Bruxaria

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A palavra bruxaria, segundo o uso corrente da língua portuguesa, designa o uso de poderes de cunho sobrenatural, sendo também utilizada como sinônimo de feitiçaria. Conforme proposto pelo historiador norte-americano Jeffrey B. Russell[1] existem três pontos de vista principais sobre o que é Bruxaria: o primeiro ponto de vista é o antropológico e demonstra que Bruxaria é sinônimo de feitiçaria; o segundo ponto de vista é o histórico que, através de documentos escritos, coloca a Bruxaria (europeia) como uma prática ligada ao culto ao diabo; o terceiro ponto de vista é o da Bruxaria Moderna que defende a Bruxaria como religião pagã.

É importante ressaltar que os Bruxos Modernos não reconhecem o diabo, entre outros elementos judaico-cristãos, em suas práticas. Conforme depreendemos da leitura do fundador da Wicca (Bruxaria Moderna), Gerald Gardner[2] , em consonância com fontes das mais diversas vertentes da bruxaria moderna[3] [4] , a bruxaria é o culto à Deusa e/ou ao Deus em sistemas que variam de uma deidade única hermafrodita ou feminina à pluralidade de panteões antigos, mais notadamente os panteões celta, egípcio, assírio, greco-romano e normando (viking). Grande parte dos grupos bruxos considera, inclusive, que diversas deusas antigas são diferentes faces de uma única Deusa.

A reintegração do homem à natureza é parte fundamental das crenças vinculadas à Bruxaria Moderna, o que se evidencia na celebração do fluir das estações do ano em até oito festivais chamados Sabbats, sendo dois nos equinócios, dois nos solstícios e quatro em datas fixas[5] . Ao fluxo de um curso completo de tais eventos chama-se comumente de Roda do Ano.

Paralelamente aos Sabbats, a Bruxaria Moderna conta com os Esbats, que celebram as fases da Lua. Aqui, todavia, há grandes diferenças entre vertentes da bruxaria, com alguns grupos comemorando quatro fases da Lua e outros comemorando apenas o plenilúnio.

Tipos de Bruxaria[editar | editar código-fonte]

A confusão entre bruxaria e magia levou os magos e os leigos a classificarem equivocadamente os bruxos como brancos e negros, supondo que os que buscassem/praticassem o bem seriam bruxos brancos, e os que buscassem/praticassem o mal seriam bruxos negros. Os bruxos, na verdade, não se pautam pelo modelo de bem e mal, considerando toda e qualquer magia como cinza (mistura da luz com a escuridão). A grande divisão que se pode fazer em grandes grupos na bruxaria é entre a tradicional e a moderna.

Bruxaria Moderna[editar | editar código-fonte]

Bruxaria moderna é considerada pela maioria das tradições bruxas como a que surgiu com Gerald B. Gardner, sendo sinônimo de wicca, muito embora Raven Grimassi, referência mais conhecida da stregheria (bruxaria italiana), considere Charles Leland o pai da bruxaria moderna. Ainda que supostamente iniciado por bruxas tradicionais, Gardner reuniu, junto aos conhecimentos que elas teriam lhe passado, práticas ritualísticas e simbologia da Alta Magia, bem como o princípio ético formulado por Crowley ligeiramente modificado (faça o que quiser desde que a ninguém prejudique), criando assim as bases de uma nova crença.

Bruxaria Tradicional[editar | editar código-fonte]

Bruxaria Tradicional é aquela anterior à wicca e/ou o reconstrucionismo religioso de práticas pagãs ligadas a uma tradição específica. Bruxaria Tradicional é um termo cunhado por Roy Bowers (Robert Cochrane) para diferenciar as práticas de Bruxaria pré-Gardnerianas da Wicca criada por Gardner. Ao contrário do que se possa supor, os grupos de bruxaria tradicional não reconstrucionistas vieram ao longo do tempo absorvendo conhecimentos e conceitos de diversas expressões de religiosidade e, como não se submeteram à separação entre ciência e religião, também vieram modificando sua compreensão cosmológica e suas práticas com o avanço científico.

