Svoboda (partido)

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União Pan-Ucraniana "Svoboda"
Всеукраїнське об'єднання "Свобода"
Presidente Oleh Tyahnybok
Fundação 16 de outubro de 1995[1]
Sede Kiev,  Ucrânia
Ideologia Ultranacionalismo
Populismo de direita
Conservadorismo social
Nacionalismo econômico
Espectro político Direita[2][3][4] a extrema-direita[5][6]
Antecessor Partido Social-Nacional da Ucrânia
Membros (2010) 15.000[2]
Verkhovna rada
1 / 450
Subdivisões da Ucrânia (2020)[7]
890 / 43 122
Cores Azul e Amarelo
Página oficial
Website oficial
"A Ideia da Nação" (I+N), símbolo derivado do Wolfsangel nazista e usado pelo SNPU até 2004.

A União Pan-Ucraniana "Liberdade", conhecida como "Svoboda" (em ucraniano, Всеукраїнське об'єднання «Свобода», transl. Vseukrayinske obyednannia "Svoboda"),[8][9][10][11] é um partido político ultranacionalista ucraniano.[12][13] O partido teve atuação destacada na promoção das manifestações violentas que substituíram os protestos populares, contra os efeitos da crise econômica, criando uma situação de quase guerra civil, na Ucrânia, entre 2013 e 2014.[14] Após a deposição do então presidente, Viktor Yanukovitch, membros do Svoboda ocuparam cinco cargos de alto escalão, no novo governo da Ucrânia, incluindo o cargo de vice-primeiro ministro, o que levou o presidente da Rússia, Vladimir Putin, a afirmar que a Ucrânia caíra nas mãos de grupos de extrema-direita fascistas.[15] Na época, Svoboda tornou-se um dos mais importantes partidos do país.

O Svoboda foi fundado em 1991 como Partido Social-Nacional da Ucrânia (SNPU) [nota 1]. Segundo vários analistas políticos, atuava como um partido populista de direita, ultranacionalista e anticomunista, sendo que o nome do partido seria uma referência intencional ao Partido Nazista (Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães).[16][17][18][19][2][3][20][4]Andriy Parubiy, chefe do Conselho de Segurança Nacional e Defesa da Ucrânia, entre fevereiro e agosto de 2014,[21] havia sido um dos principais membros do SNPU, na década de 1990.

A posição do Svoboda, no espectro político, tem sido descrita como de direita[2][3][4] a extrema-direita,[22][23][24][25] e o partido é amplamente considerado como ultranacionalista[26][27] e populista de direita.[28][29] Expressou apoio e realizou comemorações em homenagem a Stepan Bandera e se opõe à imigração, ao globalismo e ao livre comércio. Decididamente anticomunista e conservador em relação às questões sociais, favorece o nacionalismo econômico e o protecionismo.[30]

A filiação era restrita aos ucranianos étnicos, e, por um certo período, o partido não aceitou ateus ou ex-membros do Partido Comunista.[17] O partido também foi acusado de recrutar white powers e hooligans.[31] Várias fontes classificam o Svoboda como neofascista, neonazista, racista ou antissemita,[32][33][34][35][36][17][37][38] enquanto outras contestam o rótulo de neofascista e simplesmente o consideram como um partido nacionalista radical.[39][40] O próprio Svoboda afirma que sua política é nacionalista, mas não fascista ou antissemita.[41]

Resultados eleitorais[editar | editar código-fonte]

Eleições presidenciais[editar | editar código-fonte]

Data Candidato

apoiado

1ª Volta 2ª Volta
Votos % Votos %
1991 Nenhum candidato apoiado
1994
1999
2004
2010 Oleh Tyahnybok 352 282 1,4 (8.º)
2014 Oleh Tyahnybok 210 476 1,2 (10.º)
2019 Ruslan Koshulynskyi 307 244 1,6 (9.º)


Eleições parlamentares[editar | editar código-fonte]

