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Final do Campeonato Mundial de Clubes da FIFA de 2005

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Final do Mundial de Clubes da FIFA 2005
Evento Campeonato Mundial de Clubes da FIFA de 2005
Data 18 de dezembro de 2005
Local Estádio Internacional de Yokohama, Yokohama[1]
Melhor em campo Brasil Rogério Ceni[2]
Árbitro MéxicoMEX Benito Archundia[1]
Público 66 821[1]

A final do Campeonato Mundial de Clubes da FIFA de 2005 foi uma partida de futebol disputada entre a equipe brasileira do São Paulo, representante da CONMEBOL, e a equipe inglesa do Liverpool, representante da UEFA. Ela foi realizada no dia 18 de dezembro de 2005 no Estádio Internacional de Yokohama, na cidade de Yokohama, Japão, para decidir o vencedor do Campeonato Mundial de Clubes da FIFA de 2005. Este evento reuniu os vencedores das principais competições das associações continentais da FIFA, sendo utilizada como substituta para a antiga Copa Intercontinental, a qual ambos os times já haviam disputado anteriormente. O São Paulo sagrou-se vencedor da Copa Intercontinental duas vezes consecutivas, em 1992 e 1993; já o Liverpool, perdeu as duas finais que participou, nos anos de 1981 e 1984.

Ambas as equipes se classificaram para tal evento conquistando as respectivas copas continentais. O São Paulo foi campeão da Copa Libertadores do respectivo ano, derrotando na final o Atlético Paranaense pelo placar agregado de 5–1. O Liverpool, por sua vez, tornou-se vencedor da temporada 2004–05 da Liga dos Campeões da UEFA, após derrotar o Milan nas cobranças de pênaltis por 3–2, após um empate em 3–3 no tempo normal. As duas equipes disputaram um jogo na competição para poderem alcançar a final: o São Paulo derrotou o Al-Ittihad, vencedor da Liga dos Campeões da AFC de 2005, por 3–2, enquanto o Liverpool aplicou 3–0 no Deportivo Saprissa, equipe vencedora Copa dos Campeões da CONCACAF de 2005.

Assistido por um público de 66 821 espectadores, o São Paulo conquistou a vantagem no primeiro tempo após um gol marcado pelo volante Mineiro. O Liverpool desperdiçou inúmeras chances de igualar o marcador nos quarenta e cinco minutos iniciais. No segundo tempo, obteve pleno domínio do jogo e teve três gols anulados. Apesar de todas as oportunidades para empatar a partida, nenhuma foi aproveitada e o São Paulo se sagrou campeão vencendo o jogo por 1–0.

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

O São Paulo se qualificou para disputar o Campeonato Mundial de Clubes da FIFA ao conquistar a Copa Libertadores da América. Eles se tornaram campeões da edição de 2005 ao derrotarem o Atlético Paranaense no agregado de 5–1 (1–1 no primeiro jogo e 4–0 no segundo).[3] Esta foi a primeira, e por enquanto, única participação da equipe na competição, apesar de já ter disputado a antecedente e equivalente Copa Intercontinental, vencida em 1992 diante do Barcelona, e em 1993 contra o Milan.[4] O Liverpool se qualificou para entrar na competição ao se sagrarem campeões da Liga dos Campeões da UEFA da temporada 2004–05, derrotando o Milan na cobrança de pênaltis por 3–2, após um empate heroico no tempo normal por 3–3,[5] partida que é referida como "O Milagre de Istambul", devido ao Liverpool reverter uma vantagem de três gols do Milan construída na primeira etapa.[6] Semelhante ao São Paulo, o Liverpool participou da competição pela primeira, e até agora, única vez, apesar de ter disputado duas vezes a Copa Intercontinental, sendo derrotado em 1981 pelo Flamengo e em 1984 pelo Independiente.[4]

Ambos os times entraram na competição diretamente nas semifinais. O oponente do São Paulo foi o campeão da Liga dos Campeões da AFC de 2005, a equipe árabe do Al-Ittihad. Com uma vitória de 3–2, construída através de dois gols de Amoroso e um gol de pênalti do goleiro Rogério Ceni, o clube se classificou para poder disputar a final.[7] Já o Liverpool enfrentou o campeão da Copa dos Campeões da CONCACAF de 2005, o time costarriquenho do Deportivo Saprissa, o qual venceu facilmente por 3–0, com dois gols de Peter Crouch e um de Steven Gerrard.[8]

