TV Camaçari

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
TV Camaçari
Univídeo Produções Audiovisual Ltda.

 Brasil
Cidade de concessão Camaçari, BA
Canais
13 VHF analógico
Rede TV Cultura
Fundação 1993
Extinção 20 de fevereiro de 2009
Sucessora TV Aratu Camaçari
Cobertura Camaçari
Potência 1k

TV Camaçari (também conhecida como TVC) foi uma emissora de televisão brasileira instalada na cidade de Camaçari (daí o nome da emissora), no interior da Bahia, na Grande Salvador.

A emissora pertencia desde associações de políticos locais até a Prefeitura Municipal de Camaçari, entrou no ar em 1993, sendo afiliada à TV Cultura até 20 de fevereiro de 2009, quando teve a concessão cassada por diversas irregularidades de uso da emissora, que era educativa e veicular programas educativos, virou uma emissora comercial e uso político local.

História[editar | editar código-fonte]

1993-2000[editar | editar código-fonte]

A TVC entra no ar em 1993, como repetidora da rede TV Cultura de São Paulo.[1] A concessão da emissora pelo Ministério das Comunicações é para emissão de TV educativa e também como repetidora de TV (RTV) com proibição de veicular comerciais, de acordo por lei a inserir exclusivamente "programas de interesse comunitário".[1]

Na época da inauguração da emissora, Camaçari era um próspero município baiano com cerca de 100 mil habitantes, localizado a apenas 40 km de Salvador.[1]

Precariamente instalada num imóvel de cerca de 80 metros quadrados na área conhecida como Parque Satélite, a TVC, tem apenas 19 funcionários e paga míseros R$ 200 de salário ao único repórter.[1]

Porém, após a emissora entrar no ar, políticos da situação (entre oposição e governo) no município de Camaçari, passaram utilizar a emissora para fazer campanha política, veicular comerciais pagos, inclusive fazendo programas locais.[1]

A modéstia das instalações não lhe impediu de alcançar ótima audiência na cidade, principalmente o programa Bate Papo, que entra no ar ao meio-dia de segunda a sexta, a principal trincheira reservada para os políticos da situação.[1]

O prefeito Luiz Caetano (PSDB), acusou a emissora de fazer propaganda aos adversários políticos e de não permitir a veiculação da propaganda municipal, inclusive operando como emissora comercial.[1]

Nas eleições municipais de 1996, os partidos que sustentam Luiz Caetano, que fazem oposição ao candidato a prefeito (que era deputado federal), José Eudoro Reis Tude (PTB) propôs representação contra a emissora porque ela se recusava a pôr no ar os programas da propaganda eleitoral gratuita prevista pela legislação:[1] "Eles alegavam que não podiam passar porque a TV era uma repetidora. Mas que diabo de repetidora é essa que veicula comerciais e produz e gera vários programas?", indigna-se Caetano.[1]

Nas eleições de 1996, o deputado federal José Tude, foi eleito prefeito da cidade e renunciou ao cargo de deputado, que assumiu a prefeitura em 1º de janeiro de 1997.[1]

Tude presidiu a poderosa Companhia de Desenvolvimento Regional Metropolitana de Salvador (Conder), órgão que canalizava todas as ações do governo do estado na capital, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), governou a Bahia entre 1991 a 1995.[1]

O ex-prefeito Caetano tentou divulgar na TVC uma convocação paga para o encontro regional das oposições, realizado nos dias 7 e 8 de junho de 1997: "Íamos pagar R$ 1 mil para fazer seis inserções por dia durante cinco dias, e não aceitaram. Um dos produtores, o Edilton Tourinho, disse que não ia transmitir porque a televisão era do prefeito e ele não aceitou.", disse Caetano.[1]

Agora prefeito, Tude tenta negar ter qualquer ligação com a TVC. A emissora está registrada em nome da Univídeo Produções Audiovídeo Ltda., cujos proprietários são o radialista Augusto Sansão e o ex-prefeito Humberto Garcia Ellery (PMDB) e aliado de Tude.[1]