Data Votos % Deputados +/- Status
1994 49 483 0,2 (19.º)
0 / 450
Extra-parlamentar
1998 45 155 0,2 (29.º)
1 / 450
Aumento1 Oposição
2002 Não participou
2006 91 321 0,4 (18.º)
0 / 450
Extra-parlamentar
2007 178 660 0,8 (8.º)
0 / 450
Estável Extra-parlamentar
2012 2 129 246 10,5 (5.º)
37 / 450
Aumento37 Oposição
2014 742 022 4,7 (7.º)
6 / 423
Baixa31 Oposição
2019 315,530 2,1 (11.º)
1 / 450
Baixa5 Oposição

Notas

  1. O Partido Social-Nacional da Ucrânia (SNPU) foi registrado em 16 de outubro de 1995, embora o movimento original tivesse sido criado em 13 de outubro de 1991, em Lviv.[1][8]

Referências

  1. a b Oblast Council demands Svoboda Party be banned in Ukraine, Kyiv Post, 12 de maio de 2011.
  2. a b c d Olszański, Tadeusz A. (4 de julho de 2011). «Svoboda Party – The New Phenomenon on the Ukrainian Right-Wing Scene». Centre for Eastern Studies. OSW Commentary (56): 6. Consultado em 27 de setembro de 2013 
  3. a b c Encyclopædia Britannica (2010). Britannica Book of the Year 2010. [S.l.]: Encyclopædia Britannica, Inc. p. 478 
  4. a b c Radzina, Natallia (7 de fevereiro de 2014). «Vitaliy Portnikov: First Belarus, then Russia will follow after Ukraine». Charter '97 
  5. «Analysis: U.S. Cozies Up to Kiev Government Including Far Right». NBC News (em inglês). Consultado em 26 de setembro de 2021 
  6. «Ukraine's Far Right Today - Continuing Electoral Impotence and Growing Uncivil Society». www.ui.se (em sueco). Consultado em 26 de setembro de 2021 
  7. Кандидати, яких обрано депутатами рад. www.cvk.gov.ua (em ucraniano). 24 de janeiro de 2020 
  8. a b (ucraniano)Всеукраїнське об'єднання «Свобода», Database ASD
  9. Central Election Commission of Ukraine
  10. Candidates list for Less words
  11. Ukraine’s Neo-Nazi Imperative [em 20 de abril de 2014]
  12. Extrema direita conquista espaço na Ucrânia em meio a crise política. Milícias formadas por ultranacionalistas e neonazistas convivem com manifestantes moderados que ocupam Kiev, exigindo que o presidente retome aproximação com a UE. Por Andrei Netto. Estadão, 2 de fevereiro 2014.
  13. After the parliamentary elections in Ukraine: a tough victory for the Party of Regions, [for Eastern Studies] (7 de novembro 2012)
  14. Visão-Ucrânia: Tudo se perde, quando se perde a paz. Por António dos Santos Queirós. CRI, 21 de fevereiro de 2022.
  15. Na Ucrânia, a extrema-direita nacionalista ganha influência. O Globo, 8 de março de 2014.
  16. Ucrânia: lições da Praça Maidan, um mês depois. Por David Mandel. Outras Palavras, 25 de março de 2014.
  17. a b c Spiegel Staff (27 de janeiro de 2014). «The Right Wing's Role in Ukrainian Protests». Der Spiegel. Consultado em 5 de fevereiro de 2014 
  18. Umland, Andreas; Anton Shekhovtsov (setembro–outubro de 2013). «Ultraright Party Politics in Post-Soviet Ukraine and the Puzzle of the Electoral Marginalism of Ukrainian Ultranationalists in 1994–2009». Russian Politics and Law. 51 (5): 41. It is noteworthy that of these various Ukrainian nationalist parties the SNPU was the least inclined to conceal its neofascist affiliations. Its official symbol was the somewhat modified Wolf’s Hook (wolfsangel), used as a symbol by the German SS division Das Reich and the Dutch SS division Landstorm Nederland during World War II and by a number of European neofascist organizations after 1945.33 As seen by the SNPU leadership, the Wolf’s Hook became the “idea of the nation.” Moreover, the official name of the party’s ideology, “social nationalism,” clearly referred back to “national socialism”—the official name of the ideology of the National-Socialist German Workers’ Party (NSDAP) and of the Hitlerite regime. The SNPU’s political platform distinguished itself by its openly revolutionary ultranationalism, its demands for the violent takeover of power in the country, and its willingness to blame Russia for all of Ukraine’s ills. Moreover, the SNPU was the first relatively large party to recruit Nazi skinheads and football hooligans. But in the politi- cal arena, its support in the 1990s remained insignificant. 
