Falsa-orca

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Pseudorca crassidens underwater.JPG

False killer whale size.svg
Estado de conservação
Status none DD.svgDados insuficientes (IUCN 3.1)
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Ordem: Cetacea
Subordem: Odontoceti
Família: Delphinidae
Género: Pseudorca
Reinhardt, 1862
Espécie: P. crassidens
Nome binomial
Pseudorca crassidens
(Owen, 1846)
Distribuição geográfica
Crassidens iucn.jpg

A Falsa-Orca (Pseudorca crassidens) obteve o seu nome devido à sua semelhança com a Orca (Orcinus orca), outro parente da família Delphinidae, também pode ser facilmente confundida com a Baleia-piloto (Globicephala spp). Habita em zonas tropicais e temperadas e alimenta-se de peixe e cefalópodes. A primeira descrição da espécie foi em 1846 por Richard Owen, no livro “A history of British fossil mammals and birds”. É a única espécie do género Pseudorca.

Características diagnosticantes[editar | editar código-fonte]

Possui um corpo alongado e preto com algumas manchas claras na zona da garganta, cabeça ligeiramente arredondada e sem bico, a barbatana dorsal é em forma de foice e arredondada na ponta, as barbatanas peitorais curtas e pontiagudas apresentando uma espécie de “corcunda”, o que lhes atribui um aspecto único, que pode ser utilizado para distinguir de outras espécies semelhantes como as Baleias-piloto.

Existe algum dimorfismo sexual, os machos adultos chegam a medir 6 metros e pesar 1600 kg, enquanto que as fêmeas adultas medem cerca de 5 metros pesando cerca de 800 kg.[1] Nos machos o melão projecta-se mais que nas fêmeas.[2] As crias nascem com cerca de 2 metros.[3] Possuem entre 7 e 12 dentes largos e cónicos em cada maxila melhor adaptados a agarrar e prender do que a mastigar.

Alimentação: Caçam utilizando a ecolocalização e alimentam-se principalmente de peixe e cefalópodes. Contudo, existem relatos de ataques a outros cetáceos.[4] [5]

Distribuição e Habitat[editar | editar código-fonte]

As Falsas-orcas preferem águas fundas de zonas tropicais e temperadas de todos os oceanos com temperaturas entre os 9 e os 31°C. Contudo, preferem águas mais quentes, sendo raros os avistamentos a mais de 50º de latitude nos dois hemisférios.[1] [2] Tipicamente oceânicas muitas vezes aproximam-se da costa de ilhas oceânicas, como é o caso dos Açores. São frequentemente avistadas em mares e baias semifechadas como o mar do Japão, mar vermelho e golfo pérsico e, ocasionalmente, no mar mediterrâneo.[6] Os dados sobre padrões de migração da espécie são escassos.

Biologia e Comportamento[editar | editar código-fonte]

Falsas-orcas ao largo da Ilha do Pico, Açores. Fotografia de Ricardo Fernandes.

São animais gregários, ou seja, vivem em grupos que variam de várias dezenas a centenas de indivíduos de todas as idades e sexos o que leva a crer que aparentemente não existe segregação social. É usual avistarem-se grupos mistos de falsas-orcas e roazes-corvineiros (Tursiops truncatus) a caçar.[2] [3] Esta é a espécie mais comum em arrojamentos em massa, não se sabendo ainda o motivo de tal comportamento.[1] Comunicam através de sons semelhantes aos dos roazes-corvineiros.

Já foi documentado várias vezes um comportamento de partilha de alimento, onde um individuo segura a presa com a boca e os outros indivíduos retiram pedaços dessa presa.[4] O tempo médio de vida é de 58 anos para os machos e 62 anos para as fêmeas.[5]

Reprodução[editar | editar código-fonte]

Os machos atingem a maturidade sexual aos 18 anos, muito depois das fêmeas que o fazem aos 10 anos.

Usualmente nasce apenas uma cria ao fim de um período de gestação de 15 meses, que acompanha a progenitora entre 18 a 24 meses .

Não existem indícios de uma altura do ano preferencial para a reprodução desta espécie.[2] [3] [5]

Falsas-orcas ao largo da Ilha do Pico, Açores. Video de Ricardo Fernandes.

Ameaças[editar | editar código-fonte]

Uma das principais ameaças a esta espécie é a interacção com pescarias, principalmente pela sua tendência para remover o isco e o peixe dos palangres, o que as faz ser atacadas pelos pescadores. No Japão calcula-se que tenham sido mortas mais de 900 falsas-orcas entre 1965 e 1980.[2] São muitas vezes vitimas de "bycatch" de pescarias por palangre ou redes de emalhar dirigidas a peixes que costumam consumir (ex: Atum).

O lixo no oceano também constitui um risco, pois a ingestão de plásticos por serem confundidos com organismos gelatinosos pode, eventualmente, levar à morte dos indivíduos que ficam com o estômago cheio deixando de se alimentar.

Esta espécie, provavelmente, é vulnerável a “ruido” produzido pelos humanos, como os produzidos pelo sonar dos navios.[2] [5] [6]

Estatuto de conservação[editar | editar código-fonte]

Encontra-se listada no Anexo II da CITES.

Em 1996 encontrava-se com o estatuto de Baixo Risco ("Lower Risk/least concern") na IUCN, mas em 2008 passou para Dados Insuficientes ("Data deficient") devido à falta de conhecimento da sua abundância global e da tendência das populações.

Referências

  1. a b c [1], species-identification.org
  2. a b c d e f [2], www.environment.gov.au
  3. a b c [3], www.horta.uac.pt
  4. a b [4],www.nmfs.noaa.gov
  5. a b c d [5],marinebio.org
  6. a b [Taylor, B.L., Baird, R., Barlow, J., Dawson, S.M., Ford, J., Mead, J.G., Notarbartolo di Sciara, G., Wade, P. & Pitman, R.L. 2008. Pseudorca crassidens. In: IUCN 2011. IUCN Red List of Threatened Species. Version 2011.2. <www.iucnredlist.org>. Downloaded on 08 December 2011.],www.iucnredlist.org
  • MEAD, J. G.; BROWNELL, R. L. (2005). Order Cetacea. In: WILSON, D. E.; REEDER, D. M. (Eds.) Mammal Species of the World: A Taxonomic and Geographic Reference. 3ª edição. Baltimore: Johns Hopkins University Press. p. 723-743.
  • [6]
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