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Marco Antônio Félix

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(Redirecionado de Félix (governador))
Marco Antônio Félix
Nascimento10
Nápoles (Império Romano)
Morteséculo I
Judeia (Império Romano)
CidadaniaRoma Antiga
CônjugeDrusila da Mauritânia, Drusila, Desconhecido
Filho(a)(s)Desconhecido, Marcus Antonius Agrippa, Antonia Clementiana
Irmão(ã)(s)Marco Antônio Palas
Ocupaçãoadministrador
Governadores da Judeia

Marco Antônio Félix (em latim: Marcus Antonius Felix, em grego : ὁ Φῆλιξ) foi o quarto governante da província romana da Judeia, entre os anos 52 e 60, na condição de procurador, tendo sucedido Ventídio Cumano e sendo sucedido por Pórcio Festo. Ele aparece no Novo Testamento, especificamente em Atos 23 e 24, quando o apóstolo Paulo é levado perante para ser julgado.

Biografia

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Félix era irmão mais novo de Marco Antônio Palas, que serviu como secretário do tesouro durante o reinado de Cláudio. Segundo Tácito, os irmãos descendiam de antigos reis da Arcádia.[1]

Procurador da Judeia

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Após os distúrbios entre judeus e samaritanos, que resultaram no desterro de Cumano, o imperador Cláudio enviou, para substituí-lo, Marco Antônio Félix, um liberto cuja indicação deveu-se a Antônia, mãe do imperador, e a Palas, (O fato de um liberto ser designado para um função tradicionalmente reservada à aristocracia, foi asperamente criticada pelo historiador Tácito - Historiae V, 9). Ele se manteve no cargo por oito anos, numa época em que a Judeia, sobretudo a área rural, vivia distúrbios frequentes provocados pelas ações de Zelotas e Sicários, a quem Flávio Josefo chama de "bandidos" em sua "Guerra Judaica".

Félix conseguiu capturar um de seus líderes, Eleazar, através de um ato de traição, ao convidar o zelota para conversar, sob garantia de salvo-conduto. Alguns acreditam[quem?] que a morte de Jônatas o Sumo Sacedote tenha sido um ato de represália à traição do governador. No entanto, Flávio Josefo afirma que o crime foi arranjado pelo próprio Félix, que estaria cansado das contínuas repreensões do Sumo Sacerdote e de sua ameaça de denunciá-lo a César. Segundo Josefo, Félix teria persuadido Doras, um dos amigos mais próximos de Jônatas e cidadão de Jerusalém, a contratar alguns homens para matar o sumo sacerdote, prometendo uma grande soma de dinheiro. Doras providenciou para que alguns homens se misturassem aos fiéis no Templo com adagas escondidas. Esses assassinos mataram Jônatas durante uma festa judaica e nunca foram pegos.[2]

Outro episódio sangrento do governo de Félix está ligado ao surgimento de um estranho personagem, conhecido como "egípcio" (cujo nome jamais foi esclarecido), um tipo de "messias" dentre os vários que povoaram o século I. Percebendo a ameaça que o egípcio representava, pois ele reunira um grande número de seguidores no topo do Monte das Oliveiras, Félix reuniu suas tropas e matou, segundo Josefo, quatrocentos seguidores do egípcio, enquanto outros duzentos teriam sido capturados vivos. No entanto, o próprio egípcio fugiu e nunca mais ouviu-se falar dele.[3]

Por fim, um conflito em Cesareia acabaria determinando a destituição de Félix. A disputa foi entre judeus e "gentios", com os primeiros afirmando que, tendo sido Herodes, o Grande, quem construíra a cidade, eles tinham direitos civís superiores aos dos não-judeus. Por seu turno, os habitante sírios argumentavam que o lugar já existia antes de Herodes tê-lo reformado e aumentado, e que naquela época não havia judeus morando lá, razão pela qual, eles deviam ter precedência sobre os judeus. Félix reprimiu os distúrbios com violência, especialmente contra os judeus, motivando uma queixa formal contra ele, junto aos altos escalões de Roma.

Ao retornar a Roma, Félix foi acusado de usar a disputa como pretexto para para matar e saquear os habitantes da cidade, mas escapou impune graças à intercessão de seu irmão Palas, que tinha grande influência junto ao imperador Nero. Contudo, ele não foi restituído a seu cargo. Pórcio Festo foi nomeado em seu lugar.

Félix e Paulo

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O apóstolo Paulo foi preso em Jerusalém e salvo de uma tentativa de assassinato. Cláudio Lísias, tribuno e quiliarca, o transferiu para Cesareia para ser julgado pelo procurador. Félix e Drusila ouviram a defesa de Paulo e, posteriormente, o convocaram para uma conversa particular. Na verdade, Félix esperava que Paulo lhe oferecesse um suborno — uma expectativa comum para ele —, mas Paulo recusou. Depois disso, Félix adiou repetidamente o processo, protelando o caso por dois anos, até que finalmente foi sucedido por Pórcio Festo.[4]

Casamentos e família

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Félix casou-se três vezes. Sua primeira esposa foi Drusila da Mauritânia, que se acredita ser filha de Ptolomeu da Mauritânia e de sua esposa, Júlia Urânia. Esse casamento foi arranjado pelo imperador Cláudio e não teve filhos. Sua segunda esposa foi a judia Drusila, filha de Herodes Agripa I, que se divorciou de Azizo, o rei-sacerdote de Emesa, para se casar com ele. Juntos, tiveram um filho, Marco Antônio Agripa, que mais tarde morreu na erupção do Vesúvio. O nome da terceira esposa de Félix é desconhecido. Uma inscrição descreve um homem chamado Lúcio Aneu Domício Próculo como bisneto de Félix; acredita-se que sua avó, Antônia Clementiana, era filha de Félix. Outra inscrição registra um Tibério Cláudio (cognome perdido) que estava de alguma forma associado a um certo Tito Múcio Clemente. [5]

O questor Marco Antônio Fronto Salviano e seu filho Marco Antônio Félix Magno, um sumo sacerdote em 225, também são possíveis descendentes de Antônio Félix.

Ver também

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Referências

  1. Cornélio Tácito, Annais 12.53-54
  2. Flávio Josefo, Antiguidades dos Judeus 20.8.5
  3. Flávio Josefo, Antiguidades dos Judeus 20.169–172
  4. Atos 24:24-27
  5. Porter, Stanley E.; Evans, Craig A. (1997). New Testament Text and Language: A Sheffield Reader. A&C Black. p. 257. ISBN 9781850757955.
  • Josefo, Flávio - "História dos Hebreus". Obra Completa, Rio de Janeiro, Casa Publicadora das Assembléias de Deus, 1992.
  • Allegro, John - "The Chose People", London, Hodder and Stoughton Ltd, 1971.
  • Bowder, Diana - "Quem foi quem na Roma Antiga", São Paulo, Art Editora/Círculo do Livro S/A,s/d

Precedido por
Cumano
Governadores da Judeia
Marco Antônio Félix (52-60)
Sucedido por
Pórcio Festo