, Zimbábue e sudeste da Tanzânia. Essas populações transicionais possuem, portanto, uma mistura de alelos encontrados nas regiões sul e leste de África.[5] [6]

No sentido oposto, foi demonstrado que os mabecos do oeste africano podem ter um haplótipo diferente dos do sul e leste africano.[5] Mais estudos são necessários sobre os mabecos do oeste africano, já que são diferentes dos outras duas populações e podem então ser uma subespécie distinta.[5]

Características[editar | editar código-fonte]

O mabeco é um predador canídeo de médio porte pesando aproximadamente entre 18[7] e 36[8] kg de peso[9] com comprimento total entre 84,5 e 141 cm e a cauda entre 31 e 42 , baseado em alguns espécimes.[7] As orelhas são grandes, arredondadas e cobertas com pelos, sua mandíbula larga e potente e suas pernas longas e esguias[8] com patas que geralmente têm quatro dedos, todas com garras, e as almofadas entre o segundo e terceiro dedos são parcialmente fundidas.[7] Seu nome científico Lycaon pictus siginifica "lobo pintado"[10] ; o que reflete sua pelagem com áreas pretas, amarelas, vermelhas, brancas, marrons, sendo cada indivíduo com um padrão diferente, como as zebras, por exemplo.[11]

Mabecos possuem uma pelagem bastante colorida, o que lhe deu seu nome científico Lycaon pictus (lobo pintado).

Possui 42 dentes e sua fórmula dentária é Superior: 3.1.4.2 / Inferior: 3.1.4.3.[7] Possuem também um forte cheiro de almíscar.[8] Fêmeas geralmente possuem entre 12 e 16 mamas e são um pouco mais leves que os machos que são facilmente identificados por uma notável cavidade peniana.[7]

Os cães selvagens no nordeste da África tendem a ser predominantemente pretos com pequenas manchas brancas e amarelas, enquanto os cães na África Austral são mais coloridos com uma mistura de marrom, preto e branco.[7] Eles tipicamente tem uma mancha branca na ponta da cauda, uma cabeça marrom e amarela com uma "máscara" preta, orelhas negras e uma linha branca na crista sagital. O pelo geralmente é curto no corpo e membros e mais longo no pescoço, chegando a ter uma aparência felpuda.[7]

Hábitos e comportamento[editar | editar código-fonte]

Os cães-selvagens-africanos caçam e vivem em grupo.

Os mabecos são animais gregários não territoriais que vivem em matilhas de até 40 elementos, em média 7 a 15.[11] A estrutura social do grupo é altamente definida, com um casal alfa no topo que controla as hierarquias separadas de machos e fêmeas.[11] Em geral as matilhas têm maior proporção de machos, uma vez que as fêmeas emigram com mais facilidade para outros grupos familiares.[12] Cerca de metade dos machos juvenis permanece sempre junto dos pais; os restantes abandonam o grupo natal para formar uma nova matilha.[11] As matilhas de mabecos são notavelmente pacíficas, com pouco conflito evidente. Conflitos entre membros do grupo são muito raros e em geral limitados à hierarquia das fêmeas na época de reprodução.[8] Os mabecos têm preocupações sociais únicas nos predadores africanos. Se um membro da matilha está doente ou a recuperar de ferimentos, é alimentado pelos restantes e protegido de eventuais ataques.[11] Também compartilham carcaças e regurgitam comida para outros em cerimônias de comprimento.[8] Os mabecos não são territoriais e partilham o espaço com outras matilhas vizinhas.[13] A área das matilhas fica entre 200 e 2000 km², mas quando há filhotes jovens na toca varia entre 50 e 200 km².[14] [8]

Caça em grupo e dieta[editar | editar código-fonte]

Grupo se alimentando de uma carcaça.

