Companhia Industrial Santa Matilde

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Disambig grey.svg Nota: Para outros significados, veja Santa Matilde (desambiguação).
Companhia Industrial Santa Matilde
Fundação 1916
Encerramento 1988
Sede Petrópolis, RJ
Locais Três Rios e Conselheiro Lafaiete
Produtos Automóveis, tratores, vagões

Companhia Industrial Santa Matilde foi uma indústria metalúrgica brasileira.

Fundada em 1916[1], teve sede em Petrópolis e fábricas nas cidades de Três Rios e Conselheiro Lafaiete produzindo vagões, carros de passageiros e demais componentes ferroviários, tratores e automóveis (desde 1978), produto pelo qual ficou mais conhecida.

A empresa tentou produzir carrocerias de ônibus em 198586, mas desistiu da ideia. A Santa Matilde foi fechada em 1988[2]. Em 1997 existiu uma tentativa (frustrada) de se reativar sua produção de automóveis. Recentemente, a Justiça decretou a falência da empresa.

O automóvel Santa Matilde[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Santa Matilde (automóvel)

Em 1975 o governo brasileiro proibiu a importação de automóveis e suas peças. Isto era um sinal de problemas para quem possuía um veículo importado, pois afetaria diretamente a aquisição de peças para a manutenção.

Este grupo de pessoas estava o Dr Humberto Pimentel que possuía um Porsche Targa 911S e a futura falta de peças já o preocupava bastante. Em meados da década de 1970, o Dr Humberto resolveu comprar um carro desportivo nacional. Sua escolha foi pelo melhor carro esporte nacional da época, o Puma GTB. Não se sabe ao certo o que levou o Dr Humberto a criar seu próprio automóvel. As duas versões mais conhecidas são de que, após analisar o Puma GTB, ele haveria sugerido algumas mudanças no carro visando uma melhora no que dizia respeito à estrutura, segurança, estabilidade. A resposta teria sido negativa e isto lhe impulsionou a pensar num carro esporte que chegasse ao seu nível exigências.

Outros relatos falam em uma fila de espera muito grande para adquirir o GTB e que isto teria sido o real motivo.

Independente de qual esteja certa, o que importa é que foi o início do automóvel SM. O primeiro passo foi criar o projeto do carro e uma equipe começa a ser montada para isto. Para chefiar esta equipe o nome escolhido foi o do engenheiro Milton Peixoto. Dentre os outros profissionais chamados temos o pintor Cici e os soldadores Antonio Alves e João da Silva. João aparece em uma das fotos soldando o protótipo. Nesta fase, em dezembro de 1975, entra para a fábrica Antonio Manuel Penafort Pinto Queirós, conhecido pelos membros do SMClube[3] como "Antonio projetista" e que possui o seu 79 até hoje totalmente original.

Sob a batuta do Dr Humberto, nasce o projeto do SM, sendo assinado por sua filha Ana Lídia. Segundo declarado pelo próprio Dr Humberto, foram colhidas ideias de vários automóveis da época, não tendo servido de base para o SM um único automóvel.

O próximo passo a ser definido seria qual a mecânica usar. A escolhida foi a do Alfa Romeo, mas a fábrica negou a concessão para o uso. A opção então foi usar a mecânica do Chevrolet Opala, com motor 4.1L, 6 cilindros em linha. Para a criação do protótipo o nome escolhido foi o de Renato Peixoto. Peixoto era muito conhecido no meio automobilístico por ter trabalhado em diversos projetos de automóveis de corrida, como o Casari A2, o qual pilotou nas 1000 milhas do Autódromo de Interlagos de 1970. Pois bem, estavam unidas "a fome e vontade de comer" e a criação do Santa Matilde iria começar. A equipe para produção do protótipo foi montada usando uma parte da mão de obra da própria fábrica, pintores, lanterneiros e outros, contratando também mão de obra externa. Tudo era desenvolvido em cima de um graminho de aço (ferramenta bastante antiga). Para o cargo de designer foi chamado um funcionário da área agrícola da fábrica, Flávio Monnerat.

O chassis foi desenvolvido pelo próprio Peixoto a partir das longarinas do Opala (longarinas são vigas de seção variável montadas longitudinalmente que proporcionam rigidez estrutural ao chassis).

Referências

  • STIEL, Waldemar Corrêa; Ônibus: uma história do transporte coletivo e do desenvolvimento urbano no Brasil, São Paulo, editora: Comdesenho Estúdio e Editora, 2001.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]