  19. Kiev regional police head accused of neo-Nazi ties, The Jerusalem Post (12 November 2014)
  20. http://voiceofrussia.com/2012_11_13/Ukraine-publishes-final-polls-results/
  21. Ukraine : le nouveau gouvernement présenté à la foule de Maïdan. Les ministres ont été proposés un par un à la foule pour obtenir son approbation. Le Monde/ AFP/ Reuters, 26 de fevereiro de 2014.
  22. Far right:
  23. «The OUN and Its Significance for the All-Ukrainian Party Svoboda». C2DH | Luxembourg Centre for Contemporary and Digital History (em francês). 1 de janeiro de 2019 
  24. Gordon, April (janeiro de 2020). «A New Eurasian Far Right Rising: Reflections on Ukraine, Georgia, and Armenia» (PDF). freedomhouse.org. Freedom House 
  25. «Why is support for far-right party National Corps growing in Ukraine?». euronews (em inglês). 3 de março de 2019 
  26. Nordsieck, Wolfram (2019). «Parties and Elections in Europe - Ukraine» 
  27. «Svoboda: The rise of Ukraine's ultra-nationalists». BBC. 25 de dezembro de 2012 
  28. Ivaldi, Gilles (2012). «The Populist Radical Right in European Elections 1979-2009». In: Uwe Backes; Patrick Moreau. The Extreme Right in Europe. [S.l.]: Vandenhoeck & Ruprecht. p. 20. ISBN 978-3-525-36922-7 
  29. Wodak, Ruth; KhosraviNik, Majid; Mral, Brigitte (2013). Right-Wing Populism in Europe: Politics and Discourse. [S.l.: s.n.] 251 páginas. ISBN 9781780933436. KUN and Svoboda are also Russophobic and antisemitic 
  30. «ІІ. Економічний націоналізм: заможна нація, соціальна справедливість та деолігархізація» 
  31. Ivan Katchanovski interview with Reuters Concerning Svoboda, the OUN-B, and other Far Right Organizations in Ukraine, Academia.edu (March 4, 2014)
  32. Spyer, Jonathon (9 de janeiro de 2014). «Kiev Showdown». The Jerusalem Post. Consultado em 28 de fevereiro de 2014. The far-right, anti-Semitic Svoboda party of Oleh Tyahnybok is also in evidence in the square. The third organized element is the Batkivschnya (Fatherland) party, which is close to Timoshenko. 
  33. Syal, Rajeev (1 de junho de 2012). «Guardian Weekly: Shadow of racism over Euro 2012 finals: Black football fans face uncertain welcome in Ukrainian host city». The Guardian Weekly. Consultado em 28 de fevereiro de 2014. Lviv's ruling party, Svoboda, whose slogan is "one race, one nation, one fatherland", has been variously described as fascist, neo-Nazi and extreme. Members prefer to say they are nationalists and friends of Marine Le Pen's Front National. 
  34. Weinthal, Benjamin (28 de dezembro de 2012). «Wiesenthal ranks top 10 anti-Semites, Israel-bashers. Muslim Brotherhood's rise in Egypt catapults two religious figures into No. 1 spot». Jerusalem Post. Consultado em 28 de fevereiro de 2014. The Wiesenthal Center also cited Oleg Tyagnibok (No. 5) from the fascist Ukranian Svoboda party. He urged purges of the approximately 400,000 Jews and other minorities living in the Ukraine and has demanded that the country be liber-ated from the "Muscovite Jewish Mafia." Ukrainian MP Igor Miroshnichenko was cited for anti-Jewish remarks as well: He called Ukrainian-born American ac-tress Mila Kunis a "zhydovka" (dirty Jewess). 
