Vajra mushti

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O Vajramushti (traduzido do Sânscrito, "soco real", "punho direto", "punho real": vajra, "vara, bastão, rei" + mushti, "pancada, golpe, soco") é uma arte marcial indiana. Provavelmente, é a mais antiga arte marcial conhecida do mundo. [1]

História[editar | editar código-fonte]

O vajramushti se originou na cultura dravidiana, por volta de 5000 a.C., antes mesmo da invasão ariana da Índia. Segundo a lenda, foi criada pelo deus Xiva. Era a arte marcial praticada pelos xátrias. Acredita-se que foi praticada por Sidarta Gautama, o Buda, e que este o ensinava a seus discípulos como parte integrante de sua doutrina. Outro ilustre praticante do vajramushti foi Bodhidharma, o 28º patriarca do budismo. [2]

Graças ao monge Bodhidharma, um monge Budista do Sul da Índia (um príncipe de Tamil Nadu), o Vajramushti foi introduzido na China (através do templo Shaolin) e no Japão, e depois em outras terras e países. Na China, o Vajramushti tomou o nome de Kung Fu. No Japão, esta arte influenciou o caratê e o Kempô.

Durante a Dinastia Qing, rudimentos do vajramushti, mesclados a técnicas de kung fu antigo, foram ensinados pelos monges do templo Shaolin ao povo para que estes se defendessem dos funcionários corruptos do governo. Esta mistura ficou conhecida como kung fu shaolin. Porém o vajramushti integral continuou restrito aos monges shaolins mais adiantados, sob o nome de Ch'an Tao Chuan, "a arte dos punhos do caminho da meditação". Em 1730, o governo proibiu a prática do kung fu. Como resultado, o vajramushti passou a ser praticado secretamente, no âmbito das sociedades secretas que abundavam na China de então.[3]

Já no século XIX, os colonialistas britânicos declararam o Vajramushti como técnica ilegal e a sua prática e ensino foram, gradualmente, extintos. Poucos mestres ensinavam esta arte e, quando isto ocorria, tal ensinamento era feito reservadamente.

O ch'an tao chuan foi introduzido no Brasil em meados do século XX pelo mestre W. Lee Chang.[4]

Na década de 1970, o ator estadunidense Bruce Lee procurou por praticantes de vajramushti na Índia para que estes participassem de seu filme A flauta silenciosa, porém o ator não conseguiu encontrar praticantes dessa arte.[5]

O ensinamento do Vajramushti no Brasil foi transmitido pelo grão-mestre Sri Swami Vyaghrananda Bhagwan, discípulo de Shri Munirishi Saddhu, que, por sua vez, foi nascido e criado em Kerala, no sul da Índia. O sucessor do Vajramushti no Brasil, segundo o Vishwa Unnyayan Samsad e o Vishwa Parishad, é o atual grão-mestre Sri Vyaghra Yogi Gamaji, também conhecido oficialmente pelo nome de mestre Uberto Gama, discípulo direto do Swami Vyaghrananda Bhagwan, mas que, antes, foi estudante de diversas outras linhas de ioga e budismo, chegando ao quarto dan da faixa preta em Taekwondo. Afirma-se que o mestre Vyaghra Yogi Gamaji passou por diversas escolas de Yoga, antes de tornar-se mestre de Raja Vidya Yoga. Como uma linhagem espiritual, a linha Raja Vidya Yoga mantém a prática desta arte marcial em sua codificação, no capítulo Yodha Vidya.

Características[editar | editar código-fonte]

No vajramushti, quase não se usam golpes aplicados com os pés, pois as longas meditações em postura sentada típicas dos praticantes dessa arte atrofiam parcialmente o uso das pernas.[6]

Referências

  1. VELTE, H. Dicionário Ilustrado de Budô. Tradução de S. Pereira Magalhães. Rio de Janeiro. Tecnoprint. 1981. p. 35,143.
  2. VELTE, H. Dicionário Ilustrado de Budô. Tradução de S. Pereira Magalhães. Rio de Janeiro. Tecnoprint. 1981. p. 35,143.
  3. VELTE, H. Dicionário Ilustrado de Budô. Tradução de S. Pereira Magalhães. Rio de Janeiro. Tecnoprint. 1981. p. 144.
  4. VELTE, H. Dicionário Ilustrado de Budô. Tradução de S. Pereira Magalhães. Rio de Janeiro. Tecnoprint. 1981. p. 145.
  5. VELTE, H. Dicionário Ilustrado de Budô. Tradução de S. Pereira Magalhães. Rio de Janeiro. Tecnoprint. 1981. p. 36.
  6. VELTE, H. Dicionário Ilustrado de Budô. Tradução de S. Pereira Magalhães. Rio de Janeiro. Tecnoprint. 1981. p. 36.