Hélio Garcia

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Hélio Garcia
Deputado estadual  Minas Gerais
Período 1963-1967
Deputado federal  Minas Gerais
Período 1967-1971
1979-1983
Vice-governador  Minas Gerais
Período 15 de março de 1983
até 14 de agosto de 1984
Antecessor(a) João Marques
Sucessor(a) Júnia Marise[nota 1]
Prefeito Bandeira Belo Horizonte.PNG Belo Horizonte
Período 12 de abril de 1983
até 14 de agosto de 1984
Antecessor(a) Júlio Laender
Sucessor(a) Antônio Carlos Carone
12.º Governador  Minas Gerais
Período 14 de agosto de 1984
até 15 de março de 1987
Antecessor(a) Tancredo Neves
Sucessor(a) Newton Cardoso
14.º Governador  Minas Gerais
Período 15 de março de 1991
até 1º de janeiro de 1995
Antecessor(a) Newton Cardoso
Sucessor(a) Eduardo Azeredo
Vida
Nascimento 16 de março de 1931
Santo Antônio do Amparo, MG
Morte 6 de junho de 2016 (85 anos)
Belo Horizonte, MG
Dados pessoais
Partido UDN (1945–1965)
ARENA (1965–1979)
PP (1979–1981)
PMDB (1981–1990)
PRS (1990)
PTB (1990–2016)
Profissão advogado

Hélio de Carvalho Garcia (Santo Antônio do Amparo, 16 de março de 1931Belo Horizonte, 6 de junho de 2016) foi um advogado e político brasileiro, governador de Minas Gerais por duas vezes.[1] Formado em Direito, em 1957, pela Universidade Federal de Minas Gerais, era também pecuarista e produtor rural.

Dados biográficos[editar | editar código-fonte]

Hélio de Carvalho Garcia, filho de Sr. Julio Garcia e D. Carmelita Carvalho Garcia, era o mais velho dos filhos, tendo dois irmãos Júlio e Cássio. Sua mãe era professora primária, que faleceu em 1959, deixando-o ainda jovem, com apenas 28 anos de idade; seu pai, fazendeiro, de quem herdou, em 1977, a fazenda Santa Clara, localizada em Santo Antônio do Amparo, que lhe serviu de refúgio em vários momentos de sua via e de sua trajetória política. Foi casado com Margarida Silésio de Araujo, com quem teve três filhas.

O jovem garoto, de poucas palavras e de pensamentos complexos, formou-se em Direito, em 1957, na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e se envolveu na vida política logo cedo. Deputado Estadual ainda muito jovem, no início dos anos 60 foi líder do governo Magalhães Pinto. Acompanhou de perto o movimento da Revolução de 1964 e os desdobramentos que impediram que o governador de Minas Gerais disputasse a Presidência da República. Ao ser eleito Deputado Federal, percebeu que sua vocação era pelo Executivo e não pelo Legislativo. Mais tarde, foi parte determinante no processo de redemocratização, acompanhando Tancredo Neves. Foram poucos políticos, que como ele, conviveram íntima e diretamente com dois dos maiores expoentes da política mineira - um da UDN, Magalhães Pinto, e outro do PSD, Tancredo Neves.

Vice-Governador, eleito na chapa de Tancredo Neves, foi prefeito de Belo Horizonte, responsável pela canalização do Arrudas e pela construção do Túnel da Lagoinha, entre outras obras de importância para a cidade. Governador de Minas Gerais, quando Tancredo Neves deixou o governo para disputar a eleição indireta para a Presidência da República, foi fundamental na dura campanha para fazer mais um mineiro Presidente do Brasil.

Voltou, pelo voto direto, ao governo estadual em pleito memorável no fim de 1990. Neste período, quando o Estado de Minas Gerais passava por grandes dificuldades financeiras, foi responsável pela duplicação da Rodovia Fernão Dias, pelos projetos de saneamento do Arrudas e pelo programa de financiamento aos municípios (chamado, na época, de Somma). O êxito de seu governo foi comprovado, e aprovado, nas urnas com a eleição de seu candidato, Eduardo Azeredo, em sua sucessão, no ano de 1995.

