Lista de presidentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
Esta é uma lista dos presidentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), uma fundação pública de direito público federal criado por Getúlio Vargas, em 1936, e atualmente vinculada ao Ministério do Planejamento e Orçamento. Cabe ao presidente do órgão exercer a direção máxima da instituição e a sua nomeação é realizada por decreto do Presidente da República.[1]
Presidentes
[editar | editar código]| Nº | Foto | Nome | UF | Profissão | Governo | Início | Fim |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| 1 | José Carlos de Macedo Soares | SP | advogado, diplomata, político | Getúlio Vargas | 29 de maio de 1936 | 31 de janeiro de 1946 | |
| Eurico Gaspar Dutra | 31 de janeiro de 1946 | 30 de janeiro de 1951 | |||||
| 2 | Djalma Polli Coelho | RJ | engenheiro militar | Getúlio Vargas | 02 de maio de 1951 | 09 de setembro de 1952 | |
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Florêncio Carlos de Abreu e Silva | RS | juiz, político | 15 de setembro de 1952 | 21 de setembro de 1954 | |
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Elmano Gomes Cardim | RJ | jornalista | Café Filho | 27 de setembro de 1954 | 17 de novembro de 1955 |
| 5 | José Carlos de Macedo Soares | SP | advogado, diplomata, político | Carlos Luz | 17 de novembro de 1955 | 11 de novembro de 1955 | |
| Nereu Ramos | 11 de novembro de 1955 | 03 de maio de 1956 | |||||
| 6 | Jurandir de Castro Pires Ferreira | RJ | engenheiro civil, economista, professor | Juscelino Kubitschek | 08 de maio de 1956 | 31 de janeiro de 1961 | |
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Rafael da Silva Xavier | RJ | jurista | Jânio Quadros | 10 de fevereiro de 1961 | 9 de novembro de 1961 |
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José Joaquim de Sá Freire Alvim | RJ | jurista | João Goulart | 13 de novembro de 1961 | 1º de outubro de 1963 |
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Roberto Bandeira Accioli | RJ | professor | 14 de outubro de 1963 | 31 de março de 1964 | |
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Aguinaldo José Senna Campos | SP | militar | Castello Branco | 10 de abril de 1964 | 03 de abril de 1967 |
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Sebastião Aguiar Ayres[nota 1] | RJ | professor | Costa e Silva | 04 de abril de 1967 | 24 de março de 1970 |
| 12 | Isaac Kerstenetzky | RJ | economista, pesquisador | Emílio Garrastazu Médici | 25 de março de 1970 | 15 de março de 1974 | |
| Ernesto Geisel | 15 de março de 1974 | 29 de agosto de 1979 | |||||
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Jessé de Souza Montello | MA | economista, matemático | João Figueiredo | 29 de agosto de 1979 | 14 de março de 1985 |
| 14 | Edmar Lisboa Bacha | RJ | economista | José Sarney | 10 de maio de 1985 | 27 de novembro de 1986 | |
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Edson de Oliveira Nunes | RJ | cientista político | 28 de novembro de 1986 | 13 de abril de 1988 | |
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Celsius Antônio Lodder (interventor)[2] |
MG | economista | 13 de abril de 1988 | 03 de maio de 1988 | |
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Charles Curt Mueller | RS | economista | 03 de maio de 1988 | 18 de abril de 1990 | |
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Eduardo Augusto Guimarães | SP | engenheiro civil, economista | Fernando Collor | 18 de abril de 1990 | 26 de março de 1992 |
| 18 | Eurico de Andrade Neves Borba | MG | matemático, economista | 26 de março de 1992 | 29 de dezembro de 1992 | ||
| Itamar Franco | 29 de dezembro de 1992 | 15 de junho de 1993 | |||||
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Silvio Augusto Minciotti | RJ | químico | 15 de junho de 1993 | 30 de março de 1994 | |
