Humberto Delgado

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Humberto Delgado
Nome completo Humberto da Silva Delgado
Conhecido(a) por "General sem Medo"
Nascimento 15 de Maio de 1906
Boquilobo, Brogueira, Torres Novas, Portugal Portugal
Morte 3 de Fevereiro de 1965 (58 anos)
Los Almerínes, Villanueva del Fresno, Espanha Espanha
Nacionalidade Portugal português
Ocupação Militar
Página oficial
http://www.humbertodelgado.pt

Humberto da Silva Delgado ComCOAComAGOAGCAComSEGCLOIP (Torres Novas, Brogueira, Boquilobo, 15 de Maio de 1906Los Almerínes, Villanueva del Fresno, 13 de Fevereiro de 1965) foi um militar português da Força Aérea que corporizou o principal movimento de tentativa de derrube do regime salazarista através de eleições, tendo contudo sido derrotado nas urnas, num processo eleitoral fraudulento[1] que deu a vitória ao candidato do regime vigente, Américo Tomás.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Primeiros anos[editar | editar código-fonte]

Humberto da Silva Delgado nasceu a 15 de Maio de 1906 no lugar e aldeia do Boquilobo, freguesia da Brogueira,[2] concelho de Torres Novas, distrito de Santarém, província do Ribatejo, Reino de Portugal, filho de Joaquim da Silva Delgado (Torres Novas, Brogueira, 29 de Outubro de 1873 - ?), que era Segundo-Sargento do Regimento de Artilharia N.º 2 a 6 de Outubro de 1897 e Primeiro-Sargento do Regimento de Artilharia N.º 3 a 15 de Maio de 1906, e de sua mulher (Torres Novas, Brogueira, 6 de Outubro de 1897) Maria do Ó Pereira (Torres Novas, Brogueira, 15 de Junho de 1877 - ?), neto paterno de José da Silva Delgado[3] e de sua mulher Maria da Conceição Antunes[4] e neto materno de Manuel Pereira[5] e de sua mulher Maria da Piedade da Silva[6] . Tinha três irmãs mais velhas, Deolinda da Silva Delgado (Torres Novas, Brogueira, 25 de Agosto de 1898), Aida da Silva Delgado e Lídia da Silva Delgado, todas solteiras e sem geração.

Frequentou o Colégio Militar entre 1916 e 1922.[7]

Em 1925 entrou na Escola Prática de Artilharia, em Vendas Novas.

Participou no movimento militar de 28 de Maio de 1926, que derrubou a República Parlamentar e implantou a Ditadura Militar e subsequente Ditadura Nacional que, poucos anos mais tarde, em 1933, iria dar lugar ao Estado Novo liderado por Salazar.

Durante muitos anos apoiou as posições oficiais do regime salazarista, particularmente o seu anticomunismo.

Casou com Maria Iva Theriaga Leitão Tavares de Andrade (13 de Maio de 1908 - Lisboa, 2 de Janeiro de 2014), filha de Carlos Tavares de Andrade e de sua mulher Maria Luísa Theriaga Leitão e neta materna de Luís Giffenig da Silva Leitão[8] e de sua mulher (7 de Outubro de 1876) Gertrudes Theriaga (1852 - ?)[9] , da qual teve um filho, Humberto Ivo de Andrade da Silva Delgado (Lisboa, São Sebastião da Pedreira, 24 de Novembro de 1933), Oficial Piloto Aviador como seu pai, e duas filhas, a Historiadora Iva Humberta de Andrade da Silva Delgado e Maria Humberta de Andrade da Silva Delgado, solteira e sem geração.

Carreira militar e pública[editar | editar código-fonte]

Em 1941 assumiu publicamente as suas simpatias para com a Alemanha Nazi, publicando dois artigos na Revista Ar onde, sobre Hitler, afirmou: “O ex-cabo, ex-pintor, o homem que não nasceu em leito de renda amolecedor, passará à História como uma revelação genial das possibilidades humanas no campo político, diplomático, social, civil e militar, quando à vontade de um ideal se junta a audácia, a valentia, a virilidade numa palavra.”[10] [11]

Representou Portugal nos acordos secretos com o Governo Inglês sobre a instalação das Bases Aliadas nos Açores durante a Segunda Guerra Mundial.

Em 1944 foi nomeado Diretor do Secretariado da Aeronáutica Civil.

Entre 1947 e 1950 representou Portugal na Organização da Aviação Civil Internacional, sediada em Montreal, Canadá.

Foi Procurador à Câmara Corporativa (V Legislatura)[2] entre 1951 e 1952.

Em 1952 foi nomeado adido militar na Embaixada de Portugal em Washington e membro do comité dos Representantes Militares da NATO. Promovido a general na sequência da realização do curso de altos comandos, onde obteve a classificação máxima, passa a Chefe da Missão Militar junto da NATO.

Regressado a Portugal foi nomeado Diretor-Geral da Aeronáutica Civil.

Oposição ao regime[editar | editar código-fonte]

Os cinco anos que viveu nos Estados Unidos modificam a sua forma de encarar a política portuguesa. Convidado por opositores ao regime de Salazar para se candidatar à Presidência da República, em 1958, contra o candidato do regime, Américo Tomás, aceita, reunindo em torno de si toda a oposição ao Estado Novo.

Monumento de homenagem ao General Humberto Delgado, da autoria do escultor José Rodrigues, inaugurado a 14 de Maio de 2008 na Praça Carlos Alberto no Porto.

Numa conferência de imprensa da campanha eleitoral, realizada em 10 de Maio de 1958 no café Chave de Ouro, em Lisboa, quando lhe foi perguntado por um jornalista que postura tomaria em relação ao Presidente do Conselho Oliveira Salazar, respondeu com a frase "Obviamente, demito-o!".

