A Hora da Estrela (filme)

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A Hora da Estrela
Pôster oficial do filme.
 Brasil
1985 •  cor •  96 min 
Direção Suzana Amaral
Produção Assunção Hernandes[1]
Roteiro Suzana Amaral
Alfredo Oroz
História Baseado no romance homônimo, de Clarice Lispector
Elenco Marcélia Cartaxo
José Dumont
Tamara Taxman
Umberto Magnani
Dirce Militello
Fernanda Montenegro
Género drama
Música Marcus Vinicius
Cinematografia Edgar Moura
Figurino Mauricio Kawamura
Edição Idê Lacreta
Distribuição Embrafilme
Idioma português

A Hora da Estrela é um filme brasileiro de 1985, do gênero drama, o primeiro longa-metragem dirigido por Suzana Amaral.[2] O roteiro é uma adaptação do romance homônimo de Clarice Lispector.[3] Em novembro de 2015, o filme entrou na lista feita pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine) dos 100 melhores filmes brasileiros de todos os tempos.[4]

Sinopse[editar | editar código-fonte]

Macabéa, uma nordestina de dezenove anos, semi-analfabeta, orfã de pai, mãe e da tia que a criou, vai para São Paulo ser datilógrafa. Ela vai morar numa pensão paupérrima junto com outras três mulheres e tem uma vida sem muitas emoções, pois é indiferente a elas. Conhece o nordestino Olímpico de Jesus, um operário metalúrgico, e os dois começam a namorar.[5] Porém a relação não se sustenta e Olímpico acaba trocando Macabéa, a quem chama de “cabelo na sopa”, por Glória, colega de trabalho da ex-namorada, que, por recomendação de sua cartomante, rouba o namorado de Macabéa. Glória, então, recomenda-lhe sua cartomante, para que se sinta melhor, e Macabéa decide ir. A cartomante diz à garota que sua vida irá mudar repentinamente: seu ex-namorado a pedirá de volta, ela ganhará uma grande fortuna e se casará com um gringo lindo que se apaixonará por ela. Macabéa fica entusiasmada, mas quando sai na rua é atropelada por uma Mercedes e morre.[2][6]

Elenco[editar | editar código-fonte]

Fernanda Montenegro interpretou a madame Carlota, a cartomante
Ator Personagem
Marcélia Cartaxo Macabéa
José Dumont Olímpico de Jesus
Fernanda Montenegro Madame Carlota, a cartomante
Tamara Taxman Glória
Umberto Magnani Seu Raimundo
Denoy de Oliveira Pereira
Marli Bortoletto Assistente de Cartola
Maria do Carmo Soares Maria do Carmo
Dirce Militello Mãe de Glória
Sônia Guedes Joana

Produção[editar | editar código-fonte]

Clarice Lispector escreveu o livro a Hora da Estrela em 1977.[7] Na foto a escritora em 1972

O filme foi realizado com o financiamento da Embrafilme e produzido pelo estúdio Raiz Produções Cinematográficas. Esse é o primeiro longa-metragem dirigido pela a cineasta Suzana Amaral. Trata-se de uma adaptação cinematográfica do livro de romance A Hora da Estrela, da escritora Clarice Lispector.[8]

Para interpretar a protagonista Macabéa, Marcélia Cartaxo foi a atriz escolhida, sendo esse sua estreia no cinema. Para compor tal personagem, Suzana Amaral optou por desenvolver a trama do filme com poucos diálogos para representar a solidão e dificuldades no dia a dia na grande cidade de São Paulo.[8]

Lançamento[editar | editar código-fonte]

O filme teve sua première no Festival de Cinema de Brasília em 1985, onde levou quase todos os prêmios.[9] Em fevereiro de 1986, foi exibido no tradicional Festival Internacional de Cinema de Berlim, onde também foi premiado.

Em 25 de abril de 1986 foi lançado comercialmente nos cinemas brasileiros. Também foi exibido nos cinemas do México e dos Estados Unidos.[10]

Recepção[editar | editar código-fonte]

Repercussão e crítica[editar | editar código-fonte]

A Hora da Estrela é considerado um dos clássicos do cinema nacional. A Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine) nomeou o filme como um dos 100 melhores filmes brasileiros de todos os tempos.[4] Foi escolhido pela Embrafilme para representar o Brasil no Óscar de melhor filme estrangeiro em 1986, mas não chegou a ser indicado.

