Hiperplasia prostática benigna

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Hiperplasia prostática benigna
Diagrama ilustrando a próstata normal (esquerda) e a próstata com hiperplasia benigna (direita)
Classificação e recursos externos
CID-10 N40
CID-9 600
DiseasesDB 10797
eMedicine med/1919
MeSH D011470
Star of life caution.svg Aviso médico

A hiperplasia benigna da próstata (HBP) ou hiperplasia prostática benigna (HPB) é uma condição médica caracterizada pelo aumento benigno da próstata que normalmente se inicia em homens com mais de 40 anos. Pode provocar estreitamento da uretra com dificuldade de micção.

É caracterizada por uma hiperplasia das células do estroma e do epitélio, resultando na formação de nódulos na região periuretral da próstata. Quando suficientemente largos, os nódulos comprimem o canal uretral causando obstrução parcial, ou às vezes completa, da uretra, desta maneira interferindo no fluxo normal da urina. Isso causa sintomas de hesitância urinária, polaquiúria, aumento do risco de infecção do trato urinário e retenção urinária. Embora os níveis de antígeno prostático específico possam estar elevados nestes pacientes devido ao volume maior do órgão e inflamação devido às infecções do trato urinário, a hiperplasia prostática benigna não é considerada uma lesão pré-maligna.

Sintomas[editar | editar código-fonte]

Os sintomas da hiperplasia benigna da próstata são classificados como obstrutivos ou irritativos. Os sintomas obstrutivos incluem hesitância, intermitência, esvaziamento incompleto da bexiga, jato fraco de urina.

Os sintomas irritativos incluem aumento da frequencia de urinar, mudança no ritmo miccional, prevalecendo no período noturno noctúria quando ocorre à noite, e urgência (necessidade de esvaziar a bexiga que não pode ser protelada).

O conjunto dos sintomas obstrutivos e irritativos geralmente é classificado na literatura médica como sintomas do trato urinário inferior (LUTS).

A HBP pode ser uma doença progressiva, principalmente se não for tratada. O não-esvaziamento completo da bexiga pode resultar em estase de bactérias na bexiga e dessa forma aumentar o risco de infecções do trato urinário. Pode ocorrer formação de pedras na bexiga devido à cristalização dos sais contidos na urina residual. A retenção urinária é outra forma de progressão. A retenção urinária aguda é a incapacidade de esvaziar a bexiga, enquanto a retenção urinária crônica o volume residual urinário gradualmente cresce, e a bexiga distende. Alguns pacientes que sofrem de retenção urinária crônica podem finalmente progredir para uma insuficiência renal, uma condição conhecida como uropatia obstrutiva.

Para alguns homens, os sintomas podem ser graves o suficiente para necessitar de tratamento.

Etiologia[editar | editar código-fonte]

Os hormônios androgênios (testosterona e hormônios relacionados) são considerados como ajudantes do processo da hiperplasia prostática benigna pela maioria dos cientistas. Isso significa que os androgênios devem estar presentes para a doença ocorrer, mas não necessariamente a causam. Essa suposição é suportada pelo fato de que meninos castrados não desenvolvem a hiperplasia prostática benigna quando eles envelhecem, ao contrário dos homens que não foram castrados. Além disso, a administração de testosterona exógena não está associada com um aumento significativo no risco de sintomas da doença. Muitos estudos ainda precisam ser feitos para elucidar completamente as causas da hiperplasia prostática benigna.

Diagnóstico[editar | editar código-fonte]

O exame de toque retal pode revelar uma próstata nitidamente aumentada.

Frequentemente, exames de sangue são realizados para descartar doenças malignas da próstata: níveis elevados do antígeno prostático específico (PSA) necessitam de investigações subsequentes como uma reinterpretação dos resultados do PSA, em termos de densidade do PSA e porcentagem de PSA livre, toque retal e ultrassonografia endoretal. Essas medidas combinadas podem realizar a detecção precoce de um câncer.

O exame de ultrassom dos testículos, próstata e rins é realizado, novamente para descartar doenças malignas e hidronefrose.

Epidemiologia[editar | editar código-fonte]

A próstata aumenta de tamanho na maioria dos homens à medida que eles envelhecem, e de forma geral, 45% dos homens acima dos 46 anos de idade irão sofrer os sintomas da HBP se eles sobreviverem até os 70 anos de idade. As taxas de incidência aumentam de 3 casos por 1000 homens na faixa etária de 45-49 anos, para 38 casos por 1000 por na faixa etária dos 75-79 anos. Ao passo que as taxas de prevalência são de 2,7% para homens na faixa etária dos 45-49 anos, aumentando para 24% na idade dos 80 anos.[1]

Tratamento[editar | editar código-fonte]

O tratamento geralmente é realizado com mudanças no estilo de vida e com medicações. Casos mais sérios podem necessitar de cirurgia.

Estilo de vida[editar | editar código-fonte]

Os pacientes devem diminuir a ingestão de fluidos antes de dormir, moderar o consumo de álcool e produtos que contenham cafeína e urinar em períodos agendados.

Medicações[editar | editar código-fonte]

Alfa-bloqueadores (antagonistas do receptor adrenérgico1) fornecem alivio dos sintomas da hiperplasia prostática benigna. As drogas disponíveis incluem doxazosina, terazosina, alfuzosina e tansulosina. Os alfa-bloqueadores relaxam a músculatura lisa da próstata e do colo da bexiga urinária, diminuindo o grau de bloqueio do fluxo urinário. Os alfa-bloqueadores podem fazer com que a ejaculação ocorra no interior da bexiga (ejaculação retrógrada).

Os inibidores da 5α-redutase (finasterida e dutasterida) são outra opção de tratamento, porém de ação mais lenta (meses) que a dos alfa-bloquadores (semanas).

Cirurgia[editar | editar código-fonte]

Se o tratamento medicamentoso falha, a cirurgia de ressecção transuretral da próstata (RTUP) pode ser necessária. Ela consiste na remoção de parte da próstata através da uretra. Existem também diversos novos métodos para reduzir o tamanho de uma próstata aumentada. Estes métodos destróem ou removem parte do excesso de tecido enquanto tentam evitar lesões no tecido remanescente.

Referências

  1. Verhamme KM, Dieleman JP, Bleumink GS, et al. (2002). "Incidence and prevalence of lower urinary tract symptoms suggestive of benign prostatic hyperplasia in primary care--the Triumph project". Eur. Urol. 42 (4): 323–8 pp.. PMID 12361895.
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Ver também[editar | editar código-fonte]