A Hora e a Vez de Augusto Matraga (1965)
| A Hora e Vez de Augusto Matraga | |
|---|---|
| Brasil 1965 • p&b • 109 min | |
| Gênero | drama |
| Direção | Roberto Santos |
| Produção | Luiz Carlos Barreto |
| Roteiro | Roberto Santos Gianfrancesco Guarnieri |
| Elenco | Leonardo Villar Jofre Soares Maria Ribeiro Maurício do Valle Flávio Migliaccio |
| Música | Geraldo Vandré |
| Cinematografia | Hélio Silva |
| Direção de arte | Assis Horta |
| Edição | Sylvio Renoldi |
| Companhias produtoras | L.C. Barreto Produções Cinematográficas Difilm |
| Idioma | português |
A Hora e Vez de Augusto Matraga é um filme brasileiro do gênero drama de 1965, dirigido por Roberto Santos com roteiro de Santos e Gianfrancesco Guarnieri, baseado no conto homônimo da obra Sagarana, de João Guimarães Rosa. Estrelado por Leonardo Villar, Joffre Soares e Maria Ribeiro, a história segue Augusto Matraga, um violento fazendeiro que, traído pela esposa e emboscado por inimigos, é massacrado a pauladas e dado como morto. Entretanto, é salvo por um casal de negros humildes, que o influência a voltar-se para a religiosidade.
Considerado um dos principais filmes do movimento cinematográfico brasileiro Cinema Novo, saiu como o grande vencedor da primeira edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, recebendo os Troféus Candango de Melhor Filme e Diretor, para Roberto Santos, Diálogo, para Gianfrancesco Guarnieri, e Ator, para Leonardo Villar.[1] A Hora e a Vez de Augusto Matraga foi também selecionado para participar da competição principal da 19ª cerimônia do Festival de Cinema de Cannes, em 1966, em competição pela Palma de Ouro, prêmio de maior prestígio do festival.[2][3] Ainda recebeu o Prêmio Saci de Melhor Roteiro, em 1966, e o Prêmio Governador do Estado de Melhor Direção e Melhor Roteiro, em 1967.[4] No exterior, foi lançado com o título The Hour and Turn of Augusto Matraga.[5]
Em novembro de 2015, o filme atingiu a 26ª posição na lista feita pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine) dos 100 melhores filmes brasileiros de todos os tempos.[6] Em maio de 2026, foi incluído na lista dos cem filmes brasileiros mais importantes de todos os tempos, da mesma associação.[7]
Sinopse
[editar | editar código]Augusto Matraga é um violento fazendeiro. Traído pela esposa, ele é emboscado por seus inimigos e dado como morto. Mas, é salvo e volta-se para a religiosidade. Augusto conhece Joãozinho Bem Bem, jagunço que o faz viver um conflito interno, instigando os instintos violentos de sua personalidade. Matraga começa então a oscilar entre seu temperamento agressivo e o misticismo que não consegue mais abandonar.[8][9]
Elenco
[editar | editar código]- Leonardo Villar … Augusto Matraga
- Joffre Soares … Joaozinho Bem Bem
- Maria Ribeiro … Dionorá
- Maurício do Valle … Padre
- Flávio Migliaccio … Quim Recadeiro
- Solano Trindade
- Antônio Carnera … Major Consilvo
- Ivan de Souza … Jurumim
- Emmanuel Cavalcanti … João Lomba
- Áurea Campos
Produção
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O diretor Roberto Santos adaptou a obra de Guimarães Rosa quase que vinte anos depois de seu lançamento original, em 1946. O roteiro de Santos, com diálogos adicionais de Gianfrancesco Guarnieri, introduz certas mudanças em comparação a obra original, como na cena inicial, onde os jagunços contratados por nhô Augusto amedrontam as crianças vestidas de anjo e os moradores do lugar, o que não acontece no conto. Outras cenas, como a do enterro e a que nhô Augusto doma o jumento, momento fundamental do filme, também foram adições de Santos.[10]
O longa foi gravado em São Paulo, durante o ano de 1965, tendo sido financiado e patrocinado pelo CAIC e Banco do Estado da Guanabara (BEG).[4]
Lançamento
[editar | editar código]A Hora e a Vez de Augusto Matraga fez sua estreia comercialmente nas salas de cinema brasileiras em 9 de março de 1966, em São Paulo.[4] Foi exibido em uma versão restaurada no Festival de Cinema de Veneza de 2024, na sessão Venice Classics.[11]
Recepção
[editar | editar código]Prêmios e indicações
[editar | editar código]- Prêmio Governador do Estado, 1967, SP Melhor Roteiro e Melhor Direção
Referências
[editar código]- ↑ «1ª Semana do Cinema Brasileiro (1965)». Metrópoles. Consultado em 16 de junho de 2026
- ↑ «Festival de Cannes 1966». Festival de Cannes. Consultado em 16 de junho de 2026. Cópia arquivada em 12 de maio de 2021
- ↑ «A HORA E VEZ DE AUGUSTO MATRAGA Roberto SANTOS». Festival de Cannes. Consultado em 16 de junho de 2026
- 1 2 3 «FILMOGRAFIA - A HORA E A VEZ DE AUGUSTO MATRAGA». cinemateca brasileira. Consultado em 16 de junho de 2026
- ↑ «The Hour and Turn of Augusto Matraga». filmlinc.org. Consultado em 16 de junho de 2026. Cópia arquivada em 11 de setembro de 2024
- ↑ André Dib (27 de novembro de 2015). «Abraccine organiza ranking dos 100 melhores filmes brasileiros». Abraccine. abraccine.org. Consultado em 26 de outubro de 2016. Cópia arquivada em 11 de março de 2026
- ↑ «Veja a lista dos 100 filmes brasileiros essenciais segundo a Abraccine». G1. 11 de maio de 2026. Consultado em 16 de junho de 2026. Cópia arquivada em 10 de junho de 2026
- ↑ Meucinemabrasileiro.com
- ↑ Por trás das letras - A Hora e a Vez de Augusto Matraga
- ↑ A Hora e a Vez de Augusto Matraga. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2026. Disponível em: http://enciclopedia.itaucultural.org.br/obras/123285-a-hora-e-a-vez-de-augusto-matraga. Acesso em: 16 de junho de 2026. Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978-85-7979-060-7
- ↑ «Biennale Cinema 2024 | Venice Classics». La Biennale di Venezia (em inglês). 30 de junho de 2024. Consultado em 16 de junho de 2026