Cabula (Salvador)

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Cabula
—  Bairro do Brasil  —
Rua Silveira Martins, a principal via do bairro.
Rua Silveira Martins, a principal via do bairro.
Localização do Cabula em Salvador.
Localização do Cabula em Salvador.
Região administrativa Região Cabula, RA XI
 - IDH Faixa entre 0,851 e 0,900[1]
Limites Retiro (norte), Pernambués (sul e leste), Pau Miúdo (oeste).
Fonte: Não disponível

O Cabula é um bairro da região administrativa XI de Salvador, na Bahia, no Brasil. Originalmente, o bairro era uma área de produção agrícola. A partir dos anos 1970, surgiram diversos condomínios residenciais. Situado no centro da península soteropolitana, o Cabula encontra-se à leste da rodovia Salvador - Feira de Santana, chamada de "Acesso Norte". É próximo de bairros como a Vila Laura, Pernambués, Saboeiro, Imbuí, São Gonçalo, Engomadeira, Mata Escura, Narandiba, Tancredo Neves e Cabula 6. O acesso ao bairro se dá principalmente pela Avenida ACM na Rótula do Abacaxi, pelo bairro Saboeiro através da Avenida Paralela e por Narandiba pela Avenida Edgar Santos.

Ao passar dos anos, o bairro passou a ser basicamente composto pela classe média, a partir do surgimento de muitos condomínios de casas e edifícios. O gabarito das edificações é variado, com casas de 1 e 2 pavimentos, prédios de 4 pavimentos, na maioria dos condomínios, até os recentes edifícios que têm entre 10 e 21 pavimentos. O Horto Bela Vista, empreendimento que está surgindo no bairro, contará com edificações de cerca de 34 pavimentos, além de Shopping Bela Vista Salvador e outra unidade do Colégio Anchieta. O bairro do Cabula dota de uma gama diversificada de serviços, como lojas diversas, shoppings de portes variados, espaços para eventos, escolas públicas e particulares, clínicas, bares e restaurantes. Além disso, ainda existem muitas áreas verdes no bairro.

No bairro, encontra-se um dos maiores hospitais públicos de Salvador: o Hospital Geral Roberto Santos. A Universidade do Estado da Bahia e a Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública são os principais exemplos de instituições de ensino superior presentes no bairro. O Centro Educacional Vitória Régia e O Colégio Regate/São Lázaro são os principais colégios particulares. Há diversos colégios públicos: como exemplo, temos o Polivalente do Cabula. Há também grandes unidades de empresas de diversos ramos, como a Vivo, a Oi e a Embasa. Também se encontra, no Cabula, o 19º Batalhão de Caçadores, conhecido por 19 BC, pertencente à Sexta Região Militar.

Como outros bairros de Salvador, algumas áreas foram invadidas e passam a ser ocupadas sem planejamento, com pouca infraestrutura. Essas áreas são, principalmente, locais que eram, há poucos anos atrás, matas. Há um registro de localidade com essas características, próximo às Escolas da Rede Pública, Francisco da Conceição Menezes e Governador Roberto Santos. A localidade é chamada de Timbalada. Uma característica importante do bairro é a de estar próximo a diversas localidades importantes da cidade, pois se situa no centro da península. Em poucos minutos, de carro ou de ônibus, pode-se chegar ao Caminho das Árvores e à região do Iguatemi, à Cidade Baixa, à BR, ao Bonocô e à Paralela.

Atualmente, o bairro se encontra entre os sete mais procurados para morar em Salvador, que são Costa Azul, Pituba, Brotas, Paralela, Cabula (ocupando a quinta posição), Imbuí e Itaigara. A pesquisa foi realizada pela Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi-BA), divulgada no Jornal Correio - O que a Bahia quer saber. A real delimitação do bairro do Cabula, e de outros de Salvador, se encontra no livro Caminho das Águas, presente também na Internet. Quanto aos bairros constituintes da Região Administrativa XI, as informações são encontradas no site do Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano de Salvador.[carece de fontes?]

O bairro do Cabula pertence, dentre as 18 regiões de Salvador, à Região Administrativa XI (onze), cujo nome também é Cabula. Algumas pessoas acham que existem vários Cabulas, como vemos em outros locais de Salvador, como Cajazeiras e Alphaville. De fato, existe Cabula e Cabula 6, como bairros. O Cabula 6 é um bairro independente e não pertence à Região Administrativa XI (Cabula), e sim à Região Admininstrativa XII, chamada de Tancredo Neves. A região administrativa XI, Cabula, contém os bairros do Cabula, Resgate, Pernambués, Saramandaia, Narandiba, Doron, Saboeiro e São Gonçalo.

História[editar | editar código-fonte]

Igreja no Cabula
Recanto do Cabula
Praça no bairro
Entrada da Rua Nossa Senhora do Resgate

Povoamento[editar | editar código-fonte]

A área foi povoada por negros, sobretudo de origem congo e angola, que tocavam e dançavam o kabula, ritmo quicongo religioso que deu origem ao nome do bairro.