| 20 | Simon Schwartzman | RJ | cientista político | Fernando Henrique Cardoso | 02 de maio de 1994 | 31 de dezembro de 1998 | |
| 21 | Sérgio Besserman Vianna | RJ | economista | 18 de janeiro de 1999 | 31 de janeiro de 2003 | ||
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Eduardo Pereira Nunes[nota 1] | RJ | economista | Luiz Inácio Lula da Silva | 06 de fevereiro de 2003 | 14 de setembro de 2011 |
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Wasmália Socorro Barata Bivar[nota 1] | AM | economista | Dilma Rousseff | 14 de setembro de 2011 | 04 de julho de 2016 |
| 24 | Paulo Rabello de Castro | RJ | economista, advogado | Michel Temer | 04 de julho de 2016 | 01 de junho de 2017 | |
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Roberto Luis Olinto Ramos | RJ | engenheiro de sistemas | 01 de junho de 2017 | 01 de fevereiro de 2019[3] | |
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Susana Cordeiro Guerra | MG | socióloga, economista | Jair Bolsonaro | 11 de fevereiro de 2019[4] | 09 de abril de 2021[5] |
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Marise Maria Ferreira[nota 1] (interina)[6] |
advogada | 09 de abril de 2021 | 27 de abril de 2021 | ||
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Eduardo Rios Neto | RJ | economista | 27 de abril de 2021 | 02 de janeiro de 2023[7] | |
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Cimar Azeredo Pereira[nota 1] (interino) |
RJ | estatístico | Luiz Inácio Lula da Silva | 03 de janeiro de 2023[8] | 18 de agosto de 2023[9] |
| 28 | Marcio Pochmann | RS | economista | 18 de agosto de 2023 | atual |
Características
[editar | editar código]A distribuição geográfica do local de nascimento desses 27 presidentes sublinha uma extrema centralização regional. Os presidentes nascidos na Região Sudeste totalizam 22 indivíduos, o que representa uma considerável maioria de 81,5% da liderança histórica do IBGE. O estado do Rio de Janeiro é a origem de 59,3% dos presidentes (16), seguido por São Paulo (4) e Minas Gerais (2), refletindo o poder político e intelectual do eixo Sudeste, onde o Instituto está sediado. A representatividade das Regiões Sul (3), Norte (1) e Nordeste (1) foi consideravelmente menor.
Apenas duas mulheres ocuparam o cargo, marcando uma histórica predominância masculina. A economista e servidora de carreira Wasmália Socorro Barata Bivar (2011-2016)[10] e a socióloga Susana Cordeiro Guerra (2019-2021) representam apenas 7,4% do total de presidentes. Quanto ao perfil profissional, a liderança migrou de juristas e diplomatas para presidentes com experiência em áreas técnicas, como Economia e Ciências Sociais Aplicadas (55,6%). Essa tendência sublinha o foco do IBGE na produção de estatísticas complexas, exigindo líderes com expertise científica. Apenas três servidores de carreira estiveram à frente do Instituto desde sua fundação: Sebastião Aguiar Ayres (1967-1970), Eduardo Pereira Nunes (2003-2011) e Wasmália Bivar (2011-2016).[11]
Gestão
[editar | editar código]A duração dos mandatos na presidência do IBGE tem sido variável. Períodos mais longos foram registrados em fases de maior centralização de poder, sendo o recordista José Carlos de Macedo Soares (1936-1951), com mais de 14 anos em sua primeira gestão. Outros mandatos notavelmente extensos incluem Isaac Kerstenetzky (1970-1979), com de 9 anos e 5 meses, e o servidor Eduardo Pereira Nunes (2003-2011), com cerca de 8 anos e 7 meses. Em contrapartida, as crises políticas e transições de governo, como o pós-impeachment de Dilma Rousseff e a gestão Jair Bolsonaro (2016-2023), foram marcadas por alta rotatividade, com seis presidentes sucedendo-se em um curto espaço de tempo, sinalizando um período de profunda instabilidade na cúpula do órgão.