Tanto o São Paulo como o Liverpool alcançaram uma boa posição nos seus campeonatos nacionais respectivos. O Campeonato Brasileiro de Futebol de 2005 - Série A já havia encerrado duas semanas antes da competição, tendo o São Paulo finalizado o mesmo na décima primeira posição, vencendo e sendo derrotado em 16 jogos e empatando 10.[9] A FA Premier League de 2005–06 estava se aproximando de sua metade quando o Liverpool ingressou no Campeonato Mundial de Clubes da FIFA; a equipe estava na segunda colocação e havia vencido o último jogo antes da competição, para o Middlesbrough pelo placar de 2–0.[10] Este triunfo ampliou para dez jogos a sequência da equipe sem conceder um gol ao adversário, estabelecendo um recorde do clube.[11]

O treinador do São Paulo, Paulo Autuori concedeu uma entrevista afirmando que sua equipe teria que melhorar o seu desempenho na partida da semifinal para que conseguissem vencer a partida: "Nós vamos ter que melhorar certos aspectos do nosso jogo se quisermos ganhar a final". Autouri não estava preocupado com a ameaça aérea do Liverpool, mas estava esperando por uma grande posse de bola adversária durante a partida: "As equipes inglesas são bem conhecidas por sua excelência no jogo aéreo, mas o Liverpool é uma equipe que consegue manter a bola muito bem também, como eles provaram ao ganhar a Liga dos Campeões".[10]

O treinador do Liverpool, Rafa Benítez decidiu por assumir a equipe na partida, apesar da morte de seu pai no início da semana. Benítez estava confiante de que sua equipe seria capaz de derrotar o São Paulo: "Estamos jogando com confiança e tanta vontade que eu acho que podemos vencer qualquer um".[10] O atacante Crouch, que marcou duas vezes na semifinal foi tão inflexível como seu treinador quando indagado sobre ganhar a competição, acrescentando que "Nós não viajamos todo esse caminho até o Japão para vir aqui e passear."[10]

Partida[editar | editar código-fonte]

O jogo[editar | editar código-fonte]

O goleiro Rogério Ceni fez grandes defesas e foi eleito o "Homem do jogo".

Antes do início da partida, um minuto de silêncio foi respeitado, em virtude da morte de Francisco, pai do treinador do Liverpool Rafa Benítez, o qual havia falecido de insuficiência cardíaca na quarta-feira anterior à final. Ambas as equipes foram ao gramado com braçadeiras pretas em um sinal de respeito.[12] O jogo teve um atraso para seu início devido à invasão de um torcedor, o qual se dirigiu em direção a uma das goleiras e ficou se segurando na trave até ser retirado pela equipe de segurança.[13] O São Paulo começou o jogo com o esquema 3–5–2, enquanto o Liverpool optou por uma formação 4–4–1–1.[14] A primeira oportunidade de gol da partida foi do Liverpool, com apenas 79 segundos de jogo, quando o capitão Steven Gerrard cruzou a bola na grande área e o atacante Fernando Morientes efetuou um cabeceio por cima da meta.[15] O Liverpool continuou criando oportunidades para marcar o gol, sendo que mais duas cabeçadas foram desperdiçadas, ambas de Luis García.[15] Naquela altura, o São Paulo havia criado apenas uma chance, com Amoroso, mas a equipe foi crescendo em confiança e quase abriu o placar em uma tentativa do defensor Cicinho, na qual a bola passou por cima do travessão.[16]

A pressão exercida pelo São Paulo surtiu resultado quando a equipe inaugurou o marcador aos 27 minutos do primeiro tempo. Um passe chapado de Aloísio para Mineiro encontrou o meio-campista livre de marcação, o qual avançou com a bola e chutou em gol na saída de Pepe Reina, estabelecendo 1–0 para o São Paulo.[17] Este gol encerrou uma sequência de 1 041 minutos do Liverpool sem conceder um gol ao adversário.[14] No minuto seginte, o Liverpool quase empatou a partida, onde Xabi Alonso executou a cobrança de um escanteio, e García arrematou na trave.[17] O Liverpool criou outra chance antes dos trinta minutos de jogo, mas desperdiçou um cabeceio com Morientes novamente; cinco minutos depois, Gerrard recebeu passe de Harry Kewell e chutou perto da meta de Rogério Ceni.[15] O goleiro do São Paulo acabou realizando outras três defesas importantes nos sete minutos finais da primeira etapa, impedindo o empate da equipe inglesa, incluindo um disparo frontal do defensor Sami Hyypiä.[16]

