Homossexualidade no reino animal

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Leões machos copulando.

O comportamento homossexual em animais refere-se à evidência documentada de comportamento homossexual e bissexual em várias espécies não-humanas. Tais comportamentos incluem sexo, namoro, afeição e parentalidade entre animais do mesmo sexo. Uma pesquisa de 1999, feita pelo pesquisador Bruce Bagemihl, mostra que o comportamento homossexual já foi observado em cerca de 1.500 espécies animais, variando de primatas a vermes intestinais, e é bem documentado em 500 delas.[1][2] O comportamento animal sexual toma muitas formas diferentes, mesmo dentro da mesma espécie. As motivações e implicações de tais comportamentos têm ainda de ser totalmente compreendidas, uma vez que a maioria das espécies ainda não foram totalmente estudadas.[3] De acordo com Bagemihl, "o reino animal [faz] isso com muito maior diversidade sexual - inclusive homossexual, bissexual e sexo não-reprodutivo - do que a comunidade científica e a sociedade em geral estão previamente dispostas a aceitar."[4] A pesquisa atual indica que várias formas de comportamento sexual homossexual são encontradas em todo o reino animal.[5] Uma nova revisão feita em 2009 das pesquisas já existentes mostrou que o comportamento homossexual é um fenômeno quase universal no reino animal, comum em várias espécies.[6] Esse tipo de comportamento sexual é mais registrado em espécies sociais. De acordo com o que disse a geneticista Simon Levay em 1996, "embora o comportamento homossexual seja muito comum no mundo animal, parece ser muito incomum que os animais tenham uma predisposição de longa duração para se engajar em tal comportamento à exclusão das atividades heterossexuais. Assim, uma orientação homossexual, se é que se pode falar de tal coisa nos animais, parece ser uma raridade."[7] Uma das espécies em que a orientação homossexual exclusiva ocorre, entretanto, é a da ovelha domesticada (Ovis aries).[8][9] "Cerca de 10% dos carneiros (machos) se recusam a acasalar com fêmeas, mas prontamente se acasalam com outros carneiros do mesmo sexo."[9]

A observação do comportamento homossexual em animais pode ser visto como um argumento a favor e contra a aceitação da homossexualidade em humanos e tem sido usada especialmente contra a alegação de que é um peccatum contra naturam ("pecado contra a natureza").[1] Por exemplo, a homossexualidade em animais foi citada na decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos no julgamento Lawrence versus Texas, que derrubou as leis contra a sodomia de 14 estados daquele país.[10]

Aplicação do termo homossexual a animais[editar | editar código-fonte]

O termo homossexual foi cunhado por Karl-Maria Kertbeny em 1868 para descrever atração sexual pelo mesmo sexo e o comportamento sexual em humanos.[11] O uso do termo em estudos em animais tem sido controverso por duas razões principais: a sexualidade animal e os seus fatores motivadores foram e continuam sendo mal entendidos e o termo tem fortes implicações culturais na sociedade ocidental que são irrelevantes para outras espécies não-humanas.[12] Sendo assim, ao comportamento homossexual foi dado vários termos ao longo dos anos. Ao descrever os animais, a palavra homossexual é preferível em relação a termos como gays, lésbicas e outros em uso atualmente, já que estes são ainda mais vistos como ligados à homossexualidade humana.[13]

A preferência e motivação animal é sempre inferida a partir do comportamento. Em animais selvagens, os pesquisadores não podem estabelecer uma regra capaz de mapear toda a vida de um indivíduo e deve-se inferir a partir da frequência de observações individuais de comportamento. O uso correto do termo homossexual é quando um animal apresenta comportamento homossexual; no entanto, este artigo está em conformidade com o uso feito pela pesquisa moderna[13][14][15][16][17] a aplicação do termo homossexualidade para todo o comportamento sexual (cópula, estimulação genital, jogos de acasalamento e comportamento de exibição sexual) entre animais do mesmo sexo. Na maioria dos casos, presume-se que o comportamento homossexual não é senão parte do repertório comportamental sexual geral dos animais, fazendo com que o termo "bissexual" seja melhor aplicado em vez de "homossexual", de acordo como essas palavras são comumente compreendidas em seres humanos.[16] No entanto, casos de preferência homossexual e pares homossexuais exclusivos também são registrados no reino animal.[18]

Pesquisas[editar | editar código-fonte]

