PAL-M

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Sistema de codificação televisiva por nações. Países usando o sistema PAL são mostrados em azul. (século XX).

PAL-M é o sistema de televisão em cores analógico utilizado pelo Brasil desde sua primeira transmissão oficial, na Festa da Uva em Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, em 19 de fevereiro de 1972, numa colaboração entre a TV Difusora, TV Rio, TV Piratini e TV Caxias.[1]

Consiste em utilizar o sistema PAL de codificação do sinal de cor em uma sub-portadora, no padrão de formação de imagem "M". Foi a solução encontrada na época da adoção do sistema de cor para que, desta forma, as transmissões em cores pudessem ser recebidas pelos aparelhos em preto-e-branco sem a necessidade de adaptadores, e vice-versa.

Na verdade, desde 1963 era possível a recepção de programas em cores no Brasil no sistema NTSC, através de experiências de emissoras como a TV Excelsior e a TV Tupi e da apresentação de seriados americanos já produzidos em cores, tais como Bonanza. Entretanto, o custo dos televisores importados dos Estados Unidos era proibitivo, a política tecnológica brasileira mudou e somente no início da década de 1970 o Brasil pôde desenvolver o PAL-M e viabilizá-lo.

O padrão PAL-M, híbrido dos sistemas norte-americano (de resolução de tela) e europeu (de codificação de sinais de cor), desde sua criação durante a ditadura militar até hoje é adotado apenas no Brasil. Sendo assim, todo e qualquer aparelho gerador ou receptor de sinais analógicos coloridos de TV — de televisores em si a consoles de videogame e aparelhos de DVD — produzido para algum outro mercado do mundo que não seja o brasileiro precisará de adaptadores (chamados “transcoders”) para conseguir funcionar no país.

Aspectos técnicos[editar | editar código-fonte]

Padrão M[editar | editar código-fonte]

Durante o desenvolvimento da televisão (preto e branco), foram criadas diversas normas; uma delas era a dependência com a frequência da rede de energia elétrica local. Como nos Estados Unidos a frequência da rede elétrica era de 60 Hz, o processo para transmissão de televisão deveria gerar 60 campos de imagem por segundo para evitar o efeito da cintilação. A imagem seria formada por 525 linhas por fotograma (formado por 2 campos) e 30 fotogramas por segundo para dar a sensação de movimento. Estas características do sistema de transmissão de televisão norte-americana fazem parte das normas estabelecidas pela RMA (Radio Manufacturers Association) ou simplesmente "M", e acabou sendo adotadas por outros países com a mesma frequência de rede, como o Brasil e o Japão (ressalvado que a parte oriental do Japão usa 50 Hz).

Países onde a energia elétrica é gerada com a frequência de 50 Hz como Alemanha, Argentina, e outros, principalmente na Europa, o sincronismo da imagem é formado por 625 linhas de resolução em cada fotograma e taxa de atualização de tal imagem à 25 fotogramas por segundo, para dar a sensação de movimento.

Brasil[editar | editar código-fonte]

Desenvolvido nos Estados Unidos, o NTSC foi o primeiro sistema de televisão em cores no mundo, com suas primeiras transmissões sendo realizadas a partir de 1954.

Possuía diversas limitações como, por exemplo, exigir controle de matiz e ter problemas com cores em geral.

Como melhoria e aprimoramento do NTSC, foi proposto o sistema de codificação do sinal de cor PAL, no final dos anos 60. O PAL (Phase Alternate Lines) foi criado na Alemanha com o objetivo de eliminar vários problemas existentes no NTSC, referentes à reprodução de cor. A reprodução de cores resultou mais precisa do que no NTSC, e o sistema foi adotado em vários países do mundo, exceto os já comprometidos com investimentos no sistema NTSC.

Durante os anos 60, também foi criado e desenvolvido o SECAM (Séquentiel couleur avec mémoire). Porém, tal sistema se mostrou impraticável no Brasil, dado que os canais de transmissão no sistema analógico brasileiro ocupam na banda uma largura de 6 MHz, sendo que o sistema analógico francês precisaria utilizar de 8 a 10 MHz.

Entretanto, como a escolha recaiu sobre o sistema PAL, houve a necessidade de se diferenciar do sistema PAL europeu, já que a TV brasileira já trabalhava com o padrão M, criando o sistema PAL-M, utilizado somente no Brasil, Laos e partes da Tailândia, dado que todos os outros países que utilizam o sistema M são NTSC.

Deste modo, o sistema PAL-M é usado com resolução de 525 linhas (o mesmo número de linhas do NTSC, enquanto o PAL europeu usa 625 linhas) à taxa de atualização de 30 fotogramas por segundo (padrão M, vindo daí o sufixo), ao utilizar assim uma frequência próxima à do padrão NTSC. A frequência do sistema PAL-M e do sistema NTSC é de aproximadamente 60 Hz, diferente da Europa, onde a frequência dos sistemas PAL-B, PAL-G e SECAM é de aproximadamente 50 Hz.

