Nossa Senhora do Carmo

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Nossa Senhora do Carmo
Nossa Senhora do Monte Carmelo, de Pietro Novelli, 1641.
Aprovação da Santa Sé 30 de Janeiro de 1226 (Ordem do Carmo aprovada durante o pontificado do Papa Honório III)
Venerada pela Igreja Católica
Principal templo Mosteiro de Nossa Senhora do Monte Carmelo em Haifa
Festa litúrgica 16 de julho
Atribuições Escapulário de Nossa Senhora do Carmo
Padroeira da Ordem do Carmo, do Chile

Nossa Senhora do Monte Carmelo ou Nossa Senhora do Carmo é o título dado à Maria, mãe de Jesus, em honra de sua função como padroeira da Ordem Carmelita. Os primeiros carmelitas eram eremitas que viviam no Monte Carmelo, na Terra Santa, entre o final do século XII e meados do século XIII. Eles construíram, no meio de seus eremitérios, uma capela que dedicaram à Santíssima Virgem.

Desde o século XV, a devoção popular a Nossa Senhora do Carmo está centrada em seu escapulário, também conhecido como escapulário marrom, um sacramental associado às promessas de ajuda feitas por Maria para a salvação do devoto portador. Segundo a tradição, Maria entregou o escapulário a um carmelita chamado Simão Stock.[1][2]

A festa litúrgica de Nossa Senhora do Carmo foi celebrada, pela primeira vez, na Inglaterra, no final do século XIV. O objetivo era agradecer a Maria pelos benefícios concedidos nos tempos de dificuldades dos primeiros anos da Ordem do Carmo. O poema Flor do Carmelo (Flos Carmeli em latim) aparece como a sequência para esta missa. O dia escolhida foi 17 de julho, entretanto, no continente europeu esta data conflitava com a festa de Aleixo de Roma, o que exigiu uma mudança para o dia 16 de julho, que continua a ser, até hoje, a data da festa de Nossa Senhora do Carmo em toda a Igreja Católica.[1]

Escapulário de Nossa Senhora do Carmo[editar | editar código-fonte]

Segundo a doutrina católica, a primeira veste de que se tenha notícia na História remonta ao Paraíso Terrestre. O Gênesis (3, 21), o primeiro livro da Bíblia, conta que, após a queda dos primeiros pais da humanidade, Adão e Eva, o próprio Deus lhes confeccionou túnicas de pele e com elas os revestiu. Bem mais tarde, Jacob fez uma túnica de variadas cores para o uso de José, seu filho bem-amado (Gn 37, 3). E assim, as vestimentas vão sendo citadas nestas ou naquelas circunstâncias, ao longo das Escrituras (Gn 27, 15; 1 Sm 2, 19; etc.). Uma vestimenta, porém, ocupa lugar "princeps" entre todas as demais: a túnica de Jesus Cristo sobre a qual os soldados deitaram sorte, por se tratar de uma peça de altíssimo valor, pelo facto de não possuir costura. Uma piedosa tradição atribui às mãos da Virgem Maria a arte empregada em sua confecção. Ao se darem conta, os soldados, da elevada qualidade daquela peça, tomaram a resolução de não rasgá-la.

Os frades e as freiras da Ordem dos Carmelitas usam o Escapulário de Nossa Senhora do Carmo.

O Escapulário é um sinal de aliança com Nossa Senhora, e exprime a consagração de quem o usa a Ela. Segundo a devoção católica, assim como vestia Maria a seu Filho Jesus, da mesma forma Maria quer revestir também a nós, seus filhos adotivos. Pois, toda a humanidade, simbolizada por João Evangelista, foi entregue por Jesus aos cuidados de Maria, na mesma ocasião em que os soldados, pela sorte, decidiam sobre a propriedade da túnica de Jesus, ao dizer: "Mulher, eis aí teu filho" (Jo 19,26).