Esta frase incendiou os espíritos das pessoas oprimidas pelo regime salazarista que o apoiaram e o aclamaram durante a campanha com particular destaque para a entusiástica recepção popular na Praça Carlos Alberto no Porto a 14 de Maio de 1958.

Devido à coragem que manifestou ao longo da campanha perante a repressão policial foi cognominado «General sem Medo».

O resultado eleitoral não lhe foi favorável graças à fraude eleitoral montada pelo regime.

Exílio e morte[editar | editar código-fonte]

Em 1959, na sequência da derrota eleitoral, vítima de represálias por parte do regime salazarista e alvo de ameaças por parte da polícia política, pede asilo político na Embaixada do Brasil, seguindo depois para o exílio neste país.[12]

Convencido de que o regime não poderia ser derrubado por meios pacíficos promove a realização de um golpe de estado militar, que vem a ser concretizado em 1962 e que visava tomar o quartel de Beja e outras posições estratégicas importantes de Portugal. O golpe, porém, fracassou.

Pensando vir reunir-se com opositores ao regime do Estado Novo, Humberto Delgado dirigiu-se à fronteira espanhola em Los Almerines, perto de Olivença, em 13 de Fevereiro de 1965. Ao seu encontro vai um grupo de agentes da PIDE, liderados por Rosa Casaco. O agente Casimiro Monteiro assassina-o, bem como à sua secretária, Arajaryr Campos. Os corpos foram ocultados perto de Villanueva del Fresno, cerca de 30 km a sul do local do crime.

Homenagens[editar | editar código-fonte]

A Assembleia da República Portuguesa decidiu, a 19 de Julho de 1988,[13] que fosse feita a transladação dos restos mortais de Humberto Delgado, do Cemitério dos Prazeres para o Panteão Nacional da Igreja de Santa Engrácia, em Lisboa. A cerimónia aconteceu a 5 de Outubro de 1990,[14] dia que se assinalava os oitenta anos da Implantação da República Portuguesa. Nesta mesma altura, o General foi elevado, a título póstumo, a Marechal da Força Aérea.[15] Em Fevereiro de 2015, por ocasião do 50º aniversário do seu assassinato, a Camara Municipal de Lisboa propôs ao governo Português a alteração do nome do Aeroporto de Lisboa para Aeroporto Humberto Delgado[16] .

Ordens honoríficas[17] [18] [editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Notas

  1. Cf. DELGADO, Iva; PACHECO, Carlos; FARIA, Telmo (coordenação). ROSAS, Fernando (prefácio). Humberto Delgado e as eleições de 58. Lisboa, Vega, 1998. ISBN 972-699-637-6.
  2. a b Castilho, J. M. Tavares (2010). Nota biográfica de Humberto delgado. (PDF) Assembleia da República Portuguesa Procuradores da Câmara Corporativa (1935-1974). Visitado em 2011-01-01.
  3. Filho de António da Silva Delgado e de sua mulher Ana da Piedade Pacheco.
  4. Filha de Joaquim Domingos Antunes e de sua mulher Maria da Conceição.
  5. Filho de António Pereira e de sua mulher Teodora da Conceição.
  6. Filha de Luís da Silva e de sua mulher Gerarda da Conceição.
  7. * Meninos da Luz – Quem é Quem II. Lisboa: Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar, 2008. ISBN 989-8024-00-3
  8. Irmão de José Giffenig da Silva Leitão (Leiria, Leiria, 23 de Novembro de 1854 - Leiria, , 17 de Fevereiro de 1901), solteiro e sem geração, e filho de José Joaquim Leitão e de sua mulher (Leiria, Leiria, Sé de Leiria, 17 de Junho de 1853) Leopoldina Edwiges Giffenig Ribeiro da Silva, sobrinha-neta de D. Frei Patrício da Silva, 7.º Cardeal-Patriarca de Lisboa, neta materna dum Alemão.
  9. Filha de Carlos Lopes da Costa Theriaga e de sua mulher Maria do Carmo.
  10. Revista AR, Nº 44, p.2 Junho de 1941
  11. Pimentel, Irene Flunser; Ninhos,Cláudia. Salazar, Portugal e o Holocausto. 1 ed. Portugal: Temas e Debates, 2013. 908 p. p. 129. ISBN 9789896442217
  12. Sobre estes factos cf. LINS, Álvaro. Missão em Portugal. Lisboa, Centro do Livro Brasileiro, 1974.
  13. Resolução da Assembleia da República n.º 19/88. (PDF) Diário da Assembleia da República Portuguesa (12-10-1988). Visitado em 2011-01-02.
  14. Cronologia: Humberto Delgado no Panteão Nacional. Fundação Mário Soares (12-10-1988). Visitado em 2011-01-02.
  15. (2006-10-01) "Cavaco e Sócrates juntos na comemoração do centenário do nascimento de Humberto Delgado.". Tinta Fresca (Ed. 72) (Inclui poema "Humberto Delgado" de Manuel Alegre). Visitado em 2011-01-02.
  16. Câmara de Lisboa quer atribuir nome de Humberto Delgado ao Aeroporto da Portela.
  17. Cidadãos Nacionais Agraciados com Ordens Portuguesas Presidência da República Portuguesa. Visitado em 2012-01-02. "Resultado da busca de "Humberto Delgado"."
  18. Cidadãos Nacionais Agraciados com Ordens Estrangeiras Presidência da República Portuguesa. Visitado em 2012-01-02. "Resultado da busca de "Humberto Delgado"."

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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