Na vida pública, Hélio Garcia seguiu a melhor tradição dos políticos mineiros. O espírito público sempre foi o seu norte e a solidariedade seu compromisso. Atento às questões mais complexas da política, foi um exímio arquiteto das estratégias e das soluções criativas. Hábil negociador, conciliador e firme nas decisões, era um líder autêntico, dedicado às melhores causa públicas e empenhado pelo progresso e pela justiça social.

Carreira política[editar | editar código-fonte]

Eleito Deputado Estadual pela UDN, em 1962, liderou o governo Magalhães Pinto na Assembleia Legislativa e, posteriormente, foi Secretário de Justiça, acompanhando o governador no ingresso à ARENA, sendo eleito Deputado Federal em 1966.[2]

Após encerrar sua estadia em Brasília, afastou-se da vida política até que o governador Aureliano Chaves o nomeou presidente da Caixa Econômica de Minas Gerais (Minas Caixa).[nota 2] Eleito Deputado Federal em 1978, acompanhou Tancredo Neves e Magalhães Pinto rumo ao Partido Popular, entretanto a legenda teve vida efêmera, sendo incorporada ao PMDB em dezembro de 1981.[3][4] Eleito vice-governador de Minas Gerais em 1982, foi escolhido prefeito de Belo Horizonte, em abril de 1983, pelo governador Tancredo Neves. Hélio Garcia foi um dos principais articuladores do Acordo de Minas, que garantiu a repetição no estado das negociações que levaram à formação da Aliança Democrática – coligação do PMDB com a Frente Liberal (dissidência do PDS liderada por Aureliano Chaves) – para lançar a candidatura de Tancredo Neves à Presidência da República em agosto de 1984.[1][nota 3][nota 4] Dois dias depois de ser escolhido pela convenção do PMDB, Tancredo renunciou ao cargo de governador. Hélio Garcia passou, então, o comando da prefeitura a Rui Lage e assumiu o comando do estado. Em 1986, Hélio Garcia concluía o governo com 85% de aprovação.

Avalista político das vitórias de Sérgio Ferrara como prefeito de Belo Horizonte, em 1985, e de Newton Cardoso como governador de Minas Gerais, em 1986. Em 1990, Hélio Garcia deixou o PMDB e fundou o Partido das Reformas Sociais (PRS). Nele, elegeu-se novamente governador de Minas, derrotando, no segundo turno, Hélio Costa, então no PRN. Foi o segundo e último mandato à frente do estado. No curso do mandato ingressou no PTB, onde encerrou a carreira política.[1] Em 1998 postulou ao cargo de Senador, porém desistiu da candidatura no inicio das campanhas eleitorais.

Morte[editar | editar código-fonte]

Morreu em 6 de junho de 2016 em Belo Horizonte, onde fora internado para tratamento de uma embolia pulmonar e estava com a saúde fragilizada.[5]

Notas

  1. Até a sua posse o cargo permaneceu vago e o substituto do governador era o presidente da Assembleia Legislativa ou o presidente do Tribunal de Justiça.
  2. Aureliano Chaves governou de 15 de março de 1975 à 05 de julho de 1978, quando renunciou para concorrer a vice-presidente da República na chapa de João Figueiredo.
  3. Não havia impedimento para o acúmulo do cargo de vice-governador com o de prefeito nomeado.
  4. O Ato Institucional Número Três suspendeu as eleições diretas para prefeito nas capitais dos estados e territórios em 1966 até que elas foram retomadas em 1985.

Referências

  1. a b c «Hélio Garcia, ex-governador de Minas Gerais, morre em Belo Horizonte (g1.com.br)». Consultado em 7 de junho de 2016. 
  2. «Banco de dados do Tribunal Superior Eleitoral». Consultado em 7 de junho de 2016. 
  3. Congresso vai reabrir em março com sete indefinidos (online). Jornal do Brasil, Rio de Janeiro (RJ), 17/02/1980. Primeiro caderno, p. 03. Página visitada em 7 de junho de 2016.
  4. PP e PMDB decidem unir-se (online). Folha de S. Paulo, 21/12/1981. Página visitada em 7 de junho de 2016.
  5. «Morre aos 85 anos, em Belo Horizonte, o ex-governador Hélio Garcia (em.com.br)». Consultado em 7 de junho de 2016.