Braz Paschoalin

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Braz Paschoalin
Braz Paschoalin
Prefeito de Jandira
Período 1°-1 de janeiro de 1993
até 31 de dezembro de 1996
2°-1 de janeiro de 1997
até 31 de dezembro de 2000
3°-1 de janeiro de 2009
até 10 de dezembro de 2010
Dados pessoais
Nascimento 27 de janeiro de 1948
Andradina, SP , Brasil Brasil
Morte 10 de dezembro de 2010 (62 anos)
Jandira, SP , Brasil Brasil
Primeira-dama Maria Helena Paschoalin
Partido MDB (1976-1981)

PMDB (1982-1994)[1]

PTB (1994-1995) [2]

PSDB (1996-2010)

Walderi Braz Paschoalin (Andradina, 27 de janeiro de 1948Jandira, 10 de dezembro de 2010) foi um político brasileiro filiado ao Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB). Em 5 de outubro de 2008, foi eleito para o seu terceiro mandato como prefeito da cidade de Jandira. Foi assassinado à tiros na cidade de Jandira, no dia 10 de dezembro de 2010.[3]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Paschoalin chegou em Jandira em 1966, aos 18 anos. Começou a trabalhar como taxista, profissão que exerceu por mais de 10 anos. Para complementar sua renda trabalhava no Banco do Estado de São Paulo. Foi ele o fundador da primeira lanchonete da cidade, chamada Brazão, localizada na Avenida Conceição Sammartino. Em 1973, Braz casou-se com Maria Helena Paschoalin e tornou-se pai de três filhos.

Trajetória política[editar | editar código-fonte]

Braz Paschoalin e o governador Geraldo Alckmin conversam durante vistoria de uma obra da Etec de Osasco.

Os anos a frente de seu táxi lhe renderam um conhecimento de toda a cidade, o que o levou em 1976 a concorrer ao cargo de vereador pelo MDB.

Eleito, cumpriu mandato entre 1977 e 1983, tendo sido presidente da Câmara Municipal no biênio 1977-1979[4].[5] No início da década de 1980, o então prefeito de Jandira Dorvalino Abílio Teixeira e alguns vereadores filiaram-se ao PDS.[6] Pascholin foi um dos poucos políticos locais a não acompanhar esse movimento e pouco tempo depois passaria ao bloco de oposição ao prefeito.[7]

O declínio do PDS nas eleições municipais seguintes permitiu a eleição de um prefeito do PMDB, José Roberto Piteri. Durante a formação de seu gabinete, Piteri convida Braz a integrá-lo no cargo de Secretário de Esportes, onde permaneceu até o inicio do ano de 1988. Até o final da década de 1990 não havia reeleição direta para os cargos do poder executivo, de forma que Piteri apoiou Braz para as eleições municipais de 1988. Posteriormente, Piteri e Braz continuaram se revezando no cargo de prefeito até o ano 2000.[8]

Braz foi eleito e assumiu seu primeiro mandato no ano seguinte. Sua gestão coincidiu com o breve período de domínio político exercido pelo seu partido (PMDB) na região , estado e em boa parte do país. Assim, Braz pode governar com facilidade e recebeu fartos recursos do governo Quércia. Nessa época foi iniciada a obra do viaduto sobre os trilhos da Fepasa que, após diversas acusações de superfaturamento e desvio de verbas, foi concluída apenas uma década depois. Após concluir o mandato, Braz apoiou Piteri na vitoriosa campanha das eleições de 1992.

Nas eleições de 1994, Braz concorre a uma vaga de deputado estadual pelo PTB, sendo derrotado. Em 1996, transfere-se para o PSDB e vence as eleições municipais. No ano seguinte, assumiu seu segundo mandato como prefeito. Sua segunda gestão foi marcada por indícios de corrupção. Em 1999 foi acusado de receber o maior salário do Brasil, cerca de R$ 24 mil (acima do salário do então presidente Fernando Henrique Cardoso).[9] Alguns meses depois, 117 cheques da prefeitura desaparecem, causando um prejuízo de R$ 110 mil aos cofres públicos.[10] Os contratos de limpeza celebrados por sua segunda gestão também foram contestados pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo.[11]

O desgaste político provocado pelas acusações de corrupção prejudicou sua carreira política, de forma que Paschoalin foi derrotado nas eleições municipais de 2000 e 2004. Durante esse período, trabalhou com políticos tucanos como o ex prefeito de Santana de Parnaíba e ex deputado federal Silvinho Peccioli (que o nomeou seu assessor parlamentar na câmara dos deputados entre 2007 e 2008[12])

Após oito anos longe do Paço Municipal, em janeiro de 2009 Braz se tornou o primeiro político a comandar a cidade de Jandira pela terceira vez. Foi eleito em outubro de 2008 com 42% dos votos válidos, num total de 24.168[13].