Coincidência ou não, a prefeitura é a grande anunciante da TVC. Não fiz nada de novo. Isso é um contrato antigo que resolvemos manter, afirma Tude. Só em março de 1997, pagou à TVC exatos R$ 74.259,63, uma pequena fortuna para uma emissora desse porte.[1]

2000-2008[editar | editar código-fonte]

No final da tarde do dia 16 de dezembro de 2004, funcionários da emissora invadem a emissora, incluindo a Rádio Camaçari FM, a Rádio Metropolitana e da Mídia Engenhos Publicitários, para protestarem contra os atrasos dos salários de outubro, novembro, dezembro e o 13º salário. Eles tiram as emissoras do ar até que fossem pagos os salários.[2]

Em 24 de outubro de 2007, dívida trabalhista (por conta de demissão de 30 funcionários em 1998), leva a leilão a torre de transmissão da emissora.[3]

Em 21 de fevereiro de 2008, as vereadoras de Camaçari, Luiza Maia (PT) e Janete Ferreira (PMDB), respectivamente presidente e vice-presidente da Câmara Municipal local, acusam durante os discursos na tribuna municipal contra a TVC, durante a 2ª Sessão Ordinária do Primeiro Período Legislativo de 2008.[4] Janete Ferreira (que além de vereadora é filha do deputado estadual Ferreira Ottomar) disse que a TVC “mente” e Luiza Maia comunicou que pretende formar uma comissão para avaliar a postura da emissora que segundo ela só passa informações ruins para a comunidade. “Estamos juntando todos os absurdos cometidos por essa emissora e esse debate precisa ser feito, vamos tomar providência (...) a concessão de um canal de TV é uma concessão pública e eles não podem estar prestando este desserviço a população.”[4] Luiza Maia declarou que “Eles [a TVC] pegam pessoas em situação de miséria para ficar falando e coloca na televisão como se Camaçari fosse só desgraça e ainda tentam colocar a culpa de tudo no atual prefeito. Eles não informam a população sobre os benefícios que a mesma está recebendo e isso atenta contra o direito que o povo tem de saber o que está sendo feito com o dinheiro público, o povo tem o direito de saber que em seu bairro foi inaugurada uma escola, um posto de saúde, ou uma praça, por exemplo. Isso eles não falam, só publicam miséria.”, disse.[4]

Em 24 de abril, a família Coelho, dona da TV Aratu, compra a emissora, por um valor não divulgado.[5] Em 25 de abril, a emissora reinaugura a emissora com o nome de TV Aratu Camaçari.[6]

Em 27 de agosto, a emissora fica fora do ar. A ordem foi feita pela decisão da Justiça Eleitoral e que ela permanecerá assim até as 17h do dia 28 de agosto.[7]

Em 8 de setembro, em sorteio realizado com a participação dos assessores dos cinco prefeituráveis, define a entrevista na emissora para o dia 15 de setembro: dia 15, Luiz Caetano (PT); dia 16, Marco Antônio (PTC); dia 17, Charles Moura (PMN); dia 18, Gilberto D’Errico (PMDB); dia 19, Raquel Soares (PSOL).[8]

Em 15 de setembro, é realizado as entrevistas, que termina no dia 19 e as entrevistas acontecem sempre às 14hs, no programa A Hora do Povo, e terão duração total de dez minutos, divididas em dois blocos de cinco minutos cada, com tolerância de vinte segundos para o encerramento. Os temas ficam em envelopes e são sorteados pelo próprio candidato na hora da entrevista. Os assuntos que podem ser tratados são: Saúde, Educação, Transporte, Infra-estrutura, Segurança Pública e Indústria, Comercio e Serviços.[8]

Fechamento em 2009[editar | editar código-fonte]

Em 20 de fevereiro de 2009, agentes da ANATEL e da Polícia Federal entraram na emissora e tiraram a emissora do ar, com os equipamentos que mantinham no ar apreendidos.

A emissora foi fechada pelos agentes da ANATEL descumprir diversas normas de telecomunicações brasileiras, determinada tanto pelo Ministério das Comunicações e as leis.

