Boris Berezovsky

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Boris Berezovsky
Бори́с Абра́мович Березо́вский
Nome completo Boris Abramovich Berezovsky
Nascimento 23 de janeiro de 1946
Moscou, RSFS da Rússia
 Rússia
Morte 23 de março de 2013 (67 anos)
Ocupação matemático, empresário e político

Boris Abramovich Berezovsky, em russo Бори́с Абра́мович Березо́вский, (Moscou, 23 de janeiro de 1946Londres, 23 de março de 2013) foi um matemático, empresário, político e um dos chamados "oligarcas russos", que se beneficiaram da liberalização econômica pós-soviética, tornando-se imensamente ricos e influentes, sobretudo quando passaram a integrar o círculo de poder em torno de Boris Yeltsin. Berezovsky era ferrenho crítico do atual presidente da Rússia, Vladimir Putin.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Boris Berezovsky era filho único de uma família judaica de Moscou. Seu pai era construtor de fábricas e a mãe, enfermeira pediátrica.

Recebeu seu Ph.D. em matemática em 1983. Fez pesquisas sobre a Teoria da Otimização e Controle, publicando 16 livros e artigos entre 1975 e 1989. Tornou-se membro associado da Academia Russa de Ciências, em 1991, e foi responsável por um laboratório no Instituto de Ciências e Controle.

Começou seus negócios sob a perestroika, em 1986, participando de uma joint-venture entre o Instituto de Ciências e Controle da Academia de Ciências, a AutoVAZ, empresa estatal fabricante de automóveis Lada, e a empresa italiana Logosystems. Inicialmente vendendo e importando softwares, posteriormente, dedicou-se à compra e revenda de carros, principalmente os Lada. Em 1991 já era milionário.

Durante a anarquia vigente no início dos anos 1990 na Rússia, Berezovsky, assim como outros empresários de seu país, também foi alvo de extorsão pela máfia russa. Sobreviveu a várias tentativas de assassinato. Em uma delas, seu motorista foi morto, em 1994.

Entre 1992 e 1999, ao longo dos dois mandatos sucessivos de Boris Yeltsin, Berezovsky ampliou consideravelmente seu poder econômico e influência política. Tornou-se parte do círculo presidencial.

Via-se como um "fazedor de reis", com força para derrubar antigos funcionários de postos-chave e eleger outros, de sua confiança. Assim conseguia controlar indiretamente a administração da empresa russa de aviões Aeroflot e da ORT, a maior rede estatal de televisão. Era dono da companhia de petróleo Sibneft, de grande parte da indústria de alumínio, além de jornais, cujo apoio foi fundamental para a reeleição de Yeltsin, em 1996.

Participou também ativamente na candidatura de Vladimir Putin, sucessor de Yeltsin, eleito em 2000. Porém, pouco depois tornaram-se inimigos políticos - aparentemente desde a crítica pública de Berezovsky, pela lenta resposta de Putin sobre o fatal naufrágio do submarino nuclear Kursk. Na mesma campanha eleitoral, Berezovsky também ganhou uma cadeira na Duma, a câmara baixa do parlamento da Federação Russa.

Seis meses após as eleições, renunciou ao seu mandato na Duma e fugiu da Rússia. Seu parceiro de negócios Nikolai Gluchkov havia sido preso e ele próprio fora acusado de cumplicidade em fraude fiscal de aproximadamente dois bilhões de dólares contra a região russa de Samara, entre 1994 e 1995, e de lavagem de dinheiro. Passou pela França e, posteriormente, alegando sofrer perseguição política pelo regime de Vladimir Putin, obteve asilo no Reino Unido, protegendo-se da extradição.

Exilado, Berezovsky viveu seus últimos anos sob o nome de Platon Elenine, dividindo seu tempo entre a casa de trinta milhões de dólares no sul da França e o escritório em Londres. Estima-se que a fortuna de Berezovski seja de aproximadamente dez bilhões de dólares.

Em 23 de março de 2013, Berezovsky foi encontrado morto em seu apartamento em Londres. As causas da morte ainda serão esclarecidas.

Conexões políticas[editar | editar código-fonte]

Uma vez apelidado o “Cardeal Cinzento” do Kremlin, Berezovski tornou-se próximo a Yeltsin e agiu como coordenador do grupo de conselheiros do ex-presidente. Em 1996, aliou-se a outros poderosos baqueiros para formar o “Big Seven”, o grupo de oligarcas que apoiavam a campanha de Boris Yeltsin. Até a crise financeira russa de 1998, constituíam esse grupo, além de Berezovsky, Mikhail Friedman, Vladimir Gusinksy, Mikhail Khodorkovsky, Vladimir Potanin, Alexander Smolensky e Vladimir Vinogradov.

Atuação recente[editar | editar código-fonte]

Mesmo estando no exílio, Berezovsky montou o Partido Liberal Russo, como uma base antiPutin. Recentemente ele lançou advertências em jornais como The New York Times, The Wall Street Journal e The Washington Post, aconselhando os Estados Unidos a não confiar em Putin. Também manifestou seu interesse em concorrer a uma cadeira na Duma, mas não anunciou sua candidatura oficialmente.

Em novembro de 2006, Berezovsky acusou Putin de ordenar o envenenamento do dissidente Alexander Litvinenko, ex-membro do FSB (Federalnaya Sluzhba Bezopasnosti), o serviço secreto russo, que também vivia exilado no Reino Unido e era muito próximo a Berezovsky. Este afirmou não ter dúvidas de que autoridades russas estariam por trás do crime.[1]

Nos últimos anos, especulava-se que Berezovsky fosse o provável controlador da MSI, empresa com base na Inglaterra e representada no Brasil pelo iraniano Kia Joorabchian. Em 2004, a MSI firmou uma parceria com o Sport Club Corinthians Paulista. Em 12 de julho de 2007 o Ministério Público do Brasil pediu a prisão de Berezovsky, através da Interpol, para investigação de suas conexões com a MSI. O Ministério Público já comprovou que a MSI de fato participou, junto com os ex-dirigentes do Corinthians, do esquema de lavagem de dinheiro.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências