Ricardo Zamora

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Ricard Zamora
Zamora Barça.jpg
No Barcelona, jogou três anos.
Informações pessoais
Nome completo Ricard Zamora Martínez
Data de nasc. 21 de janeiro de 1901
Local de nasc. Barcelona, Flag of Spain (1785-1873 and 1875-1931).svg Espanha
Falecido em 8 de setembro de 1978 (77 anos)
Local da morte Barcelona, Flag of Spain (1977 - 1981).svg Espanha
Apelido El Diví, El Divino
Informações profissionais
Posição Goleiro
Clubes profissionais
Anos Clubes Jogos (golos)
1916-1919
1919-1922
1922-1930
1930-1936
1936-1938
Flag of Spain (1785-1873 and 1875-1931).svg Real Español
Flag of Spain (1785-1873 and 1875-1931).svg Barcelona
Flag of Spain (1785-1873 and 1875-1931).svg Real Español
Flag of the Second Spanish Republic.svg Real Madrid/Madrid
França Nice


26 (0)
82 (0)
Seleção nacional
1920-1936
1920-1930
Flag of the Second Spanish Republic.svg Espanha
Flag of Catalonia.svg Catalunha
46 (0)
Times que treinou
1937-1938
1939-1946
1946-1949
1949-1951
1952
1954-1955
1955-1957
1960-1961
França Nice
Flag of Spain (1945 - 1977).svg Atlético Aviación
Flag of Spain (1945 - 1977).svg Celta Vigo
Flag of Spain (1945 - 1977).svg Málaga
Flag of Spain (1945 - 1977).svg Espanha
Flag of Spain (1945 - 1977).svg Celta Vigo
Flag of Spain (1945 - 1977).svg Español
Flag of Spain (1945 - 1977).svg Español
Medalhas
Jogos Olímpicos
Prata Antuérpia 1920 Futebol

Ricard Zamora Martínez - castelhanizado Ricardo (Barcelona, 21 de janeiro de 1901 - 8 de setembro de 1978) - foi um futebolista catalão que atuava como goleiro, tido por muitos como um dos melhores de todos os tempos na posição.

Sua roupa escura (por vezes substituída por uma camisa pólo branca) e o boné reto marcariam época no futebol espanhol,[1] embora bem mais marcante fosse a sua habilidade.

Carreira[editar | editar código-fonte]

Na Catalunha[editar | editar código-fonte]

Estreou no Real Español (nome à época do atual Espanyol), em 1916. Em 1919, foi para o Barcelona, onde jogaria três anos. Em 1922, voltou ao Español, clube cuja posição política era mais alinhada com a sua: "primeiramente e antes de tudo, eu sou espanhol"[1] , em época em que o Barça era dominado por atletas de origem britânica e que o forte nacionalismo catalão ainda era relativamente mais ameno, em anos pré-franquistas (antes do General Franco assumir o poder e pregar a opressão oficial às culturas das minorias étnicas da Espanha).

Mas carregou consigo a alcunha que recebeu enquanto jogador dos blaugranas: "O Divino [1] (El Diví em catalão, El Divino em castelhano)". Também conhecido como "O Mago", foi campeão catalão nos três anos em que ficou no Barcelona, onde ganhou também duas Copas da Rei. Durante o período em que jogou na região natal, defendeu também a Seleção Catalã.

Real Madrid[editar | editar código-fonte]

Na mesma época, transferiu-se por, segundo a lenda, 150 mil pesetas (o suficiente para contratar cinco times inteiros, na época)[2] em 1930 para o Real Madrid, ainda em época em que a rivalidade futebolística com a Catalunha não era tão forte. Ainda assim, enfureceu a torcida do Barcelona ao fazer uma incrível defesa no final da decisão da então "Copa do Presidente",[1] nome da Copa do Rei na curta existência da Segunda República Espanhola, contra seu ex-clube, mantendo o placar de 2 x 1 em favor dos merengues - era a segunda Copa nacional que ajudava os blancos a vencer, tendo conquistado também um bicampeonato espanhol em 1932 e 1933, os dois primeiros do Real (cujo nome passara a ser apenas "Madrid" em 1931, com a República), que demoraria mais de vinte anos para conquistar outra vez o campeonato, com a chegada da lenda Alfredo di Stéfano.

Aquela decisão contra o Barcelona, tida como uma das maiores exibições de sua carreira,[1] foi disputada em 21 de junho. No mês seguinte, eclodiria a Guerra Civil Espanhola.

Suas conviccções políticas durante o conflito até hoje não são claras[1] : a divulgação de sua morte, ainda naquele ano, pelo lado republicano foi usada como propaganda a favor dos nacionalstas (partidários de Franco). Para provar que o arqueiro esta vivo, uma milícia republicana colocou-o na prisão Modelo, onde Zamora sobreviveu ao participar de exibições de futebol.

