Palavras gregas para o amor

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A língua grega antiga é constituída de muitos vocábulos conceituais. Assim, em grego antigo, não há uma única palavra para descrever o amor, mas quatro:

  • érōs, de Eros (ἔρως): remete à palavra grega moderna “erotas”, com a sua significação de “amor romântico". Entretanto, eros não necessariamente evoca uma natureza sexual, embora muitas vezes esteja associado ao desejo, à atração física, ao prazer e ao sexo propriamente dito. O eros pode ser interpretado como um amor a quem se ama mais do que o amor de philos, podendo também se aplicar a definição de relacionamentos afetivos propriamente ditos. Seria o amor entre os apaixonados. Filosoficamente, Platão refina uma definição própria de eros: para ele, embora esta forma de amor seja sentida inicialmente em disposição a uma pessoa, contemplando-se este alguém o amor é transformado numa apreciação da beleza trazida na alma, ou mesmo na apreciação da beleza formalmente definida (ver: Teoria das ideias). Deve-se apontar que Platão não observa na atração física uma parte necessária do amor erótico, donde o "amor platônico" significa um amor sem atração física. Para Platão, o eros promove o conhecimento da recordação da beleza da alma e contribui para a compreensão da verdade espiritual. Os amantes e os filósofos são, para ele, inspirados a procurar a verdade pelo eros. O trabalho mais famoso de Platão sobre o assunto é O Banquete, tratando-se de uma discussão entre os estudantes de Sócrates sobre a natureza do eros.
  • philos, de Philia (φιλία), "amizade" no grego moderno, indica um amor virtuoso e desapaixonado. É o tipo de amor relacionado à amizade e companheirismo, onde não há a presença do eros. É descrito como o amor entre amigos e irmãos. Foi desenvolvido conceitualmente por Aristóteles, a incluir a lealdade aos amigos e à comunidade e requerendo igualdade e familiaridade. Esta é a única outra palavra para o “amor” usada nos textos antigos do Novo Testamento além de ágape, mas é usada substancialmente com menor frequência. Aristóteles diz que a philia é necessária como um meio para atingir a felicidade ("ninguém escolheria viver sem amigos mesmo se tiver todos os outros bens, a nobreza ou gentileza para si").
  • agapē, de Ágape (αγαπαω): significa “amor” no grego moderno. A palavra foi usada de maneiras diferentes por uma variedade de fontes contemporâneas e antigas, incluindo os escritores da Bíblia. Muitos pensavam que essa palavra representava apenas o amor divino, incondicional, com auto-sacrifício, pela vontade e pelo pensamento, embora também possa ser praticado por humanos inspirados por esse sentimento, mas em grau bem inferior, obviamente, em função da imperfeição e limitações humanas. Os filósofos gregos nos tempos de Platão e outros autores antigos usaram o termo para denotar o amor a membros da família, de um grupo com afinidades ou uma afeição em contraste com philia (uma afeição que poderia ser encontrada entre amigos e de forma não sexual) e eros (uma afeição de natureza sexual e romântica). Aparece no Novo Testamento e descreve, entre outras coisas, o relacionamento entre Jesus e os seus discípulos. Na literatura bíblica, seus significados são ilustrados como auto-sacrifício e a disposição de amor a todas as pessoas, amigos e inimigos, o chamado amor ao próximo. Por causa do seu uso frequente no Novo Testamento, os escritores cristãos desenvolveram uma quantidade significativa de teologia baseada unicamente na interpretação desta palavra.
  • storgé, de Storge (στοργή), "afeição" do grego moderno. É usada para indicar a afeição natural como aquela que os pais sentem pela prole. É considerado o mais benéfico dos afetos, acontece especialmente na família, entre seus membros. Normalmente é a caracterizada como o amor dos pais aos filhos e outros membros do núcleo familiar. É o tipo de amor que nasce naturalmente, muitas vezes biologicamente e diferentemente de philia e eros, em que o amor aparece de formas circunstanciais. É um amor considerado "pronto", do nascimento.

Artigos sobre o tema: Os Quatro Amores - Livro de C.S. Lewis, 1960.