Rhincodon typus

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Tubarão-baleia macho, no Georgia Aquarium.
Tubarão-baleia macho, no Georgia Aquarium.
Estado de conservação
Espécie em perigo
Em perigo (IUCN 3.1) [1]
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Chondrichthyes
Ordem: Orectolobiformes
Família: Rhincodontidae
Género: Rhincodon
Espécie: R. typus
Nome binomial
Rhincodon typus
(Smith, 1828)
Distribuição geográfica
Rhincodon typus distmap.png

O tubarão-baleia (Rhincodon typus) é uma espécie de tubarão que se alimenta por filtração e o único membro existente da família Rhincodontidae e do gênero Rhincodon, que pertence à subclasse Elasmobranchii. É o maior peixe vivo e, de longe, o maior vertebrado não minguante existente. O maior indivíduo registrado tinha um comprimento de 12,65 m e um peso de cerca de 21,5 toneladas.[2]

O tubarão baleia é encontrado em águas abertas oceânicas tropicais e raramente é visto em águas cujo a temperatura seja inferior a 21 graus Celsius. Estimativas sugerem uma vida útil de cerca de 70 anos, porém a longevidade exata do tubarão baleia é difícil de calcular. O tubarão baleia possuí uma boca bastante grande, e se alimenta através de filtração, somente outras duas espécies de tubarões exibem este comportamento: o tubarão boca grande e o tubarão elefante. Eles se alimentam quase que exclusivamente de plâncton e geralmente não são uma ameaça para os seres humanos.[3]

A espécie foi oficialmente descrita em abril de 1828, após um indivíduo de 4,6 m ser capturado em uma praia na África do Sul. Andrew Smith, um médico militar associado a tropas britânicas estabelecidas na Cidade do Cabo, o descreveu no ano seguinte. O nome ''tubarão baleia'' refere-se ao tamanho do peixe, sendo quase tão grande quanto algumas espécies de baleias, e também pelo fato de se alimentar através de filtração como as baleias da ordem Mysticeti.[4]

Descrição[editar | editar código-fonte]

mandíbulas de um tubarão baleia
dentes de um tubarão baleia

A boca de um tubarão baleia mede aproximadamente cerca 1,5 m de largura, e possuí entre 300 a 350 fileiras de dentes minúsculos e 10 almofadas de filtração que eles utilizam para se alimentar. Tubarões baleias têm cinco grandes pares de brânquias. A cabeça é larga e plana, com dois olhos pequenos na frente. Eles geralmente são de cor cinza com o ventre branco. Sua pele é marcada com manchas e listras amarelas ou brancas, e cujo o padrão é único para cada indivíduo. O tubarão baleia têm 3 protuberâncias proeminentes ao longo da lateral de seus corpos. Sua pele pode ter até 10 cm de espessura. A espécie possuí um par de barbatanas peitorais e dorsais. As caudas dos animais jovens têm uma barbatana superior maior que a inferior, diferente dos adultos.[5]

tubarão baleia de 21 toneladas capturado na China

O tubarão baleia é o maior animal não cetáceo do mundo. O tamanho médio dos animais adultos é estimado em 9,7 m e 9 t de peso. Foram relatados vários espécimes com mais de 18 m de comprimento. O maior indivíduo já registrado foi capturado em 11 de novembro de 1947, perto da ilha de Baba no litoral do Paquistão, e tinha 12,65 m de comprimento, 21,5 toneladas de peso e uma circunferência de 7 m. São conhecidos relatos e histórias de espécimes maiores de 18 m e 45,5 t, mais nenhum registro científico comprovou a sua existência. Em 1868, o cientista irlandês Edward Perceval Wright observou um grupo da éspecie perto das Seicheles, mais alegou ter observado animais com comprimento superiores a 21 metros.[6]

Em 1925 uma publicação feita pelo ictiólogo americano Hugh M. Smith descreveu um enorme animal capturado em uma armadilha para peixe feita de bambu na Tailândia em 1919. O tubarão era muito pesado para ser trazido a terra, mas Smith estimou que ele tinha um comprimento de pelo menos 17 m e 37 t de peso. Essas medidas mais tarde foram exageradas para 43 t e 17,98 m. Em 1994 um tubarão capturado no sul de Taiwan, supostamente pesava 35,8 toneladas. Houve também relatos de tubarões baleia de até 23 metros e 100 toneladas. Em 1934, um navio chamado Maurguani caçou um tubarão baleia no Pacífico Sul que tinha supostamente 12,20 m de comprimento e 4,6 m de circunferência. Porém não existem registros confiáveis que provem a existência de tubarões baleia gigantes e por isso essa reivindicações de tamanho são desconsideras pela maioria dos cientistas e biólogos.[7]

