Guapé

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Município de Guapé
Bandeira de Guapé
Brasão de Guapé
Bandeira Brasão
Hino
Aniversário 3 de fevereiro
Fundação 7 de setembro de 1923
Gentílico guapeense
Lema Fluctuat Ne Mergitur
Prefeito(a) Luciano Maciel (PSDB)
(2013–2016)
Localização
Localização de Guapé
Localização de Guapé em Minas Gerais
Guapé está localizado em: Brasil
Guapé
Localização de Guapé no Brasil
20° 45' 43" S 45° 55' 04" O20° 45' 43" S 45° 55' 04" O
Unidade federativa  Minas Gerais
Mesorregião Sul/Sudoeste de Minas IBGE/2008[1]
Microrregião Varginha IBGE/2008[1]
Municípios limítrofes Capitólio, Alpinópolis, Formiga, Piumhi, Pimenta, Boa Esperança, Cristais, Ilicínea, Carmo do Rio Claro, São José da Barra
Distância até a capital 293 km
Características geográficas
Área 934,598 km² [2]
População 13 838 hab. Censo IBGE/2010[3]
Densidade 14,81 hab./km²
Altitude 771 m
Clima Tropical de Altitude Cwa
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,752 alto PNUD/2000[4]
PIB R$ 104 622,927 mil IBGE/2008[5]
PIB per capita R$ 7 749,85 IBGE/2008[5]
Página oficial

Guapé é um município brasileiro do estado de Minas Gerais.

O município é localizado no Sul de Minas e é banhada pelo Lago de Furnas. Sua história se divide em duas partes: Antes e Depois das Águas de Furnas, devido a sua inundação na década de 1960 para construção de uma usina hidrelétrica.

História[editar | editar código-fonte]

Os primeiros registros do arraial se dão em documentos datados de 1759.

Em 1825 foi construída a capela em homenagem a São Francisco de Assis pelo fazendeiro José Bernardes Ferreira Lara.

Segundo conta a tradição foi um pagamento de promessa a São Francisco de Assis, feito por Dona Esméria Angélica da Pureza, esposa do Capitão José Bernardes Ferreira Lara, que doou terras para o patrimônio da Capela, juntamente com Felisberto Martins Arruda e Cândida Soares do Rosário.

A paróquia foi criada em 9 de maio de 1856.

O distrito de São Francisco de Aguapé foi criado em 28 de maio de 1856 pertencente a comarca de Dores de Boa Esperança.

Emancipação[editar | editar código-fonte]

Em 7 de setembro de 1923, o então governador de Minas Gerais Raul Soares de Moura assina a Lei nº 843 que desmembra o distrito de São Francisco do Rio Grande do município de Dores da Boa Esperança emancipando e passando a se chamar Guapé, que é, na língua indígena, é uma planta aquática conhecida também como "Caminhos nas águas" que recobre a superfície dos lagos e rios com suas folhas, formando uma espécie de tapete verde.

Com a referida Lei, os distritos de Capitólio e Araúna são desmembrados do município de Piumhi e incorporados ao município de Guapé.

Em 3 de fevereiro de 1.924 é instalado o município de Guapé.

Usina Hidrelétrica de Furnas[editar | editar código-fonte]

A construção de uma represa, para instalação da Usina Hidrelétrica de Furnas, idealizada pelo ex-presidente Juscelino Kubitschek no fim dos anos 50 (criada em 1957 com fechamento das comportas em 9 de janeiro de 1963), provocou a inundação boa parte do município, além da própria cidade.

Formação do Lago de Furnas[editar | editar código-fonte]

Com a formação do lago, boa parte da cidade ficou submersa. Até parece uma ironia, o nome da cidade que significa “caminho na água” iria com o enchimento do lago ficar parcialmente tomada pelas águas. Com o fechamento das comportas as águas subiram rapidamente e estava instalado o caos na cabeça do Guapeenses, tanto na zona urbana quanto na zona rural. Os proprietários não foram indenizados de forma satisfatória, houve uma subvalorização das propriedades, isto sem falar no impacto cultural.

No dia 19 de janeiro de 1963, as águas atingem as partes baixas de Guapé, na altura do prédio dos correios, situado a 100 metros da Matriz de São Francisco de Assis.