Tradições Bruxas[editar | editar código-fonte]

Tradições bruxas são conjuntos de crenças e práticas bruxas específicas independentes, estabelecidas a partir da influência de culturas locais ou pela criação de novas linhas iniciáticas, geralmente a partir de um iniciado do mais alto grau em outra tradição. Como a bruxaria não é uma religião fundada em estrutura dogmática rígida, com o uso de tecnologias de informação modernas os grupos de bruxos (covens ou coventículos) puderam se expandir para além de fronteiras geográficas locais, o que levou a uma considerável multiplicação de tradições bruxas entre fins do século XX e início do século XXI.

Bruxaria Ancestral[editar | editar código-fonte]

Tradição bruxa que venera deuses anteriores ao período histórico, tendo entre suas crenças principais a de que o ser humano não é superior aos demais animais e que tudo no universo segue o mesmo fluxo, por eles chamado de "Dança da Deusa". Seu fundador, G.L.Taliesin, foi iniciado e membro do Conselho de Anciãos da Tradição Ibérica, entretanto as experiências místicas pelas quais passou desde o início o levaram a desenvolver ainda dentro da Tradição Ibérica uma veneração à parte, voltada a deidades mais antigas que as lusitanas, veneradas em seu coventículo de origem. Acumulando-se divergências ideológicas e filosóficas, o cisma que deu origem à nova tradição foi natural e inevitável, com a criação da Ordem Sagrada de Bennu[6] , sediada no Brasil.

Stregheria[editar | editar código-fonte]

Tradição bruxa natural da região onde hoje se encontra a Itália, tendo suas raízes nos cultos neolíticos à Grande Deusa naturais da região do Mediterrâneo e do Egeu e construída sobre mitos de diversos povos, dentre eles os micênicos e etruscos. A veneração da stregheria é centrada na Deusa Diana Nemorensis e, segundo sua tradição, a linhagem formal das stregha teve início com uma sacerdotisa da Deusa Diana chamada Arádia.[7]

Tradição Alexandrina[editar | editar código-fonte]

Contemporâneo de Gerald Gardner, Alex Sanders fundou a Tradição Alexandrina, bastante semelhante à wicca, porém pertencente a outra linha iniciática e mais liberal quanto à exigência de nudez ritual.

Tradição Diânica[editar | editar código-fonte]

Caracterizada pela supremacia do culto à Deusa, em relação ao culto ao Deus, a Tradição Diânica é considerada a linha feminista da bruxaria, sendo que alguns de seus grupos só admitem membros do sexo feminino.

Tradição Ibérica[editar | editar código-fonte]

Tradição bruxa que cultua antigos deuses da Península Ibérica, em especial da Lusitânia. A origem de tal linhagem se perde no tempo. Apesar de os registros mais antigos de linha inciática da Tradição Ibérica datarem de fins do século XVIII, cogita-se que por motivos de perseguição religiosa não eram tomados registros antes do início do século XX, sendo provável que tal tradição tenha sido fundada pelas bruxas de aldeia da região onde hoje é Portugal com base em práticas e conhecimentos da cultura celtíbera, anteriores à conquista romana.

Wicca Tradicional ou Tradição Gardneriana[editar | editar código-fonte]

Mãe de diversas tradições bruxas modernas, a Wicca tradicional foi fundada por Gerald Gardner em meados do século XX, a partir do sincretismo entre a bruxaria tradicional inglesa e a alta magia ensinada na Golden Dawn. Diversos iniciados por Gardner deram origem a outras tradições, ainda assim consideradas wiccanas, motivo pelo qual passou a se chamar a bruxaria ensinada por Gardner de wicca tradicional.

Referências

  1. Russell, Jeffrey Burton. História da Bruxaria. [S.l.: s.n.], 2008. ISBN 9788576570448
  2. Gardner, Gerald B., A Bruxaria Hoje. Madras, São Paulo, SP, 2003 - ISBN 8573747293
  3. Grimassi, Raven. Bruxaria Hereditária: Segredos da Antiga Religião. Gaia - ISBN 8575550071
  4. Buckland, Raymond. O Livro Completo de Bruxaria do Buckland. Gaia - ISBN 8575550045
  5. Farrar, Janet; Farrar, Stewart. Oito Sabás para Bruxas. Anubis - ISBN 8586453064
  6. [www.bruxas.eco.br website oficial da Ordem Sagrada de Bennu].
  7. Grimassi, Raven. Bruxaria Hereditária: segredos da antiga religião. [S.l.]: Gaia, 2003. 30 - 31 p. ISBN 8575550071

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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