Espectro autista

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O espectro autista, também referido por desordens do espectro autista (DEA, ou ASD em inglês) ou ainda condições do espectro autista (CEA, ou ASC em inglês), é um espectro de condições psicológicas caracterizado por anormalidades generalizadas de interação social e de comunicação, e por gama de interesses muito restrita e comportamento altamente repetitivo.[1]

Um balanço de 2005 estimou em 6,0 a 6,5 por 1000 a ocorrência de DEAs. Das várias formas de DEA, o transtorno invasivo de desenvolvimento não-especificado (PDD-NOS, em inglês) foi larga maioria, o autismo ficou com 1,3 por 1000 e a Síndrome de Asperger em cerca de 0,3 por 1000; as formas atípicas como transtorno desintegrativo da infância e Síndrome de Rett foram muito mais raros.[2]

Classificação[editar | editar código-fonte]

As três formas principais de DEA são autismo, síndrome de Asperger e PDD-NOS. O autismo é o centro das desordens do espectro autista. A Síndrome de Asperger é o mais próximo do autismo pelos sintomas e provavelmente pelas causas[3]  ; mas diferente do autista, o Asperger não tem qualquer atraso significativo no desenvolvimento da linguagem[4] .

O diagnóstico de transtorno invasivo do desenvolvimento não-especificado (PDD-NOS) ocorre quando não se encontram critérios para outro transtorno mais específico. Algumas fontes também incluem a síndrome de Rett e o transtorno desintegrativo da infância, que compartilham vários traços com o autismo, mas podem ter causas não-relacionadas; outras fontes combinam as DEA com estas duas condições na definição de transtornos invasivos do desenvolvimento.[3] [5]

A terminologia do autismo pode causar confusão. Autismo, Asperger e PDD-NOS às vezes são chamados de desordens autísticas (ou transtornos autísticos), em vez de DEA,[6] enquanto o autismo propriamente dito muitas vezes é chamado de desordem autista, ou autismo infantil. Apesar de os termos transtorno invasivo do desenvolvimento, mais antigo, e desordem do espectro autista, mais recente, se sobreporem totalmente ou quase[5] , o primeiro foi cunhado com a intenção de descrever um conjunto específico de classificações diagnósticas, enquanto o segundo supõe uma desordem espectral que envolve diversas condições.[7] DEA, por sua vez, é uma parte do fenótipo autista mais-amplo (FAMA, ou BAP, em inglês), que podem não ter DEA mas possuem traços semelhantes aos do autismo, tal como evitar o contato visual.[8]

Características[editar | editar código-fonte]

As características definidoras das desordens do espectro autista são debilidades de comunicação e interação social, junto a interesses e atividades restritos e repetitivos[9] . Sintomas individuais ocorrem na população em geral, e não parecem ter muita relação entre si, não existindo uma linha bem definida que separe uma situação patológica de traços comuns[10] . Outros aspectos dos DEA, como alimentação atípica, também são comuns, mas não essenciais para o diagnóstico; eles podem afetar o indivíduo ou a família.[11]

Estima-se que entre 0,5% e 10% dos indivíduos com DEA possuam habilidades incomuns, que vão desde habilidades pitorescas, como a memorização de curiosidades, até os talentos extremamente raros dos autistas-prodígio[12] .

Ao contrário da crença comum, as crianças autistas não preferem estar sós. Fazer e manter amizades costuma ser difícil para aqueles com autismo. Para eles, a qualidade das amizades, não o número de amigos, determina o quão sós se sentem.[13]

Estar no espectro autista não impede a criança de entender os estereótipos de raça e gênero da sociedade; assim como a criança neurotípicas, ela aprende os estereótipos observando as atitudes de seus pais, tais como trancar o carro em certas localidades.[14]

Tratamento[editar | editar código-fonte]

Os objetivos principais do tratamento são a redução dos déficits associados e tensão familiar, e aumento da qualidade de vida e da independência funcional. Não há um tratamento padrão que seja melhor do que os outros, e geralmente o tratamento é ajustado às necessidades de cada paciente. Programas de educação especial intensiva e prolongada e terapia comportamental na primeira infância ajudam a criança a adquirir habilidades sociais, de trabalho e cuidados próprios. As abordagens disponíveis incluem análise aplicada de comportamento, modelos desenvolvimentais, ensino estruturado (TEACCH, sigla em inglês), terapia de fala e linguagem, terapia de habilidades sociais e terapia ocupacional.[15]

Epidemiologia[editar | editar código-fonte]

Os balanços mais recentes apontam a prevalência de 1 a 2 por 1000 de autismo e perto de 6 por 1.000 de DEA;[16] mas por causa de dados inadequados, estes números podem subestimar a real prevalência de DEAs.[17] PDD-NOS constitui vasta maioria dos DEAs, Asperger em torno de 0,3 por 1000 e as outras formas de DEA são muito mais raros.[2]

O número de casos relatados de autismo aumentou muito nos anos 1990 e início dos 2000. Este aumento é atribuído principalmente às mudanças nos critérios e práticas de diagnóstico, padrões de orientação, disponibilidade de serviços, idade do diagnóstico e conscientização pública,[18] mas fatores de risco ambientais ainda não identificados não podem ser descartados.[19]

  • Nota: como este artigo é uma tradução, atente-se que as estatísticas aqui apresentadas são as obtidas do original em inglês.

