Fernando Prestes

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Município de Fernando Prestes
"Cidade que o amor criou"
Bandeira de Fernando Prestes
Brasão de Fernando Prestes
Bandeira Brasão
Hino
Aniversário 5 de julho
Fundação 29 de dezembro de 1914 (99 anos)
Gentílico fernando-prestense
Prefeito(a) Bento Luchetti Júnior (PSDB)
(2009–2012)
Localização
Localização de Fernando Prestes
Localização de Fernando Prestes em São Paulo
Fernando Prestes está localizado em: Brasil
Fernando Prestes
Localização de Fernando Prestes no Brasil
21° 15' 50" S 48° 41' 06" O21° 15' 50" S 48° 41' 06" O
Unidade federativa  São Paulo
Mesorregião Ribeirão Preto IBGE/2008[1]
Microrregião Jaboticabal IBGE/2008[1]
Municípios limítrofes (Norte) Ariranha e Monte Alto(Sul); Aparecida do Monte Alto (Sudeste); Taquaritinga; (Leste)Cândido Rodrigues; (Oeste) Santa Adélia e (Noroeste) Itápolis.
Distância até a capital 383 km
Características geográficas
Área 170,112 km² [2]
População 5 534 hab. Censo IBGE/2010[3]
Densidade 32,53 hab./km²
Altitude 545 m
Clima tropical Aw
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,776 alto PNUD/2000[4]
PIB R$ 82 267,162 mil IBGE/2008[5]
PIB per capita R$ 15 440,53 IBGE/2008[5]
Página oficial

Fernando Prestes é um município brasileiro do estado de São Paulo. Tem uma população de 5.534 habitantes (IBGE/2010). Pertence a Microrregião de Jaboticabal e a Região Administrativa Central. O município possui um distrito, Agulha.

História[editar | editar código-fonte]

Origem do Povoado[editar | editar código-fonte]

Parte do atual município pertencia a Sesmaria Capa-Preta da família Castilho. Com a transferência da Corte Portuguesa para o Brasil em 1808 a família Castilho chegou ao país. Manuel Francisco de Castilho, casado a nobre portuguesa D. Maria Francisca de Jesus, vivia da criação de gado no Piauí. Vindo a falecer Manuel, a viúva D. Maria Francisca e seus filhos foram para a Corte do Rio de Janeiro. Chegando, fez-se amiga da Imperatriz D. Leopoldina e ama de leite de D. Pedro II. O fato comoveu o Imperador D. Pedro I que em reconhecimento a presenteou com uma sesmaria (carta lavrada aos 7 de maio de 1825) cujas terras abrangiam imensos horizontes, do qual fazia parte o atual município.

D. Maria Francisca, alcunhada de Capa-Preta, deve essa alcunha ao fato de trajar, habitualmente, uma luxuosa capa preta, provavelmente recebida de presente da corte. Os seus descendentes são conhecidos ainda hoje como os "Castilhos Capa-Preta" em todas as regiões onde se estabeleceram nos estados de São Paulo e Mato Grosso. José Francisco de Castilho, irmão de leite de D. Pedro faleceu em companhia do filho às margens do Ribeirão dos Porcos. Os restos mortais de D. Maria Francisca descansam no Cemitério de Ururaí, distrito de Santa Adélia.

Mais tarde, a família Mendes adquiriu terras compreendendo em lotes que teriam pertencido a Sesmaria. Em fins do século XIX, as terras foram divididas conforme sentença homologada em 16 de maio de 1898, entre 65 condôminos, a citar alguns: Anna Flauzina de Jesus, Francisco Salles de Almeida Leite, Francisco José Ferraz, Francisco Thomaz Villela, Francisco da Cunha Villela, Honório Alves da Cunha, Joaquim Leonel Ferraz, Dr. Luiz Santos Dumont (irmão de Alberto Santos Dumont), Leonel José Ferraz, Marcos Villela Louzada.

Povoação[editar | editar código-fonte]

Embora a Fazenda Mendes tivesse sido dividida judicialmente no ano de 1898, algumas famílias teriam se fixado na região antes da partilha.

