Bairro da Paz (Salvador)

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Bairro da Paz
—  Bairro do Brasil  —
Unidade federativa  Bahia
Região administrativa Região Itapuã, RA X[1]
Município Bandeira de Salvador.svg Salvador
Criado em 23 de abril de 1982 (32 anos)
Fonte: Não disponível

O Bairro da Paz (antiga Invasão das Malvinas) é um bairro de Salvador, Bahia. Está localizado entre as avenidas Luís Viana Filho (Avenida Paralela) e Orlando Gomes, na zona norte da cidade.

História[editar | editar código-fonte]

Fruto de invasão de uma área pertencente ao Município, a ocupação começou em 1982 com 1.230 famílias. O assentamento consolidou-se ao longo da década de 1980, em meio a disputas entre os moradores e o governo, incluindo diversos enfrentamentos com a polícia, o que tornou o local um verdadeiro campo de batalha, na época. Em alusão à situação, o primeiro nome do assentamento - Malvinas - foi uma referência à Guerra das Malvinas, entre a Grã-Bretanha e a Argentina, conflito deflagrado também no ano de 1982.[2]

A data de fundação adotada é o dia 23 de abril de 1982. Pessoas de diversas localidades e, inclusive, do interior da Bahia ocuparam irregularmente um terreno que pertencia à Prefeitura Municipal. A construção de avenidas surtiram um efeito de supervalorização da área, que foi o principal motivo da reação das autoridades locais. Na época das primeiras ocupações, em 1982, o governo tentou remover a população diversas vezes, mas as pessoas voltavam e reconstruíam suas casas, mesmo sujeitas aos abusos das autoridades. A repressão sofrida não surtiu efeito, de forma que a população sempre voltava e reconstruía suas residências. A gravidade dos conflitos entre eles e as autoridades foi aumentando e o caso ganhou destaque na imprensa baiana. Enquanto isso, a Prefeitura usava de força policial para demolir as casas improvisadas, que a comunidade insistia em reconstruir. Diante da resistência dos moradores, a Prefeitura partiu para a negociação, quando conseguiu transferi-los para uma área em Coutos, a Malvinas de Coutos. Naturalmente, depois de perceber que foram ludibriados e que o local não correspondia com o da ocupação inicial por ser um local de difícil acesso, a maioria dos moradores saiu de lá e voltou a ocupar a mesma área de antes, em 1986. Mais uma vez houve o uso da força policial e derrubadas, mas o governo de Waldir Pires interveio para que o conflito cessasse, enfim. Os moradores foram cadastrados e foi elaborado um projeto para o bairro, que não chegou a concretizar-se. Com o término das derrubadas, o bairro estabilizou-se e cresceu.

Na década de 1990, as primeiras reivindicações populares começaram a ser atendidas, dando ao local características de bairro: instalação de telefones públicos, transporte coletivo, rede de energia elétrica, implantação de uma escola e um posto de saúde. Em 1992, entidades ligadas à Igreja Católica, que acompanharam o processo de ocupação, sugeriram um plebiscito para a mudança do nome do bairro, que passou a se chamar: Bairro da Paz.

De acordo com o IBGE, em 1991, havia 11.241 habitantes; em 1996, esse número pulou para 40 mil e, hoje, há cerca de 65 mil habitantes no bairro. Ou seja: nos dez anos seguintes a re-ocupação, o número de moradores aumentou em mais de 300%, enquanto, de 1996 até hoje, o aumento foi de 62,5%. Em 1996, o bairro foi ligado ao abastecimento de água potável pela Embasa. Nessa época, lá já havia luz elétrica. O título de posse foi entregue aos moradores no segundo mandato do prefeito Antônio Imbassahy.

Vida comunitária[editar | editar código-fonte]

Devido à sua história de luta pela terra,[3] a comunidade do Bairro da Paz é bastante unida e tem uma das associações de moradores mais ativas da cidade. A construção de cada equipamento do bairro foi conseguida mediante pressão sobre as autoridades, manifestações dos moradores na Câmara Municipal e até barricadas na avenida Paralela. Hoje há cooperativas, grupos culturais diversos, escolas e pequenos cursos que pululam no bairro.

A princípio, basicamente povoado por imigrantes de origem rural, hoje esses primeiros habitantes convivem com uma juventude tipicamente urbana, o que envolve a coexistência de diferentes culturas.[2]

Referências

  1. http://www.desenvolvimentourbano.salvador.ba.gov.br/lei7400_pddu/conteudo/anexos/anexo_3_mapas/A0/mapa_09.pdf
  2. a b Bairro da Paz
  3. Bairro da Paz: da resitência à sobrevivência. Por Marcelo Amorim Correia e Creuza Santos Lage. Anais do X Encontro de Geógrafos da América Latina. Universidade de São Paulo, 20 a 26 de março de 2005.