Golfinho-pintado-pantropical

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Stenella attenuata 002.jpg

Pantropical spotted dolphin size.svg
Estado de conservação
Status iucn3.1 LC pt.svg
Pouco preocupante (IUCN 3.1)
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Ordem: Cetacea
Subordem: Odontoceti
Família: Delphinidae
Género: Stenella
Espécie: S. attenuata
Nome binomial
Stenella attenuata
(Gray, 1846)
Distribuição geográfica
Cetacea range map Pantropical Spotted Dolphin.PNG

O golfinho-pintado-Pantropical (Stenella attenuata) é uma espécie de golfinho encontrado em todos os oceanos temperados e tropicais do mundo. A espécie estava a começar a ficar sob ameaça devido à morte de milhões de indivíduos em redes de cerco de atum. Na década de 80, o aumento de métodos de captura de atum "amigável-golfinho" salvou milhões de espécies no leste do Oceano Pacífico e é agora uma das espécies de golfinho mais abundante do mundo.

Características diagnosticantes e taxonomia[editar | editar código-fonte]

O golfinho-pintado-Pantropical foi descrito pela primeira vez por John Gray em 1846. É um delfinídeo membro da família Delphinidae e varia significativamente em tamanho e coloração de acordo com a sua distribuição. Atualmente há 2 espécies reconhecidas: Stenella attenuata attenuata em águas tropicais oceânicas e Stenella attenuata graffmani em águas costeiras no tropical leste do Pacífico.

O golfinho-pintado-Pantropical (por vezes chamado de "spotters") assim como outros golfinhos do gênero Stenella, são relativamente pequenos, podendo atingir comprimentos de 2m e pesar cerca de 114kg na idade adulta.

Este golfinho pode ser identificado externamente pelo seu longo bico bem demarcado do melão, corpo esbelto, barbatana dorsal fortemente falcada, e em adultos pontos.

Assim como o golfinho-pintado-do-Atlântico (Stenella frontalis), o golfinho-pintado-Pantropical não tem manchas quando nascem. Essas manchas escuras começam a aparecer na parte ventral dos juvenis grandes. Porém estes são geralmente confundidos com os roazes-corvineiros (Tursiops truncatus). Já em adultos, as manchas ventrais fundem-se e desaparecem tornando a coloração cinza médio. À medida que envelhecem, as manchas ou pintas vão-se acumulando até que o corpo esteja completamente coberto com padrões sobrepostos. As populações de todo o Golfo do México podem ter o corpo, relativamente, sem pontos ou manchas, mesmo na idade adulta.

Os detalhes da coloração variam regionalmente. A população do leste tropical do Pacífico, S. a. graffmani, é extremamente pintada  ao contrário dos animais que rondam o Havaí, que tem por normal manchas.

Golfinho-pintado-Pantropical. Fotografia de Marilia Olio.

O padrão subjacente consiste numa “capa” de coloração cinza escura no dorso que se

estende desde a cabeça até quase a meio corpo entre a barbatana dorsal e os lobos da cauda e por um bico de ponta branca.

A ponta do bico é branco quando adultos e, de um modo geral, é longo e fino. A mandíbula superior e inferior, possuem uma fileira de 34-48 dentes pontiagudos, mas são separadas por "lábios" finos e brancos. O maxilar inferior, garganta e barriga são de brancos a cinza pálido. Os flancos são separados em três faixas distintas de cor - a mais clara na parte inferior, seguida por uma faixa cinza fina no meio do flanco, e cinza escuro na parte traseira. A barbatana dorsal é côncava de altura e de cor uniforme. A coloração da cauda combina com a cor da faixa do meio.

A espécie oceânica (S. a. attenuata) é ligeiramente menor e mais delgada do que a forma costeira e o bico tende a ser mais fino. A mancha dorsal é muito menos densa, e em algumas populações podem ser virtualmente inexistente quando adultos. Após atingirem a maturidade, podem variar entre 1,6 e 2,4m de comprimento, e tendem a pesar um pouco menos do que os costeiros.

A espécie costeira, golfinho-pintado-Pantropical (S. a. graffmani), das águas do leste do Pacífico tropical, é maior e mais robusto com um bico mais espesso do que a forma do golfinho-pintado-Pantropical oceânico.

As manchas têm por hábito ser muito mais extensas em indivíduos de zona costeira. O tamanho varia entre 1,8 e 2,6m de comprimento e podem pesar até pelo menos 119kg.

