Captopril

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Captopril
Alerta sobre risco à saúde
Captopril.svg
Captopril structural formulae v.1.png
Nome IUPAC Ácido (2S)-1-[(2S)-2-metil-3-sulfanilpropanoil]
pirrolidino-2-carboxílico
Identificadores
Número CAS 62571-86-2
PubChem 44093
DrugBank APRD00164
ChemSpider 40130
Código ATC C09AA01
DCB n° 01699
Primeiro nome comercial ou de referência Capoten
Propriedades
Fórmula química C9H15NO3S
Massa molar 217.27 g mol-1
Aparência pó cristalino branco ou quase branco[1]
Ponto de fusão

104–108 °C [2]

Solubilidade em água moderadamente solúvel (100 g·l-1 a 20 °C)[2]
Farmacologia
Biodisponibilidade 70–75%
Via(s) de administração via oral
Meia-vida biológica 1,9 h
Riscos associados
Frases R R43, R63
Frases S S36/37
Compostos relacionados
Aminoácidos relacionados Prolina (ácido pirrolidino-2-carboxílico)
Exceto onde denotado, os dados referem-se a
materiais sob condições normais de temperatura e pressão

Referências e avisos gerais sobre esta caixa.
Alerta sobre risco à saúde.

Captopril[3] é um fármaco do tipo IECA, inibidor da enzima conversora da angiotensina I (ECA I).[4] Sua principal indicação é para tratamento de hipertensão arterial e alguns casos de insuficiência cardíaca.[5]

Foi o primeiro inibidor da ECA a entrar no comércio, é um potente inibidor da ECA com Ki de 1,7 nM.[6] É o único inibidor da ECA aprovado para uso nos Estados Unidos da América que contém um grupo sulfidrilo.[6]

Origem[editar | editar código-fonte]

Sérgio Henrique Ferreira, que, juntamente com seus colaboradores, isolou, na década de 1960, do veneno da Bothrops jararaca, um princípio ativo capaz de intensificar a resposta à bradicinina e que foi denominado FPB (fator potenciador da bradicinina). A partir do veneno da jararaca, Sérgio Ferreira chegou a uma substância capaz de inibir os agentes naturais do organismo que elevam a pressão arterial, chamados angiotensina 1 e 2, ao mesmo tempo em que prolongam o efeito de uma molécula que mantém a pressão baixa, a bradicinina.[7]

Mecanismo de ação[editar | editar código-fonte]

O captopril é um inibidor da ECA - enzima conversora da angiotensina, impedindo a angiotensina I de ser convertida em angiotensina II, que causa a vasodilatação e nunca contração, uma vez que há uma maior expansão torácica para a passagem eficaz do sangue. Os efeitos benéficos do captopril na hipertensão e na insuficiência cardíaca parecem resultar principalmente da supressão do sistema renina-angiotensina-aldosterona, resultando em concentrações séricas diminuídas de angiotensina II e aldosterona. Entretanto, não há uma correlação consistente entre os níveis da renina e a resposta à droga. A redução da angiotensina II leva a uma secreção diminuída de aldosterona e, como resultado, podem ocorrer pequenos aumentos de potássio sérico, juntamente com perda de sódio e fluidos.

Farmacocinética[editar | editar código-fonte]

Administrado por via oral, o captopril é absorvido rapidamente e tem biodisponibilidade de cerca de 75%.[6] As concentrações plasmáticas máximas ocorrem em 1 hora e o fármaco é depurado de forma eficaz.[6] Grande parte do fármaco é eliminada na urina: de 40 a 50% na forma de captopril e o que sobrou como dímeros de dissulfeto de captopril-cisteína.[6] As dose aplicadas na clínica médica de captopril variam de 6,25 – 150 mg de 2 a 3 vezes ao dia, sendo as doses de 6,25 mg 3x/dia e 25 mg 2x/dia apropriadas para o início da terapia para insuficiência cardíaca e a hipertensão, respectivamente.[6] Doses diárias superiores a 150 mg, não são recomendadas.[6] O alimento diminui a biodisponibilidade oral do captopril em 25-30%, e o fármaco deve ser administrado uma hora antes das refeições.[6]

Interações medicamentosas[editar | editar código-fonte]

Estudos afirmam que o captopril pode perder até 80% da sua eficácia e biodisponibilidade se administrados concomitantemente com outros medicamentos ou alimentos. Ao contrário de alguns fármacos que têm a sua absorção diminuída mas não comprometida pela administração conjunta com outras substâncias, o captopril deve ser ingerido sem nenhuma associação para evitar perda da sua eficácia ou aumento de seus efeitos adversos. Recomenda-se um intervalo 1 a 2 horas para se administrar o captopril.

Efeitos adversos[editar | editar código-fonte]

Um dos efeitos adversos mais comuns é a tosse. Mas o mais temível, devido ao seu grupo sulfidrilo, é o (aportuguêsbr) síndrome lúpico do tipo lupus eritematoso. Este efeito colateral fez com que o medicamento fosse abandonado quando surgiu o enalapril apesar de ser usado sobretudo para ensaios clínicos na medida em que foi o primeiro IECA a ser descoberto e serve de referência. O segundo IECA a ser descoberto foi o enalapril que já não possui o grupo sulfidrilo. Além disso o enalapril necessita de uma única toma diária enquanto o captopril necessita de três devido à sua semi-vida mais curta. A tosse é ocasionada devido a uma enzima análoga à ECA ( enzima conversora de angiotensina ) que é a responsável pela degradação de bradicinina no trato respiratório. Com isso, os níveis de bradicinina aumentam e provocam o sintoma da tosse mediada pelo captopril. Apesar das suas inconveniências e de haver novos IECAs cada vez melhores alguns médicos ainda prescrevem o captopril. Este tipo de medicamentos actua de modo indirecto para baixar a hipertensão, através do bloqueio da formação de angiotensina, o que os torna impróprios para uso sub-lingual nas crises hipertensivas.

Efeitos colaterais[editar | editar código-fonte]

  • Tosse: Com o bloqueio da ECA há liberação de bradicinina, relacionada a fenômenos alérgicos, podendo gerar tosse no paciente. Esse tipo de tosse é ocasionada devido a uma enzima análoga à ECA que é a responsável pela degradação de bradicinina no trato respiratório. Com isso, os níveis de bradicinina aumentam e provocam o sintoma da tosse mediada por captopril.
  • Hipotensão: Principalmente em pacientes com insuficiência ventricular esquerda e fração de ejeção diminuída
  • Redução da função renal quando essa já está comprometida anteriormente

Nomes comerciais[editar | editar código-fonte]

Notas e referências

  1. Farmacopeia Portuguesa VII
  2. a b Sicherheitsdatenblatt Sigma-Aldrich.
  3. n° da Denominação Comum Brasileira 01699
  4. P.R. Vade-mécum ABIMIP 2006/2007
  5. Infarmed. Prontuário Farmacêutico da Infarmed. Acesso em 13 de janeiro de 2010
  6. a b c d e f g h Goodman & Gilman. As bases farmacológicas da terapêutica. [tradução da 10. ed. original, Carla de Melo Vorsatz. et al] Rio de Janeiro: McGraw-Hill, 2005.
  7. [1]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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