A presença de comportamento homossexual não foi "oficialmente" observada em larga escala em animais até tempos recentes, possivelmente devido ao viés do observador causado por atitudes sociais em relação a esse tipo de comportamento sexual,[19] confusão inocente, ou mesmo de um medo de "ser ridicularizado por seus colegas".[20] O biólogo Janet Mann, da Universidade de Georgetown, diz: "Os cientistas que estudam o tema são frequentemente acusados ​​de tentar encaminhar uma agenda e seu trabalho pode ficar sob maior escrutínio do que o de seus colegas que estudam outros temas."[21] Eles também notaram que "nem todo ato sexual tem uma função reprodutiva ... isso é verdade para os seres humanos e não-humanos."[21] Isso parece ser difundido entre as aves e os mamíferos sociais, particularmente os mamíferos marinhos e os primatas. A verdadeira extensão da homossexualidade em animais não é totalmente conhecida. Enquanto estudos têm demonstrado o comportamento homossexual em várias espécies, Petter Bøckman, o assessor científico da exposição Against Nature em 2007, especulou que a verdadeira extensão do fenômeno pode ser muito maior do que é até então reconhecida:

Não foi encontrada qualquer espécie em que o comportamento homossexual não demonstrou-se existente, com exceção de espécies que nunca fazem sexo, tais como ouriços e aphis. Além disso, uma parte do reino animal é hermafrodita, realmente bissexual. Para eles, a homossexualidade não é um problema.[20]

Duas girafas macho no Quênia.

Um exemplo de comportamento homossexual em animais é notado por Bruce Bagemihl, quando ele descreve as girafas durante o acasalamento: nove em cada dez pares ocorrem entre machos.

Todo momento que um macho cheirou uma fêmea foi relatado como sexo, enquanto o sexo anal com orgasmo entre machos foi apenas relatado como dominação, concorrência ou forma de cumprimento.[22]

Alguns pesquisadores acreditam que esse comportamento tem sua origem na organização social do sexo masculino e na dominância social, semelhante aos traços de dominância mostrados na sexualidade. Outros, particularmente Joan Roughgarden, Bruce Bagemihl, Thierry Lode[23] e Paul Vasey sugerem que a função social do sexo (seja homossexual ou heterossexual) não está necessariamente ligada à dominação, mas serve para fortalecer as alianças e laços sociais dentro de um rebanho. Outros argumentaram que a teoria da organização social é inadequada porque não pode explicar alguns comportamentos homossexuais, por exemplo, de espécies de pinguins, onde indivíduos do mesmo sexo são companheiros por toda a vida e recusam-se a formar um par com as fêmeas quando surge essa oportunidade.[24][25] Enquanto pesquisas em muitos cenários de acasalamento ainda sejam apenas anedóticas, um corpo crescente de trabalhos científicos confirmam que a homossexualidade permanente ocorre não só em espécies com ligações permanentes entre pares,[17] mas também em espécies não-monogâmicas, como as ovelhas.

Abaixo, uma citação de um relatório sobre as ovelhas:

Aproximadamente 8% dos carneiros exibem preferências sexuais [isto é, mesmo quando recebem uma oportunidade de escolha] por parceiros do sexo masculino (carneiros machos) em contraste com a maioria dos carneiros, que preferem parceiros do sexo feminino (fêmeas). Nós identificamos um grupo de células dentro da área pré-óptica média do hipotálamo anterior de ovelhas adultas da mesma idade que era significativamente maior em carneiros adultos do que em ovelhas...[26]

Na verdade, indivíduos aparentemente homossexuais são conhecidos em todas as espécies domésticas tradicionais, de ovelhas, gados, cavalos e gatos, até cães e periquitos.[1]

Machos da espécie Pato-real se relacionando.

A fim de relatar o comportamento homossexual nos outros animais, o Museu de História Natural de Oslo, na Noruega, apresentou em 2006 a primeira exposição dedicada a "animais gays", que foi chamada de "Against Nature?", exibindo cerca de 500 espécies em que existem relatos de comportamento homossexual de um universo de 1.500 relatos, desde mamíferos e insetos até crustáceos. Nos pássaros australianos Galahs (Roseate Cockatoo), por exemplo, cerca de 44% dos pares são formados por indivíduos do mesmo sexo. Além desses, há registros bem mais antigos, como os de Aristóteles, que fez menção a hienas lésbicas. Em entrevista à Revista da Folha, o coordenador da mostra, Geir Söli, disse que "a ideia surgiu depois de analisarmos o livro do biólogo Bruce Bagemihl, 'Biological Exuberance: Animal Homosexuality and Natural Diversity', no qual ele descreve cientificamente a homossexualidade de muitas espécies animais. Acreditamos que essa seja uma forma de contribuir socialmente para a discussão de um tema que ainda causa tanta polêmica".[27]

Um estudo publicado pelo periódico "Trends in Ecology and Evolution" concluiu a importância do comportamento homossexual para a evolução de muitas espécies animais, como entre as fêmeas do albatroz-de-laysan (Phoebastria immutabilis), do Havaí, que se unem a outras fêmeas para criar os filhotes, especialmente na escassez de machos, tendo mais sucesso que as fêmeas solteiras. O estudo conclui que a homossexualidade ajudou as espécies de diferentes maneiras ao longo da evolução.[28][29]

Base genética e fisiológica[editar | editar código-fonte]

