Orquestra Ouro Preto

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Orquestra Ouro Preto
Rufo Herrera com seu Bandoneón em um concerto da Orquestra Ouro Preto
Também conhecida como OPP
País  Brasil
Período em atividade 2000 - presente
Sede Ouro Preto Ouro Preto,
 Minas Gerais,
 Brasil
Condutor principal Rodrigo Toffolo
Patrocinador CBMM, Gerdau, Kinross, Vale,
AngloGold, SulAmérica
Página oficial orquestraouropreto.com.br

A Orquestra Ouro Preto (OOP) é uma orquestra brasileira. Foi fundada, no ano 2000, pelo compositor e professor Rufo Herrera, junto ao professor e maestro Ronaldo Toffolo. A OOP é formada por vinte músicos, aos quais se agregam músicos convidados, de acordo com o repertório a ser executado. Atualmente tem como regente titular e diretor artístico o maestro Rodrigo Toffolo.[1]

História[editar | editar código-fonte]

Fundada no ano 2000, com o nome de Orquestra Experimental da UFOP, a orquestra reunia músicos ligados à Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP). Seu objetivo, desde o início, o resgate da tradição musical histórica cidade mineira de Ouro Preto, aliando música erudita e popular.

Esse trânsito entre mundos estéticos e musicais distintos marcou desde sempre a trajetória da orquestra, que é fruto da união do Quarteto Ouro Preto, dedicado ao erudito, com o trio Triloz, focado totalmente na música popular. Rodrigo Toffolo fazia parte dos dois grupos. O primeiro concerto, na Casa da Ópera em Ouro Preto, já tinha a marca do experimentalismo. A criação de um repertório eclético sempre foi almejada conscientemente pela orquestra, como uma adaptação da Sinfonia 29 de Mozart com uma série de músicas portenhas.[2]

Rodrigo Toffolo, bandoneonista argentino radicado em Minas Gerais desde o fim dos anos 70, foi personagem fundamental na criação da orquestra em 2000, juntamente com Ronaldo Toffolo. Herrera, no campo das artes, e Toffolo, na área da metalurgia, eram professores na UFOP e, mesmo em lados diferentes na academia, dividiam a paixão pela música e a vontade de dar a Ouro Preto uma companhia profissional.[2]

Ao longo de sua história, a Orquestra já se apresentou, entre outros, em diversas cidades do Brasil como Belo Horizonte (Palácio das Artes, Sesiminas, Fundação de Educação Artística), Rio de Janeiro (Theatro Municipal, Sala Cecília Meireles) e São Paulo (Itaú Cultural, Sesc Instrumental), bem como em outros países latino-americanos, como por exemplo, no Festival Internacional de Música Antiga de Chiquitos, na Bolívia.[1]

A Orquestra Ouro Preto ganhou espaço justamente por apostar na interpretação orquestradas de obras dos Beatles e até o cantor Alceu Valença. Uma mistura que foi excelente para formar novos públicos, especialmente entre os mais jovens. Com o número de seguidores da orquestra no Facebook aumentando consideravelmente após as primeiras apresentações do concerto dos Beatles, em 2009.[3]

Em 2005, foi gravado um documentário sobre a orquestra para a TV France 5, com difusão na Europa e no Brasil.

Lançou, em 2007 o disco Latinidade: música para as Américas, indicado ao Grammy Latino daquele ano.[4]

Em parceria com a Missão do Brasil junto à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, iniciou digressão internacional nos Países e Comunidades de Língua Portuguesa, tendo se apresentado em Portugal e na Galiza. O projeto prevê ainda concertos em Cabo Verde, Moçambique, Angola, Açores, Timor-Leste e Macau.

O cantautor pernambucano Alceu Valença tem uma parceria de longa data com a OPP. As canções de Valença ganharam novos arranjos do violinista paraibano Mateus Freire, que teve o cuidado de preservar e não descaracterizar a essência da obra. O espetáculo começou a ser criado em 2010, quando Alceu conheceu Toffolo graças ao produtor e amigo Paulo Rogério Lage. O concerto, que recebeu o nome de Valencianas, foi gravado em CD e DVD em 2012, quando Alceu completou 40 anos de carreira. Três anos depois essa parceria recebeu o Prêmio da Música Brasileira na categoria Melhor Álbum de Música Popular Brasileira.[5]