Leonel José Ferraz, vindo da cidade de São Carlos, estado de São Paulo, fixou-se em Aparecida do Monte Alto atraído pela grande quantidade de madeira existente em nossa região, adquiriu terras à margem do Ribeirão dos Mendes, construiu então, neste local a primeira habitação de madeira. Leonel denominou estas plagas de “Matão”, devido à exuberância de verde. Seduzidas pela atividade da madeira, as pessoas que para cá se dirigiam referiam-se à região como “Matão do Leonel”.

A partir de então, atraídos por motivos econômicos, desbravadores adquiriram propriedades aqui se estabeleceram, considerados como fundadores do município. Em 1894, Francisco Salles de Almeida Leite adquiriu terras iniciando a primeira lavoura de café. Por volta de 1903, o italiano José Agustoni adquiriu terras onde hoje localiza-se a sede do município, trabalhando no transporte de cargas e passageiros e no comércio. No ano de 1904, o comerciante Júlio Freitas da Silva e o madeireiro Joaquim Gorgulho estabeleceram-se no município, assim como Giácomo Pedrassoli, cafeicultor que instalou as primeiras máquinas de beneficiamento de café e arroz.

Em 1909, chegou ao povoado os trilhos da Estrada de Ferro Araraquara, funcionando como principal meio de escoamento da produção agrícola do "Matão do Leonel" que passou a chamar-se Fernando Prestes em homenagem ao Coronel Fernando Prestes de Albuquerque, por sugestão de Francisco Salles de Almeida Leite.

Imigrantes[editar | editar código-fonte]

O processo migratório exerceu importante influência na formação do país. Com a ascensão da lavoura de café, associada a fertilidade das terras fernando-prestenses, muitas famílias fixaram-se na região, contribuindo em vários setores da economia do município, principalmente os italianos na agricultura, portugueses na agricultura e comércio, sírios-libaneses no comércio. Entre muitas famílias, citam-se algumas.

  • Italianas: Agustoni, Bailo, Bertolin, Brambilla, Di Foggi, Estruzani, Marini, Mochetti, Pastori, Ravazzi, Vila, Zampieri.
  • Portuguesas: Antônio, Faim, Freitas, Jacinto, Jesus, Martins, Mendes, Pires, Ribeiro, Silva, Teixeira, Tomé.
  • Espanholas: Campos, Contrera, Gomes, Hernandes, Marin, Palma, Ruiz, Sanches, Thebar.
  • Sírio-Libanesas: Abissamra, Abrão, Aftimus, Farhat, Mussi, Nasr, Safadi, Simão, Tayar.
  • Japonesas: Aguena, Murakami.
  • Outras Nacionalidades: Bacconi (França), Gribl e Pal (Iugoslávia), Hurna e Novisch (Áustria), Morini (Argentina) e Victoriano (Romênia).

Os dados das famílias são constante dos prontuários de recadastramento de imigrantes realizado por ocasião da II Guerra Mundial, obtido junto a Delegacia de Polícia de Fernando Prestes, conforme nota do livro "Cidade Fernando Prestes - resgaste de sua memória".

Distrito de Paz[editar | editar código-fonte]

Com o desenvolvimento, o povoado passou a ter relevância nos contextos político, social, histórico e geográfico do estado, motivo pelo qual em 29 de dezembro de 1914, foi criado o Distrito de Paz de Fernando Prestes, no município de Monte Alto e Comarca de Jaboticabal. Nesse sentido, passou a ter mais autonomia, sendo criado o cargo de sub-prefeito.

Emancipação Política[editar | editar código-fonte]

Na década de 30, os ideais de liberdade começavam a ecoar e a comunidade começou a se organizar politicamente dando ensejo a criação de partidos políticos. Juntamente com os políticos locais, trabalharam pela emancipação os deputados Bento de Abreu Sampaio Vidal, Bento de Abreu Sampaio Vidal Filho, Leonel Benevides de Rezende e o Sr. Odorico Magalhães. Pelo decreto 7.354 de 5 de julho de 1935, foi criado o município de Fernando Prestes pelo então Governador Doutor Armando de Salles Oliveira.

Símbolos Municipais[editar | editar código-fonte]

Brasão de Armas[editar | editar código-fonte]

Conformação: escudo português, lembrança da raça colonizadora. Três campos divididos por um coração com os dizeres "A cidade que o amor criou". Primeiro campo simboliza a pureza e apresenta as riquezas do município: laranja, limão e tomate. Segundo campo simboliza a paz e apresenta ramos de cana-de-açúcar, cultura economicamente importante. Terceiro campo simboliza o trabalho humilde e apresenta água como símbolo da vasta rede hidrográfica. O escudo é encimado pela "Coroa Mural" em ouro, de cinco tores, três completas e duas em perspectiva. Como suporte um ramo de café frutificado, representando a riqueza do município do Estado e da Pátria.