O sistema PAL-N é utilizado somente na Argentina, no Paraguai e Uruguai, que diferentemente do Brasil e da maioria dos outros países sul-americanos também têm frequência de rede elétrica em 50 Hz.

Razões político-econômicas[editar | editar código-fonte]

Entre o final dos anos 60 e o início dos anos 70 o Brasil vivia um grande crescimento econômico, o "milagre brasileiro", proporcionado pela política econômica do governo militar e pelo desenvolvimento do pós-guerra, resolveu adotar o sistema PAL, que não tinha os problemas dos outros sistemas (a visualização das cores era melhor, não era necessário o controle de matiz e havia compatibilidade com o sistema existente).

Outra razão que justificou a adoção do PAL-M foi a política brasileira, que na época era profundamente protecionista. A adoção de um sistema próprio impossibilitou a importação de aparelhos por muito tempo, o que muitos acreditavam que poderia proteger a economia brasileira. O fato de haver pouquíssimos países com este padrão de cores fez com que a indústria brasileira de eletroeletrônicos ficasse "engessada" pelo fato de não haver mercado externo para seus aparelhos televisores.

Sobre a inauguração oficial do sistema[editar | editar código-fonte]

A transmissão em cores da Festa da Uva, em Caxias do Sul, em 19 de fevereiro de 1972, foi feita sob responsabilidade da TV Difusora, com a colaboração da TV Rio, entre outras. O então diretor técnico da TV Globo, Coronel Wilson Britto, conta que o evento foi realmente escolhido por influência do então Ministro das Comunicações, pois já tinham condições de fazer transmissões a cores mesmo antes do evento em Caxias do Sul. Segundo o engenheiro Herbert Fiúza, a histórica transmissão só aconteceu naquela data por exigência do então Ministro das Comunicações, Higino Corsetti, que desejava a primazia de um evento em seu estado e cidade natal.[2] A sobrinha-neta do ex-ministro, Mariana Corsetti, discorda: "A transmissão estava programada para acontecer no Carnaval do Rio de Janeiro, mas as emissoras do centro do país não apresentaram, em tempo, as condições técnicas necessárias. Como a Festa da Uva ocorria na mesma época e a TV Difusora, com sede em Caxias do Sul, era a única que dispunha de modernos equipamentos para transmitir em cores, foi feita a cobertura do evento"( Esta versão também é apresentada por Walter Clark, em sua autobiografia "O Campeão de Audiência".)

Também pelo fato do Presidente da República, na época, Emílio Garrastazu Médici ser gaúcho, o que também foi fator que contribuiu na escolha.

Primeiros anos[editar | editar código-fonte]

O abandono das transmissões em preto e branco foi extremamente lento. Ao longo dos anos 70, nas grades de programação de todas as emissoras - salvo a Bandeirantes, que já passou para as transmissões coloridas no ano de 1972 - havia uma mescla de programas coloridos (geralmente no horário nobre) e preto-e-branco. Somente no final da década de 1970, a programação em cores tomou completamente o lugar das transmissões em preto e branco.

Isto se deveu a alguns problemas: falta de capital para investimento em novos equipamentos, a baixa porcentagem de televisores coloridos - que eram extremamente caros para a época, entre outros.

Exemplos da lenta transição da transmissão preto-e-branco para a colorida:

  • O primeiro programa produzido em cores no Brasil foi Meu Primeiro Baile, um episódio de Caso Especial, exibido pela Rede Globo em 31 de março de 1972, que embora tenha sido vista por poucas pessoas com televisores coloridos, teve muitos pedidos de reprise;[3]
  • Ainda que Rede Tupi tenha passado a produzir em cores toda a programação do horário nobre a partir de agosto de 1974, somente em 1977 terminou de realizar essa transição.
  • A primeira telenovela em cores produzida pela Rede Globo foi O Bem Amado, em 1973 e a última novela em preto-e-branco foi Estúpido Cupido, em 1976/1977, ressalvando-se que seu último capítulo foi em cores, sem que os atores o soubessem. Isto se deveu à Globo ter começado a transmitir em cores primeiro as novelas das 10 (a partir de 1973), as das 6 e das 8 (a partir de 1975) para somente em 1977 fazê-lo com as novelas das 7;

Substituição[editar | editar código-fonte]

O PAL-M será substituído pela transmissão digital no padrão nipo-brasileiro ISDB-TB até Dezembro de 2018.

Referências

  1. Memória Globo. Jornal Nacional - A notícia faz história. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, p. 51
  2. Memória Globo. Jornal Nacional - A notícia faz história. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, pp. 51-52
  3. Meu Primeiro Baile - Teledramaturgia Acessado em 4 de abril de 2009

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]