Sega Master System

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Master System
マスターシステム
Master System Logo.svg
Sega-Master-System-Set.png
Primeiro modelo internacional do console
Fabricante Sega
Tipo Console de videogame
Geração 3ª geração
Lançamento
  • JP 20 de outubro de 1985 (como Sega Mark III)
  • AN junho de 1986
  • EU setembro de 1987
  • JP 18 de outubro de 1987 (como Master System)
  • BR 4 de setembro de 1989[1]
Descontinuado
Unidades
vendidas
13 milhões
Mídia Cartucho
CPU 8-bit Zilog Z80
Controladores 1 a 2 gamepads
Jogo mais
vendido
Antecessor SG-1000
Sucessor Mega Drive/Genesis

Master System (マスターシステム, Masutã Shisutemu?) é um console de videogame de 8-bits produzido pela Sega, para concorrer com o Nintendo Entertainment System.

História[editar | editar código-fonte]

Lançado inicialmente no Japão em 1986, ele enfrentou grandes dificuldades devido a forte concorrência do NES da Nintendo.

A Nintendo possuía contratos de exclusividade junto as produtoras de jogos. O contrato não permitia que elas produzissem jogos para nenhum outro aparelho, fazendo com que o Master System dependesse somente dos lançamentos desenvolvidos pela Sega.

O baixo sucesso no Japão não evitou que a Sega lançasse o Master System no resto do mundo. Nos Estados Unidos o domínio da Nintendo também era muito grande, e logo a Sega vendeu os direitos de comercialização do Master System nos EUA para a Tonka, mesmo assim a popularidade do aparelho foi diminuindo.

Em 1990, após o lançamento do Sega Genesis, a SEGA recuperou os direitos de comercialização do Master System nos EUA e lançou uma versão com um novo desenho, chamado Master System II. Esse novo modelo era mais barato, mas por outro lado foram removidos o botão de Reset e a entrada para óculos 3D, impossibilitando a utilização desse acessório em alguns jogos. Além de não possuir conectores de áudio e vídeo, ele só podia ser conectado na TV por cabo RF, que apresenta uma pior qualidade de imagem e som.

Master System II.

Na Europa a história foi diferente. O Master System foi bem aceito e se tornou muito mais popular que o console da Nintendo. Diversos desenvolvedores europeus produziram jogos para o Master System, e o aparelho teve suporte da Sega Europeia até 1996 (em contraste a Sega Americana, que desistiu do console já em 1992). Para se ter uma ideia, os jogos de arcade da Sega convertidos para o Master System faziam tanto sucesso na Europa, que a empresa Tengen lançou versões (não licenciadas) de vários desses games para o console da Nintendo.

O sucesso do Master System se repetiu também na Austrália, um mercado que toma como base o mercado europeu.

Master System foi inicialmente lançado como Sega Mark III no Japão, contendo a adição do chip FM YM2413, sendo Outrun o primeiro jogo a usa-lo para gerar sons (em vez de utilizar o SN76489) quando este é devidamente detectado. Mas vale salientar que em 1987 a Sega também lançou no Japão a versão 'internacional' do console, com o mesmo design e o mesmo nome com o qual ficou famoso no resto do mundo: Sega Master System.

O fracasso do Master System nos EUA e Japão levou a Sega a grandes estratégias para fazer seu Mega Drive bem-sucedido nesses mercados (e também no Brasil e Europa).

No Brasil[editar | editar código-fonte]

Master System III Compact.

No Brasil, o Master System marcou o início da parceria da Tec Toy, fabricante de brinquedos brasileira, com a fabricação de consoles da Sega. As duas empresas já haviam trabalhado juntas no licenciamento da pistola de laser tag Zillion, que chegou ao mercado em abril de 1988.[2] Lançado oficialmente no País em setembro de 1989,[3] o console atingiu um grande sucesso. Seu preço original, no entanto, era alto para os padrões da época: no lançamento, o Master System era vendido a 1500 cruzados novos,[4] acompanhando dois jogos. Em valores atualizados para inflação em 2013, o preço de lançamento ficava em torno de 2800 reais.[5] Os dois periféricos – a pistola e os óculos 3D – eram vendidos a 180 e 500 cruzados novos, respectivamente.[4] Durante seu período inicial de vendas, teve como principais concorrentes, no País, o Dynavision II[6] e o Phantom System,[4] ambos clones de NES. Com expectativa de produzir 100 mil unidades do console em 1989, a Tec Toy conseguiu entregar apenas 89 mil unidades aos revendedores, devido à falta de componentes e atrasos.[7]

