Síndrome do X frágil

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Síndrome do X frágil
Classificação e recursos externos
OMIM 309550
DiseasesDB 4973
MedlinePlus 001668
eMedicine ped/800
MeSH D005600
Star of life caution.svg Aviso médico

Síndrome do X Frágil, Síndrome de Escalante ou Síndrome de Martin & Bell é a 2ª causa herdada mais comum de retraso mental, e é também a causa conhecida mais comum do autismo. Estima-se que afete 1 em cada 4000 homens e 1 em cada 6000 mulheres, com 1 em cada 150 mulheres sendo portadora do gene FMR1.[1]

Causas[editar | editar código-fonte]

Localização do gene FMR-1 no cromossoma X na banda cromossômica Xq27.3.

É uma doença genética causada pela mutação do gene FMR1 no cromossoma X, um gene ligado à formação dos dendritos nos neurônios, uma mutação encontrada em 1 de cada 2000 homens e 1 em cada 4000 mulheres. Normalmente, o gene FMR1 contem entre 6 e 54 repetições do codão CGG (repetições de trinucleotídeos). Portadores do gene, mas com intelecto normal, possuem entre 55 e 200 repetições. Pessoas com a síndrome do X frágil, o alelo FMR1 tem mais de 200 repetições deste codão CGG. Uma expansão desta magnitude resulta na metilação dessa porção do DNA, silenciando a expressão da proteína FMR1. A metilação do locus FMR1 resulta numa constrição e fragilidade do cromossoma X nesse ponto, um fenômeno que deu o nome à síndrome (quanto mais largo um gene mais fácil é rompê-lo).[2]

Homens XY com a síndrome nao aumentam o número de tripletes nas próximas gerações e não passa o gene X para seus filhos, mas suas filhas são sempre ser portadoras. Mulheres XX, tem metade da chance de ter sintomas, porém seus óvulos podem aumentar o número de tripletes CGG para mais de 200 e sempre passam o gene para seus filhos e filhas.

Sinais e Sintomas[editar | editar código-fonte]

Físicos[editar | editar código-fonte]

As características físicas mais proeminentes da síndrome incluem[3] :

Há um maior risco de desenvolver convulsões, tremores e estrabismo

Comportamentais[editar | editar código-fonte]

Comportamentalmente podem observar-se[4] :

  • Ansiedade social;
  • Evitar contato visual;
  • Atraso para aprender a engatinhar, andar e dar volta;
  • Atraso em aprender a falar e escrever;
  • Dificuldade para se expressar bem;
  • Memória ruim;
  • Bater muitas palmas, ou morder a mão;
  • Impulsividade, impaciência e irritabilidade;
  • Maior vulnerabilidade a transtornos do humor e transtornos de ansiedade.

Costumam levar em média 50% mais para aprender conhecimentos escolares como matemática e linguística. [5] O autismo ocorre em 5% desses indivíduos, o que já é responsável por cerca de 15 a 60% do espectro autista dependendo dos critérios diagnósticos usados.[6]

Em portadoras[editar | editar código-fonte]

Mulheres portadoras do gene, mas sem os sintomas, tem 20% de chance de ter menopausa precoce (insuficiência ovariana primária). [7]

Diagnóstico[editar | editar código-fonte]

A principal forma de diagnóstico é através do exame sanguíneo de análise molecular para a síndrome do X frágil, contando o número de repetições de tripletes CGG no Xq27.3. A análise do marcador citogenético não é muito usada porque tem alto nível de falso positivo e falso negativo[8] .

Tratamento[editar | editar código-fonte]

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Não há cura para síndromes genéticas, sendo o tratamento apenas para sintomas, comportamentos inadequados e problemas educacionais. A família deve passar por aconselhamento genético para entender melhor como é a hereditariedade dessa síndrome.

Farmacológico[editar | editar código-fonte]

Quando uma pessoa é diagnosticada com X Frágil, o aconselhamento genético para esclarecer sobre a síndrome é recomendado. Devido a uma maior prevalência de transtornos psicológicos os medicamentos mais utilizados são os psiquiátricos como:

Medicamentos visando o mGluR5 (receptores de glutamato metabotrópicos) que estão relacionados com a plasticidade sináptica são especialmente benéficas para os sintomas-alvo de X frágil. Sal de lítio também está sendo utilizado em ensaios clínicos com seres humanos, mostrando melhorias significativas no funcionamento comportamental, comportamento adaptativo, e memória verbal.

Não-farmacológico[editar | editar código-fonte]

Entre tratamentos não farmacológicos estão[9] :

História[editar | editar código-fonte]

A ligação entre deficiência mental e o gene sexual foi descrita por J. Purdon Martin e Julia Bell no artigo "A PEDIGREE OF MENTAL DEFECT SHOWING SEX-LINKAGE" [10] . Eles analisaram uma família (6 gerações), mostrando que a "imbecilidade" (em 1943, esta era a terminologia usada) passava de mães saudáveis (porém portadoras) para filhos, mas não para filhas.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. http://www.medicinenet.com/fragile_x_syndrome/article.htm
  2. http://ghr.nlm.nih.gov/condition/fragile-x-syndrome
  3. http://www.medicinenet.com/fragile_x_syndrome/page8.htm#physical
  4. Tranfaglia, M (2011). "The psychiatric presentation of fragile x: evolution of the diagnosis and treatment of the psychiatric comorbidities of fragile X syndrome". Dev Neurosci 35 (5): 337–48. doi:10.1159/000329421. PMID 21893938.
  5. Hall, Scott S.; Burns, David D.; Lightbody, Amy A.; Reiss, Allan L. (2008). "Longitudinal Changes in Intellectual Development in Children with Fragile X Syndrome". Journal of Abnormal Child Psychology 36 (6): 927–939. doi:10.1007/s10802-008-9223-y. PMID 18347972.
  6. Budimirovic, DB; Kaufmann WE. (2011). "What can we learn about autism from studying fragile X syndrome?". Dev Neurosci 33 (5): 379–94. doi:10.1159/000330213. PMC 3254037. PMID 21893949.
  7. Santoro, MR; Bray SM, Warren ST. (2012). "Molecular Mechanisms of Fragile X Syndrome: A Twenty-Year Perspective". Annu. Rev. Pathol. Mech. Dis. 7: 219–45. doi:10.1146/annurev-pathol-011811-132457. PMID 22017584.
  8. http://bases.bireme.br/cgi-bin/wxislind.exe/iah/online/?IsisScript=iah/iah.xis&src=google&base=LILACS&lang=p&nextAction=lnk&exprSearch=247162&indexSearch=ID Pimentel, Márcia M. G. - Biblioteca Virtual em Saúde - Base de dados: LILACS.
  9. Hagerman RJ, Berry-Kravis E, Kaufmann WE, Ono, M. Y., Tartaglia, N., Lachiewicz, A., Kronk, R., Delahunty, C., Hessl, D. (2009). "Advances in the treatment of fragile X syndrome". Pediatrics 123 (1): 378–90. doi:10.1542/peds.2008-0317. PMC 2888470. PMID 19117905.
  10. http://www.pubmedcentral.nih.gov/pagerender.fcgi?artid=1090429&pageindex=1#page J Neurol Psychiatry. 1943 July–October; 6(3-4): 154–157