O Escapulário do Carmo, enquanto veste devocional, surgiu no século XII. Segundo a tradição católica, no dia 16 de julho de 1251, São Simão Stock suplicava a Nossa Senhora ajuda para resolver um problema da Ordem do Carmo, da qual era o Prior Geral. Enquanto ele rezava, a Virgem Maria apareceu-lhe, trazendo o Escapulário nas mãos, e disse essas confortadoras palavras: "Recebe, Meu filho, este Escapulário da tua Ordem, como sinal distintivo da Minha confraria e selo do privilégio que obtive para ti e para todos os Carmelitas: o que com ele morrer, não padecerá o fogo eterno. Este é um sinal de salvação, uma salvaguarda nos perigos e prenda de paz e de aliança eternas".

Imagem de Nossa Senhora do Monte Carmelo em Maipú, no Chile.

Ao longo do séculos, gerações e gerações de católicos, sobretudo os religiosos e leigos consagrados carmelitas, difundiram esta devoção mariana por todo o mundo, tornando-a numa das devoções católicas mais difundidas. Para os seus defensores, o Escapulário é uma poderosa ajuda espiritual, conferida através da Virgem Maria, para aqueles que vivem em estado de graça e um valioso instrumento para converter os pecadores.

Os Papas enaltecem o uso do Escapulário[editar | editar código-fonte]

Em 1951, por ocasião da celebração do 700º aniversário da entrega do Escapulário, o Papa Pio XII disse em carta aos Superiores Gerais das duas Ordens carmelitas: "Porque o Santo Escapulário, que pode ser chamado de Hábito ou Traje de Maria, é um sinal e penhor de proteção da Mãe de Deus".

Exatamente 50 anos depois, o Papa João Paulo II afirmou: "O Escapulário é essencialmente um ‘hábito'. Quem o recebe é agregado ou associado num grau mais ou menos íntimo à Ordem do Carmo, dedicada ao serviço da Virgem para o bem de toda a Igreja. (...) Duas são as verdades evocadas pelo signo do Escapulário: de um lado, a constante proteção da Santíssima Virgem, não só ao longo do caminho da vida, mas também no momento da passagem para a plenitude da glória eterna; de outro, a consciência de que a devoção para com Ela não pode limitar-se a orações e tributos em sua honra em algumas ocasiões, mas deve tornar-se um ‘hábito'."

Esses dois Pontífices confirmaram, assim, variadíssimas manifestações de apreço ao Escapulário feitas por vários Papas, tais como Bento XIII, Clemente VII, Bento XIV, Leão XIII, São Pio X e Bento XV. Bento XIII estendeu a toda a Igreja a celebração da festa de Nossa Senhora do Carmo, a 16 de julho.

Os grandes privilégios do Escapulário[editar | editar código-fonte]

Uma das promessas de Nossa Senhora do Carmo a São Simão Stock se refere ao "privilégio sabatino", que consiste que aquele que morrer usando o escapulário, cumprindo algumas condições, sairá do Purgatório no primeiro sábado após sua morte. A condição para lucrar o "privilégio sabatino" é guardar a castidade segundo seu estado de vida e rezar a penitência imposta pelo sacerdote na recepção do escapulário ou o ofício da Virgem Maria. Porém, a promessa principal do escapulário consiste na própria salvação eterna: '"Quem morrer com o Escapulário não padecerá o fogo do inferno".'

Não obstante, para beneficiar-se deste privilégio, a Igreja ensina que é necessário usar o Escapulário com recta intenção. Neste caso, se na hora da morte a pessoa estiver em estado de pecado mortal, Nossa Senhora providenciará, de alguma forma, que essa pessoa moribunda se arrependa e receba os sacramentos.

A Igreja Católica, antes de mais, esclarece que o Escapulário não é um sinal "mágico" de salvação. Não é uma espécie de amuleto cujo uso dispensa os fiéis das exigências da vida cristã. Não basta, portanto, carregá-lo ao pescoço e dizer: "Estou salvo!.