No lugar da priorização da educação, preservação da diversidade cultural e igualitária (as quais a TV se propunha), a emissora vinha sendo usado por fins de política partidária por diveros prefeitos, políticos, vereadores, deputados na cidade e região metropolitana, com a comercialização de comerciais sem limites e multiplicação de grupos econômicos.[9]

Os abusos eram tantas que o Juiz Murilo de Castro Oliveira, da 170ª Zona Eleitoral do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) moveu processo na eleição municipal contra a TVC em 2008. Por desacatar as decisões do Juiz, a TVC passou um dia inteiro sem sinal durante as eleições de 2008.[9]

Outro motivo que levou o fechamento da emissora foi o desrespeito a legislação trabalhista. Contra a TVC existem 32 processos trabalhistas, destes 30 são individuais e mais dois coletivos por iniciativa do Sinterp/BA. Além disso, anteriormente havia uma ação civil publica movida pelo Ministério Público do Trabalho por desrespeito a liberdade sindical. Os empregados eram coagidos a não participarem do sindicato. Na época, a pena foi pedagógica no valor de R$ 20 mil, paga ao Fundo de Amparo ao Trabalhador.[9]

Curiosidades[editar | editar código-fonte]

Broom icon.svg
Se(c)ções de curiosidades são desencorajadas pelas políticas da Wikipédia.
Ajude a melhorar este artigo, integrando ao corpo do texto os itens relevantes e removendo os supérfluos ou impróprios (desde dezembro de 2009).
  • Quando a TV Camaçari entrou no ar em 1993 no canal 13, o sinal da emissora era captado em Salvador. Porém, em data incerta, o canal 13 foi ocupado pela repetidora da MTV Brasil, em Salvador (cerca de 40 km) que era transmitido pelo canal 23 UHF. Com o fim da TV Camaçari, o canal 13 da MTV Brasil pode ser captado razoavelmente em Camaçari, Simões Filhos e Dias D'Ávila.
  • Os arquivos da emissora permanecem na emissora extinta, sem onde qual o destino no local correto.

Referências

  1. a b c d e f g h i j k l m n «Dossiê das concessões de TV» (PDF). Observatório da Imprensa. Texto original da publicação do jornal Correio Braziliense em 1997. 2008. Arquivado do original (PDF) em 5 de dezembro de 2013 
  2. «Greve paralisa a TV Camaçari e a Rádio Metropolitana». Jornal da Mídia. 17 de dezembro de 2004, 10:17. Consultado em 20 de fevereiro de 2009. Arquivado do original em 24 de fevereiro de 2009  Verifique data em: |data= (ajuda)
  3. Samuel Celestino (23 de outubro de 2007, 13:02:57). «DÍVIDA TRABALHISTA LEVA TORRE DA TV CAMAÇARI A LEILÃO». Bahia Notícias. Consultado em 20 de fevereiro de 2009. Arquivado do original em 8 de março de 2009  Verifique data em: |data= (ajuda)
  4. a b c «Vereadores x TVC: briga começa a esquentar». Camaçari Notícias. 22 de fevereiro de 2008. Consultado em 20 de fevereiro de 2009 [ligação inativa]
  5. «TV Aratu compra TV Camaçari». Bahia Notícias. 26 de abril de 2008, 1h  Verifique data em: |data= (ajuda)[ligação inativa]
  6. «Show marca inauguração da TV Aratu Camaçari». Jornal da Mídia. 25 de abril de 2008, 10:01. Consultado em 20 de fevereiro de 2009  Verifique data em: |data= (ajuda)
  7. «TVC está fora do ar por decisão da Justiça Eleitoral». Camaçari Notícias. 27 de agosto de 2008. Consultado em 20 de fevereiro de 2009 [ligação inativa]
  8. a b «TV Aratu Camaçari realiza série de entrevistas com os candidatos a prefeito». Camaçari Notícias. 10 de setembro de 2008. Consultado em 20 de fevereiro de 2009 [ligação inativa]
  9. a b c Sinterpba, Inédito: Ministério das Comunicações cassa concessão da TV Camaçari, Texeira News, 18 de março de 2009