Seu terceiro mandato foi conturbado, de forma que passou boa parte do período travando batalhas judiciais contra adversários que tentavam invalidar a eleição e cassar seus direitos políticos, com base nos casos de corrupção no qual supostamente estaria implicado.[14]

Morte[editar | editar código-fonte]

Caso Braz Paschoalin
Local do crime Jandira
Data 10 de dezembro de 2010
Tipo de crime Homicídio duplamente qualificado
Arma(s) AK-47
Vítimas Braz Paschoalin
Local do julgamento Jandira

Na manhã de 10 de dezembro de 2010, o prefeito foi executado em frente à emissora de rádio Astral FM de Jandira com cerca de 16 tiros de fuzil AK-47. Os suspeitos, que possuíam passagem na polícia foram pegos a cerca de 2 km do local, tentando incendiar o carro em que estavam, para apagar provas.[15][16]

De acordo com a polícia, o crime teria sido encomendado pelo do ex secretário municipal de Jandira, Wanderley Lemes de Aquino, preso na quinta-feira 16 de dezembro, acusado de participar de um esquema de corrupção e desvio de dinheiro público. Também estão presos um empresário, suspeito de envolvimento no esquema de corrupção, e quatro suspeitos de participação na morte de Paschoalin. A vice-prefeita de Jandira, Anabel Sabatine (PSDB), assumiu o cargo com reforço na segurança. A administração da cidade sofreu uma debandada depois da morte de Paschoalin. Dos 17 secretários, 10 irão entregar os cargos.[17]

Referências

  1. «Propaganda PMDB». Folha de S. Paulo, Ano 70, edição 22509, página 7. 18 de novembro de 1990. Consultado em 1 de julho de 2014 
  2. «Os candidatos- Deputados Estaduais». Folha de S. Paulo, Ano 74, edição 23922, Caderno Especial, página C2. 1 de outubro de 1994. Consultado em 1 de julho de 2014 
  3. «Prefeito de Jandira é morto a tiros em São Paulo». O Globo. 10 de dezembro de 2010. Consultado em 10 de dezembro de 2010 
  4. «Ex Presidentes». Câmara Municipal de Jandira. Consultado em 1 de julho de 2014 
  5. «4ª Legislatura». Câmara Municipal de Jandira. Consultado em 1 de julho de 2014 
  6. Painel (3 de setembro de 1980). «Novos pedessistas». Folha de S. Paulo, Ano 59, edição 18781, página 3. Consultado em 1 de julho de 2014 
  7. «Prefeito nada faz em Jandira, dizem moradores». Folha de S. Paulo, Ano 61, edição 19230, página 15. 26 de novembro de 1981. Consultado em 1 de julho de 2014 
  8. «Galeria de Prefeitos». Prefeitura de Jandira. Consultado em 1 de julho de 2014 
  9. «MP quer reduzir remuneração do prefeito de Jandira». Folha Online. 6 de junho de 2000. Consultado em 1 de julho de 2014 
  10. «Prisão de suspeitos de matar prefeito de Jandira é decretada, diz delegado». Portal G1. 11 de dezembro de 2010. Consultado em 1 de julho de 2014 
  11. «TCS-35850/026/99, 16717/026/01 e 16718/026/01» (PDF). Revista do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, edição 117, páginas 69 a 72. Fevereiro–junho de 2007. Consultado em 1 de julho de 2014 
  12. «Portaria CD-CC-SP-10915/2007» (PDF). Boletim Administrativo número 060 da Câmara dos Deputados, página 6. 28 de março de 2007. Consultado em 1 de julho de 2014 
  13. Apuração Eleições 2008
  14. «Braz Paschoalin pode perder mandato» (PDF). Diário da Região, número 8084, página 1. 5 de novembro de 2008. Consultado em 1 de julho de 2014 
  15. «Agência Brasil: Prefeito de Jandira é assassinado em frente à emissora de rádio». agenciabrasil.ebc.com.br. Consultado em 10 de dezembro de 2010 
  16. Diálogo revela esquema da propina em Jandira . Estadão
  17. Jornal Metro Brasil de 22 de dezembro de 2010, página 6

Ligações externas[editar | editar código-fonte]