Usina Hidrelétrica de Furnas
| Usina Hidrelétrica de Furnas | |
| Rio | Rio Grande |
| Localização | Minas Gerais |
| Coordenadas | 20°40'11S , 46°19'05W |
| Inaugurada | 1963 |
| Informações Técnicas | |
|---|---|
| Capacidade de geração | 1216 MW |
| Unidades geradoras | 8 |
| Barragem | |
| Altura | 127 m |
| Comprimento | 550 m |
| Reservatório | |
| Capacidade | 22,59 bilhões de m³ |
| Área alagada | 1473 km² |
| Construção | |
| Início da construção | 1958 |
| Término da construção | 1963 |
| Período de construção | 5 anos |
| Operação e distribuição | |
| Empresa Geradora | Furnas Centrais Elétricas |
| Empresa Operadora | Furnas Centrais Elétricas |
| Empresa Distribuidora | Furnas Centrais Elétricas |
| Site: http://www.furnas.com.br/ | |
A Usina Hidrelétrica de Furnas foi a primeira a ser construída pela empresa de quem ela herdou o nome. Está localizada no curso médio do Rio Grande, no trecho denominado "Corredeiras das Furnas", entre os municípios de São José da Barra e São João Batista do Glória, em Minas Gerais. No início da construção pertencia ao município de Alpinópolis-MG, e possui uma potência nominal de 1.216 MW (8 X 152 MW)1 . A operação da Usina de Furnas está certificada pela NBR ISO 9002, desde dezembro de 2000.
Sua construção começou em julho de 1958, tendo a primeira unidade entrado em operação em 1963. A construção dessa usina, uma das maiores da América Latina na época, permitiu que se evitasse o colapso energético do País, na década de 60.
O reservatório, um dos maiores do Brasil, com 1.440 km² e 3.500 km de perímetro, banha 34 municípios de Minas Gerais. A inundação de áreas férteis trouxe prejuízos para os agricultores, mas possibilitou, além do desenvolvimento da região com a nova usina, o aumento da renda relacionada ao turismo, visto que a indundação formou novas e belas paisagens, como os cânions na cidade de Capitólio.
Índice |
Histórico da construção da Usina de Furnas [editar]
A tentativa de privatização [editar]
A empresa Furnas havia sido incluída no Plano Nacional de Desestatização, idealizado e implantado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Porém, o então governador de Minas Gerais, Itamar Franco, insurgiu-se contra a privatização da empresa, conclamando o povo mineiro e brasileiro para impedirem que mais um patrimônio do brasileiro fosse privatizado. Na ocasião, Itamar mobilizou a Polícia Militar de Minas Gerais na região da usina, ameaçando explodir uma barragem caso Furnas fosse privatizada. Apesar desta postura ter sido criticada, Itamar conseguiu seu objetivo e a empresa não foi privatizada.2
O lago de Furnas [editar]
A represa cobre uma superfície de 1440km².3 atingindo 34 municípios de Minas Gerais. O lago é formado por dois "braços", um a leste e outro a sul da barragem. Do lado leste o principal rio que deságua no lago é o Rio Grande. Do lado sul a represa é formada da junção dos rios Verde, Sapucaí, Machado, além de muitos ribeirões e córregos.
O Lago de Furnas é a maior extensão de água do estado e por isso é chamado de Mar de Minas. Possui muitas praias artificiais e cânions que transformam o lago numa grande atração turística.
Geografia [editar]
O nível de armazenamento do lago é de 768 metros acima do nível do mar, com o nível máximo de 769,3 metros e o nível mínimo de operação de 750 metros.3
Ao longo de sua extensão, o lago exibe diversas paisagens com contornos sinuosos, por causa do "mar de morros" sobre o qual a represa foi formada. Na região de Capitólio existem os Cânions do Lago de Furnas, que possuem cerca de 20 metros de altura com várias cachoeiras e reentrâncias que formam uma bela paisagem.3 Em Boa Esperança foi criado um dique que forma uma lagoa (Lagoa Encantada) para que a cidade não ficasse tão sujeita às variações do nível do lago e também para fins de paisagismo, visto que em torno desse lago foram construídas várias avenidas arborizadas.
Associação dos Municípios do Lago de Furnas (ALAGO) [editar]
Trinta e quatro municípios foram atingidos pelo Lago de Furnas. Estes municípios, a fim de explorar turisticamente as transformações advindas da criação da represa, buscando a sustentabilidade econômica e a preservação ambiental dos municípios lindeiros banhados pelo lago, formaram a Associação dos Municípios do Lago de Furnas (ALAGO), da qual fazem parte Aguanil, Alfenas, Alpinópolis, Alterosa, Areado, Boa Esperança, Cabo Verde, Camacho, Campo Belo, Campo do Meio, Campos Gerais, Cana Verde, Candeias, Capitólio, Carmo do Rio Claro, Coqueiral, Cristais, Divisa Nova, Elói Mendes, Fama, Formiga,Guaranésia, Guapé,Guaxupé ,Ilicínea, Itapecerica, Lavras, Nepomuceno, Paraguaçu, Perdões, Pimenta, Ribeirão Vermelho, São João Batista do Glória, São José da Barra, Três Pontas e Varginha.