O trabalho com Valença foi continuado em Valencianas II, espetáculo contando com músicas como Dia branco (1974), Táxi lunar (1979), Pelas ruas que andei (1982), Como nossos animais (1982), Solidão (1994) e Tesoura do desejo (1992). A gravação rendeu um álbum ao vivo, gravado na Casa da Música, na cidade do Porto, em Portugal, país para onde o espetáculo migra em 2020 após apresentações em algumas capitais do Brasil no último trimestre de 2019.[6]

Em 2020, a Orquestra completou 20 anos de atividades. Em meio a Pandemia de COVID-19 no Brasil, as comemorações foram realizadas sem a presença de público mas com transmissão ao vivo pela internet. A apresentação no Grande Teatro do Sesc Palladium, em Belo Horizonte, a pedido do público, contou com um repertório com clássicos do cinema e de grandes nomes da música, como Alceu Valença, Fernando Brant, Beatles e Milton Nascimento.[7]

A Orquestra participou do documentário Chico Mário – A Melodia da Liberdade, dirigido pelo cineasta Silvio Tendler e selecionado para o Festival In-Edit Brasil de 2021. O filme conta a história de Francisco Mário de Souza, importante compositor e violonista brasileiro, e irmão do cartunista Henfil e do sociólogo Betinho. Tem também a participação de Lenine e Barbara Paz, após circuito de festivais,  o filme será exibido pela CineBrasilTV.[8][9]

A temporada 2021 da orquestra, chamada Experience, contou com homenagens ao grupo de new wave norueguês A-ha e ao músico mineiro Vander Lee, uma parceria inédita com João Bosco e espetáculos que vão do Jazz de Duke Ellington ao Grunge do Nirvana.[10]

Atualmente a orquestra conta com o patrocínio da Petrobrás.

Projetos Sócio-educacionais[editar | editar código-fonte]

Desde o seu surgimento em um espaço acadêmico, a Orquestra Ouro Preto entendeu e valorizou o caráter formador da música. Fora dos palcos e das grandes plateias, a companhia mantém dois projetos socioeducacionais. Um deles é a Academia Orquestra Ouro Preto, para jovens músicos, que conta com violinistas, violistas, violoncelistas, contrabaixistas e percussionistas. Todos eles recebendo uma bolsa mensal para participar do projeto.[2]

Outro projeto é o Núcleo de Apoio às Bandas Marciais, presente em dez cidades de Minas, duas do Ceará e uma do Rio Grande do Norte. É um núcleo muito importante e enaltece as bandas de música que tocam no interior, para pessoas de todas as idades.[2]

Referências

  1. a b Sítio Oficial da Orquestra Ouro Preto
  2. a b c d Mateus, Bruno (21 de agosto de 2020). «Entre o erudito e o popular, Orquestra Ouro Preto celebra 20 anos com live». otempo.com.br/diversao. O Tempo. Consultado em 2 de junho de 2021 
  3. Nogueira, Carol (3 de junho de 2012). «André Rieu e o velho debate da cultura como entretenimento». Revista Veja. Consultado em 2 de junho de 2021 
  4. «Conheça o CD "Latinidade: música para as Américas", da Orquestra Ouro Preto». radios.ebc.com.br. EBC. 20 de junho de 2016. Consultado em 2 de junho de 2021 
  5. «Alceu Valença e Orquestra Ouro Preto fazem concerto no Municipal». Catraca Livre. 5 de agosto de 2020. Consultado em 2 de junho de 2021 
  6. Mauro Ferreira (21 de outubro de 2019). «Alceu Valença grava em Portugal, em janeiro, a sequência de projeto com a Orquestra Ouro Preto». G1 Pop & Arte - Blog do Mauro Ferreira. G1. Consultado em 2 de junho de 2021 
  7. Falabela, Camila (21 de agosto de 2020). «Orquestra Ouro Preto comemora aniversário de 20 anos em live, nesta sexta-feira (21)». g1.globo.com/mg. G1. Consultado em 2 de junho de 2021 
  8. Pimenta, Caio (19 de maio de 2021). «Filmes sobre Jair Rodrigues e Yamandu Costa serão atrações do In-Edit Brasil». Cine Set. Consultado em 2 de junho de 2021 
  9. Ancelmo Gois (24 de maio de 2021). «Documentário sobre o músico Chico Mário, irmão de Henfil e Betinho, será exibido na 13ª edição do In-Edit Brasil | Ancelmo - O Globo». blogs.oglobo.globo.com/ancelmo. O Globo. Consultado em 2 de junho de 2021 
  10. «De A-Ha a Nirvana até Vander Lee». Portal Diário do Aço. 5 de abril de 2021. Consultado em 2 de junho de 2021 

Ligações Externas[editar | editar código-fonte]