Indústria automobilística no Brasil

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Romi-Isetta, o primeiro automóvel produzido em território brasileiro, em Santa Bárbara d'Oeste, São Paulo.

A Indústria automobilística instalou-se no Brasil em 1956, na cidade de Santa Bárbara d'Oeste (SP) com o início da fabricação da Romi-Isetta pelas Indústrias Romi S/A.[1] As marcas de capital brasileiro atualmente são: Agrale, Americar, Puma, Marcopolo, TAC, Troller, Chamonix, Lobini.

No Brasil, o automóvel encontra-se definido no Anexo I do Código de Trânsito Brasileiro como um veículo de transporte até 8 passageiros, excluído o condutor.[2]

História[editar | editar código-fonte]

Primeira metade do século XX[editar | editar código-fonte]

Pode-se dizer que a era automobilística nasceu no Brasil no dia 25 de novembro de 1891, quando desembarcou no porto de Santos, do navio Portugal, o primeiro carro importado, adquirido pelo jovem inventor do avião, Alberto Santos Dumont, que mais tarde seria conhecido como o "Pai da Aviação" no Brasil. O carro era um reluzente Peugeot com motor Daimler a gasolina, de 3,5 cavalos-vapor e dois cilindros em V, conhecido pelos franceses como voiturette por ser muito parecida com uma charrete. Seu proprietário o comprara por 6 200 francos, em Valentigney, cidade perto de Paris, e o trouxe diretamente para Santos. Mais tarde, o veículo foi levado a São Paulo, permanecendo na residência de Santos Dumont. Esse Peugeot foi o primeiro carro a chegar no Brasil, asseguram os historiadores. Dessa maneira, a cidade teve a primazia de ver circular por suas ruas o primeiro automóvel do País, como confirmou a Câmara Municipal, um século depois.[carece de fontes?] O primeiro acidente de trânsito que se tem notícia no Brasil foi em 1897, quando o poeta Olavo Bilac colidiu com uma árvore. Se ele se feriu, ninguém sabe, mas, com certeza, sobreviveu, uma vez que veio a falecer apenas em 1918.[carece de fontes?]

A piloto francesa Hellé Nice recebe, no Automóvel Clube do Brasil, um troféu por sua participação no GP de 1936.

O Brasil é um dos primeiros países do mundo a fazer um protótipo de um carro. Utilizando um motor de origem inglesa, o inventor paulistano Paulo Bonadei foi o primeiro a montar um carro no Brasil. O veículo ficou pronto em 1905, quando Paulo percebeu um "pequeno" detalhe: o protótipo era maior que a porta da garagem, que teve de ser alargada. [carece de fontes?]

Em agosto de 1925, a Estação Experimental de Combustíveis e Minérios (futuro Instituto Nacional de Tecnologia), realizou as primeiras experiências no Brasil, com um automóvel adaptado para usar álcool etílico hidratado como combustível.[3] O veículo, modelo Ford, percorreu 230 km numa prova no circuito da Gávea, no Rio de Janeiro, a primeira promovida pelo Automóvel Clube do Brasil.[4] Ainda naquele ano, o mesmo veículo fez os percursos Rio-São Paulo, Rio-Barra do Piraí e Rio-Petrópolis.[4]

Entre as décadas de 1930 e 1940 o piloto Chico Landi venceu algumas corridas pilotando carros movidos a álcool de fabricação nacional, enquanto que seus concorrentes usavam metanol importado da Europa.[5]

DKW-Vemag Belcar, produzido entre 1958 e 1967 pela Vemag.

Durante a Segunda Guerra Mundial, o país enfrentou um grave racionamento de combustíveis, que eram reservados aos veículos oficiais e para aqueles empregados nos serviços públicos.[6] Como alternativa, durante este período, incentivos governamentais [7] levaram veículos particulares e de transporte público, a utilizarem o equipamento gasogênio. Este equipamento, inventado por Georges Imbert (1884-1950),[8] era usado para a produção do combustível popularmente conhecido como gás pobre.[6] Em 1943, 1944 e 1945, Chico Landi, que também era proprietário de uma empresa fabricante de gasogênios,[9] foi campeão de automobilismo [10] pilotando carros equipados com gasogênios abastecidos com carvão vegetal [11] sendo, por isso, apelidado de o "Rei do Gasogênio".[9]

Em 31 de março de 1952, o presidente da Comissão de Desenvolvimento Industrial (CDI) instalou a subcomissão de jipes, tratores, caminhões e automóveis.[12] O primeiro carro montado em território brasileiro foi a Romi-Isetta, em 1955, produzida pelas indústrias Romi na cidade de Santa Bárbara d'Oeste, no interior de São Paulo. O veículo foi produzido entre 1956 e 1961.[13][13] Ainda em 1956, a Vemag[14] também colocou no mercado uma camioneta derivada da família F91, produzida pela DKW[15], montada no Brasil. Em 1958 passou a disponibilizar sedãs e peruas da família F94 montados sob licença da DKW e com crescentes índices de nacionalização. Também produziu uma versão abrasileirada do jipe Munga e, nos anos 1960, encomendou uma carroceria refinada aos Fissore, da Itália, e a montou sobre a mecânica DKW. Em 1957 foi o início da montagem da Kombi[16] no Brasil, com as peças importadas, no sistema CKD (Completely Knocked Down, em inglês) ainda pelo Grupo Brasmotor.[17]

As Quatro Grandes[editar | editar código-fonte]

Sede da Mercedes-Benz Brasil em São Bernardo do Campo, São Paulo.

