Nossa Senhora Divina Pastora

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Imagem da Divina Pastora venerada no Convento dos Capuchinhos de El Pardo (Madrid).

Nossa Senhora Divina Pastora (também invocada sob os nomes de Divina Pastora das Almas, Mãe Divina Pastora ou ainda Mãe do Bom Pastor) é um dos muitos títulos pelos quais a Igreja Católica venera a Bem-aventurada Virgem Maria, sendo, sob essa invocação, particularmente cultuada em Portugal, Espanha e América Latina.

Origens da devoção[editar | editar código-fonte]

As origens da devoção a Nossa Senhora Divina Pastora são imprecisas, mas as primeiras manifestações surgem no século XVIII. Existem referências à Virgem Maria vestida de pastora na vida de São João de Deus, de São Pedro de Alcântara[1], da Venerável Maria de Jesus de Ágreda[2] e de Santa Maria das Cinco Chagas.

Inicialmente chamada de "Virgen Zagala" (que significa: "a pastora que cuida do seu rebanho"), esta invocação simboliza uma mãe que cuida de seus filhos. No entanto, a invocação mariana de Nossa Senhora Divina Pastora começou a tornar-se mais conhecida a partir da cidade de Sevilha, em Espanha. De acordo com a tradição, a Virgem Maria terá aí aparecido no dia 8 de Setembro de 1703 – data na qual se comemora a festa da Natividade de Nossa Senhora. Ela ter-se-á revelado sentada numa rocha, vestida como uma pastora e num local onde pastavam algumas ovelhas. Desde logo, um conhecido frade capuchinho, Frei Isidoro, tornou-se num grande divulgador desta devoção (tendo mesmo solicitado a um pintor da Escola Pictórica de Sevilha, Alonso Miguel de Tovar, que fizesse a primeira representação da Virgem Maria sobre esta invocação).

Posteriormente, o artista Francisco Ruiz Gijón esculpiu a primeira imagem em tamanho natural da Divina Pastora. Essa imagem foi levada na sua primeira procissão, em Outubro de 1705, com grande solenidade, até à Igreja Paroquial de Santa Marina e na qual foi desde logo constituída a "Irmandade Primitiva do Rebanho de Maria" (a primeira Irmandade dedicada a Nossa Senhora Divina Pastora). As autoridades eclesiásticas acabaram por aprovar o culto em 1709, tendo também autorizado a criação das várias Irmandades da Divina Pastora (e a uma das quais o próprio Rei de Espanha se associou[3]).

Propagação da devoção[editar | editar código-fonte]

Divina Pastora de Málaga, esculpida por José Montes de Oca no século XVIII.

A partir de 1705 começou a propagar-se por todo o território do Reino de Espanha e da América Latina esta invocação mariana. Nesse aspecto, teve um importante papel o Beato Digo José de Cádiz.

Lugares de veneração[editar | editar código-fonte]

Tendo em consideração a enorme propagação do culto a Nossa Senhora Divina Pastora no sul de Espanha, além da cidade de Sevilha, também Cantillana, Málaga, Santa Marina e Cádiz se tornaram importantes lugares de veneração à Santíssima Virgem Maria sob esta invocação.

Na América Latina, o principal santuário da Divina Pastora é o da Ilha da Trindade, nas Antilhas. Este culto chegou também à Venezuela, através dos Frades Menores Capuchinhos, por volta do ano 1778. Na Venezuela, o culto a Nossa Senhora Divina Pastora atingiu tal proporção que até se utiliza a expressão "Ó Divina Pastora, a Venezuela é Tua!", tendo-se tornado na padroeira do Estado de Lara[4].

No Brasil existe, no estado de Alagoas na cidade de Junqueiro sendo ela sua padroeira e sua igreja principal da cidade em sua homenagem.

No estado de Sergipe, uma cidade chamada Divina Pastora, elevada a vila em 1836, e cuja Igreja Matriz é dedicada a Nossa Senhora sobre esta invocação Anualmente é realizada uma peregrinação ao Santuário de Nossa Senhora Divina Pastora, com a participação de aproximadamente 100 mil pessoas. Essa eregrinação foi criada em 1958, pelo então padre Luciano Duarte, com o propósito de formar uma prática devocional voltada para os estudantes das faculdades de Sergipe.[5]

Imagem de Nossa Srª. Divina Pastora, DIVINA PASTORA/SERGIPE

A peregrinação é realizada anualmente no terceiro domingo do mês de outubro. Possui um trajeto de 10 km, saindo do município de Riachuelo até a Igreja de Nossa Senhora, em Divina Pastora.[6]

Existe também no estado do Piauí, uma cidade chamada Gilbués, cuja Igreja Matriz é dedicada a devoção de Nossa Senhora Divina Pastora, desde 1851. Anualmente acontece a peregrinação ao Santuário de Nossa Senhora, dos moradores e filhos da cidade. A peregrinação é realizada anualmente no período de 6 a 15 de agosto. No último dia de novena, é realizada uma grande festa para a padroeira da cidade, considerada a maior festa religiosa do sul do estado.

Por curiosidade, o famoso pintor Cândido Portinari executou um belo fresco da Divina Pastora para a casa de campo do Barão de Saavedra em Correias, município de Petrópolis, no estado do Rio de Janeiro.

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. Carta do Ministro Geral, H. John Corriveau, por ocasião das celebrações do III Centenário da invocação "Maria, Mãe do Bom Pastor" ("Divina Pastora"); Roma, Cúria Geral da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos, Prot. N.º 738/03.
  2. Maria de Jesus de Ágreda; Mística Ciudad de Dios, Madrid: Concepcionistas de Ágreda, 1992, p.1189
  3. História de Nossa Senhora Divina Pastora
  4. La Divina Pastora: "Venezuela Tuya!"
  5. Santos, Magno Francisco de Jesus (1 de setembro de 2014). «Novos caminhos da Fé: A Peregrinação da JUC à Divina Pastora em 1958». DIVERSIDADE RELIGIOSA. 1 (2). ISSN 2317-0476 
  6. SANTOS, Magno Francisco de Jesus (2015). A peregrinação à Divina Pastora. Aracaju: EDISE. 95 páginas 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Hermanos Menores Capuchinos de la Provincia de Andalucía (2003); Santa María, Pastora Nuestra. Sevilla: El Adalid Seráfico.
  • José Vicente Ciurana Viguer (2003); La Divina Pastora y la Provincia Capuchina de Valencia. Valencia: Editorial El Propagador TAM.
  • SANTOS, Magno Francisco de Jesus. A peregrinação à Divina Pastora. Aracaju: EDISE, 2015

Ligações externas[editar | editar código-fonte]