O golfinho-pintado-Pantropical pode ser confundido no Atlântico tropical com o golfinho-pintado-do-Atlântico (Stenella frontalis), que é a espécie endémica da região, é de tamanho semelhante e pode ser visto na mesma área. Uma característica distintiva de S. frontalis é a diferença na coloração na parte dorsal. Esta é mais clara e com uma entrada “pincelada” na parte inferior da barbatana dorsal, podendo ser quase ausente em alguns indivíduos. A divisão dorso-ventral do pedúnculo presente em S. attenuata está ausente em S. frontalis.

O formato da cabeça, barbatana dorsal e os detalhes padrão de cor vão permitir uma identificação correta. Além do golfinho-pintado-do-Atlântico, o roazes-corvieniros (Tursiops truncatus) e o golfinho corcunda (Sousa spp.), também podem ser confundidos, geralmente devido à coloração da parte ventral. Estes ainda poderão ser distinguidos pelas diferenças de forma e tamanho do corpo. Na verdade, a presença/ausência de manchas ou pintas não é realmente um caráter muito bom para usar como identificação de S. attenuata, visto que a espécie pode variar muito neste padrão. A forma e coloração da capa dorsal é a melhor característica para essa diferenciação.

Estudos genéticos recentes sugerem que o gênero Stenella é parafilético e será reestruturado nos próximos anos. Há ocorrências de indivíduos híbridos entre os golfinhos-pintados-Pantropicais e os golfinhos rotadores (Stenella longirostris) no Arquipélago de Fernando de Noronha, Brasil.

Segundo análises filo-genéticas cladísticas baseadas em citocromo b do DNAmt, o S. attenuata compartilha um clado politómico fortemente relacionado com Stenella clymene e Stenella coeruleoalba que são espécies irmãs, Stenella frontalis, Delphinus spp., e Tursiops aduncus (com a exclusão do Tursiops truncatus). As características do crânio são semelhantes com Stenella frontalis, Tursiops truncatus e Tursiops aduncus versus outra série coerente de espécies compostas de Stenella longirostris, Stenella clymene e Stenella coeruleoalba. No entanto, estes últimos grupos não tem suporte molecular até aos dias de hoje. Algumas das semelhanças podem ser simplesiomórficas – características plesiomórficas compartilhada por 2 ou mais grupos – devido à retenção de características primitivas.

Distribuição e Habitat[editar | editar código-fonte]

Golfinho-pintado-Pantropical - Colômbia. Fotografia de Marilia Olio.

Os golfinhos-pintados-Pantropicais vivem principalmente em águas tropicais e subtropicais, sendo encontrados no Atlântico, Pacífico e Índico. Esta espécie é muitas vezes avistada ao redor de ilhas e há evidências de populações no leste do Pacífico tropical, no oeste do Atlântico Norte, no Golfo do México e em todo o Havaí.

Estes passam a maior parte do dia em águas mais rasas rondando os 90 e 300m de profundidade. À noite mergulham para águas mais profundas de modo a procurar presas. Os locais com maior densidade populacional são as águas mais quentes e pouco profundas. São sustentadas por uma termoclina acentuada em profundidades (menos de 50m), com temperaturas de superfície a mais de 25°C e salinidade inferior a 34.Tendem ainda a concentrar-se onde existe um gradiente de temperatura elevada.

Estas condições prevalecem durante todo o ano na região norte do Equador denominado-se de "Inner Tropical" águas no leste do Pacífico. Ocorrência de golfinhos nesse habitat está aparentemente correlacionada com o forrageamento e comportamento alimentar de muitas espécies.

Stenella attenuata attenuata é pantropical, encontrando-se em todos os oceanos entre cerca de 40°N e 40°S, embora seja muito mais abundante nas porções de menor latitude da sua distribuição. Essa faixa estende-se a alguns mares fechados, como o Mar Vermelho e o Golfo Pérsico, mas não inclui o Mar Mediterrâneo.

Stenella attenuata graffmani é costeiro e é encontrado apenas numa área estreita (<200 km de largura) ao longo da costa da América Latina, do sul do México ao Peru. Alguns dados genéticos recentes sugerem que pode haver várias populações contidas nesta subespécie.

Golfinho-pintado-Pantropical - Colômbia. Fotografia de Marilia Olio.

O mapa mostra onde a espécie pode ocorrer com base em oceanografia. Ainda assim, a espécie não foi registrada para todos os estados dentro da faixa hipotética, como mostra o mapa.