Pesquisadores descobriram que a desativação do gene FucM (fucose mutarotase) em ratos de laboratório - o que influencia os níveis de estrogênio a que o cérebro é exposto - fez com que os camundongos fêmeas se comportassem como se tivessem crescido com o sexo masculino. "O rato mutante feminino foi submetido a um programa de desenvolvimento ligeiramente alterado no cérebro para se parecer com o cérebro masculino em termos de preferência sexual", disse o professor Chankyu Park do Instituto Coreano de Ciência e Tecnologia Avançada em Daejeon, Coreia do Sul, que liderou a pesquisa. Suas descobertas mais recentes foram publicados na revista científica BMC Genetics em 7 de julho de 2010.[30][31] Em março de 2011, uma pesquisa mostrou que a serotonina está envolvida no mecanismo de orientação sexual de ratos.[32][33]

Exemplos de comportamentos homossexuais observados na natureza[editar | editar código-fonte]

Cisne-negros[editar | editar código-fonte]

Estima-se que um quarto de todos os pares de cisnes negros sejam de homossexuais. Eles roubam ninhos, ou formam trios temporários com fêmeas para obter ovos, afastando a fêmea depois que ela coloca os ovos. Acredita-se que a sobrevivência desses filhotes sejam maior do que daqueles criados por pares de sexo diferente, devido a superioridade na habilidade de defesa de ninho.[34]

Patos selvagens[editar | editar código-fonte]

Os patos selvagens formam pares heterossexuais somente até a postura de ovos pela fêmea, em seguida os machos deixam as fêmeas. Eles possuem taxas de atividade sexual macho-macho que são altas para aves, aproximadamente 19% de todos os pares em uma população. [35]

Boto-cor-de-rosa[editar | editar código-fonte]

Foi relatado bandos de 3-5 indivíduos envolvidos em atividade sexual. Os grupos geralmente compreendem machos jovens e às vezes uma ou duas fêmeas. O sexo é muitas vezes realizado de forma não-reprodutiva, usando focinho, nadadeiras e fricção genital, sem levar em conta o gênero. Em cativeiro, observaram-se, às vezes, indivíduos executando penetração homossexual e heterossexual no orifício nasal. [36]

Girafas[editar | editar código-fonte]

Girafas machos frequentemente se relacionam com indivíduos do mesmo sexo. Depois de alguns comportamento agressivo é comum para duas girafas iniciar caricias levando à monta e ejaculação. Este comportamento foi encontrado com mais freqüentes do que acoplamento heterosexual. Em um estudo, ocorreram até 94% dos incidentes de montagem observados entre dois machos. A proporção de atividades do mesmo sexo variou entre 30 e 75% e, em qualquer momento, um em cada vinte machos não estavam envolvidos em comportamento agonísticos. [37]

Leão[editar | editar código-fonte]

Foram observados comportamentos sexuais entre os mesmo sexos tanto em leões machos quanto em fêmeas. Os leões machos unem-se por um certo número de dias e iniciam a atividade homossexual com carinho e depois copula. Relações entre as fêmeas são consideradas bastante comuns em cativeiro, mas não foram observados na natureza. [38]

Hienas[editar | editar código-fonte]

A estrutura familiar da hiena é matriarcal e as relações de dominância com elementos sexuais fortes são rotineiramente observadas entre fêmeas. Devido em grande parte ao sistema urogenital único da fêmea de hiena, que se parece mais com um pênis do que com uma vagina, os primeiros naturalistas pensavam que as hienas eram machos hermafroditas que comumente praticavam a homossexualidade. Muitos europeus associaram a hiena com deformidade sexual, prostituição, comportamentos sexuais desviantes e até bruxaria. Hienas do sexo feminino são maiores do que os machos e substancialmente mais agressiva. O estudo desta genitália única e comportamento agressivo na hiena feminina levou à compreensão de que mulheres mais agressivas são mais capazes de competir por recursos, incluindo alimentos e parceiros de acasalamento.[39] A pesquisa mostrou que os níveis elevados de testosterona no útero contribuem para a agressividade extra. Tanto os machos como as fêmeas formam membros do mesmo sexo e do sexo oposto, que, por sua vez, estão possivelmente agindo mais submissos por causa dos níveis mais baixos de testosterona no útero. [40]

Bonobos[editar | editar código-fonte]

Comportamento sexual de Bonobos

Os bonobos possuem uma sociedade matriarcal e são uma espécie totalmente bissexual - tanto machos como fêmeas se envolvem em comportamento heterossexual e homossexual, sendo notado pela homossexualidade fêmea-fêmea em particular. Aproximadamente 60% de toda a atividade sexual do bonobo ocorre entre duas ou mais fêmeas. O primatologista holandês Frans de Waal, observando e filmando bonobos, observou que havia duas razões para acreditar que a atividade sexual é a resposta do bonobo para evitar o conflito. Qualquer coisa que desperte o interesse de mais de um bonobo de cada vez, não apenas comida, tende a resultar em contato sexual. Se dois bonobos se aproximam de uma caixa de papelão jogada em seu gabinete, eles vão montar um no outro um pouco antes de jogar com a caixa. Tais situações levam a disputas na maioria das outras espécies. Mas os bonobos são bastante tolerantes, talvez porque usem o sexo para desviar a atenção e para aliviar a tensão. [41] [42]