Distribuição e habitat[editar | editar código-fonte]

um indivíduo no Caribe

O tubarão baleia habita quase todos os mares tropicais e temperados do mundo. O peixe é principalmente pelágico, vivendo em mar aberto, entretanto, não nas profundezas do oceano, embora sejam conhecidos por mergulharem em profundidades de até 1.800 m. As agregações de alimentação sazonal ocorrem em varias regiões costeiras, como partes do sul e leste da África do SulIlha de Santa Helena no Oceano Atlântico sul; golfo de Tadjoura em Djibouti, Gladden Spit em Belize; Ningaloo Reef na Austrália Ocidental; Lakshadweep, golfo de Kutch e Saurashtra litoral de Gujarat na Índia; Útila em Honduras; Leyte do Sul; Donsol, Pasacao e Batangas nas Filipinas; Ilha das Mulheres e Isla Holbox na Península de Iucatã e Bahía de los Angeles na Baixa Califórnia México; Maamigil,nas Maldivas; Parque Nacional de Ujung Kulon na Indonésia; Parque Nacional de Cenderawasih Bayem Nabire, Papua-Nova Guiné; em Madagascar, Ilha Nosy Be em Moçambique;Pemba, Tanzânia; Golfo de Tadjoura no Djibuti, os arquipelágos Ad Dimaniyat no Golfo de Omã e Al Hallaniyat no mar da Arábia; e mais raramente na foz do Rio Jordão em Israel. Embora tipicamente visto no exterior, foi encontrado mais perto da terra, chegando a entrar em lagoas e atóis de coral, perto da foz de estuários e rios. Seu alcance geralmente é limitado a cerca de 30 graus de latitude. É capaz de mergulhar a profundidades de pelo menos 1.286 m.


O tubarão baleia é uma espécie migratória. Um tubarão-baleia, em 2018, fez a mais longa viagem de migração já registrada viajando mais de 19.000 km. através do Oceano Pacífico, ela foi rastreada fazendo a migração do Panamá para uma área próxima às Filipinas no Indo-Pacífico.[8] Em 7 de fevereiro de 2012, no litoral no Paquistão, um grande tubarão baleia foi encontrado a 150 quilômetros da costa do país. O comprimento do animal em questão era de 11 ou 12 m, com um peso aproximado de 15.000 kg.[9] Em 2011, mais de 400 tubarões baleia migraram para a Península de Iucatã no México. Foi um dos maiores encontros de tubarões baleia de que se tem registro. Agregações sazonais da espécie nessa área acontece todos os anos, especialmente entre os meses de maio e setembro, e estão entre os melhores lugares do mundo para se avistar tubarões baleia. O ecoturismo associado a espécie cresceu rapidamente nos últimos anos.[10]

Reprodução[editar | editar código-fonte]

O comportamento reprodutivo dos tubarões baleia não foi observado. A captura de uma fêmea em 1996 que estava gravida de 300 filhotes confirmou que os tubarões baleia são ovovíparos. Os ovos permanecem no corpo da fêmea que dá a luz à filhotes vivos com 40 e 60 cm de comprimento. A evidências que indicam que os filhotes não nascem todos de uma vez, com a fêmea retendo o esperma de uma acasalamento e produzindo um fluxo constante de filhotes durante um período prolongado. Eles atingem a maturidade sexual por volta dos 30 anos e sua vida útil é estimada em pelo menos 70 anos e possivelmente até 100 anos.[11]

Em 7 de março de 2009, biólogos marinhos nas Filipinas descobriram o que se acredita ser o menor espécime vivo de tubarão baleia registrado. O jovem tubarão, que media apenas 38 cm, foi encontrado com a cauda amarrada em uma rede de pesca, e foi libertado e devolvido a natureza. Com base nesta descoberta, alguns cientistas já não acreditam que está área nas Filipinas seja apenas uma área de alimentação mas também uma de reprodução. Tanto indivíduos jovens quanto adultos de tubarão baleia foram vistos no litoral da Ilha de Santa Helena no Atlântico sul, onde um grande número de tubarões podem ser vistos durante o verão.[12]

tubarão baleia filtrando plâncton nas Maldivas.

Alimentação[editar | editar código-fonte]

tubarão baleia com uma remora

O tubarão baleia é um filtrador e uma das três únicas espécies conhecidas de tubarão que exibem este comportamento (juntamente com o tubarão elefante e o tubarão boca grande). Eles se alimentam de plâncton, incluindo copépodes, krill, ovos de peixes, larvas de caranguejos, bem como pequenas lulas e peixes. Também se alimenta de nuvens de ovos durante a desova em massa de peixes e corais. As muitas fileiras de dentes não desempenham nenhum papel na alimentação. A alimentação acontece através da filtração, em que o animal abre a boca e nada para frente, empurrando água e comida para a boca, a água então é expulsa da boca através das brânquias retendo o alimento. Em ambos os casos as almofadas filtradoras, que são estruturas semelhantes a grandes peneiras pretas, servem para separar a água da comida. A separação de alimentos feitos pelo tubarão baleia é por filtração de fluxo cruzado, na qual a água viaja quase que paralelamente à superfície da almofada filtradora, não perpendicularmente através dela, antes de passar para o exterior, enquanto, as partículas de alimentos mais densas continuam na parte de trás da garganta. Este é um método de filtração extremamente eficiente que minimiza a incrustação da superfície da almofada filtradora. Os tubarões baleia foram observados ''tossindo'', presumivelmente para limpar a acumulação de partículas nas almofadas de filtração. Os tubarões baleia migram, tanto para se alimentar quanto para se reproduzir.[13]