À época, o lançamento do Master System foi considerado um sucesso de vendas. Estimado para 40 milhões,[4] o faturamento da Tec Toy em 1989 contabilizou 66 milhões de dólares,[7] sendo que metade disso foi atribuído ao console da Sega. Em retrospecto, o êxito é atribuído aos fortes investimentos publicitários da Tec Toy: a campanha de lançamento, que se estendeu até o Natal de 1989, custou 2 milhões de dólares.[4] Um ano depois, no final de 1990, a base de Master System instalada no Brasil já contava com cerca de 280 mil unidades.[8] A empresa também trouxe para o País o Hot Line, serviço telefônico com dicas para jogos, criou um clube para sócios, o Master Clube, e apresentava o programete Master Dicas nos intervalos da Sessão Aventura da Rede Globo.[3]

O mercado brasileiro recebeu adaptações de vários títulos lançados. Desde traduções dos nomes, como California Games, que virou Jogos de Verão no Brasil, a alterações mais complexas, com a troca de personagens (geralmente através da substituição de sprites) para atender a licenciamentos especiais no Brasil. Entre esses, destacam-se Mônica no Castelo do Dragão (com a Turma da Mônica), baseado em Wonder Boy in Monster Land,[3] e Chapolim x Drácula – Um Duelo Assustador, versão de Ghost House, estrelado por Chapolin Colorado.[3] Para estender a vida útil do console, também converteu jogos lançados para o portátil Game Gear de volta ao Master System, caso de Sonic Blast. Além disso, portou jogos inéditos, como Street Fighter II, em 1997, que transformou-se no jogo maior tamanho (em MiB) do sistema.

Pouco mais de um ano após o lançamento do Master System, a Tec Toy trouxe oficialmente para o Brasil o seu sucessor, o Mega Drive, em dezembro de 1990.[8] O portátil da Sega, Game Gear, também foi lançado, em agosto de 1991.[9] Assim como o Master System, os dois produtos iniciaram suas vendas já sendo montados em Manaus, sendo que o Game Gear foi o primeiro console portátil fabricado no País.[10]

Em termos de modelos específicos, o Master System do lançamento brasileiro era o mesmo vendido nos Estados Unidos. O Master System II, porém, foi lançado de forma independente pela Tec Toy em abril de 1991.[11] Era idêntico ao original, mas com preço reduzido (70 mil cruzeiros) e a inclusão de Alex Kidd in Miracle World.[12] Já o Master System III Compact ganhou um novo desenho, o mesmo empregado no modelo Master System II que era comercializado na Europa e nos EUA. Com o passar dos anos, a empresa lançou 45 versões do produto, incluindo as portáteis.[13] A mais recente, de 2011, é a Master System Evolution, com preço sugerido de 199 reais e 132 jogos na memória.[14]

O perfil do consumidor do Master System foi sendo alterado conforme novas gerações de consoles chegavam ao mercado,[15] fazendo com que a Tec Toy reposicionasse o produto com preços mais acessíveis em relação aos novos concorrentes. Dessa forma, em 2012, junto do Mega Drive, vendia 150 mil unidades por ano, o que permitiu que mantivesse a liderança em vendas de videogames no Brasil.[13] Com uma base instalada de 5 milhões de consoles,[13] permanece em fabricação mesmo após mais de vinte anos de seu lançamento.

Características[editar | editar código-fonte]

Sega Mark III.

O Master System original aceita jogos em cartuchos e cartões. O tamanho máximo de um jogo em cartão é de 32KBits, enquanto o maior jogo lançado em cartucho possui 8MBits. O suporte a cartões foi abandonado nas versões posteriores do aparelho.

Existem diferenças entre o Master System original lançado no Japão e o modelo comercializado no resto do mundo. No modelo japonês o slot de cartuchos é de tamanho diferente, no lugar do botão RESET existe o botão RAPID FIRE (que ao acionado habilita a repetição automática das ações ativadas pelos botões dos controles), existe uma entrada para o plug do óculos 3D que dispensa assim o uso do adaptador, e vem com um chip de som FM (YM2413) que possibilita músicas muito mais elaboradas (infelizmente esse chip foi removido na versão vendida no resto do mundo). Excluindo essas diferenças, visualmente o desenho do aparelho é idêntico à versão lançada no resto do mundo. (OBS: O design do Mark-III, porém, era completamente diferente).

