Molinismo

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Molinismo - é a doutrina que leva o nome do jesuíta espanhol Luís de Molina (1535-1600) segundo a qual as ações e comportamentos humanos estão submetidos a uma predestinação, mas conforme os méritos pessoais de cada um, já conhecidos por Deus antecipadamente.[1] A igreja tolera o molinismo mas não o aceita por ter uma doutrina oposta à de Santo Agostinho.[2] Deste ponto de vista, se opõe à salvação somente pela graça, defendida por protestantes e jansenistas.

Os jansenistas acusam o molinismo de laxismo e semi-pelagianismo, sistema de atitude moral ou prática que tende a suavizar o rigor das leis ou regulamentos da Igreja.

História[editar | editar código-fonte]

O debate sobre a existência ou não de livre-arbítrio e graça divina teve seu ponto mais alto no século XVI na Espanha católica. Nesta época, um forte debate se desencadeou entre os jesuítas e os dominicanos até que Luís de Molina, professor universitário aposentado publicou em 1588 um livro com o título A reconciliação entre o livre-arbítrio e a concessão da graça, presciência divina, providência, predestinação e condenação da primeira parte dos artigos de São Tomás que acirrou ainda mais a discussão.[3]

Conceitos[editar | editar código-fonte]

Segundo o jesuíta a vontade humana nas ações livres não é só um instrumento de Deus, causa principal, mas causa autêntica dos efeitos realizados, sendo o concurso divino simultâneo e não precedente em relação ao exercício da própria ação.[4]

O molinismo argumenta que Deus atinge seu objetivo através das vidas das criaturas genuinamente livres por intermédio de sua omnisciência. O modelo proposto apresente o conhecimento infinito de Deus em uma séria de três momentos lógicos (considerados nessa ordem não-cronológica, mas lógica): "Conhecimento natural", "Conhecimento médio" e o "Conhecimento livre":[5]

1. Conhecimento natural
O conhecimento do que é possível ou das possibilidades.
2. Conhecimento médio
O conhecimento de como um ser possuidor de livre-arbítrio (independência libertária) poderia agir em qualquer situação.
3. Conhecimento livre
O conhecimento do que realmente acontecerá.

Assim, o Conhecimento médio de Deus desempenha um papel importante na realização do mundo. Na verdade, parece que o Conhecimento Médio desempenha um papel mais imediato na criação de presciência de Deus. William Lane Craig assinala que "sem o Conhecimento médio, Deus iria encontrar-se, por assim dizer, com o conhecimento do futuro, mas sem qualquer planejamento lógico e prévio do futuro."[6] A colocação do Conhecimento médio de Deus entre o Conhecimento natural e o Conhecimento livre é crucial. Pois se o Conhecimento médio estivesse depois do Conhecimento livre, então Deus estaria ativamente fazendo o que várias criaturas fariam em várias circunstâncias e, assim, destruindo a liberdade. Mas, colocando o Conhecimento Médio antes do Conhecimento livre, Deus permite a liberdade. A colocação de Conhecimento médio logicamente depois do Conhecimento natural, mas antes do Conhecimento livre também dá a Deus a possibilidade de examinar mundos possíveis e decidir qual mundo atualizar.[7]

Graças, então, ao Conhecimento médio, Deus sabe o que a vontade livre fará nas diversas situações em que uma pessoa se encontrar e, através do Conhecimento livre, em qual situação a pessoa concretamente ficará, assim ele pode com certeza prever o sucesso da graça que doará a cada um.[4]

Referências

  1. Hilton Japiassú, Danilo Marcondes. Dicionário básico de filosofia. [S.l.]: Zahar, 1993. p. 191. ISBN 978-85-378-0341-7
  2. Dhepi - Flup. O Jansenismo em Portugal. [S.l.]: Universidade do Porto. p. 43. ISBN 978-972-8932-26-8
  3. Jonathan Hill. As grandes questões sobre fé. [S.l.]: Thomas Nelson Brasil. p. 163. ISBN 978-85-60303-99-1
  4. a b Vários autores. Lexicon - dicionário teológico enciclopédico. [S.l.]: Loyola, 2003. p. 505. ISBN 978-85-15-02487-2
  5. Kenneth Keathley. Salvation and Sovereignty: A Molinist Approach. [S.l.]: B&H Publishing Group, 1 January 2010. p. 16. ISBN 978-0-8054-3198-8
  6. Craig. The Only Wise God. 1999 p. 134.
  7. James Beilby and Paul Eddy, Divine Foreknowledge, Four views. Downers Grove, Illinois: InterVarsity Press, 2001. pg 120-123.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]