Em 1959, no município de São Bernardo do Campo, São Paulo, foi instalada a fábrica da Volkswagen[18], cujo primeiro modelo produzido foi a Kombi, lá e que precedeu ao famoso Volkswagen Sedan (mais conhecido no Brasil como Fusca). Entretanto, em Rio Bonito (RJ), já um pequeno empreendedor chamado Sebastião William Cardoso havia montado um pequeno jipe que chamou de "Tupi", movido a partir de um motor de um gerador elétrico.[19] A Chevrolet e a Ford, que eram apenas montadoras de peças importadas, também começaram a dar os seus primeiros passos com a fabricação de caminhões para, mais tarde, iniciarem a produção de automóveis em 1968. A seguir veio a italiana Fiat de Turim, instalou-se em 1973 em Betim (MG).[20]

Outras montadoras e fabricantes as seguiram, como a Renault, Peugeot, Citroën, que montaram fábricas no Brasil, enquanto outras marcas iam sendo incorporadas, como a Dodge pela Chrysler do Brasil. A Mercedes-Benz[21], que já fabricava caminhões, estabeleceu em São Bernardo uma fábrica, a Daimler Benz do Brasil, inicialmente fabricante de carroçarias de caminhão e ônibus, inaugurando a sua unidade montadora veicular em 1999, em Juiz de Fora(MG)[22].

Anos 1970, 1980 e 1990[editar | editar código-fonte]

BR-800, fabricado pela Gurgel de 1988 a 1991, foi o primeiro carro 100% brasileiro.[23]

Em 1970, a frota de carros do Brasil era de cerca de 6 milhões de carros, para uma população aproximada de 90 milhões de habitantes.

Com a crise do petróleo, o país desenvolveu, como alternativa, o Programa Nacional do Álcool (Proálcool), para substituir a gasolina pelo álcool combustível (bioetanol). Em 1979, o Fiat 147 tornou-se o primeiro carro com motor a álcool a ser produzido em série.[24]

Diversos foram os fabricantes de automóveis genuinamente brasileiros como Puma Veículos e Motores, Gurgel, Miura, Envemo entre outros. Muitos não sobreviveram a reabertura das importações no inicio dos anos 1990 e à competição com modelos importados. A Gurgel entrou em processo de falência após ter lançado no mercado brasileiro o Gurgel BR-800 (o primeiro automóvel genuinamente brasileiro) e posteriormente o Gurgel Supermini, mas o governo federal estendeu a isenção do IPI (antes exclusiva para o modelo nacional) a todos os modelos de veículos existentes no Brasil com menos de 1000 cilindradas e negou um empréstimo já acertado há tempos para a instalação do projeto Delta(que incluía a construção de um complexo industrial para a fabricação do mesmo no estado do Ceará), o que não aconteceu, culminando na consequente queda do preço das ações. O primeiro carro nacional a ser vendido com injeção eletrônica no Brasil foi o Volkswagen Gol GTI, fabricado a partir de 1989. No entanto, o primeiro carro com este recurso a ser fabricado no Brasil foi o Volkswagen Fox (Volkswagen Voyage para exportação) em 1988. O primeiro automóvel inteiramente fabricado no país foi o minicarro BR-800, em 1988.[25]

Século XXI[editar | editar código-fonte]

T4 da Troller, empresa adquirida pela Ford em 2007.

Até recentemente, o fabricante brasileiro de maior destaque era a Troller, com os veículos T4 e Pantanal porém, em 2007 o fabricante foi adquirido pela Ford. Nos últimos anos,a indústria automobilística no Brasil têm crescido bastante, atraindo grandes investimentos das principais empresas. Em 2007, a produção automobilística no Brasil cresceu cerca de 14% em relação à 2006, chegando a três milhões de veículos, o que torna o país o sexto maior produtor mundial de automóveis, porém segue sendo o único membro do BRIC a não possuir uma montadora genuinamente nacional.[26][27]

Em artigo escrito por Joe Leahy no Financial Times, foi questionada a política industrial brasileira voltada para o setor automobilístico, que foi intensificada a partir de 2002. O jornal relaciona essa política com o travamento do sistema de transportes nas grandes metrópoles brasileiras, onde, em geral, há muitos carros particulares e pouco transporte de massa. Essa política, segundo o jornal, poderia ser associada, em parte, às manifestações em 2013. Nas palavras de João Augusto de Castro Neves, membro de uma agência de consultoria de riscos políticos, "a conta chegou".[28]

