Forte de Al-Jalali

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Forte de Al-Jalali, Omã.
Forte de Al-Jalali, Omã.
Velha Mascate: ao fundo os fortes de Al-Jalali e Al-Mirani.
Porto de Mascate: ao fundo o forte (c. 1903).

O Forte de Al-Jalali (primitivamente Forte de São João) localiza-se em Mascate, capital do Sultanato de Omã.[1]

Considerado uma das melhores atrações histórico-turísticas de Omã, ergue-se em posição dominante sobre a baía de Mascate, e tinha como função o complemento da defesa daquele porto e cidade comercial, envolvidos pela Fortaleza de Mascate. A leste do Forte de Al-Mirani, que lhe é fronteiro em outra escarpa rochosa, os chamados "fortes gêmeos" serviram como baluartes contra as armadas invasoras, cooperando com o Forte de Matrah e uma série de torres de vigia tornavam Mascate uma verdadeira praça-forte, praticamente inexpugnável.

História[editar | editar código-fonte]

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Mascate integrou o Império Português entre 1507 e 1650.

Em 1551 o almirante otomano e cartógrafo Piri Reis capturou Mascate aos portugueses, mas acabou por abandoná-la.

No ano seguinte (1552), sob o comando do capitão João de Lisboa, o forte foi reparado e modernizado. O mesmo se sucedeu após a ocupação turca de Mascate entre 1581 e 1588, quando, reocupada por forças portuguesas, a defesa da cidade foi profundamente modificada por determinação do governador do Estado Português da Índia, D. Manuel de Sousa Coutinho. Anos mais tarde, para complemento dessa defesa, D. Jerónimo de Mascarenhas principiou um baluarte, num penedo elevado fronteiro à cidade. Assim que a informação de suas obras chegou à Corte em Lisboa, o soberano determinou que o mesmo fosse reforçado e dotado de artilharia correspondente, conforme Cartas-Régias datadas de 1597 e 1598.

Posteriormente, após a queda do Forte de Nossa Senhora da Conceição de Ormuz diante dos Persas e seus aliados Ingleses (3 de maio de 1622), a sua guarnição e a população portuguesa - cerca de 2.000 pessoas - foram enviadas para Mascate, que daí em diante passou a concentrar os interesses portugueses na região.

A fortificação de Mascate sofreu várias campanhas de modernização e reforço após a conquista pelos portugueses no início do século XVI.

Os primitivos fortes portugueses foram erguidos sobre os alicerces de fortificações islâmicas mais antigas, e constituíam-se em pequenas estruturas de campanha artilhadas, destinadas à defesa do ancoradouro e da cidade, diante das constantes ameaças da frota persa. O embrião do atual forte estaria erguido por volta de 1588. Por volta da segunda metade do século XVI, novas fortificações e torres foram adicionadas ao conjunto.

O atual forte[editar | editar código-fonte]

Após a captura da cidade pelas forças de Omã (1650), o forte recebeu o nome de um dos comandantes das forças persas na ocasião, passando se denominar Al-Jalali. A partir de então foi gradualmente reconstruído e reforçado, até alcançar a sua forma actual.

Em nossos dias, após a subida do Sultão Qaboos bin Said Al Said ao poder, teve lugar uma extensa campanha de restauração tendo sido requalificado como um museu histórico, e visitado por membros da realeza, chefes de Estado e dignitários estrangeiros. Entre outros elementos, algumas inscrições em língua portuguesa, atestam a presença portuguesa. Entretanto, é criticada a demolição total, em 1983, das antigas muralhas portuguesas que envolviam o primitivo perímetro urbano, substituindo-as por novas muralhas, o que descaracterizou o conjunto.

Características[editar | editar código-fonte]

O caráter inexpugnável de Al-Jalali é ressaltado por uma formidável muralha a partir do perímetro do forte. O acesso é possível apenas pelo lado do porto, por lances de escadaria íngremes, cujos degraus são escavados na rocha.[2] Uma inscrição de grandes dimensões em árabe, no sopé das escadas, informa: "Forte de Al-Jalali, erguido em 1587". Em seu interior o visitante usufrui de uma atmosfera imponente. A partir do terrapleno e do alto das torres, descortinam-se excelentes vistas da baía de Mascate e da cidade antiga, incluindo o Forte de Al-Mirani e o Palácio Real.

Referências

  1. Forte de Al-Jalali no sítio do Património de Influência Portuguesa, da Fundação Calouste Gulbenkian
  2. Atualmente um teleférico improvisado facilita a transferência de pessoal e material para as dependências do forte.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]