Theatro Circo
O Theatro Circo é um teatro localizado na Avenida da Liberdade em Braga, Portugal.
É considerado o mais prestigiado teatro bracarense.
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[editar] História
Em 1906, um grupo de bracarenses liderado por Artur José Soares (então presidente da Câmara Municipal de Braga), José António Veloso e Cândido Martins idealizou o Theatro Circo. Nessa data a cidade possuía apenas o pequeno Teatro São Geraldo (no local onde hoje se encontra o Banco de Portugal), vindo assim o Theatro Circo satisfazer as necessidades da cidade, que assistia a um grande desenvolvimento teatral, a exemplo do que acontecia no resto do país. Com a construção do Theatro Circo, o edifício do Teatro São Geraldo foi vendido ao Banco de Portugal, que aí construiria mais tarde a sua delegação em Braga.
O Theatro Circo foi projectado pelo arquitecto Moura Coutinho, sendo construído em parte do espaço anteriormente ocupado pelo extinto Convento dos Remédios. As obras iniciaram-se em 1911 e terminaram três anos mais tarde (1914). A sala principal, de estilo italiano e com uma capacidade de 1500 lugares, estava organizada em taburnos para uma fácil adaptação entre os vários tipos de espectáculos. Dada a sua dimensão e arquitectura foi considerado um dos maiores e mais belos teatros de Portugal.
Em 21 de Abril de 1915, foi inaugurado pela companhia do “Éden Teatro de Lisboa”, com a opereta de Leoncavallo La reginetta delle rose (A Rainha das Rosas), com Palmira Bastos no papel principal.
Entre 1918 e 1925 o Theatro Circo é gerido pelo Teatro Sá da Bandeira. Neste período assiste-se a grandes espectáculos, como as óperas Madame Butterfly de Puccini e Aida de Verdi. É também tempo para revelações artísticas locais, como as estreias do Orfeão de Braga e da Orquestra Sinfónica de Braga. Durante a década de vinte foi criado no imóvel o Salão Nobre.
Na década de trinta, ao teatro, à revista, ao circo, ao cinema mudo e à música junta-se o cinema sonoro. Esta renovada arte marca um ponto de viragem no Theatro Circo. As exibições de filmes de Charlie Chaplin ou de Rudolfo Valentino ou de filmes nacionais como Minha Noite de Núpcias, provocam o declínio das então artes tradicionais. No ano de 1933 o Theatro Circo e o Cinema São Geraldo mudam de gerência, que é entregue a José Luís da Costa do Teatro Garrett da Póvoa de Varzim. A Sociedade Dramática Bracarense, em 1935, inicia-se aqui no mundo do espectáculo.
Durante a ditadura do Estado Novo, além das actuações culturais censuradas pelo Estado, é utilizado como palco de campanha e acções de propaganda. De salientar o dia 1 de Junho de 1958, quando os espectadores foram convidados a assistir da varanda do Salão Nobre à enorme violência exercida pela policia sobre o povo adepto da Oposição Democrática liderada pelo General Humberto Delgado.
Após o 25 de Abril de 1974, com o fim da censura, as peças teatrais convergem todas para o tema central da liberdade. No entanto, a abertura de novas salas de cinema na cidade e a ascensão da televisão em Portugal provocam o declínio económico do Theatro Circo. Na tentativa de recuperar alguma rentabilidade, foi vendido o Café Bristol (café situado na esquina do edifício) a uma instituição bancária, que aí instalou uma agência. Em 1987, a Companhia de Teatro de Braga instala-se no Theatro Circo. Um ano depois, em 1988, a Câmara Municipal de Braga adquire o Theatro Circo.
[editar] Características
A tela da boca de cena, com 12m de largura por 8m de altura, é da autoria de mestre Domingos Costa (discípulo de Silva Porto) e retrata músicos, o drama e a comédia.
A tela da cúpula da autoria de Benvindo Ceia (1915), retrata uma dança de ninfas libidinosas, é circundada pela duração de um dia, do nascer do sol ao entardecer, em circuito aberto.
[editar] O novo Theatro Circo
No final da década de noventa a Câmara Municipal de Braga, o Ministério da Cultura e o Plano Operacional da Cultura traçaram um plano de requalificação do edifício, que incidiu na recuperação da sua traça original (exteriores e interiores) e na requalificação do Salão Nobre, do Foyer e da sala principal (agora com 899 lugares).
Foram criadas duas novas salas, uma com 250 lugares e outra de ensaios, uma zona museológica, uma livraria de artes, um restaurante, um café-concerto e bares. A sala principal está dotada para todo tipo de artes realizadas em salas de espectáculos, tais como o teatro, a dança, a música, o cinema, a Ópera, entre outros, possuindo também um dos melhores sistemas de som da Europa [1].
Durante o primeiro ano foram realizados 114 espectáculos distribuídos por 178 sessões para um total de 70 mil espectadores.
[editar] 2006
A reabertura foi a 27 de Outubro de 2006, com um concerto da orquestra sinfónica Nacional Checa, com obras de Nino Rota sob a direcção de Marcello Rota (sobrinho de Nino Rota).
Até ao final do ano de 2006 foram também apresentados outros espectáculos, a quase totalidade com lotação esgotada, como o grupo "A Naifa", Chico César, teatro com Antônio Fagundes, os Monges Tibetanos de Tashi Lhunpo, entre outros. De destacar a realização no Theatro Circo de uma das quatro únicas datas europeias do espectáculo Turning de Antony & The Johnsons ou a apresentação do concerto de Moonchild de John Zorn.
[editar] 2007
Em 2007, a actriz Eunice Muñoz apresentou-se neste palco, interpretando o papel de Miss Daisy, no original de Alfred Uhry, «Driving Miss Daisy», coadjuvada pelos actores Guilherme Filipe (Boolie Werthan) e Thiago Justino (o motorista, Hoke), numa encenação de Celso Cleto. Também o grupo Mão Morta aí estreou, em duas noites de sala esgotada, o seu espectáculo Maldoror, numa co-produção do próprio Theatro Circo, que continuou com uma programação com grandes nomes da música internacional, como Laurie Anderson, Philip Glass ou David Sylvian.