O tubarão baleia é um alimentador ativo, visando concentrações de plâncton ou de ovos de peixes. Alimentando-se por filtração é dito que a espécie pode também engolir em uma posição estacionária. Isso contrasta se o tubarão baleia bombeia água enquanto se alimenta. Em vez disso é provável que o animal nade para forçar a água em suas brânquias.[14]

Acredita-se que um tubarão baleia jovem precisa ingerir em média 21 kg de plâncton por dia.[15]

Interação com o ser humano[editar | editar código-fonte]

mergulhador nadando com um tubarão baleia.

Apesar de seu tamanho, o tubarão baleia não representa perigo significativo para os seres humanos. Eles são animais dóceis e às vezes permitem que os nadadores os toquem ou que nadem ao seu lado, embora essa pratica seja desencorajada por cientistas de tubarões e conservacionistas, que acreditam que isso estressa o animal. Os tubarões baleia jovens são gentis e podem até mesmo brincar com os mergulhadores.[16]

Os tubarões baleia podem ser avistados em muitos lugares, como nas ilhas da Baía, em Honduras, na Tailândia, Filipinas, Maldivas, no Mar Vermelho, Austrália Ocidental, Taiwan, Panamá, Belize, Moçambique, África do Sul, Galápagos, México, Seicheles, Índia, Brasil, Malásia,Sri Lanka ,Omã, Porto Rico e em diversos locais espalhados pelo Caribe[17]

Conservação[editar | editar código-fonte]

Atualmente não existe uma estimativa populacional mundial de tubarões baleia. A espécie é considerada Em perigo pela UICN, devido aos impactos da pesca, lesões provocadas por embarcações e capturas em redes pesca, isto somado com a reprodução lenta da espécie devido ao fato de que demoram para amadurecer, torna os tubarões extremamente vulnerável a pressões. Em 1998, as Filipinas proibiram toda a pesca, venda, importação e exportação de partes de tubarões baleia, seguida pela Índia em maio de 2001 e posteriormente Taiwan em maio de 2007.[18]

Em 2010, o derramamento de óleo no Golfo do México resultou em 4.900.000 de barris (780.000 m cúbicos) de petróleo derramados que fluiu para uma área ao sul do Delta do Rio Mississippi, onde um terço de todos os avistamentos de tubarões baleia na parte norte ocorreram em anos recentes. Observações confirmaram que os tubarões não conseguiram evitar as manchas de óleo que estavam situadas na superfície do mar, onde a espécie se alimenta durante várias horas por vez.Felizmente,nenhum tubarão baleia foi encontrado morto na região após o incidente.[19]

A espécie também foi adicionada ao apêndice dois da CITES em 2003,a função dessa convenção é regulamentar o comércio internacional de animais vivos .[20]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. «Rhincodon typus (Whale Shark)». Consultado em 23 de janeiro de 2013. 
  2. «Whale shark». Wikipedia (em inglês). 15 de fevereiro de 2018 
  3. «Whale shark». Wikipedia (em inglês). 15 de fevereiro de 2018 
  4. «Whale shark». Wikipedia (em inglês). 15 de fevereiro de 2018 
  5. «Whale shark». Wikipedia (em inglês). 15 de fevereiro de 2018 
  6. «Whale shark». Wikipedia (em inglês). 15 de fevereiro de 2018 
  7. «Whale shark». Wikipedia (em inglês). 15 de fevereiro de 2018 
  8. Whale shark tracked travelling furthest distance ever recorded Anne travelled more than 12,000 miles across the Pacific por Alina Polianskaya (2018)
  9. «Whale shark». Wikipedia (em inglês). 15 de fevereiro de 2018 
  10. «Whale shark». Wikipedia (em inglês). 15 de fevereiro de 2018 
  11. «Whale shark». Wikipedia (em inglês). 15 de fevereiro de 2018 
  12. «Whale shark». Wikipedia (em inglês). 15 de fevereiro de 2018 
  13. «Whale shark». Wikipedia (em inglês). 15 de fevereiro de 2018 
  14. «Whale shark». Wikipedia (em inglês). 15 de fevereiro de 2018 
  15. «Whale shark». Wikipedia (em inglês). 15 de fevereiro de 2018 
  16. «Whale shark». Wikipedia (em inglês). 15 de fevereiro de 2018 
  17. «Whale shark». Wikipedia (em inglês). 15 de fevereiro de 2018 
  18. «Whale shark». Wikipedia (em inglês). 15 de fevereiro de 2018 
  19. «Whale shark». Wikipedia (em inglês). 15 de fevereiro de 2018 
  20. «Whale shark». Wikipedia (em inglês). 15 de fevereiro de 2018 

Ver também[editar | editar código-fonte]