  35. «Head of Israel-Ukraine association surprised at agreement signed by Ukrainian opposition and Svoboda». Ukraine General Newswire-Interfax News Agency. 23 de outubro de 2012. Consultado em 28 de fevereiro de 2014. The head of the Israel-Ukraine inter-parliamentary association, Israel is Our Home Party MP Alex Miller, has said he does not understand why the Ukrainian opposition signed a coalition agreement with an "anti-Semitic" party - the Svo-boda All-Ukrainian Union… According to the Ukrainian Jewish Committee, Svoboda is a fascist party, and its full name - the Social-National Party of Ukraine - was chosen in association with the National Socialist German Workers' Party (NSDAP). 
  36. Shekhovtsov, Anton (2013). «17: From Para-Militarism to Radical Right-Wing Populism: The Rise of the Ukrainian Far-Right Party Svoboda.». Right Wing Populism in Europe. [S.l.]: Routledge. pp. 251–2. The Ukrainian National Assembly (UNA), KUN and Svoboda are also Russophobic and anti-semitic. Moreover, 'white racism’ is overtly or covertly inherent in the doctrines of the UNA, Svoboda and All-Ukrainian Party'New Force' (Nova Syla), and most evidently manifests itself through the parties’ anti-immigrant positions. 
  37. Goldfarb, Michael (12 de abril de 2012). «Ukraine's nationalist party embraces Nazi ideology». Global Post. Consultado em 5 de fevereiro de 2014 
  38. Likhachev, Viacheslav (setembro–outubro de 2013). «Right-Wing Extremism on the Rise in Ukraine». Russian Politics and Law. 51 (5)  "Em sua propaganda, ideólogos do SNPU eram mais explícitos, descrevendo a oposição à "influência moscovita" como sendo racial. Publicações do SNPU orgulhosamente se referem à nação ucraniana como a "raiz da raça branca". A Ucrânia era vista como um "posto avançado da civilização europeia", e a Rússia como uma "horda asiática". A Ucrânia, segundo Andrii Parubii, um dos líderes do SNPU - que posteriormente ligou-se ao partido Nossa Ucrânia, de centro-direita) -, precisa "enfrentar a agressividade das ideias perniciosas do mundo asiático, hoje corporificado na Rússia". Paralelamente à russofobia, os ideólogos do SNPU pregavam (e ainda pregam) o anti-ocidentalismo: do ponto de vista deles, 'o marxismo internacionalista e o liberalismo cosmopolita são de fato dois lados da mesma moeda'. Eu acrescentaria que todo o constructo ideológico formulado nas publicações do SNPU nos anos 1990 ainda caracteriza a ideologia atual do Svoboda. Embora o partido tenha amenizado sua retórica nos anos 2000, ele se orgulha da continuidade da sua história e da natureza imutável da sua ideologia."
  39. Grey, Stephen (18 de março de 2014). «In Ukraine, nationalists gain influence - and scrutiny». The Chicago Tribune. Consultado em 27 de março de 2014 
  40. Shekhovtsov, Anton (5 de março de 2014). «From electoral success to revolutionary failure: The Ukrainian Svoboda party». Eurozine. Consultado em 27 de março de 2014 
  41. Stern, David (13 de dezembro de 2013). «What Europe Means to Ukraine's Protesters». The Atlantic. Consultado em 27 de março de 2014. But Svoboda’s positions are somewhat at odds with the EU’s ideals of tolerance and multiculturalism, to put it mildly: It is a driving force behind Ukraine’s anti-gay rights movement; the party’s platform supports distributing government positions to various ethnicities according to their percentage makeup of the population; and, despite recent claims to the contrary, it remains, at least among its leadership, a deeply anti-Semitic organization (one deputy in parliament has described the Holocaust as a “bright period” for Europe.) 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]