Cetáceos

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Como ler uma caixa taxonómicaCetáceos
Cetacea.jpg

Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Infraclasse: Placentalia
Ordem: Cetacea
Brisson, 1762
Subordens
Archaeoceti (extinta)

Mysticeti
Odontoceti

Wikispecies
O Wikispecies tem informações sobre: Cetáceos

Os cetáceos (latim científico: Cetacea) constituem uma ordem de animais marinhos, porém, pertencentes à classe dos mamíferos. O nome da ordem deriva do grego ketos que significa monstro marinho. Os cetáceos estão divididos em duas sub-ordens:

Anatomia[editar | editar código-fonte]

Esqueleto de baleia azul

Tal como todos os mamíferos, os cetáceos respiram ar por pulmões, são de sangue-quente (i.e., endotérmicas) e amamentam os juvenis, mas têm muito poucos pelos.

As adaptações dos cetáceos a um meio completamente aquático são bastante notórias: o corpo é fusiforme, assemelhando-se ao de um peixe. Os membros anteriores, também chamados barbatanas ou nadadeiras, são em forma de remo. A ponta da cauda possui dois lobos horizontais, que proporcionam propulsão por meio de movimentos verticais. Os cetáceos não possuem membros posteriores, alguns pequenos ossos dentro do corpo são o que resta da pélvis.

Debaixo da pele existe uma camada de gordura. Serve como reservatório de energia e também como isolamento. Os cetáceos possuem um coração de quatro cavidades. As vértebras do pescoço estão fundidas na maior parte dos cetáceos, o que fornece estabilidade durante a natação às custas da flexibilidade.

Os cetáceos respiram por meio de espiráculos localizados no topo da cabeça, o que permite ao animal ficar submerso. As baleias sem dentes possuem dois, enquanto que as baleias com dentes apenas têm um espiráculo. Quando respiram, os cetáceos lançam um jacto de água, cuja forma é uma característica que ajuda à sua identificação. O seu sistema respiratório permite-lhes ficar submersos durante muito tempo sem respirar: o cachalote, por exemplo, pode ficar duas horas sem respirar.

Comportamento[editar | editar código-fonte]

Os cetáceos são geralmente classificadas como predadores, embora a sua alimentação possa incluir apenas organismos planctónicos, como nas baleias sem dentes, até grandes peixes.

Como todos os mamíferos, os cetáceos também dormem, mas não podem ficar completamente inconscientes para poderem respirar. A solução para este problema é que apenas um hemisfério do seu cérebro dorme de cada vez. Os cetáceos dormem cerca de oito horas por dia.

Reprodução[editar | editar código-fonte]

Na maioria das baleias a maturidade reprodutiva ocorre tarde. Tipicamente dos sete aos dez anos. Esta estratégia de reprodução faz com que elas tenham poucos filhos(as), combinada com uma alta taxa de sobrevivência.

Os órgãos genitais estão retraídos em cavidades no corpo durante o seu nadar. A maioria dos cetáceos não mantêm parceiros fixos durante o período de acasalamento; em muitas das especies, as fêmeas têm vários companheiros em cada temporada de acasalamento. As mães criam o bebé espremendo ativamente o seu leite gordo na boca das crias. Durante a ejaculação, pode haver despejo de sêmen no mar, sendo de ocorrência normal em períodos de reprodução.

Há registros de cetáceos que se reproduzem de forma a se parecer com peixes , enquanto outros não o fazem. A reprodução entre os cetáceos é rápida, o macho leva cerca de 20 à 30 minutos para ejacular na fêmea (que deve estar em período de cio).

Evolução dos cetáceos[editar | editar código-fonte]

Os cetáceos são descendentes de mamíferos terrestres, provavelmente da ordem Artiodactyla. Eles passaram para a água há cerca de 50 milhões de anos.

Recentemente foram encontrados no Paquistão fósseis de animais terrestres adaptados à vida aquática, e os cientistas acreditam que eles são realmente os ancestrais dos atuais Cetáceos, pois o crânio destes animais só encontra similaridades com os crânios de baleias e golfinhos. Mesmo as baleias desdentadas descendem de animais terrestres.

Os fósseis encontrados são de animais da ordem Artiodactyla, que eram adaptados à corrida mas, para fugir de predadores e buscar mais opções de alimento, adaptaram-se à vida aquática. Um deles, o Pakicetus, assemelhava-se a algo intermediário a um lobo ou uma lontra e alimentava-se de peixes, um outro, o Rodhocetus, possuía cabeça semelhante a das baleias e tinha as patas adaptadas como nadadeiras.

Os cetáceos e os Humanos[editar | editar código-fonte]

Pintura retratando caça as baleias

Conservação[editar | editar código-fonte]

A maioria das espécies de grandes cetáceos estão em perigo de extinção, como resultado da caça à baleia. No entanto, as espécies mais afetadas são as dos golfinho de rio, por causa de alterações nos rios em que vivem.

Caça aos cetáceos[editar | editar código-fonte]

Os cetáceos têm sido objecto de pesca ao longo dos séculos, não só pela carne e gordura, mas também pelas barbas de baleia e pelo espermacete e âmbar cinza dos cachalotes. Em meados do século XX, verificou-se que muitas populações de baleias estavam perto da extinção. Então, a Comissão Internacional das Baleias decretou uma moratória para a captura comercial de baleias em 1986. Apesar de serem membros da comissão, alguns países, como a Noruega, Islândia e Japão, não aderiram a esta moratória. Além disso, os aborígenes da Sibéria, Alasca e Canadá são igualmente autorizados a caçar baleias, embora sem espírito comercial, mas apenas para subsistência, por razões culturais.