Quem usa o Escapulário pode beneficiar-se também de indulgência plenária (remissão de todas as penas do Purgatório) no dia em que o recebe, na festa de Nossa Senhora do Carmo, 16 de julho; de Santo e Profeta Elias, 20 de julho; Santa Terezinha do Menino Jesus, 1º de outubro; dos santos carmelitas, 14 de novembro; São João da Cruz, 14 de dezembro; São Simão Stock, 16 de maio.

Como receber e usar o Escapulário[editar | editar código-fonte]

Imagem de Nossa Senhora do Monte Carmelo em Palmi.
  • Qualquer sacerdote católico tem poder para abençoar e impor, com a devida fórmula, na pessoa o Escapulário.
  • Essa bênção e imposição valem para toda a vida, portanto, basta recebê-lo uma vez.
  • Quando o Escapulário se desgastar, basta substituí-lo por um novo.
  • Mesmo quando alguém tiver a infelicidade de deixar de usá-lo durante algum tempo, pode simplesmente retomar o seu uso, não é necessária outra bênção ou imposição.
  • Uma vez recebido, ele deve ser usado sempre, de preferência no pescoço, em todas as ocasiões, mesmo enquanto a pessoa dorme.
  • Em casos de necessidade extrema, como doentes em hospitais, se o Escapulário lhe for retirado, o fiel não perde os benefícios da promessa de Nossa Senhora.
  • Em casos de perigo de morte, mesmo um leigo pode impôr o Escapulário. Basta recitar uma oração a Nossa Senhora e colocar na pessoa um escapulário já abençoado por algum sacerdote.
  • O Papa São Pio X autorizou substituir o Escapulário por uma medalha que tenha de um lado o Sagrado Coração de Jesus e do outro uma imagem de Nossa Senhora. Mas a recepção e imposição deve ser feita com o escapulário de tecido (lã marrom).

Milagres atribuídos a Nossa Senhora do Carmo[editar | editar código-fonte]

Nossa Senhora do Carmo, Acquafondata, Italia
  • Nossa Senhora do Carmo aparece na vila de Acquafondata em 16 de julho de 1841. Hoje, um pequeno santuário se eleva ao sítio do milagre.
  • Em Palmi, Itália, em 16 de novembro de cada ano é comemorado o terremoto de 1894, que teve o seu epicentro na cidade e no qual ocorreu um evento definido como o "milagre da Nossa Senhora do Carmo". Segundo a tradição, os fiéis viram a estátua da Nossa Senhora do Carmo, durante 17 dias, com movimento dos olhos e mudança da coloração da face. A imprensa local e nacional noticiou o evento e na noite de 16 de novembro, os fiéis improvisaram uma procissão pelas ruas. Quando a procissão chegou ao fim da cidade, um violento terremoto sacudiu todo o distrito de Palmi, arruinando a maioria das casas em seu caminho, mas apenas vitimou 9 pessoas, numa população de cerca de 15.000, isto porque quase toda a população estava na rua, a assistir ou participar na procissão. Portanto, anualmente, incluindo a queima de fogos de artifício, luzes e barracas, é celebrada a procissão da imagem de Nossa Senhora pelas mesmas ruas que andou em 1894. A Igreja Católica reconheceu oficialmente o milagre, coroando a estátua de 16 de novembro de 1896, como resultado do decreto emitido pelo Vaticano em 22 de setembro de 1895.

Devoção nas Religiões Afro-brasileiras[editar | editar código-fonte]

É sincretizada nas religiões afro-brasileiras da região Nordeste do Brasil (exceto na Bahia) com a orixá Oxum.[3]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b Bede Edwards, OCDS. "St. Simon Stock—The Scapular Vision & the Brown Scapular Devotion." Carmel Clarion Volume XXI, pp 17–22, July–August 2005, Discalced Carmelite Secular Order, Washington Province.
  2. Scapular Devotion." July–August 2005, Discalced Carmelite Secular Order, Washington Province.
  3. «Em uma história de resistência, pernambucanos celebram Oxum no Dia de Nossa Senhora do Carmo». G1 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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