A Terceira Margem do Rio

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O índice da primeira edição de Primeiras Estórias traz, conto por conto, ilustrações de acordo com esboços feitos pelo próprio Guimarães Rosa, redesenhados depois pelo desenhista Luís Jardim, como este especialmente para "A Terceira Margem do Rio".[1]

"A Terceira Margem do Rio" é o conto mais famoso e uma das obras mais influentes de Guimarães Rosa, publicado em seu livro Primeiras Estórias, lançado em 1962.

Narrado em primeira pessoa pelo filho de um homem que decide abandonar a família e toda a sociedade para viver dentro de uma pequena canoa num imenso rio.

Guimarães Rosa dá um tom regionalista e universal ao conto, em estilo de prosa poética e oralidade específica, tratando de grandes dilemas da existência humana.

Crítica e interpretações[editar | editar código-fonte]

Alienação[editar | editar código-fonte]

Em artigo de fevereiro de 1966 sobre os contos de Primeiras Estórias e a obra geral de Guimarães Rosa, Paulo Rónai conclui que "A Terceira Margem do Rio" trata da alienação que é "aceita como parte dolorosa da rotina da vida quando se declara paulatinamente".[2] O narrador do conto iria se contagiando com a demência do pai.[3]

Oralidade[editar | editar código-fonte]

Sobre a oralidade, Rónai, em seu artigo de 1966, observa que os contos de Primeiras Estórias "porejam modismos e fórmulas que estamos habituados a ouvir na boca de pessoas do povo e que, em seu frusto vigor, dão à fala popular sabor e energia deliciosos", destacando, por exemplo, as frases de "A Terceira Margem do Rio": "Nosso pai nada não dizia.", "Do que eu mesmo me alembro", "Nossa casa, no tempo, ainda era mais próxima do rio, obra de nem quarto de légua", "perto e longe de sua família dele", "avisado que nem Noé".[4] Rosa, assim, não seria um escritor que meramente reproduz a linguagem popular, pois também lança mão de neologismos, numa arte que, para Rónai, torna-se "tão provocativamente original".[5] Destaca outras frases dos outros contos do livro junto às frases "a alguma recomendação" e "pelas certas pessoas", presentes no "A Terceira Margem do Rio", para notar o uso do artigo definido na frente dos adjetivos indefinidos, prática comum na aparência popular e regional e no estilo oral.[5]

Neologismos[editar | editar código-fonte]

Como dito anteriormente, Rosa não só retrata um falar popular e sertanejo, como também inventa novas palavras e termos em suas obras. Em "A Terceira Margem do Rio", o neologismo "diluso" é uma variante possível de "diluto", "diluído".[6]

Influência[editar | editar código-fonte]

Música popular[editar | editar código-fonte]

A canção "A Terceira Margem do Rio", com música de Milton Nascimento e letra de Caetano Veloso, foi composta em 1991,[7] explicitamente a partir do conto homônimo de Guimarães Rosa. A canção está na faixa 9 do disco Circuladô (1991), de Caetano Veloso.

Adaptações[editar | editar código-fonte]

Cinema[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Rosa, 2014.
  2. Rónai, 1966, p.22
  3. Rónai, 1966, p.26.
  4. Rónai, 1966, p.31-32.
  5. a b Rónai, 1966, p.32.
  6. A terceira margem do rio (Conto de Primeiras estórias), de Guimarães Rosa. Passeiweb. Acesso: 8 de julho de 2018.
  7. Santana, 2013, p.18.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]