Rio Pindaré

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Rio Pindaré
Rio Pindare.jpg
Localização
País
Coordenadas
Hidrografia
Tipo
Foz

O rio Pindaré é um rio brasileiro que banha o estado do Maranhão, é um dos principais afluentes do rio Mearim.

Rio Pindaré e o seu dramático assoreamento.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

O nome Pindaré teria origem no idioma tupi a partir de pinda: anzol.[1]

Características gerais[editar | editar código-fonte]

Rio genuinamente maranhense, nasce na serra do Gurupi e deságua no rio Mearim próximo da foz do mesmo na baía de São Marcos.

O rio Pindaré é o principal afluente do rio Mearim e nasce nas elevações que formam o divisor entre as bacias hidrográficas dos rios Mearim e Tocantins, nas proximidades das cidades de Montes Altos e Amarante do Maranhão, em cotas da ordem de 300 metros, em Terra Indígena denominada Krikati. Seu percurso total é de aproximadamente 720 km, sendo navegável no trecho compreendido entre a sua foz no km 41 do rio Mearim até a foz do rio Buriticupu no km 456.

A bacia estende-se na direção sul-sudoeste a norte-nordeste, limitando-se a oeste com a bacia do rio Gurupi e a leste com a bacia do rio Grajaú.

Seus principais afluentes são: o Caru, o Santa Rita, o Maracu, Negro, o Água Preta, o Timbira, o Buriticupu e o Zutiua.

Em suas margens estão as cidades de Açailândia, Bom Jesus das Selvas (servindo de divisa entre os mesmos), Alto Alegre do Pindaré, Santa Inês, Pindaré Mirim, Bom Jardim, Monção e dezenas de povoados.

A Estrada de Ferro Carajás, acompanha seu percurso desde as proximidades da cidade de Bom Jesus das Selvas, até a cidade de Santa Inês, em um trecho de mais de 200 km.

Subdivisões[editar | editar código-fonte]

O rio Pindaré nas proximidades da cidade de Alto Alegre do Pindaré.

Alto Pindaré - das nascentes até a foz do rio Buriticupu, com uma extensão de 230 km, aproximadamente. Devido a existência de baixas profundidades (secos ou razeiros), pela pouca largura do rio e pela grande sinuosidade, com raios de curvatura bastante reduzidos, o alto Pindaré, não pode ser navegado com segurança.[2]

Médio Pindaré - da barra do rio Buriticupu no km 456 até a cidade de Pindaré Mirim no km 178, numa extensão de 278 km aproximadamente, existe uma pequena corredeira, logo a montante da foz do rio Caru, com declividade de 68 cm/km, e com velocidade das águas um pouco maior, que não compromete a segurança da navegação.[2]

Baixo Pindaré - da cidade de Pindaré Mirim até sua desembocadura no rio Mearim, numa extensão aproximada de 178 km, a declividade é consideravelmente reduzida, com a influência das marés. A profundidade mínima é de 2,30 m e a largura que no inicio do trecho varia entre 50 a 80 m, chega nos últimos quilômetros a atingir 220 m. As margens do rio no trecho a jusante de Pindaré-Mirim são baixas, planas e sujeitas a inundações, existindo também muitas lagoas marginais, que no período das cheias se interligam com os rios e lagos da Baixada Ocidental Maranhense. A sinuosidade continua intercalada, de vez em quando, por curtos estirões, que se transforma neste trecho em amplos meandros, típicos de rio de baixada.[2]

Canoas no rio Pindaré, em Alto Alegre do Pindaré.

Biodiversidade[editar | editar código-fonte]

O clima do estado do Maranhão compreende uma transição entre o clima Superúmido da Amazônia e o Semiárido do Nordeste. Caracteriza-se como quente, semiúmido, tropical de zona equatorial, com duas estações distintas que vão de úmida (janeiro a junho) a seca (julho a dezembro).[3]

A Bacia do Pindaré apresenta três faixas de vegetação, com os Biomas Cerrado (ao sul) e Amazônico (ao norte), tendo, portanto, uma ampla composição de fitofisionomias e diversidade de espécies. Também se verifica uma vasta presença de florestas de babaçu na região (Mata dos Cocais).[3]

Algumas das espécies encontradas, na região, são: o babaçu, o buriti, o jaborandi, o mogno, o pau-roxo, pau-amarelo, a castanheira e a aroeira-do-sertão. [3]