Em março de 1965, o lago de 1.440 km², cinco vezes maior que a Baía de Guanabara, estava completo e suas águas chegaram aos alicerces do Bangalô, ficando como testemunho da grandeza da arquitetura local.

O lago artificial inundou 206 km² do município.

Fluctuat Ne Mergitur[editar | editar código-fonte]

Em 1924, este lema foi escrito na bandeira da cidade, que significa "Flutuarás, não afundarás", ou em uma livre interpretação significa "Resiste".

Quem poderia naquela época imaginar que depois de 39 anos de história, Guapé iria por em prova o lema que carregava em sua bandeira, não se deixando afundar com as águas de Furnas, mesmo toda encoberta resistiria, e como uma fênix ressurgiria das próprias águas que a submergiram.[parcial?]

E Guapé ressurge, como a fênix da mitologia, ressurge mais bela e mais forte.[parcial?]

A imagem de São Francisco de Assis[editar | editar código-fonte]

Durante a procissão de retirada das imagens da antiga igreja matriz, a imagem de São Francisco de Assis, padroeiro da cidade, sem que ninguém percebesse fora transportada de costas, com sua frente voltada para a antiga cidade que estava preste a ser inundada.

O fato foi somente percebido quando a imagem chegou a nova igreja matriz.

Devotos da cidade atribuíram este fato de que durante a procissão São Francisco de Assis, assim como todos guapeenses, também se despedia da antiga cidade.

Vista distante da cidade em um dia nublado

A nova cidade[editar | editar código-fonte]

A nova cidade foi construída próxima à antiga, em um local mais alto, as margens do lago, ficando praticamente ilhada, onde o lago forma uma península.

A agricultura após o Lago de Furnas[editar | editar código-fonte]

Os anos seguintes foram de muita angústia e tiveram que conviver e sobreviver com as terras ácidas do cerrado, pois as terras férteis das várzeas do Rio Grande e principalmente do Rio Sapucaí ficaram submersas. As técnicas de manejo dos solos eram incipientes; somente na década de 1970 é que os cerrados e as capoeiras foram ocupadas pela agricultura moderna. Os cafezais e as pastagens cultivadas trouxeram uma nova dinâmica à economia local e regional. A assistência técnica da ACAR, atual EMATER-MG, e dos institutos de pesquisas possibilitaram o uso agrícola moderno e competitivo, inserindo a região na produção de grãos, carne e leite.

Guapé será apenas um retrato na parede[editar | editar código-fonte]

Em 1963, quando Guapé estava prestes a ser inundada, o jornalista José Franco, da revista O Cruzeiro publicou uma matéria assim titularizada que contava o drama e o impacto na vida dos guapeenses com a chegada das águas de Furnas. O trabalho foi muito elogiado e José Franco naquele ano recebeu o Prêmio Esso como melhor reportagem.[carece de fontes?]

Turismo[editar | editar código-fonte]

Lago de Furnas[editar | editar código-fonte]

Esta imagem de São Francisco de Assis marca o local onde situava a antiga igreja de Guapé, antes da inundação de Furnas.

O lago que hoje rodeia a cidade proporciona uma vista bastante agradável e um clima ameno.

A prática de esportes náuticos, turismo, pesca (autorizada) é frequente, principalmente em tempos quentes. O lago é um convite para banhistas e para passeios de lancha, barcos.

Alguns acessos à cidade são feitos através de balsas, o que faz a viagem a Guapé se tornar emocionante desde o inicio.

A prática de esportes radicais como o rapel e voo livre no município se tornou frequente, tendo sido realizado em 2007 o primeiro Campeonato Brasileiro de Acrobacias, o 1º Brasilacro de Parapente onde reuniram-se pilotos de várias partes do Brasil e da América do Sul.

Rede hoteleira[editar | editar código-fonte]

O município oferece uma ótima e conceituada estrutura hoteleira com belas pousadas e hotéis as margens do lago. Sem falar da tradicional comida mineira que é servida nos restaurantes da cidade.

Eco-turismo[editar | editar código-fonte]

O eco-turismo é uma das grandes atrações, com trilhas, riachos, cachoeiras e a própria mata nativa que preserva a fauna e a flora de nossa região.

Principais Cachoeiras[editar | editar código-fonte]

As principais cachoeiras e riachos são Cachoeira do Paredão, Cachoeira do Inferno, Cachoeira do Macuco, Cachoeira do Garimpo, Cachoeira do Capão Quente, Cachoeira da Água Limpa, Cachoeira do Moinho, Cachoeira do Lobo, da Volta Grande, entre outras.