Bandeira[editar | editar código-fonte]

Conformação: retângulos "Verde Santa Catarina" dividido por uma Cruz Latina (conforme decreto, entretanto é uma cruz heráldica) branca, tendo ao centro o Brasão de Armas. Em primeiro plano, de cor "Verde de Santa Catarina", que domina todo o retângulo da bandeira, tem por significado as culturas agrícolas desenvolvidas, predominantemente a cítrica e a canavieira. Em segundo plano, uma cruz, símbolo da fé cristã dos doadores das terras do município e da unidade da nação que nasceu sob o signo da Cruz (com o nome de Terra de Santa Cruz). Em terceiro plano o Brasão de Armas, lembrando que o município vive em paz, alicerçada pelo trabalho e progresso.

Geografia[editar | editar código-fonte]

Panorama montado através de fotos tiradas da Paróquia Santa Luiza, em Fernando Prestes

Localização[editar | editar código-fonte]

  • Localiza-se à noroeste do estado e a nordeste da capital (São Paulo)
  • 21º 15' 52" de latitude Sul e 48º 41' 07" de longitude oeste de Greenwich.
  • 517 metros acima do nível do mar.
  • Área de 174 km², representando 0,07% da área do estado de São Paulo.
  • Distância até a capital de 383 km.

Limites[editar | editar código-fonte]

Clima[editar | editar código-fonte]

Em razão das características tropicais, influenciado principalmente pela altitude e continentalidade, o clima é classificado como quente com inverno seco.

  • A média térmica anual é de 22,7°C.
  • Umidade relativa do ar de 69%.
  • Pluviosidade média de 126,3 mm anuais.
  • Evaporação média é de 123,8 mm.
  • Insolação média é de 208,3 horas.

Topografia[editar | editar código-fonte]

O relevo integra o Planalto Meridional, de rochas de arenito basáltico, sendo encontradas áreas de sedimentação arenosa. Particularmente, Fernando Prestes é uma planície levemente ondulada, incrustada entre as serras do Itaimbé (664 metros de altitude) e de Jaboticabal (720 metros de altitude). Na sede do Município, nota-se a presença de um vale percorrido pelo Ribeirão dos Mendes, às margens do qual surgem as colinas que o definem.

Vegetação[editar | editar código-fonte]

Nos tempos do povoamento dominavam grandes florestas tropicais e madeiras de lei, como peroba, cedro, ipê, cabreúva e aroeira. Pouco resta da paisagem primitiva, hoje substituída pelos campos de cultura e pastagens. Em 1980, havia cerca de 25 hectares de mata natural, das quais grande parte encontra-se na Serra do Itaimbé.

Hidrografia[editar | editar código-fonte]

O Ribeirão dos Mendes é o único curso d'água que atravessa o município. Fazem parte da rede hidrográfica do município os córregos Palmeiras, do Cunha, da Agulha, da Prata, da Lagoa, da Limeira, Areias, da Divisa, Tanque, São José, Gaspar, Olho D'Água, Congonha, Pastore, Santa Mariana e Borghi, integrados à Bacia Hidrográfica do Médio Tietê Inferior e a Bacia Hidrográfica do Turvo. Ainda integram a rede hidrográfica os ribeirões da Onça (Rio da Onça) e dos Porcos (Rio dos Porcos), por servirem de limites entre municípios e devido ao seu médio volume de água.

População[editar | editar código-fonte]

Censo (1920-1980)[editar | editar código-fonte]

O primeiro recenseamento realizado em Fernando Prestes pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE ocorreu em 1920, apontou uma população no município e distrito de 7.363 habitantes, sendo 3.976 do sexo masculino e 3.387 do sexo feminino, com densidade populacional de 42,41 habitantes por km².