Dentre os animais encontrados na região, destacam-se: Nectomys squamipes (rato-d’agua), Oxymicterus sp. (rato-do-brejo), Galea spixii (mocó), Didelphis marsupialis(mucura), Bradipus variegatus (preguiça), Dasypus novemcinctus (tatu), Coendou koopmani (Ouriço-cacheiro), Dasyprocta sp. (cutia), Saguinus niger (sagui-uma), Saimirisciureus (macaco-de-cheiro), Alouatta belzebul (guariba-de-mãos-ruivas), Sapajus apella (macaco-prego), Nasua nasua (quati), Potos flavus (jupará), Panthera onca (onça-pintada), dentre outros. Podem ser encontradas aproximadamente 587 espécies de aves, como a jaçanã, o guará, a jandaia e o frango d'água-azul. [3]

A Baixada Maranhense se localiza na região do entorno do Golfão Maranhense, e é formada por um relevo plano a suavemente ondulado com extensas áreas rebaixadas que são alagadas durante o período chuvoso, originando extensos lagos interligados, associados aos baixos cursos dos rios Mearim, Grajaú, Pindaré e Pericumã. É um ambiente rebaixado, com formação sedimentar recente, com alguns relevos residuais, originando outeiros e superfícies tabulares cujas bordas decaem em colinas de variadas declividades. [3]

Pesca artesanal no rio Pindaré

A convergência dos cursos dos rios Mearim, Pindaré e Grajaú, associada aos movimentos transgressivos e regressivos do mar, modelou o ambiente deposicional que é preenchido pelo excedente de águas dos rios no período chuvoso, dando origem a extensas superfícies de lagos que influenciam a vida das comunidades residentes na região.[3]

Foi designada como Sítio Ramsar em 2000 e foi instituída a APA da Baixada Maranhense. Representa o maior conjunto de bacias lacustres do Nordeste.[3]

Os ambientes de igapó estão em geral localizados na parte inundável das margens dos lagos, dos rios e canais, com tipologia de vegetação característica conhecida como mata de igapó.[4]

Nas matas de igapó há predominante ocorrência de árvores baixas, com médias de altura em torno de 6-10 metros e que, em geral não ultrapassam os 20 metros, convivendo com cipós, epífitas e plantas aquáticas. São espécies características deste tipo de ambiente: a Arariba (Symmeria paniculata Benth.; Polygonaceae), o Tachipé (Triplaris sp.; Polygonaceae), o Marajá (Bactris brongniartii Mart.; Palmae), a Popoca (Coccoloba ovata Benth.; Polygonaceae), a Titara (Desmoncus sp.; Palmae), o Jiquiri (Mimosa pigra L.; Leguminosae), o Tuturubá do Campo (Pouteria glomerata (Miq.) Radlk.; Sapotaceae), entre outras[4]

Algumas das espécies de peixes encontradas na Baixada Maranhense são: curimbatá, branquinha, piau, tucunaré, mampará, mandisurubim, sardinha, urubarana, pescada, piranha, curimbatá aracu, mandi, traíra) e viola.[3]

Importância e conservação[editar | editar código-fonte]

Alto Alegre do Pindaré

No ambiente rural é possível observar o transporte entre povoados, a pesca, a criação de animais, a irrigação de lavouras e o consumo direto como principais atividades. [5]

O rio Pindaré apresenta graves problemas quanto aos aspectos ecológicos, decorrentes da retirada da mata ciliar, dinâmica intensa dos agentes erosivos, o assoreamento do leito, além da poluição e contaminação das águas.[5]

Ícone de esboço Este artigo sobre Geografia do Brasil é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.
  1. «Parabéns, Pindaré Mirim pelos seus 94 anos de emancipação política | Portal Pindaré». portalpindare.com.br. Consultado em 1 de julho de 2018 
  2. a b c Souza, Pedro de. «Bacia do Nordeste». www.transportes.gov.br. Consultado em 1 de julho de 2018 
  3. a b c d e f g h «Bacia Hidrográfica do rio Mearim» (PDF) 
  4. a b Monielle Alencar Machado¹, Claudio Urbano B. Pinheiro². «Da água doce à água salgada: mudanças na vegetação de igapó em margens de lagos, rios e canais no baixo curso do rio Pindaré, Baixada Maranhense». Revista Brasileira de Geografia Física v.09, n.05 (2016) 1410-1427  line feed character character in |titulo= at position 88 (ajuda)
  5. a b Francicléia Vieira Ribeiro de Oliveira - Profa. Espec./Orientadora - Depto. de Ensino Profissionalizante - IFMA Eliszabeth Melo Souza - Bolsista PIBIC EM CNPQ - IFMA Fabrícia Vieira Ribeiro - Centro de Ciências Agrárias e Ambientais – UFMA. «ESTUDO SOBRE OS PROBLEMAS AMBIENTAIS OCASIONADOS PELA INTERFERÊNCIA HUMANA NA BACIA DO RIO PINDARÉ, ÁREA DO MUNICÍPIO DE PINDARÉ MIRIM-MA»