O Liverpool continuou criando oportunidades de gol no início da segunda etapa. Logo aos sete minutos, a equipe obteve uma falta distante vinte e dois metros da meta adversária.[16] A cobrança de Gerrard acabou saindo perfeita, no entanto, o goleiro Rogério Ceni fez a defesa; ele impediu novamente o gol adversário quando defendeu um cruzamento de Kewell em direção ao gol.[16] A equipe inglesa teve seu primeiro gol anulado quando García cabeceou na posição de impedimento; poucos instantes depois, Morientes desperdiçou outra clara chance de gol ao arrematar por cima do travessão.[15] Em seguida, o Liverpool teve mais um gol anulado, quando Hyypiä marcou após uma cobrança de escanteio de Xabi Alonso, onde o árbitro alegou que a bola havia feito uma curva por fora das linhas de jogo, inviabilizando a cobrança.[14]

O São Paulo fez sua primeira substituição aos 30 minutos do segundo tempo, quando Grafite ingressou no lugar de Aloísio, enquanto o Liverpool optou por fazer duas substituições quatro minutos depois no intuito de empatar a partida. Simultaneamente, Stephen Warnock e Mohamed Sissoko deram lugar à John Arne Riise e Florent Sinama-Pongolle; seis minutos após, Peter Crouch entrou na vaga de Morientes.[1] O time inglês acabou por ter o seu terceiro gol anulado aos 44 minutos do segundo tempo, após impedimento de Sinama-Pongolle quando este concluiu ao gol de Ceni. A última chance clara do Liverpool aconteceu nos acréscimos, mas García chutou fora da meta são-paulina.[14] Esgotado o tempo, o árbitro apitou o final da etapa e o São Paulo sagrou-se campeão do Campeonato Mundial de Clubes da FIFA com um triunfo de 1–0.[17]

Detalhes[editar | editar código-fonte]

18 de dezembro de 2005 São Paulo Brasil 1 – 0 Inglaterra Liverpool Estádio Internacional de Yokohama, Yokohama
19:20 JST
Mineiro Gol marcado aos 27 minutos de jogo 27' Detalhes Público: 66 821[1]
Árbitro: Benito Archundia (México)[1]
Cores do Time Cores do Time Cores do Time
Cores do Time
Cores do Time
São Paulo
Cores do Time Cores do Time Cores do Time
Cores do Time
Cores do Time
Liverpool
GR 1 Brasil Rogério Ceni (c) Penalizado com cartão amarelo após 90 minutos 90'
LIB 5 Uruguai Diego Lugano Penalizado com cartão amarelo após 57 minutos 57'
ZA 3 Brasil Fabão
ZA 4 Brasil Edcarlos
AD 2 Brasil Cicinho
AE 6 Brasil Júnior
MC 7 Brasil Mineiro
MC 8 Brasil Josué
MA 10 Brasil Danilo
AT 14 Brasil Aloísio Substituído após 75 minutos de jogo 75'
CA 11 Brasil Márcio Amoroso
Substituições:
AT 9 Brasil Grafite Entrou em campo após 75 minutos 75'
Treinador:
Brasil Paulo Autuori
GR 12 Espanha Pepe Reina
LD 3 República da Irlanda Steve Finnan
ZA 4 Finlândia Sami Hyypiä
ZA 23 Inglaterra Jamie Carragher
LE 2 Inglaterra Stephen Warnock Substituído após 79 minutos de jogo 79'
VO 22 Mali Mohamed Sissoko Substituído após 79 minutos de jogo 79'
MD 8 Inglaterra Steven Gerrard (c)
MC 14 Espanha Xabi Alonso
ME 7 Austrália Harry Kewell
MA 10 Espanha Luis García
CA 19 Espanha Fernando Morientes Substituído após 85 minutos de jogo 85'
Substituições:
ZA 6 Noruega John Arne Riise Entrou em campo após 79 minutos 79'
AT 11 França Florent Sinama-Pongolle Entrou em campo após 79 minutos 79'
CA 15 Inglaterra Peter Crouch Entrou em campo após 85 minutos 85'
Treinador:
Espanha Rafael Benítez

Homem do Jogo:

Brasil Rogério Ceni (São Paulo)[2]

Árbitros auxiliares:

Héctor Vergara (Canadá)[1]

Arturo Velázquez (México)[1]

Quarto árbitro:

Toru Kamikawa (Japão)[1]

Regras da partida

  • 90 minutos
  • 30 minutos de prorrogação se necessário
  • Cobrança de pênaltis caso persista igualdade
  • Doze jogadores no banco de reservas, sendo que três podem entrar durante a partida

Estatísticas[editar | editar código-fonte]

Toda a partida[1]
São Paulo Liverpool
Gols marcados 1 0
Chutes 4 21
Chutes a gol 2 8
Posse de bola 47% 53%
Escanteios 0 17
Faltas cometidas 15 13
Impedimentos 2 7
Cartões amarelos 2 0
Cartões vermelhos 0 0

Pós-jogo[editar | editar código-fonte]

Equipe do São Paulo recebendo uma homenagem do então presidente do Brasil Lula e da Federação Paulista de Futebol pela conquista.