Esta espécie ocupa o primeiro lugar no que toca à abundância entre os cetáceos. Porém, não consegue superar os roaz-corvineiro (Tursiops truncatus) das águas mais profundas do Golfo do México. Encontra-se em segundo lugar no Pacífico tropical oriental e Mar do Sulu, mas está em sexto lugar no Oceano Índico tropical. Estima-se que existem 640 mil golfinhos atualmente no leste do Pacífico tropical. Há uma queda de cerca de 80% de abundância original depois do início da pesca do atum com redes de cerco que começou a matá-los em operações de pesca.

Existem ainda estimativas de abundância para outras regiões: Havaí, cerca de 9000 indivíduos; Japão cerca de 438 mil no início de 1990; norte do Golfo do México, cerca de 34.000; e costa leste dos EUA, cerca de 4400.

O golfinho-pintado-Pantropical está entre os golfinhos mais abundantes no leste tropical do Pacífico e é a principal espécie envolvida na interação atum/golfinho. Pelo menos nos oceanos Pacífico e Índico, há interação entre golfinhos e atum amarelo, golfinhos rotadores, e outros predadores oceânicos; os pescadores aproveitam essa associação para ajudá-los a localizar e capturar  atum com mais eficiência. Estes também estão entre as espécies mais comuns de cetáceos em partes do Atlântico e Índico.

Biologia e Comportamento[editar | editar código-fonte]

Golfinho-pintado-Pantropical. Fotografia de Marilia Olio.

Os golfinhos-pintados-Pantropicais são animais gregários e possuem geralmente grupos de menos de 100 indivíduos, em zonas costeiras. Já para grupos oceânicos este número pode variar de centenas a milhares. A média do grupo no leste tropical do Pacífico é cerca de 120, no oeste tropical do Oceano Índico é cerca de 170, nas Filipinas cerca de 90, e no Golfo do México cerca de 70. A segregação é formada algumas vezes de acordo com a idade, sexo e sazonalidade reprodutiva.

Exibem uma ampla variedade de comportamentos aéreos como acrobacias envolvendo saltos parciais e totais (mas não fazem rotações ou giros como o golfinho rotador, Stenella longirostris e juvenis (identificáveis ​ pela sua falta de manchas) que saltam consideravelmente alto e de modo vertical. São frequentemente vistos a navegar pela  proa de embarcações por longos períodos, principalmente em área onde não são perseguidos. Podem nadar a uma velocidade de pelo menos 22km/h, e efectuar mergulhos de 3-4min de duração que foram registrados por graças a estudos de tempo/profundidade.

A associação entre o golfinho-pintado-Pantropical e o atum de leste do Pacífico oriental é ainda desconhecida, embora se suspeite estar relacionado com a eficiência de forrageamento de alguma forma. Outras razões sugeridas para essa associação envolve a eficiência fisiológica ou proteção contra predadores. Indivíduos imaturos e subadultos (tanto  machos e fêmeas) tendem a formar grupos menores ou juntar-se com grandes grupos de golfinhos rotadores (Stenella longirostris)  que não se associam com o atum.

Os seus predadores incluem a orca (Orcinus orca), tubarões, provavelmente a orca pigmeu (Feresa attenuata), a falsa orca (Pseudorca crassidens) e a baleia piloto de barbatanas curtas (Globicephala macrorhynchus). Alguns parasitas podem causar mortalidade direta ou indireta.

Alimentação[editar | editar código-fonte]

Caçam utilizando a ecolocalização e alimentam-se principalmente de pequenos peixes epipelágicos, lulas e crustáceos. Os peixes voadores são um item importante da dieta em algumas regiões.

No Havaí, o comportamento de mergulho registrado indica que os golfinhos alimentam-se principalmente à noite nos organismos associados à camada pelágica. A dieta no leste do Pacífico sobrepõe-se muito à do atum albacora, Tuna albacares. Já a dieta de indivíduos da zona costeira é desconhecida, mas pode incluir peixes bentónicos maiores e mais resistentes.

Reprodução[editar | editar código-fonte]

O comportamento social para reprodução é desconhecido mas podem ser promíscuo como o golfinho rotador (Stenella longirostris). A gestação é 11,2-11,5 meses. O comprimento da cria quando nasce é de 80-85cm. As fêmeas atingem a maturidade sexual aos 9-11 anos e os machos aos 12-15 anos. O intervalo entre uma cria e outra é de cerca de 2-3 anos, mas varia de acordo com o estado da população. A idade média e comprimento da lactação são de aproximadamente 9 meses e 122cm mas os cuidados maternais podem continuar até 2 anos de idade. A sazonalidade reprodutiva é difusa, com picos múltiplos em algumas regiões.