Vista do paredão rochoso que faz parte do parque ecológico.

Parque Ecológico do Paredão[editar | editar código-fonte]

Formado em uma fenda entre serras, o parque é um dos principais pontos turísticos da cidade, oferecendo ao turista além de uma vista privilegiada da formação rochosa do local, três belas cachoeiras, além de vários locais para banho ao meio de muito verde e beleza.

Para que gosta de aventura, o parque oferece opção de trilhas ecológicas, rapel e escalada.

No local há uma estrutura montada para bem receber o turista com serviço de restaurante, banheiros, e área fechada para camping e estacionamento.

Nos fins de semana de forte calor, principalmente nas festas de fim de ano, janeiro e carnaval, o parque recebe vários turistas que vem atrás de beleza e agitação.

Ipê Campestre Clube de Guapé[editar | editar código-fonte]

Situado as margens do lago, o clube foi criado pelos próprios guapeenses, é um dos mais bem conceituados clubes de Minas Gerais.

Com piscinas, quadras, academia, bares, campos de futebol, parques infantis e quiosques as margens do lago, o clube oferece aos seus sócios e visitantes uma ótima estrutura de lazer para se passar o dia bem a vontade, desfrutando da belas vistas e das águas do lago de Furnas.

Bailes como Brega, Havaí, Carnaipê, Country e Réveillon são sucesso garantido na noite guapeense.

Carnaval[editar | editar código-fonte]

O Carnaval de Guapé se destaca na região como sendo um dos mais agitados e dos que recebem maior número de turistas. A agitação acontece a noite na praça e durante todo o dia no Parque Ecológico do Paredão e no Lago de Furnas.

Grupos folclóricos[editar | editar código-fonte]

A cidade mantém sua tradição folclórica ativa, com apresentação de grupos de Congo, Moçambique e Folia de Reis.

Tradições religiosas[editar | editar código-fonte]

Desde os primórdios do município, a Fé em Deus tem marcado a história da cidade.

Igreja Matriz no centro da cidade.

São Francisco de Assis[editar | editar código-fonte]

Padroeiro da cidade, São Francisco de Assis ganhou sua primeira capela na região em 1825 após uma promessa de Dona Esméria para que parasse uma pequeno tremor de terra que ocorreu naquela época na região.

Anos mais tarde, na época que Guapé foi inundado, um fato mercante foi o transporte da imagem da antiga igreja para a nova, onde a imagem de São Francisco, sem que ninguém percebesse, foi transportada de costas, com sua frente voltada para a cidade que seria submersa. O fato ficou conhecido como a despedida de São Francisca a antiga cidade.

Santuário de Nossa Senhora Aparecida[editar | editar código-fonte]

No distrito de Aparecida do Sul, que também é apelidada de Jacutinga, foi instalada na igreja local um Santuário dedicado a Nossa Senhora Aparecida. A festa da Jacutinga, como é conhecida é a maior manifestação religiosa da cidade, que ocorre no dia 15 de agosto (dia da Ascensão de Nossa Senhora). A festa atrai fieis de várias partes que vem manifestar sua devoção. Uma das principais formas de manifesto de fé é a caminhada de aproximadamente 21 km entre Guapé e o distrito de Aparecida do Sul.

Divino Pai Eterno[editar | editar código-fonte]

Em junho de 2008, um devoto consegui uma réplica da imagem do Divino Pai Eterno na Basílica de Trindade - GO e a doou para a paróquia de Guapé. Por alguns meses a imagem ficou exposta na igreja junto com outras. Com a influência das transmissões de novenas e missas da Basílica de Trindade - GO, fiéis da cidade admirados com a imagem, propôs ao padre da Guapé que fosse realizadas missas em homenagem ao Divino Pai Eterno. Assim começou uma grande corrente, a imagem saiu da igreja e passou a percorrer as casas dos fiéis, e todas as quartas-feiras, a imagem vai para uma casa diferente onde é celebrada a santa missa em louvor ao Divino Pai Eterno.