O sexo do bonobo ocorre frequentemente em contextos agressivos totalmente alheios aos alimentos. Um macho ciumento pode perseguir outro longe de uma fêmea, após o que os dois machos se encontram e se envolvem em fricção escrotal. Ou depois que uma fêmea acerta um juvenil, a mãe desta última pode atacar o agressor, uma ação que é imediatamente seguida por fricção genital entre os dois adultos. [43]

Evolução do comportamento homossexual em primatas não humanos[editar | editar código-fonte]

Em animais, o termo comportamento homossexual tem sido usado para se referir ao comportamento homossexual que não é de caráter sexual, cortejo entre indivíduos do mesmo sexo, comportamento copulador ocorrendo durante um curto período de tempo ou laços de longo prazo entre parceiros do mesmo sexo que podem envolver qualquer combinação de corte, copulação e comportamentos afetivos.[44]

Um outro termo também utilizado dentro da área de evolução do comportamento sexual é o comportamento homoerótico. Esse termo pode ser definido como comportamento sexual entre indivíduo do mesmo sexo (homossexual) envolvendo contato genital que é experimentado com sensação de  prazer. Em alguns trabalhos, a motivação do comportamento (por exemplo, orientação sexual, exploração, falta de parceiros do sexo oposto) pode não ser levada em consideração. [45]

O termo homossexual pode ser usado quando a definição operacional de homoerótico não pode ser aplicada e quando é estranho aplicar o termo homoerótico às descrições de outros pesquisadores do comportamento homossexual.[45]

Comportamento homossexual em primatas não humanos[editar | editar código-fonte]

Segundo alguns pesquisadores, a temática do comportamento homossexual em primatas não humanos tem sido estudada de forma inadequada até o momento, fazendo com que suas causas e funções sejam mal compreendidas. [46] Sendo assim, é difícil relacionar quais seriam as implicações de tais comportamentos em humanos. [47][48][46] Porém, a partir de evidências de semelhanças no comportamento de espécies muito relacionadas, é possível pensar sobre as tendências evolutivas gerais. [49]

Acredita-se que alguns aspectos do comportamento homossexual dos primatas podem ter se desenvolvido como uma exaptação. [50] Nesse caso, entendemos que o comportamento não é um produto direto da seleção natural. Em vez disso, pode ter se originado como uma variação neutra que demonstrou alguma qualidade de melhoria da aptidão, sendo selecionada para o comportamento devido a essa qualidade que viria a aumentar o sucesso reprodutivo. Assim, a seleção natural pode ter começado a agir sobre o comportamento homossexual porque ele serviu a uma série de papéis sócio-sexuais que podem ter aumentado o sucesso reprodutivo. [50] [45]

Com isso, podemos pensar que o comportamento sexual entre primatas humanos e não humanos, pode servir a outras funções além da reprodução direta. [49] Como por exemplo, funções relacionadas ao desenvolvimento e manutenção de laços de afiliação entre os participantes. [51][47][52][48] [49] Uma hipótese pouco estudada ainda [53][50][49] é a de que, em alguns casos, o comportamento homossexual reforça relacionamentos que podem contribuir para a sobrevivência individual e o sucesso reprodutivo final. [45] Há muitas evidências de que primatas não humanos se envolvem em comportamento homossexual (alguns dos quais são claramente eróticos) que coexiste com comportamento heterossexual e não impede a reprodução. [51][54][55][47][50][56][48][57] [58][59][49][60][61][62][63][64] [65][66]

Macacos[editar | editar código-fonte]

O comportamento homossexual em macacos machos é bem documentado em grupos de babuínos e rhesus. Foi observada uma forma de organização de tais grupos em um núcleo central de machos dominantes cercado por fêmeas. Nesse contexto, os machos jovens são empurrados para fora do grupo e considerados “periféricos”. [67][57] O comportamento homossexual é muito comum entre esses macacos periféricos e vai para além de exibições de dominância-submissão. [68][57][60] No caso dos babuínos, observou-se que machos periféricos formam "amizades" caracterizadas por abraços mútuos, cuidados, exibição e toque do pênis, masturbação, estimulação oral e montagem. [68][62] Quando existe uma diferença significativa de idade entre os dois parceiros, o parceiro mais velho também pode fornecer proteção social ao parceiro mais jovem, sendo esse um exemplo de função para além de sucesso reprodutivo de forma direta. Além de que, a atividade homossexual pode estimular a produção de testosterona e levar à formação de alianças colaborativas entre machos, aumentando assim a probabilidade de ganhar um harém. [68] O comportamento homossexual em machos rhesus também é comumente observado. [69][70][62][64] Constatou-se que com o amadurecimento dos machos jovens, a filiação ao grupo muda e eles entram em novos grupos formando uma relação aparentemente afetiva com um macho adulto já estabelecido no grupo, que oferece acesso a recursos e proteção social. [65]

O comportamento sexual feminino também foi bem documentado para macacos rhesus e é considerado um componente essencial do seu complexo comportamento social. [71] [64] [66] Pesquisadores observaram que as fêmeas pareciam estabelecer laços afetivos muito fortes e duradouros entre elas, dos quais o comportamento sexual era apenas uma parte. [66] Ela formavam pares consorcidados que podiam ser homossexual ou heterossexual. Tal formação, parecia aumentar temporariamente o status de dominância do animal subordinado, e o parceiro era frequentemente um aliado em confrontos agressivos contra outros membros da tropa. [66]

Comportamento sexual entre fêmeas e as relações sociais atreladas também são parte integrante do repertório sexual do macaco japonês. [54][55][72]

Grandes macacos[editar | editar código-fonte]

Os grandes macacos compartilham um alto grau de parentesco genético com os humanos, [73] e seu comportamento sócio-sexual pode fornecer percepções sobre as origens e funções do comportamento sexual humano. [74] O comportamento homoerótico foi documentado entre gorilas selvagens e cativos de ambos os sexos. E no caso de gorilas cativos, há relatos de montagem macho-macho na presença de fêmeas receptivas entre eles. [58] Assim como de  alto nível de comportamento sexual com ejaculação entre machos selvagens aparentados. [51] Sendo que, esse comportamento sexual parecia contribuir para o alto nível de coesão entre os membros do grupo e que a vida em grupo era vantajosa para os machos mais jovens porque pode tê-los protegido dos perigos encontrados em grupos bissexuais e de viajar sozinhos. [45] A exploração e a estimulação genital foram observadas tanto entre gorilas fêmeas juvenis cativas [58] e selvagens, [75] bem como entre fêmeas selvagens adultas. [59]

Chimpanzés e bonobos machos exibem comportamento do mesmo sexo, embora pareça ser mais desenvolvido e complexo nos bonobos. [76] A estimulação das áreas anogenitais, frequentemente causa ereções em chimpanzés machos de todas as idades. [77] Chimpanzés machos adultos demonstram a maior frequência de catação entre todas as classes de idade e sexo, [78][79] sendo que, a catação e apaziguamento frequentemente envolvem acariciar o escroto do macho dominante pelo macho subordinado. [80][81][82] Sabe-se que a catação que ocorre entre os machos reforça seus laços sociais [81] e que as alianças masculinas estão associadas ao sucesso reprodutivo. [83] O comportamento sexual masculino-masculino entre os bonobos foi observado em todas as combinações de idade. Este inclui beijo francês, contato oral-genital, massagem genital, montagem dorso-ventral, montagem ventro-ventral com fricção de pênis e fricção de nádega. [84][56][76][85][86][63]