O setor automotivo foi central para a política industrial brasileira há muitas décadas, de Juscelino Kubitschek a Fernando Henrique Cardoso e os governos do PT. No entanto, com o PT no poder, foram as políticas de crédito, de incentivos fiscais e de proteção alfandegária que turbinaram o setor[29]. Desde 2002, o setor mais que dobrou e o Brasil se tornou o quarto maior produtor de automóveis do mundo[30], enquanto que a infraestrutura e o transporte público não conseguiram manter o mesmo ritmo de crescimento. O investimento nessas redes de transporte foi insuficiente. O tráfego em muitas vias aumentou em mais de 50%. Para Albert Fishlow, a política industrial brasileira sempre foi muito concentrada no setor automobilístico. Com as manifestações de junho de 2013, direcionadas em parte contra o sistema de transportes do país, o custo político dessas medidas aumentou.[29] Entre as diversas demandas, se popularizou o ditado "País desenvolvido não é onde o pobre tem carro. É onde o rico usa o transporte público."[31]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Romi Isetta[ligação inativa] Globo
  2. Plunkett Research, "Código de Trânsito Brasileiro" (Lei N°9.503, de 23 de setembro de 1997)
  3. Instituto Nacional de Tecnologia - Linha do Tempo Arquivado em 7 de setembro de 2013, no Wayback Machine.. Acessado em 29/11/2015.
  4. a b Ambiente e Energia - Do primeiro carro a álcool ao bioquerosene de aviação. Acessado em 29/11/2015.
  5. Senado.gov - História e Economia dos Biocombustíveis no Brasil. Fernando Lagares Távora. Págs. 15-16. Acessado em 29/11/2015.
  6. a b Alunosonline - Gasogênio. Jennifer Rocha Vargas Fogaça. Acessado em 29/08/2015.
  7. Senado Federal do Brasil. DECRETO-LEI N. 1.125 ? DE 28 DE FEVEREIRO DE 1939. Crêa a Comissão Nacional do Gasogênio e Cursos de Gasogênio, no Ministério da Agricultura. Arquivado em 21 de setembro de 2015, no Wayback Machine. Acessado em 29/08/2015.
  8. The Biofuels Handbook. Autor: James G Speight. Royal Society of Chemistry, 2015, pág. 208, (em inglês) ISBN 9781782626282 Adicionado em 29/06/2018.
  9. a b Bestcars - Gasogênio, o motor movido a carvão. Acessado em 29/11/2015.
  10. YouTube - Gasogênio. Acessado em 01/07/2018.
  11. Autos and Progress: The Brazilian Search for Modernity. Joel Wolfe, Oxford University Press, 2010, pág. 108. (em inglês). ISBN 9780195174564 Adicionado em 29/11/2015.
  12. "História do carro brasileiro". Acessado no dia 28 de abril de 2011.
  13. a b Romi-Isetta: o pequeno pioneiro. Ed. DBA, 2004, ISBN 9788572343107. Adicionado em 29/08/2015.
  14. http://www.saopauloantiga.com.br/vemag-uma-fabrica-que-agoniza-no-tempo/
  15. http://www.dkwvemag.net/site/
  16. «Cópia arquivada». Consultado em 18 de novembro de 2012. Arquivado do original em 8 de abril de 2014 
  17. http://exame.abril.com.br/mercados/cotacoes-bovespa/acoes/BMTO4
  18. http://www.dw.de/volkswagen-completa-60-anos-de-atividades-no-brasil/a-16648168
  19. http://bestcars.uol.com.br/classicos/carrodobrasil-2.htm
  20. http://www.fiat.com.br/institucional/dimensoes-da-fabrica.html
  21. «Cópia arquivada». Consultado em 12 de dezembro de 2014. Arquivado do original em 3 de março de 2014 
  22. «Cópia arquivada». Consultado em 12 de dezembro de 2014. Arquivado do original em 1 de julho de 2013 
  23. Quatro Rodas - Grandes Brasileiros: Gurgel BR-800. O carro 100% nacional que nasceu de um sonho de infância. Felipe Bitu, 23 de Novembro de 2016. Acessado em 04/09/2018.
  24. Terra - Primeiro carro produzido pela Fiat no Brasil, 147 completa 35 anos. Acessado em 29/08/2015.
  25. Gurgel: um sonho forjado em fibra. Autor: Lélis Caldeira. Labortexto, 2004, pág. 161. Adicionado em 04/09/2018.
  26. http://www.asiacomentada.com.br/2010/05/industria-automobilistica-nos-bric/
  27. http://oglobo.globo.com/blogs/bric/posts/2009/11/17/os-carros-populares-dos-bric-241902.asp
  28. «Brazil's love of the car begins to backfire for political leaders». Consultado em 28 de junho de 2013 
  29. a b «Brazil's love of the car begins to backfire for political leaders». Consultado em 28 de junho de 2013 
  30. «O carro que o governo incentiva». Consultado em 28 de junho de 2013 
  31. «Pontos na cabeça». Consultado em 28 de junho de 2013 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]