Segundo a Associação dos Municípios do Lago de Furnas (ALAGO): "historicamente a região guarda a memória das tribos indígenas que ali habitaram, das trilhas bandeirantes em busca de ouro, das fazendas seculares e dos quilombos rebeldes. Muito dessa história submergiu em fevereiro de 1963, quando as águas do lago subiram seu nível por sobre casas, plantações e até mesmo cidades, transformando definitivamente o lugar. Seus habitantes levaram algum tempo para reconhecer a nova paisagem e as novas possibilidades oferecidas pelo grande lago que se formara. Aos poucos, porém, em seus remansos, agradáveis pousadas, férteis pesqueiros e elegantes embarcações foram surgindo e delineando o futuro turístico do Lago de Furnas".
Impostos [editar]
Apenas os impostos gerados pela produção de energia na Usina de Furnas respondem pela maior parte dos recursos de cidades como São João Batista do Glória e São José da Barra que, por sediarem as instalações da usina, dividem meio a meio o ICMS pago pela Empresa. As demais cidades também são beneficiadas e recebem, proporcionalmente à área alagada, a Compensação Financeira dos Recursos Hídricos (CFRH).4
Balsas [editar]
Como o sistema viário, composto na maior parte por estradas vicinais, também foi inundado pelo reservatório, a Empresa disponibilizou balsas à população local. Ao todo são 15 embarcações, sendo três à jusante e 12 à montante da barragem, operadas em convênio com 11 prefeituras. Além do investimento inicial, FURNAS arca com os custos de manutenção. O transporte para pedestres é gratuito, mas a renda obtida com o transporte de veículos fica integralmente para o município.
Outros benefícios [editar]
Outros benefícios diretos aos municípios, criados pela presença da Usina de Furnas, advêm da política de meio ambiente e responsabilidade social da Empresa.
A estação de Hidrobiologia e Piscicultura, implantada na década dos 70, além de produzir espécies nativas como dourado, trairão, piau-três-pintas, piracanjuba, curimbatá e pau-caranha, para repovoar o reservatório, faz a distribuição de tilápias invertidas para os produtores rurais de São José da Barra.
São fornecidos cerca de 150 mil alevinos por período reprodutivo a produtores selecionados pela Emater, segundo o biólogo Paulo Sérgio Formágio. Um deles é Nelson Alves Batista, proprietário do sítio Vargem dos Pinheiros. Em 2002, ele recebeu o primeiro lote de alevinos/juvenis de tilápia-nilótica e a orientação profissional dos técnicos da piscicultura de Furnas. Hoje ele se diz satisfeito com o resultado e com a produção de cerca de 90 toneladas/ano.
A estação também realiza o levantamento das comunidades de peixes de cada reservatório das usinas em operação no Rio Grande, Paranaíba e Paraíba do Sul e emite relatórios para órgãos ambientais, como Instituto Florestal e Ibama. Além disso, avalia a qualidade da água em termos ambientais, medindo o grau de poluição através dos níveis de fósforo e nitrogênio.
Outra atividade que beneficia diretamente os municípios vizinhos à usina é realizada pelo Horto, que produz cerca de 80 mil mudas/ano de espécies nativas cultivadas para o reflorestamento de parte da mata ciliar e destinadas à arborização das cidades banhadas pelo Lago de Furnas.
Horta nas Nascentes e o Pomar Comunitário, recém implantado, também são projetos que fornecem alimentos para famílias carentes de comunidades próximas e entidades beneficentes
Ver também [editar]
Referências
- ↑ Azevedo-Santos, V. M.; Costa-Neto, E. M.; Lima-Stripari, N. 2010. Concepção dos pescadores artesanais que utilizam o reservatório de Furnas, Estado de Minas Gerais, acerca dos recursos pesqueiros: um estudo etnoictiológico. Revista Biotemas, 23 (4): 135-145
- ↑ "Itamar vai à guerra". In: http://veja.abril.com.br/250899/p_046.html)
- ↑ a b c Usina Hidrelétrica de Furnas. Furnas Centrais Elétricas. Página visitada em 18 de março de 2012.
- ↑ Nascente das Gerais. Lago de Furnas. Página visitada em 18 de março de 2012.
Ligações externas [editar]
- Associação dos Municípios do Lago de Furnas
- Furnas Centrais Elétricas S.A.
- Estudos sobre a transposição do Rio Piumhi