Já em bonobos fêmeas, foi observada a fricção genito-genital (GG) que reforça os laços sociais e de coalizão entre eles e resulta em aumento do status social. [52] Em alguns casos, observou-se que as mulheres preferem a fricção GG à cópula com um macho voluntário. [87] As fêmeas jovens saem de seu grupo natal na maturidade e migram para grupos onde não têm contatos sociais. Essas jovens identificam rapidamente as fêmeas mais dominantes e iniciam contato sexual com elas. Assim, formam ‘‘ amizades ’’ e alianças com fêmeas já estabelecidas que lhes permitem se integrarem ao grupo e, mais importante, permitem-lhes acesso a recursos alimentares. [56][63]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c Bruce Bagemihl, Biological Exuberance: Animal Homosexuality and Natural Diversity, St. Martin's Press, 1999; ISBN 0312192398
  2. Harrold, Max (16 de fevereiro de 1999). «Biological Exuberance: Animal Homosexuality and Natural Diversity». The Advocate, reprinted in Highbeam Encyclopedia. Consultado em 10 de setembro de 2007 
  3. Gordon, Dr Dennis (10 de abril de 2007). «'Catalogue of Life' reaches one million species». National Institute of Water and Atmospheric Research. Consultado em 10 de setembro de 2007. Arquivado do original em 13 de julho de 2007 
  4. Calvin Reid Gay Lib for the Animals: A New Look At Homosexuality in Nature. Volume 245 Issue 5 02/01/1999, Feb 01, 1999
  5. "Same-sex Behavior Seen In Nearly All Animals, Review Finds", Science Daily
  6. «Same-sex behavior seen in nearly all animals». Physorg.com. 16 de junho de 2009. Consultado em 17 de novembro de 2010 
  7. Levay, Simon (1996). Queer Science: The Use and Abuse of Research into Homosexuality. Cambridge, Massachusetts: MIT Press. p. 207 
  8. Animal Homosexuality: A Biosocial Perspective By Aldo Poiani, A. F. Dixson, Aldo Poiani, A. F. Dixson, p. 179, 2010, Cambridge University Press
  9. a b Levay, Simon (2011). Gay, Straight, and The Reason Why The Science of Sexual Orientation. Cambridge, Massachusetts: Oxford University Press. pp. 70–71 
  10. Smith, Dinitia (7 de fevereiro de 2004). «Love That Dare Not Squeak Its Name». New York Times. Consultado em 10 de setembro de 2007-09-10  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  11. O primeiro uso conhecido da palavra Homoseksuäl é encontrado em Benkert Kertbeny, K.M. (1869): Parágrafo 143 des Preussichen Strafgesetzebuches vom 14/4-1851 und seine Aufrechterhaltung als Paragraph 152 im Entwurf eines Strafgesetzbuches fur den Norddeutschen Bundes, Leipzig, 1869. Reprinted in Jahrbuch fur sexuelle Zwischenstufen 7 (1905), pp. 1-66
  12. Dorit, Robert (setembro–Outubro de 2004). «Rethinking Sex». American Scientist. Consultado em 11 de setembro de 2007 
  13. a b Bruce Bagemihl, Biological Exuberance: Animal Homosexuality and Natural Diversity, St. Martin's Press, 1999; pp.122-166
  14. Joan Roughgarden, Evolutions rainbow: Diversity, gender and sexuality in nature and people, University of California Press, Berkeley, 2004; pp.13-183
  15. Vasey, Paul L. (1995), Homosexual behaviour in primates: A review of evidence and theory, International Journal of Primatology 16: p 173-204
  16. a b Sommer, Volker & Paul L. Vasey (2006), Homosexual Behaviour in Animals, An Evolutionary Perspective. Cambridge University Press, Cambridge. ISBN 0521864461
  17. a b Douglas, Kate (7 de dezembro de 2009). «Homosexual selection: The power of same-sex liaisons». New Scientist. Consultado em 21 de dezembro de 2009 
  18. Gailey, D. A.; Hall (J.C.). «Behavior and Cytogenetics of fruitless in Drosophila melanogaster: Different Courtship Defects Caused by Separate, Closely Linked Lesions». The Genetics Society of America. Genetics. 121 (4): 773–785. PMC 1203660Acessível livremente. PMID 2542123. Consultado em 14 de dezembro de 2008  Verifique data em: |data= (ajuda)
  19. Joan Roughgarden, Evolutions rainbow: Diversity, gender and sexuality in nature and people, University of California Press, Berkeley, 2004
  20. a b «1,500 Animal Species Practice Homosexuality». News-medical.net. 23 de outubro de 2006. Consultado em 10 de setembro de 2007 
  21. a b Moskowitz, Clara (19 de maio de 2008). «Homosexuality Common in the Wild, Scientists Say». Fox News. Consultado em 2 de julho de 2008 
  22. Bruce Bagemihl, citing a study by Leuthold, W. (1977): African Ungulates: A Comparative Review of Their Ethology and Behavioural Ecology. Springer Verlag, Berlin, cited in Biological Exuberance: Animal Homosexuality and Natural Diversity, 1999;
  23. Thierry Lodé "La guerre des sexes chez les animaux" Eds O Jacb, Paris, 2006, ISBN 2-7381-1901-8