Os mabecos caçam em grupo e através do trabalho de equipa combinado com grande resistência física, conseguem abater animais de dimensões grandes e indivíduos também podem caçar pequenos animais como lebres, roedores e outros pequenos animais.[8] Geralmente caçam de manhã ou no início da noite e localizam a presa utilizando a visão.[8] As suas presas favoritas variam de acordo com o local: no Parque Nacional Kruger são impalas, no Vale Kafue da Zâmbia optam por duikers e cobs e no Serengeti, caçam primordialmente gnus e gazelas-de-thomson, mas alguns grupos se especializaram em zebras.[8] [15] Os mabecos só se alimentam das presas que eles próprios matam e quase nunca tocam em carcaças.[16] São ainda exclusivamente carnívoros, e mesmo em alturas de escassez não se alimentam de insectos. Após uma caçada, o grupo caçador regressa à base da matilha e regurgita porções de comida para alimentar os juvenis e os elementos adultos que ficaram para trás para cuidar das crias.[11]

Reprodução[editar | editar código-fonte]

As crias de mabecos nascem e passam suas primeiras semanas em tocas.

A reprodução nas matilhas de mabecos está limitada ao par dominante, mas em anos bons ou em matilhas grandes, uma ou duas fêmeas subordinadas podem também procriar. Os restantes membros do grupo partilham a responsabilidade da educação dos juvenis. O par alfa é monogâmico e permanece unido para sempre. A época de reprodução inicia-se em Janeiro e prolonga-se até Maio. O período de gestação é em média de 10 semanas, e os juvenis nascem entre Março e Julho. Cada ninhada pode ter entre 2 a 20 crias, que nascem em tocas forradas de ervas.[11] As tocas são em geral reaproveitadas de outros animais, como o aardwark.[14]

Os juvenis permanecem na toca, amamentados pela mãe durante 3 a 4 semanas, quando começam a se aventurar fora da toca.[8] [14] No final deste período começam a ser alimentados pelos adultos, com comida regurgitada e o desmame ocorre tão cedo quanto 5 semanas.[12] Quando estão com 7 semanas começam a se desenvolver em adultos com alterações corporais como alongamento das pernas, focinho e orelhas, mudança da pelagem para tricolor e nessa fase chegam a seguir a matilha por até 2 km da toca.[12] Quando chegam entre 8 e 10 semanas, a matilha abandona a toca geralmente movendo de toca em toca nos dias anteriores. A ninhada, então, passa a comer diretamente das carcaças, embora não cace.[12] Ao chegarem a caça, adultos cedem espaço e se não o fizerem, as crias reagem agressivamente. Esse privilégio só acaba quando completam 1 ano.[12]

A maturidade sexual é alcançada com um ano e meio de vida, embora a primeira ninhada nasça em geral muito depois. As fêmeas abandonam o grupo original com cerca de dois anos e meio. A esperança de vida média é de cerca de 10 anos[14] , embora um indivíduo em cativeiro tenha vivido até 17.[8]

Conservação e distribuição[editar | editar código-fonte]

O mabeco está listado pela IUCN como uma espécie em perigo de extinção. Seus números vêm caindo continuamente ao longo dos anos. Antes comum por toda a África subsaariana até mesmo em desertos e montanhas, se ausentando apenas em florestas baixas e desertos muito secos. Hoje resistem apenas em populações isoladas principalmente no sul da África como na Namíbia, Zimbábue, Zâmbia, Botswana e também no sudeste, especialmente Tanzânia e norte de Moçambique. As principais ameaças à espécie são a fragmentação de habitat e doenças contraídas através de contacto com animais domésticos.[2]

Mabecos podem ser vítimas de atropelamentos em estradas, uma das consequências da presença humana em seu habitat.

Medir a população é difícil, pois são animais que vagueiam muito e podem ter alterações populacionais substanciosas. [2] Sua população tem tido uma queda no último século, que se acelerou na década de 70[17] . São raramente vistos, mesmo em áreas bem protegidas e com presas abundantes, tornando altamente suscetíveis a fragmentação do habitat[17] Na realidade, sempre existiram em densidades baixas. A presença humana trouxe a destruição do habitat devido à agricultura e criação de gado, deixando-os apenas isolados em áreas com baixa presença humana.[17] Os ocupadores também os perseguiram devido a uma crença insustentada de grande comedor de gado, e caçaram suas presas. E como vivem com uma densidade baixa, mesmo uma grande área não suportaria uma grande população.[17] Os atropelamentos também constiituem uma importante causa do declínio.[17]