Apesar da diferença de tamanho do slot de cartuchos entre o aparelho japonês e o aparelho lançado em outras regiões, é possível rodar os jogos lançados no resto do mundo no aparelho japonês, desde que se construa um adaptador. O contrário já não é possível, pois os jogos disponibilizados no mercado Japonês não possuem um cabeçalho que é requerido pelos Master System lançados fora do Japão, além disso, determinados títulos apresentam criptografia no restante de seu código, cuja chave somente é implementada em cartões SD de aparelhos japoneses. Existem projetos caseiros que resolvem esse problema, mas envolve alterar a BIOS do Master System, uma operação às vezes complicada para usuários sem experiência com hardware.

Acessórios[editar | editar código-fonte]

  • Sega Control Pad (controle padrão): Possui apenas dois botões (1/Iniciar e 2) e o direcional.
Master System III Super Compact: console sem fio brasileiro.
  • SG Commander: Um controle diferente do original, possui função turbo (número 3021)
  • Control Stick: Controle em forma de manche, disponível com o jogo OutRun ou sozinho (número 3060)
  • Handle Controller: Controle para jogos de corrida e aeronaves (número 3041)
  • Sports Pad: Controle estilo trackball, usado em alguns jogos de esporte (número 3040)
  • Óculos 3D SegaScope: Óculos que dão a sensação de ambiente 3D em alguns jogos (3073)
  • Sega Light Phaser: pistola para jogos de tiro (número 3050)
  • Rapid Fire: Adiciona função turbo ao controle (número 3046)

Observações: Alguns acessórios só foram lançados na Europa, outros somente nos Estados Unidos. O acessório Rapid Fire, vendido no Brasil, não possui as duas chaves para ligar/desligar a função turbo.

Especificações[editar | editar código-fonte]

  • CPU: Zilog Z80 8-bit 3 579 545 Hz (3.58 MHz) em PAL/SECAM e NTSC
Joypad original do Master System.
  • Gráficos: Chip customizado da SEGA baseado do modelos Texas Instruments TMS9918/9928 com várias adições
  • 384 Kbits ROM, jogos usam método de mudar páginas (cada página é 128Kbit) para ter acesso a toda a área do cartucho
  • Som: Texas Instruments SN76489 4 canais mono (chip FM YM2413 disponível apenas no aparelho Japonês)
  • 64 Kbits (8KB) RAM
  • 128 Kbits (16KB) Video RAM
  • 32 cores simultâneas de 64 disponíveis (pode também exibir 64 cores simultâneas com certos métodos de programação)
  • Resolução de tela de 256x192 (modelos mais recentes também suportam outras resoluções, 256x224 e 256x240)
  • 3 geradores de som quadrado + 1 gerador de som de Ruído branco
  • 1 slot para cartuchos
  • 1 slot para cartões (descartado em modelos posteriores)
  • 1 slot de expansão (não usado fora do Japão)

Jogos Famosos[editar | editar código-fonte]

  • Alex Kidd in Miracle World - Alex Kidd tornou-se mascote do console (e da companhia) e o jogo chegou a vir na memória (no Master System II europeu e brasileiro e nos primeiros modelos do Master System III e no modelo Super Compact da Tec Toy)
  • Alex Kidd in The Lost Stars - Jogo com bons gráficos e falas digitalizadas como quando o personagem morre, e entre as fases ("Find the miracle balls"), também foi um dos poucos jogos de Master System a usar multilayer scrolling. Ótimos gráficos, boa jogabilidade, destaque para a fase do espaço, com super-pulos.
  • Sonic the Hedgehog - Primeiro jogo do até então novo mascote da Sega lançado para o console.
  • Sonic the Hedgehog 2 - Lançado antes da versão do Mega Drive. Marca a estreia do personagem Tails.
  • Sonic Chaos - Primeiro jogo do Sonic que apresentou Tails como personagem jogável.
  • Mônica no Castelo do Dragão - Versão de Wonder Boy in Monster Land da Tec Toy, estrelado por Mônica
  • Turma da Mônica em O Resgate - Versão de Wonder Boy III
  • Castle of Illusion - Jogo da Disney, onde Mickey deve resgatar Minie raptada por uma bruxa. Gráficos bem coloridos e com boa definição, além de sons bem elaborados.
  • Astro Warrior
  • Black Belt - Jogo de luta de rua, versão do Japonês Hokuto No Ken, porém mais fácil. Músicas bem elaboradas, bons gráficos e lutas estilo Street Fighter com os chefes no fim dos estágios são os pontos fortes deste jogo.
  • Double Dragon - Boa conversão dos arcades deste clássico dos games de luta de rua. 30 giratórias na fase final garantia continue infinito.
  • E-SWAT - Jogo de ação estilo Robocop, nas primeiras fases o policial deve provar sua capacidade em vestir a armadura ciberbética. Nas fases seguintes seu poder de fogo aumenta e poderá utilizar armas especiais mas com uso limitado. Músicas bem elaboradas e chefes legais de se enfrentar.
  • Fantasy Zone
  • Hang-On - Jogo de moto GP que juntamente com Safari Hunt vinha na memória do console.
  • World Cup Italia '90
  • Kenseiden
  • Out Run - Clássico jogo de corrida de carro com boas músicas.
  • Phantasy Star - Deu origem à série de RPG da Sega, sendo o primeiro traduzido para o português, em resposta ao Final Fantasy da Square.
  • Safari Hunt - Primeiro jogo a utilizar a pistola Light Phaser. Jogo de tiro bem divertido. Acertar a pantera negra garatia mais pontos.
  • R-Type - Famoso jogo de tiro espacial vindo dos fliperamas. Excelente conversão.
  • Shinobi - Ninja deve salvar crianças seqüestradas e enfrentar chefes ao fim das fases. Fase de bônus em primeiro plano onde você deve abater ninjas com estrelas shuriken e ganhar magias. Boa adaptação do arcade, e até incluindo barra de energia no jogo.
  • Snail Maze - Labirinto incluído na BIOS do sistema. Acessado apertando Cima, 1 e 2 sem nenhum jogo no console.