Na década de 1790, havia, ali, terreiros e sacerdotes quicongos famosos do candomblé, mais conhecidos como "zeladores de nkisi" (força mágica, divindade)". Entre eles, uma sacerdotisa de prestígio, Nicácia, que foi presa, a mando do então governador da Bahia, por exercer suas funções sacerdotais: "... o conde da Ponte (João de Saldanha da Gama Melo Torres Guedes Brito) saiu de seus cuidados e mandou prendê-la por estar exercendo suas funções sacerdotais. Nicácia, que era aleijada, foi presa e trazida do Cabula, com grande acompanhamento, para a então chefatura de polícia, no Centro da cidade, exposta ao escárnio público. Nicácia faleceu em 14 de março de 1807".

Mais tarde, vieram os nagôs, que, aos poucos, foram se alojando. O terreiro mais antigo do local, o Ilê Axé Opô Afonjá, foi fundado e plantado em 1910 por Obá Biyi (Eugênia Ana dos Santos, Mãe Aninha).

Laranja-da-baía[editar | editar código-fonte]

A área do bairro já foi ocupada por chácaras produtoras de laranja-da-baía - também chamada "laranja de umbigo", em razão do apêndice polposo característico dessa subespécie, surgida na década de 1810. O fruto não tem semente, reproduzindo-se assexuadamente através de mudas e enxertia.

Originária do Cabula,[2] a laranja de umbigo foi, posteriormente, levada para a Califórnia.[3] Em 1873, técnicos em citricultura de Riverside, na Califórnia, receberam 3 mudas de laranja-da-baía. Assim, a variedade se espalhou pelos Estados Unidos e outras partes do mundo, com o nome de Washington Navel.[4]

A praga que destruiu os laranjais entre 1940 e início dos anos 1950 e a expansão horizontal da cidade foram fundamentais para a transformação do uso do solo no Cabula. As antigas chácaras foram sendo vendidas ou parceladas. Na década de 1970, a urbanização avança sobre as extensas áreas verdes do bairro, ligadas por vários caminhos chamados de "estradas do Cabula" que permanecem ainda hoje: Ladeira do Cabula, entre outras.[5]

A mata do Cascão, área arborizada da represa[editar | editar código-fonte]

O bairro abriga, ainda, um dos últimos remanescentes de Mata Atlântica da cidade. Trata-se de área pertencente à União (Exército Brasileiro) - a "Mata do Cascão" -, situada nos fundos do quartel do 19º Batalhão de Caçadores.[6] [7] A área da antiga Fazenda Cascão, de 137 hectares,[8] confina com a Avenida Paralela. É contornada por muros e o acesso é controlado. As trilhas, antes eram percorridas somente pelos soldados em treinamento, podem ser utilizadas por visitantes e pesquisadores, mediante autorização do comando do 19° BC.

Apesar da presença de espécies exóticas, como jaqueira e mangueira, a mata está em regeneração, o que pode ser notado pela presença de espécies nativas como pau-pombo, matataúba,[9] pau-paraíba, janaúba, ingá, jenipapeiro, sucupira, pindaíba.

A densa vegetação protege as nascentes do rio Cascão, que alimenta um reservatório de 4.400 metros quadrados de espelho-d'água, construído entre 1905 e 1907, pelo engenheiro Teodoro Sampaio. Todavia o corpo d'água, antes límpido, foi contaminado nos últimos anos por esgotos domésticos, lançados diretamente no rio Cascão (ou rio das Pedras), oriundos de condomínios residenciais e invasões instaladas nas vizinhanças.[10] Em razão disso, a pesca e o banho foram proibidos.[11]

Economia[editar | editar código-fonte]

O bairro é próximo a um dos maiores centros comerciais e de serviços de Salvador, a Estrada das Barreiras. O Cabula é predominantemente residencial, mas apresenta, em boa escala, os setores comerciais e institucionais, de pequeno e de grande porte. Atualmente, no Cabula, encontra-se um dos maiores Shopping Centers da cidade, o Shopping Bela Vista Salvador.

Referências

  1. http://www.saude.salvador.ba.gov.br/arquivos/astec/PMS_final.pdf
  2. Potencialidade do Submédio São Francisco para citricultura, por Orlando Passos et al. p.3.
  3. BioMania. Laranja
  4. A História da laranja
  5. O acelerado crescimento dos bairros populares na cidade de Salvador-Bahia e alguns dos seus principais impactos ambientais: o caso do Cabula, geograficamente estratégico para a cidade, por Maria Emília Rodrigues Regina e Rosali Braga Fernandes.
  6. Caracterização Ambiental do Remanescente de Mata Atlântica do 19º BC, Cabula, Salvador, Bahia
  7. Beleza escondida na cidade, por Cláudia Oliveira. Matéria originalmente publicada em A Tarde, 10 de janeiro de 2006 .
  8. Lei nº 2.087 de 10 de dezembro de 1964. Autoriza o Poder Executivo a doar à União os terrenos da Fazenda Cascão e da Chácara Narandiba.
    Decreto nº 82.087, de 7 de Agosto de 1978. Autoriza o Serviço do Patrimônio da União a promover a aceitação da doação dos terrenos denominados Fazenda Cascão e Chácara Narandiba.
  9. Matataúba (Didymopanax morototo)
  10. A Dinâmica ambiental verificada no bairro do Imbuí, Salvador, por Antonio Leonardo Guimarães de Mello e Dária Maria Cardoso Nascimento.
  11. 19º BC é reduto de mata na Paralela, por Maiza de Andrade. A Tarde, 21 de setembro de 2008.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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