Referências

  1. World Health Organization. International Statistical Classification of Diseases and Related Health Problems. 10th ed. (ICD-10) ed. [S.l.: s.n.], 2006. Página visitada em 2007-06-25.
  2. a b Fombonne E. (2005). "Epidemiology of autistic disorder and other pervasive developmental disorders". J Clin Psychiatry 66 (Suppl 10): 3–8. PMID 16401144.
  3. a b Lord C, Cook EH, Leventhal BL, Amaral DG. (2000). "Autism spectrum disorders". Neuron 28 (2): 355–63. DOI:10.1016/S0896-6273(00)00115-X. PMID 11144346.
  4. American Psychiatric Association. Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders. 4th ed., text revision (DSM-IV-TR) ed. [S.l.: s.n.], 2000. ISBN 0890420254
  5. a b Strock M (2008). "Autism spectrum disorders (pervasive developmental disorders)". National Institute of Mental Health. Visitado em 2008-08-25.
  6. Freitag CM. (2007). "The genetics of autistic disorders and its clinical relevance: a review of the literature". Mol Psychiatry 12 (1): 2–22. DOI:10.1038/sj.mp.4001896. PMID 17033636.
  7. Klin A. (2006). "Autism and Asperger syndrome: an overview". Rev Bras Psiquiatr 28 (suppl 1): S3–S11. DOI:10.1590/S1516-44462006000500002. PMID 16791390.
  8. Piven J, Palmer P, Jacobi D, Childress D, Arndt S. (1997). "Broader autism phenotype: evidence from a family history study of multiple-incidence autism families" (PDF). Am J Psychiatry 154 (2): 185–90. PMID 9016266.
  9. Frith U, Happé F. (2005). "Autism spectrum disorder". Curr Biol 15 (19): R786–90. DOI:10.1016/j.cub.2005.09.033. PMID 16213805.
  10. London E. (2007). "The role of the neurobiologist in redefining the diagnosis of autism". Brain Pathol 17 (4): 408–11. DOI:10.1111/j.1750-3639.2007.00103.x. PMID 17919126.
  11. Filipek PA, Accardo PJ, Baranek GT et al.. (1999). "The screening and diagnosis of autistic spectrum disorders". J Autism Dev Disord 29 (6): 439–84. DOI:10.1023/A:1021943802493. (2000) "Erratum". J Autism Dev Disord 30 (1): 81. DOI:10.1023/A:1017256313409. PMID 10638459.
  12. Treffert DA (2006). Savant syndrome: an extraordinary condition—a synopsis: past, present, future. Wisconsin Medical Society. Página visitada em 2008-03-24.
  13. Burgess AF, Gutstein SE. (2007). "Quality of life for people with autism: raising the standard for evaluating successful outcomes". Child Adolesc Ment Health 12 (2): 80–6. DOI:10.1111/j.1475-3588.2006.00432.x.
  14. Hirschfeld L, Bartmess E, White S, Frith U. (2007). "Can autistic children predict behavior by social stereotypes?". Curr Biol 17 (12): R451–2. DOI:10.1016/j.cub.2007.04.051. PMID 17580071.
  15. Myers SM, Johnson CP, Council on Children with Disabilities. (2007). "Management of children with autism spectrum disorders". Pediatrics 120 (5): 1162–82. DOI:10.1542/peds.2007-2362. PMID 17967921.
  16. Newschaffer CJ, Croen LA, Daniels J et al.. (2007). "The epidemiology of autism spectrum disorders". Annu Rev Public Health 28: 235–58. DOI:10.1146/annurev.publhealth.28.021406.144007. PMID 17367287.
  17. Caronna EB, Milunsky JM, Tager-Flusberg H. (2008). "Autism spectrum disorders: clinical and research frontiers". Arch Dis Child 93 (6): 518–23. DOI:10.1136/adc.2006.115337. PMID 18305076.
  18. Changes in diagnostic practices:
  19. Rutter M. (2005). "Incidence of autism spectrum disorders: changes over time and their meaning". Acta Paediatr 94 (1): 2–15. DOI:10.1080/08035250410023124. PMID 15858952.