Mais vendidos no Brasil[editar | editar código-fonte]

Em 2004, a Tec Toy revelou os jogos mais vendidos do SMS:

  1. Castle of Illusion
  2. Jogos de Verão/California Games
  3. Double Dragon
  4. Great Soccer
  5. Mortal Kombat II
  6. Rambo III
  7. After Burner
  8. Indiana Jones
  9. Sonic the Hedgehog 2
  10. Black Belt

Referências

  1. Parabéns Master System!! Tectoy (4 de setembro de 2009). Cópia arquivada em 23 de março de 2012.
  2. Szczepaniak, John. (Outubro 2006). "Sega Lives On" (em inglês). Retro Gamer (30): 50-53. Bournemouth: Imagine Publishing. ISSN 17423155.
  3. a b c d Master System completa 20 anos de vida no Brasil UOL Jogos (4 de setembro de 2009). Página visitada em 21 de fevereiro de 2014.
  4. a b c d e Jaggi, Marlene. (13 de setembro de 1989). "Chega o jogo em 3ª dimensão". O Estado de S. Paulo (35144): 44 (p. 12 do caderno "Economia"). Página visitada em 21 de fevereiro de 2014.
  5. Azevedo, Théo (31 de julho de 2013). Quanto custariam videogames antigos se fossem lançados hoje no Brasil? UOL Jogos. Página visitada em 21 de fevereiro de 2014.
  6. (10 de maio de 1989) "Aventura do futuro" (Flash). Veja 22 (1078): 108-109. Página visitada em 21 de fevereiro de 2014.
  7. a b Aguiar, Isabel Dias de. (20 de dezembro de 1989). "Tec Toy ultrapassa suas metas". O Estado de S. Paulo 110 (35228): 46. ISSN 15162931 (p. 10 do caderno “Economia”).
  8. a b (22 de novembro de 1990) "Tec Toy lança no País o videogame Mega Drive". O Estado de S. Paulo 111 (35513): 81. ISSN 15162931 (p. 9 do caderno "Economia").
  9. (15 de outubro de 1991) "Game Boy chega às lojas Mesbla". O Estado de S. Paulo 112 (35791): 41. ISSN 15162931 (p. 9 do caderno "Economia").
  10. (1 de setembro de 1991) "O primeiro portátil já está nas lojas". O Estado de S. Paulo 112 (35754): 177. ISSN 15162931 (p. 7 do caderno "Estadinho").
  11. Cavalcanti, Mariza. (3 de abril de 1991). "Tec Toy mostra 21 lançamentos do ano". O Estado de S. Paulo (35624): 54. ISSN 15162931 (p. 12 do caderno “Economia”).
  12. (30 de junho de 1991) "Férias em casa? Só se for com videogames". O Estado de S. Paulo (35700): 132. ISSN 15162931 (p. 14 do “Suplemento Feminino”).
  13. a b c Azevedo, Théo (30 de julho de 2012). Vinte anos depois, Master System e Mega Drive vendem 150 mil unidades por ano no Brasil UOL Jogos. Página visitada em 21 de fevereiro de 2014.
  14. Campi, Monica (17 de agosto de 2011). Master System Evolution volta repaginado INFO Online. Página visitada em 21 de fevereiro de 2014.
  15. Cruz, Renato. (7 de dezembro de 2003). "Videogame popular, sem prazo de validade". O Estado de S. Paulo 124 (40227): 38. ISSN 15162931 (p. B10 do caderno “Economia”).

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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