Ameaças e Interação com humanos[editar | editar código-fonte]

Um elevado índice de mortalidade por pesca para o golfinho-pintado-Pantropical foi registrado pelos atuneiros da década de 50 à década de 80 no leste do Pacífico (embora a subespécie costeira também tenha sido impacta). Uma vez que a interação foi documentada pela primeira vez na década de 60, milhões de golfinhos-pintados-Pantropicais oceânicos morreram nas redes (1959-1972, cerca de três milhões foram mortos).

As capturas diretas e incidentais foram substanciais. Os pescadores de atum procuram agregações de golfinhos-pintados-Pantropicais no leste do tropical do Pacífico de modo a  lançarem  redes sobre estes para capturar  atum. Na década de 60 a abundância da população foi gradualmente reduzida a uma fração do seu tamanho inicial devido à captura incidental de redes de cerco direccionadas para o atum. Mesmo com a redução anual permanente de mortalidade em centenas de indivíduos, a população não se tem recuperado e desenvolvido tão rapidamente como o esperado. A perseguição contínua e a captura na pesca podem ter tido um efeito indirecto na fecundidade ou sobrevivência, ou pode ter havido uma mudança na capacidade de suporte do ecossistema para a espécie. Contudo, acredita-se que a pesca possa ter causado um ligeiro declínio na idade mínima para obtenção da maturidade sexual em fêmeas

A mortalidade atual neste tipo de pesca tem sido muito reduzida ao longo dos anos devido às  modificações no que diz respeito às práticas de pesca, mudanças de frotas, legislação internacional e americana. Algumas preocupações atuais estão focadas sobre os potenciais efeitos de stress relacionado com pesca, e o seu papel na prevenção e recuperação da população.

Entretanto, desde que a Comissão Interamericana do Atum Tropical (CIAT) implementou limites de mortalidade por barcos sobre a frota internacional, a mortalidade anual diminuiu bruscamente.

A pesca dirigida (legal ou ilegal), também existe ou existiu nas Filipinas , Ilhas Laccadive no Oceano Índico , Ilhas Salomão, Indonésia, Taiwan , e Santa Helena no Atlântico Sul. As capturas acessórias também ocorrem com redes de pesca de vários tipos nas Filipinas, Índia, Austrália, oeste do Pacífico Norte, América Central, costa do Peru e Equador e Taiwan. A maioria destas mortes não foram adequadamente monitoradas e os efeitos sobre a população no geral não são conhecidos, sendo assim, os impactos na maioria destas populações não foram avaliados.

O Japão caça estes animais para consumo humano. A captura em 1982 foi de 3.799, e as capturas anuais entre 1994 e 1997 variaram de 23 a 449 indivíduos. Entre 1995 e 2004 , a captura média anual foi de 129 animais.

O golfinho-pintado-Pantropical também é capturado em pescarias de arpão nas Filipinas. Em Taiwan, é a espécie de cetáceo preferida localmente para o consumo humano. É regularmente ou oportunisticamente capturado por rede de emalhar e arpão na Índia e Sri Lanka. Pequenos números de golfinhos e baleias são capturados em inúmeras pescarias de subsistência por todo o mundo, por exemplo, em São Vicente nas Pequenas Antilhas e Lamalera na Indonésia. A maioria destas mortes não foram adequadamente monitorizados e os efeitos sobre as subpopulações não são conhecidos.

Eles têm sido capturado vivos em algumas áreas (por exemplo, Havaí) e alguns indivíduos têm sobrevivido por pouco tempo em cativeiro.

Estatuto de Conservação[editar | editar código-fonte]

Encontra-se listada no Anexo II da CITES.

A estimativa de abundância disponível é de um total mais de 2,5 milhões, e provavelmente ​​grandes populações no Atlântico, Índico e Pacífico não foram avaliadas. Grandes impactos da captura direta e captura acidental em outras regiões não foram identificadas, e é improvável que a população global tenha sido reduzida em 30%. Portanto, a espécie encontra-se com o estatuto de Baixo Risco ("Lower Risk/least concern") na IUCN.

Referências

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  • www.nmfs.noaa.gov
  • www.marinebio.org
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  • Perrin,W., Wursig, B.,

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  • Jefferson, T., Webber, M., &

Pitman, R., (2007) Marine Mammals of the World: A Comprehensive Guide to their Identification . 1st edition

  • Rice, D.,(1998) Marine Mammals of

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