-Captura acidental de baleias[editar | editar código-fonte]

Algumas espécies de cetáceos são capturadas acidentalmente em várias pescarias, especialmente na pesca de atum com rede de emalhar derivante, razão por que esta arte de pesca foi internacionalmente banida, mas também, embora em menores números, em várias pescarias de arrasto.

-Sonar e morte de baleias nas praias[editar | editar código-fonte]

Alguns ambientalistas têm sustentado que o sonar prejudica gravemente os cetáceos, especialmente o sistema de grande potência usado pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos. Cientistas britânicos sugeriram recentemente na publicação científica Nature que o sonar pode estar ligado aos incidentes de mortes de baleias em praias, devido a indícios de que essas baleias mortas teriam sofrido descompressão.

As mortes em massa de cetáceos em praias ocorrem naturalmente em várias espécies, de tal modo que a frequência destes incidentes e o número de cetáceos mortos desta maneira, de acordo com registos dos últimos 1000 anos, tanto de escritos religiosos, como mais recentemente de observações científicas, têm sido usados para estimar as variações no tamanho das populações de várias espécies. Aquela estimação baseia-se no pressuposto de que a proporção entre o número de cetáceos mortos nas praias e a população total de cada espécie é constante em cada ano. Apesar da suspeita da influência do sonar nestes incidentes, que pode pôr em causa o referido pressuposto, este método de estimação continua a ser utilizado.

-Cetáceos na cultura[editar | editar código-fonte]

Orca

-Baleias na Bíblia[editar | editar código-fonte]

A Bíblia menciona baleias quatro vezes: Génesis 1:21 "E Deus criou grandes baleias"; "Porventura sou eu o mar ou uma baleia, para que te ponhas em guarda contra mim?” ( 7:12); "Eras igual à baleia no seio as águas” (Ezequiel 32:2); e "Assim como Jonas esteve no ventre da baleia três dias e três noites,..." (Mateus 12:40); (tradução da versão King James da Bíblia).

Ironicamente,o livro de Jonas 1:17 (na versão King James da Bíblia e outras traduções) não usa a palavra "baleia", referindo-se antes a "peixe" ou "grande peixe". Este detalhe foi usado com efeito dramático por Clarence Darrow no seu interrogatório do fundamentalista William Jennings Bryan em 1925, no Julgamento de Scopes, tal como é apresentado no drama "Inherit the Wind" de Jerome Lawrence e Robert E. Lee.

Herman Melville[editar | editar código-fonte]

A caça de baleias é o tema de um dos clássicos do canón literário da língua inglesa , Moby Dick, de Herman Melville. Melville classificou os cetáceos como "um peixe de jorro com uma cauda horizontal", apesar da ciência ter sugerido outra coisa no século anterior. Melville reconheceu "as razões porque Linnaeus teria de bom grado banido as baleias do mar", mas disse que, quando as apresentou aos seus "amigos Simeon Macey e Charley Coffin, de Nantucket [...] eles se uniram na opinião de que as razões apresentadas eram insuficientes. Charley chegou a afirmar que eram um disparate." O livro de Melville é parte história de aventuras, parte alegoria metafísica e parte história natural; é essencialmente um completo sumário dos conhecimentos do século XIX sobre biologia, ecologia e significado cultural de cetáceos, em particular dos cachalotes, a espécie de Moby Dick.

Ahmad ibn Fadlan[editar | editar código-fonte]

O escritor e viajante árabe Ahmad ibn Fadlan durante uma viagem marítima em território nórdico no século X fica amedrontado após ser alertado e ver, até então, monstros marinhos próximos a frota em que viajava. Os tripulantes vikings faziam um ritual com barulho para acalmar os seres, mas não era garantia de que um barco fosse eventualmente destruído por eles. A descrição dos seres coincidem com a descrição de baleias, do ponto de vista de um representante do povo árabe que ainda não tinha contato com cetáceos. Não há clareza sobre a possível agressividade das baleias. O relato completo da viagem de Fadlan foi roteirizado por Michael Crichton na novela Devoradores de Mortos, que mais tarde seria adaptado para o filme O 13º Guerreiro.

Captura[editar | editar código-fonte]

Uma grande atracção nos parques aquáticos (oceânicos) e Zoos que mantêm pequenos cetáceos capturados, em sua maioria golfinhos. Por causa da sua capacidade de aprendizagem, estes são também usados pelos militares em operações no mar.

De acordo com a Lei Federal nº 7.643/87 "Fica proibida a pesca, ou qualquer forma de molestamento intencional, de toda espécie de cetáceo nas águas jurisdicionais brasileiras."

Leituras complementares[editar | editar código-fonte]

  • Whales, Dolphins and Porpoises de Mark Carwardine, publicado por Dorling Kindersley, 2000. ISBN 0-7513-2781-6. Guia introdutório aos cetáceaos.
  • O Boticário. Mamíferos marinhos do sul do Brasil. Texto: Márcio Luiz Bittencourt e Regina Célia Zanelatto. Ilustrações: Daniela Weil.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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