Sphyrna zygaena

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Como ler uma infocaixa de taxonomiaSphyrna zygaena
Zygaena malleus Day 186.jpg
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Chondrichthyes
Ordem: Carcharhiniformes
Família: Sphyrnidae
Género: Sphyrna
Espécie: S. zygaena
Nome binomial
Sphyrna zygaena
(Linnaeus, 1758)

O tubarão-martelo-liso ou cornuda (Sphyrna zygaena) é um peixe cartilagíneo do da família Sphyrnidae que é caracterizada por apresentarem a cabeça expandida lateralmente, com olhos e narinas situados nas suas extremidades.[1] Esta espécie pode ser distinguida das outras desta família através da curvatura anterior da sua cabeça, quando vista de cima, e da indentação mediana que apresenta.[1]

Esta espécie é uma das maiores espécies de tubarões martelos do mundo, podendo ser encontrado em águas temperadas e tropicais, apresentando uma distribuição mundial mais ampla que as outras espécies da família.[2]

Descrição[editar | editar código-fonte]



Eusphyra blochii





Sphyrna mokarran




Sphyrna zygaena



Sphyrna lewini






Sphyrna tiburo




Sphyrna tudes




Sphyrna corona



Sphyrna media







As relações filogenéticas de tubarões-martelo, com base na morfologia, isoenzimas e DNA mitocondrial.[3]

Apresenta uma cabeça expandida em forma de martelo, sendo muito larga mas longitudinalmente pequena, correspondendo a entre 26 a 29% do comprimento total. Esta tem uma frente curva sem indentação na frente. Margem anterior da cabeça bastante arqueada com recortes laterias proeminentes mas sem recuo medial.  Margens posteriores da cabeça largas, em ângulo póstero-lateral e geralmente mais largo que a largura da boca. [4]

Apresenta uma primeira barbatana dorsal moderadamente alta com um ápice arredondado e apresenta uma forma falcada com uma ponta traseira solta na frente da origem pélvica. A segunda barbatana dorsal é mais pequena que a barbatana anal, possuindo também uma ponta traseira solta  que não alcança a origem da barbatana caudal. As barbatanas pélvicas não são falcadas e possuem margens posteriores retas ligeiramente côncavas. As barbatanas peitorais têm apenas margens posteriores ligeiramente falcadas. E a barbatana anal tem uma margem posterior profundamente recortada. [4][5]

Dentição[editar | editar código-fonte]

Dentição Sphyrna zygaena

Possui 13 a 15 dentes lisos e triangulares  em cada lado do maxilar superior. O maxilar inferior possui 12 a 14 dentes que podem ser lisos ou ligeiramente serrados.[5]

Tamanho e Idade[editar | editar código-fonte]

O tubarão-martelo-liso mede em média de 2,5 a 3,5 m de comprimento podendo atingir os 5 m de comprimento. Apesar de ainda não se saber qual a longevidade máxima desta espécie, pensa-se que estes poderão viver até aos 20 anos ou mais.[5]

As fêmeas atingem a maturação sexual aproximadamente aos 2,7 m e os machos entre os 2,1-2,5 m de comprimento. [5]

Teorias sobre a Forma da Cabeça[editar | editar código-fonte]

Formato da cabeça de Sphyrna zygaena

Existem diferentes teorias para explicar a evolução da cabeça do tubarão martelo:

  1. Hipótese da Eletrorrecepção Aprimorada – o tubarão martelo possui mais ampolas de Lorenzini que outros grupos de tubarões, estando estes espalhados pela sua ampla cabeça. Supõem-se que a cabeça mais larga e plana permite a estes tubarões terem os poros eletrorreceptores mais espaçados de modo a poderem procurar e detectar alimento em maiores áreas.[6]
  2. Melhor Visão - Uma vez que os olhos se encontram posicionados nas extremidades da cabeça, estes tubarões conseguem ver melhor do que os outros grupos de tubarões. Isto porque possuem uma sobreposição mais ampla na visão binocular.[6]
  3. Redução da Necessidade de Natação – esta hipótese refere a habilidade da cabeça para melhorar o movimento do tubarão, fornecendo um levantamento hidrodinâmico, reduzindo assim a necessidade de natação. Para além disto, os tubarões martelo possuem mais músculo na zona da cabeça e coluna vertebral que resulta numa maior flexibilidade e habilidade para moverem a sua cabeça.[6]

Alimentação[editar | editar código-fonte]

Alimenta-se principalmente de por tubarões pequenos, ratões e raias,[2] podendo também incluir uma grande variedade de peixes ósseos (incluindo arenque, savelha, peixes-gato do mar, robalo, cavala, e pargos), camarões, caranguejos, lulas e outros cefalópodes.[4]

Reprodução[editar | editar código-fonte]

São vertebrados vivíparos placentários que produzem em média 30 a 40 neonatos por ninhada [1], com uma gestação de 10-11 meses. [7] Os juvenis medem cerca de 50cm quando nascem. [5]