A maior parte dos comentários após o final da partida se basearam na anulação dos três gols da equipe inglesa. O treinador do Liverpool, Rafa Benítez, ficou extremamente irritado e furioso com a arbitragem e protestou veementemente com o juiz e os auxiliares após o encerramento do jogo.[14] Ele declarou na entrevista que estava certo de que pelo menos um dos gols não deveria ser anulado: "Nós sabíamos que um dos gols foi limpo, não houve impedimento." Ele também questionou a qualidade do trio de arbitragem: "Você não pode colocar um árbitro mexicano e um bandeirinha canadense em uma final de Campeonato Mundial de Clubes".[14] O meio-campista Luis García, que teve um gol anulado, resumiu o sentimento da equipe na frase "Nós fomos prejudicados".[14]

O goleiro do São Paulo, Rogério Ceni, foi nomeado como o Homem do Jogo e também recebeu a Bola de Ouro por ter sido o melhor jogador da competição. Ceni foi humilde ao receber as premiações, afirmando: "É uma honra ter recebido estes prêmios, porém eles não são somente para mim". Ele dedicou as honrarias aos outros membros da equipe: "Quando eu olho para este troféus eu lembro dos meus colegas de equipe, do treinador e de todas as pessoas que estão envolvidas no clube".[18] O treinador Paulo Autuori ficou encantado com a equipe após o triunfo e concordou com Ceni afirmando que "[a] vitória foi um esforço coletivo", complementando dizendo que "era uma grande conquista para o clube".[18] Mineiro, responsável pelo gol que rendeu o título ao clube paulista, afirmou que "este é o momento mais feliz da minha carreira".[18]

Referências

  1. a b c d e f g h i j Match report Fédération Internationale de Football Association (FIFA) (18 de dezembro de 2005). Visitado em 30 de agosto de 2011.
  2. a b Toyota Cup - Most Valuable Player of the Match Award Rec. Sport. Soccer Statistics Foundation (RSSSF). Visitado em 6 de novembro de 2008. Cópia arquivada em 22 de novembro de 2008.
  3. Sao Paulo rolls to third Copa Libertadores crown USA Today (15 de julho de 2005). Visitado em 31 de agosto de 2011.
  4. a b Intercontinental Club Cup Rec. Sport. Soccer Statistics Foundation (RSSSF) (30 de abril de 2005). Visitado em 31 de agosto de 2011.
  5. Liverpool 3-3 AC Milan The Guardian (25 de maio de 2005). Visitado em 25 de abril de 2011.
  6. O Milagre de Istambul do Liverpool na Champions vira filme UOL. Visitado em 13 de junho de 2015.
  7. Boys from Brazil reach Club World final The Daily Telegraph (15 de dezembro de 2005). Visitado em 29 de agosto de 2011.
  8. Liverpool 3 Deportivo Saprissa 0: Crouch double as Liverpool demolish Costa Ricans to reach showpiece final The Independent (16 de dezembro de 2005). Visitado em 29 de agosto de 2011.
  9. RSSSF Brazil (8 de dezembro de 2005). Brazil 2005 Championship – First Level (Série A) Rec. Sport. Soccer Statistics Foundation (RSSSF). Visitado em 20 de agosto de 2011.
  10. a b c d Europe and South America do battle Fédération Internationale de Football Association (FIFA) (17 de dezembro de 2005). Visitado em 29 de agosto de 2011.
  11. Liverpool 2–0 Middlesbrough BBC Sport (10 de dezembro de 2005). Visitado em 29 de agosto de 2011.
  12. São Paulo survives to win world title The New York Times (19 de dezembro de 2005). Visitado em 27 de dezembro de 2011.
  13. Liverpool v Sao Paulo photos BBC Sport (18 de dezembro de 2005). Visitado em 27 de outubro de 2011.
  14. a b c d e f g Benítez makes beeline for Blatter after night of frustration The Guardian (19 de dezembro de 2005). Visitado em 1 de agosto de 2011.
  15. a b c d Sao Paulo lifts World Clubs trophy CNN (20 de dezembro de 2005). Visitado em 30 de agosto de 2011.
  16. a b c d Sao Paulo strike gold for South America Fédération Internationale de Football Association (FIFA) (18 de dezembro de 2005). Visitado em 30 de agosto de 2011.
  17. a b c Sao Paulo 1-0 Liverpool BBC Sport (18 de dezembro de 2005). Visitado em 30 de agosto de 2011.
  18. a b c Ceni: I see my team mates in these awards Fédération Internationale de Football Association (FIFA) (18 de dezembro de 2005). Visitado em 30 de agosto de 2011.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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