O período de alta rotatividade recente foi acompanhado por intensas tensões políticas e críticas institucionais em torno das nomeações. Após 2016, a sucessão de presidentes com mandatos curtos (nenhum completou três anos) refletiu disputas sobre o orçamento e a autonomia do Instituto, culminando, por exemplo, na renúncia de Susana Cordeiro Guerra, em 2021, em meio a cortes orçamentários para o Censo Demográfico.[12]
O mais recente presidente, Márcio Pochmann (2023-atual), empossado em agosto de 2023, também foi alvo de críticas significativas por parte de veículos de imprensa e setores do Ministério do Planejamento no momento de sua indicação.[13] As críticas se concentraram em seu perfil de economista ligado a correntes ideológicas específicas e sua experiência anterior em órgãos como o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e a Fundação Perseu Abramo, levantando debates sobre a manutenção da independência e neutralidade técnica do IBGE, pilares essenciais para a credibilidade de suas estatísticas.[14]
Notas
- Servidor de carreira do IBGE.
Referências
- ↑ BRASIL (19 de agosto de 2022). «Decreto Nº 11.177, de 18 de agosto de 2022. Aprova o Estatuto e o Quadro Demonstrativo dos Cargos em Comissão e das Funções de Confiança da Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE e remaneja e transforma cargos em comissão, funções de confiança e gratificações». Brasília, DF: Imprensa Nacional. Diário Oficial da União: seção 1. Ano 160 (N. 158): 3-7
- ↑ Senra, Nelson de Castro; Millions; Teresa Cristina (orgs.) (2016). O desafio de retratar o país : entrevistas com os presidentes do IBGE no período de 1985 a 2015 (PDF). Rio de Janeiro: IBGE. 480 páginas. ISBN 978-85-240-4374-1
- ↑ «Decretos de 8 de fevereiro de 2019». Diário Oficial da União. 11 de fevereiro de 2019. Consultado em 3 de junho de 2019
- ↑ «Susana Cordeiro Guerra é nomeada presidente do IBGE». Agência IBGE Notícias. 11 de fevereiro de 2019. Consultado em 3 de junho de 2019
- ↑ «Rios Neto é nomeado como novo presidente do IBGE». Poder 360. 27 de abril de 2021. Consultado em 26 de maio de 2023
- ↑ Amorim, Daniela (9 de abril de 2021). «IBGE: Marise Ferreira assume presidência após saída de Susana Guerra». Estadão Conteúdo. Consultado em 30 de setembro de 2025
- ↑ «Diário Oficial da União». Imprensa Nacional. 2 de janeiro de 2023. Consultado em 26 de maio de 2023
- ↑ «Diretor de Pesquisas assume presidência do IBGE até a nomeação de novo presidente». IBGE. 3 de janeiro de 2023. Consultado em 26 de maio de 2023
- ↑ «Márcio Pochmann toma posse como presidente do IBGE». Agência Brasil. 18 de agosto de 2023. Consultado em 18 de agosto de 2023
- ↑ Rosas, Rafael (1º de setembro de 2011). «Wasmália Bivar será primeira mulher a presidir IBGE». Valor Econômico. Consultado em 30 de setembro de 2025
- ↑ Quintslr, Marcia Maria Melo (abril de 2018). Agendas estatísticas oficiais: política de informação, poder e (in) visibilidades (PDF) (Dissertação). Rio de Janeiro: Universidade Federal do Rio de Janeiro. Consultado em 30 de setembro de 2025
- ↑ «Presidente do IBGE pede demissão». G1. 26 de março de 2021. Consultado em 30 de setembro de 2025
- ↑ Castro, Mayra (28 de janeiro de 2025). «Crise no IBGE: Servidores da Ence fazem carta contra comunicados da presidência do instituto» (PDF). O Globo. Consultado em 30 de setembro de 2025
- ↑ «Governo escolhe Pochmann, do PT, para o IBGE, e Tebet descarta ingerência política no órgão». Folha de S.Paulo. 26 de julho de 2023. Consultado em 30 de setembro de 2025
Ligações externas
[editar | editar código]- Galeria de Presidentes na página oficial do IBGE