  24. «Cold Shoulder for Swedish Seductresses | Germany | Deutsche Welle | 10.02.2005». Dw-world.de. Consultado em 17 de novembro de 2010 
  25. «Gay penguin couple adopts abandoned egg in German zoo». CBC News. 5 de junho de 2009 
  26. Roselli, Charles E.; Kay Larkin, John A. Resko, John N. Stellflug and Fred Stormshak (2004,). «The Volume of a Sexually Dimorphic Nucleus in the Ovine Medial Preoptic Area/Anterior Hypothalamus Varies with Sexual Partner Preference». Journal of Endocrinology, Endocrine Society, Bethesda, MD. 145 (2): 478–483. Consultado em 10 de setembro de 2007. Arquivado do original em 9 de dezembro de 2012  Verifique data em: |data= (ajuda)
  27. G1, ed. (26 de novembro de 2006). «Exposição na Noruega derruba argumento de que homossexualismo é antinatural». Consultado em 18 de março de 2012 
  28. «Contribuição Evolutiva: Estudo divulgado por importante periódico afirma que homossexualidade foi fundamental para evolução». Mixbrasil. 17 de junho de 2009. Consultado em 19 de junho de 2009 
  29. «Homossexualidade ajuda a moldar evolução, diz estudo». Folha. 17 de junho de 2009. Consultado em 6 de setembro de 2009 
  30. Moore, Matthew (8 de julho de 2010). «Female mice 'can be turned lesbian by deleting gene'». Londres: Telegraph.co.uk. Consultado em 17 de novembro de 2010 
  31. «Full text | Male-like sexual behavior of female mouse lacking fucose mutarotase». BioMed Central. 7 de julho de 2010. Consultado em 17 de novembro de 2010 
  32. «Sexual preference chemical found in mice». BBC News. 23 de março de 2011. Consultado em 24 de março de 2011 
  33. «Molecular regulation of sexual preference revealed by genetic studies of 5-HT in the brains of male mice». Nature. 23 de março de 2011. Consultado em 24 de março de 2011 
  34. Braithwaite, L. W., "Ecological studies of the Black Swan III – Behaviour and social organization", Australian Wildlife Research 8, 1981: 134–146
  35. Bagemihl, Bruce (1999). Biological Exuberance: Animal Homosexuality and Natural Diversity. St. Martin's Press. ISBN 978-0312253776.
  36. Sylvestre, J.-P. Some Observations on Behavior of Two Orinoco Dolphins (Inia geoffrensis humboldtiaba [Pilleri and Gihr 1977]), in Captivity, at Duisburg Zoo. Aquatic mammals no 11, pp. 58–65 article
  37. Coe M. J. (1967). ""Necking" behavior in the giraffe". Journal of Zoology. London. 151 (3): 313–321. doi:10.1111/j.1469-7998.1967.tb02117.x
  38. Bruce Bagemihl, Biological Exuberance: Animal Homosexuality and Natural Diversity, St. Martin's Press, 1999; pp. 302–305. In his discussion of lion same-sex relations, Bagemihl is making use of published work by: J.B. Cooper, "An Exploratory Study on African Lions" in Comparative Psychology Monographs 17:1–48; R.L. Eaton, "The Biology and Social Behavior of Reproduction in the Lion" in Eaton, ed. The World's Cats, vol. II; pp.3–58; Seattle, 1974; G.B. Schaller, The Serengeti Lion; University of Chicago Press, 1972
  39.  Like mother, like cubs: Hyena alpha moms jumpstart cubs with hormonal jolt"Michigan State University. 2006. Archived from the original on 2007-06-29. Retrieved 2007-09-11.
  40. Holekamp, Kay E. (2003). "Research: Spotted Hyena - Introduction and Overview"Michigan State University, Department of Zoology. Archived from the original on 2007-06-29. Retrieved 2007-09-11.
  41. Frans de Waal, "Bonobo Sex and Society", Scientific American (March 1995), p. 82ff
  42. Frans B. M. de Waal (March 1995). "Bonobo Sex and Society"Scientific American. pp. 82–88. Retrieved 2006-07-17.
  43. Frans B. M. de Waal, "Bonobo Sex and Society" Scientific American, March 1995, pp. 82–88
  44. BAILEY, N. W.; ZUK, M. Same-sex sexual behavior and evolution. Trends in Ecology & Evolution, 24 (8), 439-446, 2009.
  45. a b c d e MUSCARELLA, Frank. The evolution of homoerotic behavior in humans. Journal of Homosexuality, v. 40, n. 1, p. 51-77, 2000.
  46. a b HAMBRIGHT, K. Sexual orientation: What have we learned from primate research? Greenwood Press, pp. 136-161,  1995.
  47. a b c WALLEN, K.; PARSONS, W. A. Sexual behavior in same-sexed nonhuman primates: Is it relevant to understanding human homosexuality? Society for the Scientific Study of Sexuality, 1997.
  48. a b c NADLER, R. D. Homosexual behavior in nonhuman primates. Oxford University Press, 1990.
  49. a b c d e HAMBRIGHT, K. Sexual orientation: What have we learned from primate re- search? Greenwood Press, 1995.
  50. a b c d VASEY, P. L. Homosexual behavior in primates: A review of evidence and theory. International Journal of Primatology, 16(2), 173-203, 1995.