O filme é resenhado na nona coletânea de resenhas de filmes da crítica de cinema Pauline Kael, Hooked, onde ela o elogia, principalmente a atuação de Marcélia Cartaxo e escreve: "O filme chega até você , e a imagem da Macabéia de Marcélia Cartaxo é o que o faz - a terrível solidão dessa mulher em massa, esse nada de mulher que você não notaria na rua. Umberto D. representava todos os velhos orgulhosos e zangados que não podiam viver de suas pensões, mas ele também era - seu próprio velho teimoso. Macabéa é ela mesma em seus momentos de contentamento: sorri serenamente ao comemorar seu domingo com um passeio de metrô. É o triunfo do diretor que essa garota se afaste dela. Entorpecida como está, ela está tão viva quanto Suzana Amaral ou você ou eu, e mais misteriosamente."[11]

Prêmios e indicações[editar | editar código-fonte]

O filme ganhou alguns prêmios, dentre eles o Urso de Prata do Festival de Berlim realizado em 1986 na Alemanha, de 'melhor atriz' para a atriz Marcélia Cartaxo.[12] A diretora Suzana Amaral, foi indicada ao Urso de Ouro e recebeu o 'Prêmio da crítica'.[13] No mesmo ano participou de outro prêmio internacional, o Festival de Havana realizado em Cuba, em que Suzana Amaral ganhou o prêmio de 'melhor direção'.[14]

No ano anterior, o filme foi o grande vencedor do Festival de Brasília de 1985, vencendo em seis categorias: 'melhor filme'; melhor edição', feita por Idê Lacreta; 'melhor fotografia', sendo o responsável Edgar Moura; 'melhor atriz' para Marcélia Cartaxo e 'melhor ator' para José Dumont.[15]

O filme também recebeu o 'Troféu Jangada' realizado pela Organização Católica Internacional de Cinema (OCIC).[16]

Lista de prêmios e indicações
Ano Festival Categoria Nomeações Resultado Ref.
1985 Festival de Cinema de Brasília Melhor Filme Venceu [15]
Melhor Diretor Suzana Amaral Venceu
Melhor Atriz Marcélia Cartaxo Venceu
Melhor Ator José Dumont Venceu
Melhor Fotografia Edgar Moura Venceu
Melhor Montagem Idê Lacreta Venceu
1986 Festival Internacional de Cinema de Berlim Urso de Ouro de Melhor Filme Indicado [12]
C.I.C.A.E. Award Suzana Amaral Venceu
OCIC Award Venceu
Urso de Prata de Melhor Atriz Marcélia Cartaxo Venceu
Festival de Cinema Latino Americano de Havana Melhor Filme Suzana Amaral Venceu [14]
1987 Festival SESC Melhores Filmes Melhor Filme (voto do júri) Venceu
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Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. A Hora da Estrela (1985) IMDb. Acesso em 22 de junho de 2021.
  2. a b Cultural, Instituto Itaú. «A Hora da Estrela». Enciclopédia Itaú Cultural 
  3. Cultural, Instituto Itaú. «A Hora da Estrela». Enciclopédia Itaú Cultural. Consultado em 26 de agosto de 2020 
  4. a b André Dib (27 de novembro de 2015). «Abraccine organiza ranking dos 100 melhores filmes brasileiros». Abraccine. abraccine.org. Consultado em 26 de outubro de 2016 
  5. AdoroCinema, A Hora da Estrela 
  6. Semana, Redação Guia da. «A HORA DA ESTRELA filme - Trailer, sinopse e horários». Guia da Semana (em inglês) 
  7. Maciel', 'Nahima. «'A hora da estrela', de Clarice Lispector, completa 40 anos». Acervo. Consultado em 6 de setembro de 2020 
  8. a b A Hora da Estrela. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2021. Disponível em: Itaú Cultural. Acesso em: 22 de Jun. 2021.
  9. A Hora da Estrela :: Curiosidades Papo de Cinema.
  10. A Hora da Estrela :: Exibição IMDb
  11. «Berlinale: 1986 Prize Winners». berlinale.de. Consultado em 23 de junho de 2021 
  12. a b Peixoto, Mariana (1 de julho de 2020). «'Sempre vivi de altos e baixos', diz atriz Marcélia Cartaxo». Estado de Minas. Consultado em 26 de agosto de 2020 
  13. «Morre a cineasta Suzana Amaral, de 'A hora da estrela'». O Globo. 25 de junho de 2020. Consultado em 26 de agosto de 2020 
  14. a b «NOTA DE FALECIMENTO – SUZANA AMARAL». Cinemateca Brasileira. 27 de junho de 2020. Consultado em 26 de agosto de 2020 
  15. a b Brandão, Myrna (5 de julho de 2020). «'A Hora da Estrela', legado de Clarice e Suzana». Jornal do Brasil. Consultado em 26 de agosto de 2020 
  16. «FILMOGRAFIA - A HORA DA ESTRELA». Cinemateca Brasileira. Consultado em 27 de agosto de 2020 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]