Expedição da Baía de Lady Franklin

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Placa em homenagem aos mortos na Expedição à Baía Lady Franklin (Ilha Pim, 2005)

A Expedição da Baía Lady Franklin de 1881 - 1884 (oficialmente: Expedição Polar Internacional)[1] ao Ártico canadense foi liderada pelo tenente Adolphus Greely e foi promovida pelo Signal Corps. A expedição tinha três objetivos: estabelecer uma base de observalçao meteorológica como parte do primeiro Ano Polar Internacional,[2] para coletar dados astronômicos. Durante a expedição, dois integrantes marcaram um novo record no atingimento do norte longínquo.

1881[editar | editar código-fonte]

Proteus em um porto durante a expedição.

A expedição foi liderada pelo Tenente Adolphus Greely da Quinta Companhia de Cavalaria dos Estados Unidos, com o astrônomo Edward Israel e o fotógrafo George W. Rice e uma equipe de 21 oficiais. Eles navegaram no navio Proteus e atingiram St. John'sno início de julho de 1881.[3] Em Qeqertarsuaq, Groelândia contrataram dois guias inuítes, assim como os médicos Dr. Octave Pavy[4] e Dr. Clay[5] que tinha continuado os estudos científicos em vez de voltar no Florence com o restante da expedição Howgate de 1880.[6] O Proteus chegou sem problemas à Baía Lady Franklinem 11 de agosto,[7] desembarcando homens e provisões, partindo em seguida. Nos meses seguintes, o Tenente James Booth Lockwood e o Sargento David Legge Brainard atingiram um novo record na marca do norte longínquo em83° 24′ N 40° 46′ W,[8] na costa norte da Groelândia. Sem o conhecimento de Greely, o verão tinha sido demasiadamente quente, o que levou a subestimar as dificuldades que as suas expedições de socorro teriam de enfrentar para chegar à Baía de Lady Franklin.

1883[editar | editar código-fonte]

Os seis sobreviventes da Expedição Greely e a equipe d eresgate da Marinha dos Estados Unidos em Upernavik, Groelândia, 2–3 de julho de 1884. Provavelmente fotografados a bordo do USS Thetis.

Em 1883, novas tentativas de resgate do Proteus, comandadas pelo Tenente Ernest Garlington e o Yantic, comandado pelo Comandante Frank Wildes, falharam, com o Proteus se chocando contra o gelo.

No verão de 1883, de acordo com as instruções para o caso de duas expedições de socorro consecutivas não chegassem ao Fort Conger, Greely seguiu rumo ao sul com sua equipe. Ele havia sido planejado que os navios de socorro deveriam depositar sumprimentos ao longo do Estreito de Nares em torno do Cabo Sabine e na Ilha Littleton se fossem incapazes de chegar a Fort Conger. Mas como o Neptune não chegando tão longe e o Proteus afundado, na realidade, apenas com poucas provisões de emergência com 40 dias de abastecimento havia sido deixado em Cabo Sabine pelo Proteus.

Quando chegou em outubro de 1883, a temporada estava muito avançada para Greely tentar enfrentar a Baía Vaffin para chegar à Groelândia em botes pequenos ou se retirar para Fort Conger, então ele teve que enfrentar o inverno nesse local.

1884[editar | editar código-fonte]

Em 1884, o Secretário da Marinha, William E. Chandler, teve os créditos do planejamento da operação de resgate, comandada pelo Comandante Winfield Schley. Enquanto quatro navios (Bear, Thetis, Alert, e Loch Garry) chegavam à base de Greely em 22 de junho, apenas 7 homens sobreviveriam ao inverno.[9][10] Os demais sucumbiram devido à inanição, hipotermia e afogamento, e um homem, foi executado por Greely devido à seguidos roubos da comida do grupo.[11]

Retorno[editar | editar código-fonte]

Os sobreviventes da expedição foram recebidos como heróis. Uma parada foi organizada em Portsmouth.[12] Foi decidido que cada um dos sobreviventes receberia uma promoção nas Forças Armadas, apesar de Greely ter recusado.[13]

Alegações de canibalismo[editar | editar código-fonte]

Rumores de canibalismo cercavam o retorno dos corpos daqueles que não sobreviveram à expedição. Em 14 de agosto de 1884, poucos dias depois de seu funeral, o corpo do Tenente Kislingbury, segundo no comando da expedição foi exumado e uma autópsia foi realizada. Observou-se que pedaços da carne foram cortados, o que aparentava confirmar a acusação.[14][15][16] O Tenente Greely negou conhecer ou ter autorizado o canibalismo.[11]

Referências

  1. «List of Smithsonian Expeditions, 1878-1917». Smithsonian Institution Archives. 19 de maio de 2003. Consultado em 22 de agosto de 2010 
  2. Guttridge, Leonard F. (1 de setembro de 2000). «Ghosts of Cape Sabine: the harrowing true story of the Greely expedition». Arctic Institute of North America of the University of Calgary. Consultado em 14 de abril de 2008 
  3. Berton, Pierre: The Arctic Grail -- The Quest for the North-West Passage and the North Pole, McClelland and Stewart 1988, ISBN 978-0-7710-1266-2, pp. 438
  4. Dr. Octave Pavy
  5. Berton (1988), pp. 439
  6. Shrady, G. F., & Stedman, T. L. (5 de julho de 1884). «Medical Record». New York: William Wood & Co. 26. 103 páginas. OCLC 1757009 
  7. Berton (1988), pp. 440
  8. Berton (1988), pp. 444
  9. Guttridge, Leonard F. (1 de setembro de 2000). «Ghosts of Cape Sabine: the harrowing true story of the Greely expedition». Arctic Institute of North America of the University of Calgary. Consultado em 14 de abril de 2008 
  10. Stein, Stephen K (December 2006). "The Greely Relief Expedition and the New Navy", International Journal of Naval History
  11. a b «Lieut. Greely Speaks». The New York Times. 14 de agosto de 1885. Consultado em 15 de agosto de 2012 
  12. «CHEERING ARCTIC HEROES; FORMALLY WELCOMING GREELY AND HIS COMRADES». The New York Times. 5 de agosto de 1884. Consultado em 15 de agosto de 2012 
  13. «Promotions for Arctic Survivors». The New York Times. 7 de agosto de 1884. Consultado em 15 de agosto de 2012 
  14. «The Second in Command Lieut. Kislingbury's Mutilated Body Disinterred». The New York Times. 15 de agosto de 1884. Consultado em 15 de agosto de 2012 
  15. Peck, William F. (1908). History of Rochester and Monroe County, New York. [S.l.: s.n.] 109 páginas 
  16. «The Shame of the Nation». The New York Times. 13 de agosto de 1884. Consultado em 15 de agosto de 2012