Assim que solto, foi exilar-se brevemente na Argentina (cuja Embaixada na Espanha havia intercedido por sua libertação) e, depois, na França, onde atuou como jogador/treinador no Nice, onde teve a companhia de seu amigo e ex-colega de Barcelona, Seleção Espanhola e Madrid, Josep Samitier.

Seleção Espanhola[editar | editar código-fonte]

Pela Seleção, já havia obtido a medalha de prata nas Olimpíadas de 1920, ano em que estreou pela Furia. Disputou 46 partidas pela seleção principal, uma carreira que teve seu ponto mais baixo em um jogo de 1931, quando sofreu sete gols dos violentos ingleses na lama de Highbury; desconsolado, sentou-se no gramado e chorou.[3]

Três anos depois, Florença assistiria a uma de suas melhores exibições pela Espanha, na Copa do Mundo de 1934, em que Zamora segurou o empate de 1 x 1 do tempo normal na prorrogação das quartas-de-final, contra os anfitriões italianos, mesmo após sofrer uma forte cotovelada no rosto do adversário Angelo Schiavio em um escanteio,[3] no lance que originou o gol italiano (que empatou o jogo).[4]

Mesmo não tendo demonstrado nenhum sinal de contusão no lance faltoso, surpeendentemente foi deixado de fora da partida-desempate, no dia seguinte, em que a Itália venceu por 1 x 0.[5] Em uma Copa iniciada já em mata-matas, o desempate era apenas o terceiro jogo dos espanhóis - no primeiro, eliminaram o Brasil por 3 x 1, em que Zamora chegou a defender um pênalti de Waldemar de Brito[3] apenas seis minutos após Leônidas da Silva ter diminuído aos 11 minutos do segundo tempo a contagem (a Espanha já havia marcado os três gols), esfriando a reação brasileira.[6] Suas duas exibições no torneio foram suficientes para fazer dele o escolhido como melhor goleiro da Copa.

Participou ainda em dezembro de 1938, ainda em meio à Guerra Civil, de um jogo beneficente em favor dos nacionalistas entre a Seleção Espanhola e o time da Real Sociedad.

Pelo Espanyol, o time do coração

Carreira de treinador[editar | editar código-fonte]

Em 1939, um ano após aposentar-se, iniciou a carreira de treinador, chegando a ser técnico da Espanha em 1952. Treinou em duas passagens o Español (onde, como jogador, ganhara a Copa do Rei de 1929 e os campeonatos catalães daquele ano e do de 1918), no final dos anos 50.

Mas seus títulos na nova função foram ganhos no Atlético Aviación (o atual Atlético de Madrid), comandando os rojiblancos em um bicampeonato da Liga Espanhola de 1940 e 1941, também os dois primeiros títulos espanhóis do outro grande da capital espanhola.

Troféu Zamora[editar | editar código-fonte]

O ex-goleiro que fizera a alegria de quatro torcidas rivais da Espanha morreria em 1978. Criado em 1959 pelo jornal Marca, o Troféu Zamora, entregue até hoje, é dado ao melhor goleiro do ano em atividade no futebol do país.

A premiação também foi atribuída aos goleiros menos vazados nos campeonatos espanhóis antes de 1959, de forma que Zamora levou também o prêmio que leva seu nome duas vezes, justamente pelas edições 1932 e 1933, em que o então Madrid foi campeão com ele levando apenas 15 gols em 17 partidas na primeira e 15 em 17 na segunda (média inferior a um gol por jogo em ambas).

Placa colocada na praça que leva o nome (na versão catalã) de Zamora, em Barcelona

Referências

  1. a b c d e f "'O Divino", FourFourTwo, número 1, novembro de 2008, Editora Cádiz, págs. 66-67
  2. Trivela.com: Zamora, "El Mago" do gol
  3. a b c "O salvador da pátria", Especial Placar - Os Craques do Século, novembro de 1999, Editora Abril, pág. 95
  4. "Equilíbrio total", Max Gehringer, Especial Placar: A Saga da Jules Rimet fascículo 2 - 1934 Itália, outubro de 2005, Editora Abril, pág. 35
  5. "Escalação estranha", Max Gehringer, Especial Placar: A Saga da Jules Rimet fascículo 2 - 1934 Itália, outubro de 2005, Editora Abril, pág. 35
  6. "Técnica versus talento", Max Gehringer, Especial Placar: A Saga da Jules Rimet fascículo 2 - 1934 Itália, outubro de 2005, Editora Abril, pág. 33