José Carlos Rates

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José Carlos Rates
1º Secretário Geral do PCP
Período 1921-1926
Sucessor Bento António Gonçalves
Dados pessoais
Nascimento 1879
Morte 1945
Partido Partido Comunista Português
Profissão operário conserveiro

José Carlos Rates (18791945) foi um marinheiro e operário conserveiro, dirigente sindical português das primeiras décadas do século XX. Foi o primeiro secretário-geral do Partido Comunista Português.

Biografia[editar | editar código-fonte]

José Carlos Rates foi um dos mais destacados e dinâmicos dirigente sindicalista da primeira geração. Teve presença interveniente no I Congresso Sindicalista e Cooperativista (Lisboa, 1909), no I Congresso Sindicalista (1911) e no congresso de criação da União Operária Nacional (Tomar, 1914). Foi um bom propagandista e organizador de sindicatos na Madeira, no Alentejo, nas Beiras e Trás-os-Montes. Em 1912, como membro da Comissão Executiva do Congresso Sindicalista, encabeçou a "tournée" de propaganda pelos campos alentejanos. Foi duramente reprimido pela sua militância sindicalista revolucionária, tendo sofrido penas de prisão e deportação em África. Colaborador assíduo na imprensa operária ('O Sindicalista', 'A Batalha', 'O Comunista', Renovação (1925-1926) [1] etc.) foi também um ensaísta prolífico. Tendo ascendido socialmente, adquiriu hábitos um pouco mais burgueses e um certo pendor para soluções administrativas e tecnocráticas para os problemas sociais.

Tando-se mantido sempre distante do anarquismo, após a Revolução de Outubro aderiu aos princípios do bolchevismo e foi um dos fundadores, em 1921, do Partido Comunista Português. Visitou a Rússia revolucionária em data que não é possível precisar. Em Novembro de 1922, foi escolhido por Jules Humbert-Droz, então delegado em Portugal do Comintern, para liderar o partido, tornando-se o seu primeiro secretário geral. A escolha ocorreu na sequência de problemas internos dentro do recém-formado partido.

Defensor de uma aliança defensiva antifascista com o Partido Radical e a Esquerda Democrática de Domingues dos Santos, foi expulso do P.C.P., por desviacionismo às directivas políticas da Internacional Comunista, no 2.º Congresso do P.C.P., em Maio de 1926. Mais tarde seria substituído nessas funções por Bento António Gonçalves.

Surpreendentemente, em 1931 adeririu à União Nacional salazarista[2]. O seu desempenho como secretário-geral seria depois criticado pelo seu sucessor, Bento Gonçalves.

Embora o seu pensamento tenha hoje apenas um interesse de curiosidade histórica, era um homem estudioso e reflectido, que deixou alguma obra teórica: O problema português: os partidos e o operariado (1919); A ditadura do proletariado (1920); A Rússia dos sovietes (1925); e Democracias e ditaduras (1927).

No período final da sua vida, interessou-se por questões coloniais, apesar de anteriormente ter advogado a venda das colónias à melhor oferta. Escreveu ainda dois romances.

Era fadista.[3]

Notas

  1. Jorge Mangorrinha (1 de Março de 2016). «Ficha histórica:Renovação : revista quinzenal de artes, litertura e atualidades (1925-1926)» (pdf). Hemeroteca Municipal de Lisboa. Consultado em 18 de maio de 2018 
  2. Adesão à União Nacional de José Carlos Rates, José Pacheco Pereira, Estudos sobre o Comunismo no Wordpress.
  3. FÉLIX, Pedro, "Ao Fado muito se deve a Implantação da República", VVAA, Fado 1910, [s. l.], EGEAC EEM/Museu do Fado, 2010, pp. 131-148.
Precedido por
Criação do Partido
Secretário-Geral do
Partido Comunista Português

1921 - 1929
Sucedido por
Bento António Gonçalves