Feriados municipais[editar | editar código-fonte]

Data Feriado Motivação
3 de fevereiro Aniversario da cidade Cívica
15 de agosto Festa da Jacutinga (Nossa Senhora Aparecida) Religiosa
4 de outubro São Francisco de Assis (Padroeiro da cidade) Religiosa

Economia[editar | editar código-fonte]

Agricultura[editar | editar código-fonte]

Principal fonte de renda da cidade desde a sua criação, tem elevado o nome do município e criado divisas aos produtores locais.

Café[editar | editar código-fonte]

Com a criação do Lago de Furnas e com o início da exploração agropecuária do cerrado, as lavouras de café tomaram conta da região, se tornando um dos produtos com maior destaque econômico da região.

Grãos[editar | editar código-fonte]

Além do café, a produção de grãos como, milho, arroz e feijão representa uma grande fonte de renda a economia do município.

Cachaça[editar | editar código-fonte]

Como não pode faltar em Minas Gerais, a cachaça em Guapé é um aperitivo encontrado na mesa guapeense. O mercado de cachaça artesanal também é destaque na economia da cidade, onde se destaca grandes marcas de cachaça que são produzidas na cidade.

Extração de pedras[editar | editar código-fonte]

A indústria da pedra decorativa (quartzito) vem se sofisticando a partir da década de 1990, representando hoje em Guapé uma grande fonte de renda.

Pecuária[editar | editar código-fonte]

Dentre a mais antiga das práticas agropecuárias da região, se destaca a criação de gado leiteiro e gado de corte, incentivados pelo clima e pelas grandes pastagens, principalmente na época antes das águas de Furnas, devido as grandes várgeas as margens dos rios Grande e Sapucaí

Potencial turístico[editar | editar código-fonte]

Como já citado, o forte potencial turístico de Guapé vem fazendo desta uma opção rentável e lucrativa aos guapeenses, fortalecendo a economia local.

A cidade que guarda história e lugares deslumbrantes vem atraindo um grande número de turistas a cada ano.

Panorama do lago de furnas na orla da cidade durante o período de seca do lago.

Distritos rurais[editar | editar código-fonte]

Municípios Lindeiros (vizinhos)[editar | editar código-fonte]

Principais acessos[editar | editar código-fonte]

Rodovia Cidade Antecessora Condição da Estrada
BR-265 Carmo do Rio Claro / Ilicínea Pavimentada
MG-170 Boa Esperança / Ilicínea Pavimentada
MG-170 Pimenta Estrada de terra
Municipal São José da Barra Estrada de terra e travessia de balsa
Municipal Capitólio Estrada parcialmente pavimentada e travessia de balsa
Municipal Cristais Estrada de terra e travessia de balsa

Distâncias de algumas cidades[editar | editar código-fonte]

Cidade Distância (km)
Belo Horizonte 293
São Paulo 438
Rio de Janeiro 516
Brasília 806
Goiânia 800
Curitiba 847
Capitólio 26
Varginha 125
Passos 103

Referências

  1. a b Divisão Territorial do Brasil Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (1 de julho de 2008). Visitado em 11 de outubro de 2008.
  2. IBGE (10 de outubro de 2002). Área territorial oficial Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Visitado em 5 de dezembro de 2010.
  3. Censo Populacional 2010 Censo Populacional 2010 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (29 de novembro de 2010). Visitado em 11 de dezembro de 2010.
  4. Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil Atlas do Desenvolvimento Humano Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) (2000). Visitado em 11 de outubro de 2008.
  5. a b Produto Interno Bruto dos Municípios 2004-2008 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Visitado em 11 de dezembro de 2010.
Guapé
Aparecida do Sul | Araúna | Penas | Pontal | São Judas Tadeu | Santo Antônio das Posses | Parque Ecológico do Paredão | Festa da Jacutinga |Capoeirinha | Campestre|Carnaval
Lago de Furnas
Aguanil | Alfenas | Alpinópolis | Alterosa | Areado | Boa Esperança | Cabo Verde | Camacho | Campo Belo | Campo do Meio | Campos Gerais | Cana Verde | Candeias | Capitólio | Carmo do Rio Claro | Coqueiral | Cristais | Divisa Nova | Elói Mendes | Fama | Formiga | Guapé | Ilicínea | Itapecerica | Lavras | Nepomuceno | Paraguaçu | Perdões | Pimenta | Ribeirão Vermelho | São João Batista do Glória | São José da Barra | Três Pontas | Varginha