Uma estimativa da IUCN calculou a população por toda a África em cerca de 6.600 indivíduos divididos em 39 subpopulações, sendo a maior delas com 276.[2] A maior parte de toda essa população no sul africano, mas também no sul da Tanzânia e no norte de Moçambique. Quênia e Etiópia também têm populações pequenas, embora não seja claro se são viáveis. As populações do oeste e centro africano foram em grande parte destruídas, embora ainda possam resistir em Senegal e Camarões. A população do norte da África é bem reduzida ou praticamente extinta.[2]

Referências

  1. Wozencraft, W.C.. Order Carnivora. In: Wilson, D.E.; Reeder, D.M. (eds.). Mammal Species of the World. 3 ed. Baltimore: Johns Hopkins University Press, 2005. 532-628 pp. ISBN 978-0-8018-8221-0 OCLC 62265494
  2. a b c d e Woodroffe, R. & Sillero-Zubiri, C. (2012). Lycaon pictus (em Inglês). IUCN 2012. Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da IUCN de 2012 Versão 2. Página visitada em 22 de dezembro de 2012.
  3. Temminck, Conrad. (1820). "Sur le genre Hyene, et description d’une espece nouvelle, decouverte en Afrique" (em latim). Annales Generales des Sciences Physiques, Brussels 3: 46–57.
  4. a b Girman, D.J.; Kat, P.W., Mills, M.G.L., Ginsberg, J.R., Borner, M., Wilson, V., Fanshawe, J.H., Fitzgibbon, C., Lau, L.M. and Wayne, R.K. (1993). "Molecular genetic and morphological analyses of the African wild dog (Lycaon pictus)". Journal of Heredity 84: 450–459.
  5. a b c d Edwards, Janet (Dezembro de 2009). Conservation genetics of African wild dogs in South Africa Universidade de Pretória. Página visitada em 8 de agosto de 2014.
  6. a b Girman, D.J.; Vilà, C., Geffen, E., Creel, S., Mills, M.G.L., McNutt, J.W., Ginsberg, J., Kat, P. W., Mimiya, K.H. and Wayne, R.K. (2001). "Patterns of population subdivision, gene flow and genetic variability in the African wild dog (Lycaon pictus)". Molecular Ecology 10: 1703–1723. Página visitada em 8 de agosto de 2014.
  7. a b c d e f g Sillero-Zubiri, C.; Hoffmann, M. and Macdonald, D.W. Canids: Foxes, Wolves, Jackals and Dogs: Status Survey and Conservation Action Plan. Gland, Suíça e Cambridge, Reino Unido: IUCN/SSC Canid Specialist Group, IUCN, 2004.
  8. a b c d e f g h i j k Nowak, Ronald. Walker's Mammals of the World. Sexta ed. [S.l.]: JHU Press, 1999. p. 676–678. ISBN 978-0-80-185789-8
  9. African Wild Dog Animals - National Geographic. Página visitada em 8 de agosto de 2014.
  10. About the dogs Painted Dog Conservation. Página visitada em 10 de agosto de 2014.
  11. a b c d e f g Michael Mulheisen; Crystal Allen. Lycaon pictus Animal Diversity Web. Página visitada em 10 de agosto de 2014.
  12. a b c d e Estes, Richard. The Behavior Guide to African Mammals: Including Hoofed Mammals, Carnivores, Primates. [S.l.]: University of California Press, 1991. p. 410–418. ISBN 978-0-52-008085-0
  13. Lory Herbison Frame; George W. Frame. (1976). "Female African wild dogs emigrate". Nature. DOI:10.1038/263227a0.
  14. a b c d Kingdon, Jonathan. The Kingdon Field Guide to African Mammals. [S.l.]: A&C Black, 2013. ISBN 978-1-40-817481-4
  15. J. R. Malcolm; B. H. Van Lawick. . "Notes on wild dogs (Lycaon pictus) hunting zebras". Mammalia 39 (2): 231–240. DOI:10.1515/mamm.1975.39.2.231.
  16. Mills, M.G.L.; Biggs, H.C. (1993). "Prey apportionment and related ecological relationships between large carnivores in Kruger National Park". Symposia of the Zoological Society of London 65: 253–268.
  17. a b c d e Rosie Woodroffe; Joshua Ross Ginsberg e David Whyte Macdonald. The African Wild Dog: Status Survey and Conservation Action Plan. [S.l.]: IUCN/SSC Candid Specialist Group, 1997. ISBN 2-8317-0418-g