  51. a b c YAMAGIWA, J. Intra- and inter-group interactions of an all-male group of Virunga Mountain gorillas (Gorilla gorilla beringei). Primates, 28, 1-30, 1987.
  52. a b PARISH, A. R. Sex and food control in the ‘‘uncommon chimpanzee’’: How bonobo females overcome a phylogenetic legacy of male dominance. Ethology and Sociobiology, 15, 157-194, 1994.
  53. WEINRICH, J. D. Homosexual behavior in animals: A new review of observations from the wild and their relationship to human sexuality.. PSG Publishing, 1980.
  54. a b WOLFE, L. M. Sexual strategies of female Japanese macaques (Macaca fusca- ta). Human Evolution, 1, 267-275, 1986.
  55. a b WOLFE, L. M. Behavioral patterns of estrous females of the Arashiyama West troop of Japanese macaques (Macaca fuscata). Primates, 20, 525-534, 1979.
  56. a b c SMALL, M. F. Female choices: Sexual behavior of female primates.: Cornell University Press, 1973.
  57. a b c MORI, U. Development of sociability and social status.  Kodansha-Karger, 1979.
  58. a b c HESS, J. P. Some observations on the sexual behavior of captive lowland gorillas, Gorilla g. gorilla. Academic Press, 1973.
  59. a b HARCOURT, A. H., STEWART, K. J., & FOSSEY, D. Gorilla reproduction in the wild. Academic Press, 1981.
  60. a b HALL, K. R. L. Baboon social behavior. Holt, Rinehart & Winston, 1965.
  61. FOSSEY, D. Gorillas in the mist. Boston: Houghton Mifflin, 1983.
  62. a b c FORD, C. S., & BEACH, F. A. Patterns of sexual behavior. Harper, 1951.
  63. a b c DE WAAL, F., & LANSING, F. Bonobo: The forgotten ape. Berkeley: University of California Press, 1997.
  64. a b c CARPENTER, C. R. Sexual behavior of free ranging rhesus monkeys (Macaca mulatta). Journal of Comparative Psychology, 33, 113-142, 1942.
  65. a b BOELKINS, R. C., & WILSON, R. P. Intergroup social dynamics of the Cayo Santiago rhesus (Macaca mulatta) with special reference to changes in group membership by males. Primates, 13, 125-140, 1972.
  66. a b c d AKERS, J., & CONAWAY, C. Female homosexual behavior. Macaca mulatta. Archives of Sexual Behavior, 8, 63-80, 1979.
  67. PUSEY, A. E., & PACKER, C. Dispersal and philopatry. University of Chicago Press, 1987.
  68. a b c CROOK, J. H. The evolution of human consciousness. Oxford: Clarendon Press, 1980.
  69. SOUTHWICK, C. H., BEG, M. A., & SIDDIQUI, M. R. Rhesus monkeys in North India.Holt, Rinehart, & Winston,  1965.
  70. GOLDFOOT, D. A., WALLEN, K., NEFF, D. A., MCBRAIR, M. C., & GOY, R. W. Social influences on the display of sexually dimorphic behavior in rhesus monkeys: Isosexual rearing. Archives of Sexual Behavior, 13, 395-412, 1984.
  71. HARLOW, H. F. Sexual behavior in the rhesus monkey.  Wiley, 1965.
  72. HANBY, J. P., ROBERTSON, L. T., & PHOENIX, C. H. The sexual behavior of a confined troop of Japanese macaques. Folia Primatologica, 16, 123-143,  1971.
  73. DIAMOND, J. The third chimpanzee. Harper-Collins, 1992.
  74. GRAHAM, C. E. Great apes as models in reproductive biology. Academic Press, 1981.
  75. NADLER, R. D. Sex-related behavior of immature wild mountain gorillas. Developmental Psychobiology, 19, 125-137, 1986.
  76. a b SAVAGE-RUMBAUGH, E. S., & WILKERSON, B. J. Socio-sexual behavior in Pan paniscus and Pan troglodytes: A comparative study. Journal of Human Evolution, 7, 327-344, 1978.
  77. TAUB, D. M. The functions of primate paternalism: A cross-species review.:Springer-Verlag, 1990.
  78. SUGIYAMA, Y. Social behavior of chimpanzees in the Budongo Forest, Uganda. Primates, 10, 197-225, 1969.
  79. SIMPSON, M. J. A. The social grooming of male chimpanzees. Academic Press. pp. 411-505,  1973.
  80. GOODALL, J. Chimpanzees of the Gombe Stream Reserve. Holt, Rinehart, & Winston, 1965.
  81. a b DE WAAL, F. Chimpanzee politics: Power and sex among apes. New York: Harper & Row, 1982.
  82. SUGIYAMA, Y. The social structure of wild chimpanzees: A review of field studies. In R. P. Michael and J. H. Crook (Eds.), Comparative ecology and behavior of primates (pp. 375-410). New York: Academic Press, 1973.
  83. VAN DER DENNEN, J. M. G. The origin of war: The evolution of a male-coalitional reproductive strategy. Origin Press, 1995.
  84. THOMPSON-HANDLER, N., MALENKY, R. K., & BADRIAN, N. (1984). Sexual behavior of Pan paniscus under natural conditions in the Lomako Forest, Equateur, Zaire. Plenum,1984.
  85. LINDEN, E. Chimpanzees with a difference: Bonobos. National Geographic, 181, 46-53, 1992.
  86. KURODA, S. Social behavior of the pygmy chimpanzees. Primates, 21, 181-197, 1980.
  87. SMALL, M. F.  What’s love got to do with it? Discover, 46-51, 1992.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]