Habitat e distribuição

Distribuição geográfica de Sphyrna zygaena

O tubarão-martelo-liso é uma espécie pelágica e cosmopolita, que habita tanto áreas costeiras como águas oceânicas sobretudo no Oceano Atlântico. Esta espécie é encontrada em todo o mundo em mares temperados e tropicais, de latitudes de cerca de 60 ° N a 55 ° S, com uma faixa mais ampla do que outros membros da família Sphyrnidae. Apesar de ser mais tolerante às águas temperadas do que qualquer outro tubarão-martelo, o tubarão-martelo-liso faz migrações para águas mais quentes no inverno, revertendo o processo no verão, quando migra para águas mais frias. Durante essas migrações, os jovens tubarões frequentemente formam grandes cardumes, enquanto os adultos geralmente ocorrem isoladamente ou em pequenos grupos. No entanto, e ao contrário de outros tubarões martelo, o martelo liso é tipicamente um animal solitário. Os indivíduos mais jovens são avistados normalmente junto à costa enquanto que os mais velhos são encontrados em oceano aberto [8]. Os fósseis desta espécie são conhecidos desde o Mioceno Inferior e foram registados em Portugal e no sul da França (Mioceno) e no Japão (Pleistoceno Inferior) [9].

Estatuto de conservação

A população de tubarão-martelo-liso está a diminuir, havendo um declínio contínuo de indivíduos maturos. Esta espécie está incluída na categoria “Vulnerável” na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), encontrando-se atualmente sob proteção internacional [2]. Em 2010, a ICCAT implementou medidas de gestão que proíbem a retenção e comercialização do tubarão martelo liso, declarando ainda a necessidade de aprofundar o conhecimento científico sobre a espécie [8].

Interesse comercial e exploração

O tubarão-martelo-liso é capturado como espécie acessória nas pescarias industriais de palangre de superfície, que dirigem maioritariamente a sua atividade para a captura do espadarte (Xiphias gladius) e atuns (Thunnus spp.)[8]. É utilizado fresco, salgado e possivelmente defumado para consumo humano. As suas peles são processadas para couros. Também é aproveitado o óleo de fígado é extraído para vitaminas e as barbatanas são processadas na base da sopa de barbatana de tubarão. Utilizam-se ainda as carcaças para farinha de peixe[2][4].

Os Açores são uma importante área de recria desta espécie no Atlântico NE. É uma espécie relativamente comum, especialmente durante os meses de verão onde as fêmeas se aproximam da costa entrando inclusive em baías. Há registos na Praia da Vitória (Ilha Terceira) onde vão parir, não sendo alvo de nenhuma pescaria dirigida. A sua carne também é moderadamente apreciada na região. O comércio de dentes, arcadas dentárias e cabeças secas como artigos decorativos é localmente importante.[1]



Referências

  1. a b c d Barreiros, João P.; Gadig, Otto B. F. (14 de dezembro de 2011). Catálogo Ilustrado dos Tubarões e Raias dos Açores. [S.l.]: Instituto Açoriano de Cultura. ISBN 978-989-8225-24-5 
  2. a b c d «The IUCN Red List of Threatened Species». IUCN Red List of Threatened Species. Consultado em 29 de dezembro de 2019 
  3. Cavalcanti, M.J. (2007). «A Phylogenetic Supertree of the Hammerhead Sharks (Carcharhiniformes: Sphyrnidae)». Zoological Studies. 46 (1): 6–11 
  4. a b c d Compagno, Leonard J. V. (1984). Sharks of the world : an annotated and illustrated catalogue of shark species known to date. Rome: United Nations Development Programme. ISBN 92-5-101384-5. OCLC 12214754 
  5. a b c d e «Sphyrna zygaena». Florida Museum (em inglês). 12 de maio de 2017. Consultado em 29 de dezembro de 2019 
  6. a b c «Hammerhead Shark Head Shape Mystery Solved | Project AWARE». www.projectaware.org. Consultado em 31 de janeiro de 2020 
  7. W.T. White, P. R. Last, J. D. Stevens, G.K. Yearsley, Fahmi, Dharmadi (17 de novembro de 2006). «Economically important sharks and rays Indonesia». ACIAR - Australian Centre for International Agricultural Research (em inglês). Consultado em 29 de dezembro de 2019 
  8. a b c Santos, Catarina C.; Coelho, Rui (6 de junho de 2018). «Migrations and habitat use of the smooth hammerhead shark (Sphyrna zygaena) in the Atlantic Ocean». PLOS ONE. 13 (6): e0198664. ISSN 1932-6203. doi:10.1371/journal.pone.0198664 
  9. Carrier, Jeffrey C. Musick, John A. Heithaus, Michael R. (2012). Biology of sharks and their relatives. [S.l.]: Taylor & Francis Group. ISBN 978-1-4398-3924-9. OCLC 818721149 


Ligações externas[editar | editar código-fonte]