  • 1940: 5.135 habitantes
  • 1950: 3.608 habitantes
  • 1960: 4.840 habitantes
  • 1970: 3.175 habitantes
  • 1980: 4.412 habitantes

Censo (2010)[editar | editar código-fonte]

População Total: 5.534 habitantes

  • Urbana: 4.689 habitantes
  • Rural: 836 habitantes
  • Homens: 2.726 habitantes
  • Mulheres: 2.808 habitantes

Densidade demográfica: 32,43 habitantes/km²

Índice de Desenvolvimento Humano (IDH-M): 0,758

Religião

Política[editar | editar código-fonte]

Primeiras Nomeações[editar | editar código-fonte]

Após a criação do município e sua instalação em agosto de 1935, assumiu interinamente (agosto a outubro de 1935) o cargo de prefeito o Sr. Benedicto Regis, por indicação dos políticos locais, Srs. Raphael Di Foggi, João Marcolongo e Lauro Ricoy. Sob fortes pressões oposicionistas, Sr. Benedicto Regis demite-se. O Governador Dr. Armando de Salles Oliveira nomeia no mesmo ano Sr. Accácio da Silva Camargo para o cargo de Prefeito Municipal. Após eleições em maio de 1936 é instalada a Câmara Municipal de Fernando Prestes com 7 vereadores.

Era Vargas[editar | editar código-fonte]

Com o golpe de estado de Getúlio Vargas em 1937 e implantação do Estado Novo, ocorreu o fechamento do Congresso Nacional, Assembleias Estaduais e Câmaras Municipais, sendo os estados governados por interventores, que por sua vez nomeavam os prefeitos municipais.

  • Luiz Di Foggi Netto (17 de setembro de 1938), nomeado pelo interventor Dr. Adhemar Pereira de Barros.
  • Altino Pereira Martins (17 de outubro de 1942), nomeado pelo interventor Dr. Fernando de Souza Costa.

Com a renuncia de Vargas em 1945, por motivos particulares ausentou-se o Sr. Altino Pereira Martins, assumindo interinamente o cargo o Secretário Tesoureiro, Sr. José Padilha de Siqueira Júnior, assumindo em 5 de abril de 1947 o Sr. Pedro Frare por ato do governador. Em junho de 1947, é nomeado o Sr. Cândido Pinto de Mendonça.

Eleições Municipais[editar | editar código-fonte]

Em 9 de novembro de 1947 realizou-se por sufrágio direto e secreto, eleições municipais, sendo eleito como prefeito o Sr. José Pedrassoli e para vereadores Antonio da Costa Camargo, Benedito Agustoni, Corina Rosa Donnini (primeira mulher), Edmundo Mussi, Emílio Belini, Guido Malacrida, João Baesso, José Tebar, José Vergani, Nali Abissamra e Pedro Frase, empossados em 1 de janeiro de 1948.

Galeria de Prefeitos[editar | editar código-fonte]

  • José Vergani (1952).
  • Edmundo Mussi (1956).
  • Jayme Ribeiro Serva (1960).
  • João da Costa Camargo (1964).
  • Vergilio Canalle (1969).
  • Arlindo Remondini (1973).
  • Vergilio Canalle (1977).
  • Arlindo Remondini (1983).
  • Enico Caroni (1989)
  • José Altino Gomes (1993).
  • Sebastião Manoel Machado (1997, 2001).
  • Bento Luchetti Junior (2005, 2009).

Prefeito Atual[editar | editar código-fonte]

  • Prefeito: Rodrigo Ravazzi (PTB).
  • Vice-prefeito: Dr. Geraldo Evandro Zocaratto (PR).
  • Vereadores: Ademir Donizete Mathias, Edson Luiz Vergani, João Carlos da Silva, Joel do Sacramento, Robson Fernando Contrera, Ronaldo Ravazzi Amado, Roque Aparecido Estruzani, Simone Pinehiro de Almeida Machado, Wilson José Vilela.
  1. a b Divisão Territorial do Brasil. Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (1 de julho de 2008). Página visitada em 11 de outubro de 2008.
  2. IBGE (10 out. 2002). Área territorial oficial. Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Página visitada em 5 dez. 2010.
  3. Censo Populacional 2010. Censo Populacional 2010. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (29 de novembro de 2010). Página visitada em 11 de dezembro de 2010.
  4. Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil. Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) (2000). Página visitada em 11 de outubro de 2008.
  5. a b Produto Interno Bruto dos Municípios 2004-2008. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Página visitada em 11 dez. 2010.